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Sorte no BES

10 de Agosto de 2008 por Luis Rainha

Nem consigo entender como tanta gente embandeira em arco com o desenlace, que “não podia ter sido mais positivo”, do assalto desta semana. O facto de um dos assaltantes não ter morrido de imediato poderia ter causado a morte dos reféns. Só por acaso não estamos agora aqui todos a lamentar uma decisão policial que degenerou em tragédia (e isto nada tem a ver com “torres de marfim” ou “treinadores de bancada” – aliás lugares comuns a que só falta o insulto “intelectuais”).
Quanto a ser ou não indiferente que a negociação só tenha servido, na realidade, para atrair os assaltantes às miras dos snipers, depende do que se irá passar na próxima vez que for preciso negociar em circunstâncias similares. Se o testemunho do bandido sobrevivente confirmar essa hipótese, quem voltará a dar ouvidos a um negociador policial?

PS: pelo menos desta não acertaram nas nádegas uns dos outros…

Comentários

Comentário de Rogério da Costa Pereira
Data: 10 de Agosto de 2008, 13:36

“Só por acaso” – lá saberás algo que não sei.

Comentário de De Puta Madre
Data: 10 de Agosto de 2008, 13:42

Luís.
Não sejas ingénuo … Claro que o sobrevivente-assaltante-sequestrador – para o bem e para o mal – tem nessa carta o seu grande trunfo! Ou nos facultam a gravação das conversas entre eles e os negociadores, ou ele negociará a redução da sua pena de prisão. Afinal tem todos os predicados no lugar: bom rapaz, trabalhador, futuro esposo e pai de família… só se cruzou com uma má companhia … que para um final feliz: está já na fila para o Juízo Final do S/senhor.

Pois. Nós comeremos a papa que nos derem … PT é um eterno Jardim-de-Infância.

PS.: Viste o Darwin’s Nightmare? Pois, o BES montou em Mossmedes uma estrutura IGUALZINHA. Bo-ni-to, Não é? Se nã viste o Documentário vai ver … ( Só os Peixes é que são de outros tipo, ou seja, não são trangénicos, como as parcas do Lago Vitória na Tansânia.)

Comentário de Ibn Erriq
Data: 10 de Agosto de 2008, 14:11

Plágio!

Comentário de Pedro Almeida
Data: 10 de Agosto de 2008, 15:08

Tem toda a razão caro Luís Rainha,

Eis o que se devia ter passado:
1 – Os policias abandonavam todos o local e iam para casa.
2- Deixavam à porta do banco um automovel de grande cilindrada com o depósito cheio e ainda um GPS com indicações para o aeroporto de Figo Maduro.
3 – Em Figo Maduro estaria um avião particular patrocinado pelo BES que os levaria até ao Rio de Janeiro, dentro do avião estaria ainda um saco com 5 milhões de euros para os compensar pelos incomodos e para lhes assegurar uma vida melhor.

Pronto, assim é que era, ninguem morria, ninguem ficava ferido e todos contentes.

Sinceramente espero que se algum dia alguém o sequestrar e lhe apontar uma arma à cabeça tenha o discernimento de o convencer a entregar-se, porque creio que o snipper que lhe calhar em sorte o mais certo é acertar numa nádega…a sua.

Não há pachorra para tantos teóricos da treta, como diz o maluqinho…Vão mas é trabalhar, como as pessoas!

Comentário de Luis Moreira
Data: 10 de Agosto de 2008, 15:09

Eles vieram á porta porque não havia outra saída para a situação.Forçar uma solução.O tempo corria contra eles,incluindo a hipótese de assassinar os reféns.
Há um telefonema (que aqui ninguem refere )de um amigo onde o assaltante diz que prefere suicidar-se a entregar-se.Sendo assim esperava-se a morte dos refens?

Comentário de TND
Data: 10 de Agosto de 2008, 17:10

Haverá algum blog pseudo sofisticado que tenha a coragem de dizer que os verdadeiros heróis daquela noite foram os sequestradores??

Muito provavelmente não houve mais vítimas porque no último segundo o sobrevivente assim o decidiu. E a avaliar pelo negociador que ainda há pouco tempo ouvimos na TV os tipos têm geito é para fazer o criminoso melhor intencionado atingir os limites do desespero. É que se havia sequestradores aptos a uma negociação digna desse nome eram estes.

