O problema dos ecopontos explicado por quem sabe, ou o estranho caso do chimpanzé que não era daltónico
11 de Agosto de 2008 por Luis RainhaDei com este excerto de uma entrevista a José Rodrigues dos Santos graças à Liliana. Se já leram isto mil vezes, desculpem a insistência de quem esteve fora. Se ainda não conhecem, preparem-se para entrar num estranho e maravilhoso mundo:
«Há pouco tempo confessou à SÁBADO que não fazia reciclagem. Como é que escreveu um livro sobre causas ambientais?
Nunca faço falsas declarações. Se me perguntar objectivamente ‘Separa o lixo?’, podia dizer que sim…mas estava a mentir. Não, não reciclo. Porquê? Porque me faz confusão as cores e não tenho os ecopontos na minha rua. então, deixo de dizer a verdade? O sistema é com cores e eu sei lá qual é a cor do vidro! Devia ter um sistema de sinalização mais friendly e muitos mais ecopontos espalhados pelas ruas. Tudo o que é simples funciona, o que é complicado não funciona. Quem inventou isso, inventou mal.
Mas a campanha aos ecopontos até tinha um chimpanzé que aprendia a separar o lixo em poucos dias pelo facto de ser de fácil entendimento…
Mas não é! Você sabe para qual é o vermelho? Então escreva também isso, que você não sabe! Como o comum das pessoas a não ser que seja muito activista. É como fazer jornalismo: se eu digo uma coisa no ar e as pessoas não entendem, a culpa não é delas, é minha. Se as pessoas não estão a registar o sistema das cores a culpa é de quem concebeu o sistema, têm que pensar de maneira diferente. Em vez de se indignarem têm é que resolver o problema.»

Comentário de Woman Once a Bird
Data: 11 de Agosto de 2008, 21:28
A generalização é deliciosa: se eu não sei, logo ninguém sabe. Mas o que acho mais surpreendente não é o facto de J.R.S. não conseguir relacionar as cores com a funcionalidade, mas sim o facto de não perceber as instruções inscritas em cada um dos contentores: é que o homem nem precisava saber ler.