Ninguém questiona porque é que a SIC monta um espectáculo “reality TV” daqueles e não é capaz de captar som. Porque é que a imagem só ficou desfocada momentos antes da EXECUÇÃO. Porque é que depois da comunicação de uma agente nervosa que recusa qualquer pergunta, um agente que a acompanha, ávido pelo seu minuto de fama, informa sorridente “eram brasileiros”. Ninguém questiona o aproveitamento político verdadeiramente sensacionalista, oportunista, reaccionário, deplorável, “bushiano”, OBSCENO, que foi feito da tragédia.

Aqui mesmo li posts referentes a este assunto que tocam o limite do animalesco. Vêem um sniper abater um sequestrador em directo na TV e de repente já há justisça em Portugal. Talvez devessemos começar a cortar as mãozinhas aos carteiristas, esses malandros, e a apedrejar as mulheres infiéis…… essas porcas… Quem sabe mandar uns pecadores pá fogueira… só alguns… assim para dar exemplo… Isso é q’era justiça!

BESTAS.

Comentário de Luis Rainha
Data: 10 de Agosto de 2008, 17:53

Pedro Almeida,
Você é que bem se podia dar ao trabalho de aprender a ler. Sugeri que se deveria ceder? Não; apenas afirmei que parece ter sido por pouco que a coisa não terminou muito mal para os sequestrados. Duvida?

Comentário de Rigoroso
Data: 10 de Agosto de 2008, 18:02

Sugiro que o Luís Rainha se disponibilize para o próximo assalto, a ver como se porta a polícia.
Será, sem dúvida, uma tarefa altamente patriótica.

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 10 de Agosto de 2008, 19:00

É verdade que se salvaram os dois reféns e que a Polícia conseguiu neutralizar os sequestradores, um deles matando-o.
Mas também é verdade que, se o sequestrador que sobreviveu quisesse, podia ter matado o refém que estava com ele. e aí, ia caír tudo em cima da Polícia… e muito bem.

Comentário de João José Fernandes Simões
Data: 10 de Agosto de 2008, 19:22

Achar que a morte de um refém é um dano colateral só mesmo de um idiota contador de histórias sobre sapos e afins.
E depois o “coronel” ainda tem a presunção da superioridade intelectual.
Que “meão” me saiu!

Comentário de De Puta Madre
Data: 10 de Agosto de 2008, 19:40

TND

Calma!
Eu até já meio perdida nas veredas da minha memória parece que li, num jornal que a RTP decidiu não transmitir a “cena” final ( como se tivesse informada sobre o futuro …). ( OFoi no CM, no qual o Director-Ed. -salvo seja – apelidava o Director-editorial da RTP de “Censor Estúpido” … Mas eu estive sempre a ver a Sic e a TVI e como todo o passado é para mim uma grande embrulhada, já não sei se nao estarei, assim, a ver mais ruindade-metálica do que aquela que existe envernizada. Mas já não sei se quando leio o raio dos neurónios que aqui andam puxam para a imaginação … Mas calma!
Bestas a gente já sabe que é! Vamos é, como um escultor, esculpindo a bruteza para ver se isto melhora …
Vá lá ao meu blog … ler o que eu escrevi … e este muito tem muita gente … Vá! E venha mis gente que a gente não se sabe governar muito bem …

Comentário de João José Fernandes Simões
Data: 10 de Agosto de 2008, 20:15

“Achar que a morte de um refém”
Naturalmente que queria dizer de um “sequestrador”

Comentário de Pedro Almeida
Data: 10 de Agosto de 2008, 20:34

Caro Luís Rainha,

Aquilo foi a sério, foi real, não foi na Playstation.
É óbvio que podia ter corrido mal, é óbvio que podiam ter morrido todos.
Mas se a policia agiu da forma que agiu foi porque não tinha alternativa (afinal de contas esperou só 9 horas para eles se entregarem!!!).
Os bandidos foram abatidos, os reféns foram salvos.
A policia obviamente está de parabens!
É assim tão dificil perceber isto do alto do seu sofá ?

Comentário de De Puta Madre
Data: 10 de Agosto de 2008, 20:55

Joâo José F.S

A gente já pensou tanto que a hipótese de um”refém” ser considerado um dano colateal é um pouco se calhar até dizer a vedade que vai na cabecinha de muito patrão … … aquele episódio dos camionistas requisitados para greve em horário de trabalho não esqueço tão deprssa…

Comentário de David Fernandes
Data: 10 de Agosto de 2008, 23:50

Caro Luis Rainha

Todo o seu raciocínio (que, estranhamente, neste caso não parece lá muito elaborado) está viciado por um erro de avaliação básico:

Não é:

“Só por acaso não estamos agora aqui todos a lamentar uma decisão policial que degenerou em tragédia”

É:

“Só por acaso não estamos agora aqui todos a lamentar uma decisão de dois meliantes que degenerou em tragédia”

Sabe que há coisas que o são só porque houve outras antes.

Vá mas é para a praia e, olhe, leve de Neil Hannon, relaxe.

Comentário de Saloio
Data: 11 de Agosto de 2008, 6:56

Senhor Luís Raínha: sem ofensa e quanto a mim, a sua posição nesta matéria deriva de uma de duas coisas; 1ª – ou o senhor não vive neste mundo, ou 2ª – o senhor está a debitar aquilo que lhe mandaram dizer lá da Mesa.

É que, pessoalmente, tenho-o como alguém inteligente, honesto e que evidencia uma curiosidade construtiva assinalável, mas vir para aqui tentar emaranhar a questão emprestando-lhe um carácter rectórico que o senhor já percebeu que não tem, por a sua posição ser intelectualmente absurda e na prática irrealista, é chato…

Digo eu…

Comentário de Luis Rainha
Data: 11 de Agosto de 2008, 13:03

A ver se nos entendemos: não recuso à polícia razões para decidir como decidiu; não estou a defender os assaltantes; não estou a insinuar que um dos snipers é zarolho.
Digo sim que: devido a um dos disparos não ter acertado em cheio no alvo, estivemos perto de uma tragédia; a coisa ainda teria corrido melhor se não tivesse ocorrido morte alguma; espero que não se venha a confirmar que os assaltantes foram atraídos à porta por falsas promessas dos negociadores — isso tornaria impossível qualquer negociação policial em situações similares, no futuro.
É só.

Comentário de TND
Data: 11 de Agosto de 2008, 14:40

“De Puta Madre”,
haja mais quem tenha esse dom da escrita.

Pedro Almeida,
“Mas se a policia agiu da forma que agiu foi porque não tinha alternativa”…
Não tinha??

“(afinal de contas esperou só 9 horas para eles se entregarem!!!).”
A função da polícia não é “esperar”, é fazer tudo ao seu alcance para evitar execuções.

David Fernandes,
Não é

“Só por acaso não estamos agora aqui todos a lamentar uma decisão de dois meliantes que degenerou em tragédia”,

antes de mais, é

“Parece que precisamos de negociadores dignos desse nome”.

Comentário de David Fernandes
Data: 11 de Agosto de 2008, 16:41

Este espírito dialogante não pára de me surpreender:

Oh TND, então agora quem falhou foram os negociadores?

Uma clarificação: não são necessários negociadores quando não há nada a negociar. Os negociadores da polícia não são chamados com frequência a agências bancárias, excepto em casos de crédito à habitação.

Sobre a hipótese de os negociadores terem enganado os meliantes, atraindo-os à porta, e isso poder comprometer futuras acções, este caso permite ensinar à classe meliante coisas de muita utilidade:

1-quando os negociadores entram em acção é mesmo melhor negociar e esquecer o que se vê nos filmes;
2-quando as negociações falham a coisa pode mesmo dar para o torto;

Em última instância, melhor procurar fazer a vida a trabalhar como a maior parte de nós e esquecer essa coisa de assaltar bancos; às vezes corre mesmo muito mal.

Comentário de David Fernandes
Data: 11 de Agosto de 2008, 16:46

Haja quem zele pela saúde dos meliantes, já que os próprios não parecem muito preocupados com isso.

Eu só não estou completamente satisfeito porque parece que a pontaria dos atiradores não é infalível; e da próxima sempre posso ser eu a lá estar.

Treinem mais, treinem mais.

Comentário de TND
Data: 11 de Agosto de 2008, 19:00

DF,

Adesar da CENSURA que apenas nos permitiu ver e ouvir o suficiente para explorar ao máximo o sensecionalismo da situação, o próprio “epílogo” responde claramente a essa pergunta – FALHARAM. O que fica por responder graças à tal censura é se falharam por incompetência, protocolo… Ou não. Enquanto alguém neste país não se aperceber que o que tivemos em 1974 foi essencialmente uma não-revolução isto não vai a lado nenhum. Entretanto vamos aplaudindo carrascos, ajuda a afastar fantasmas e a classe dominante sabe bem como entrar no show.

Diz algo de uma honestidade rara – não fala em assaltar bancos como um crime mas como algo que é melhor esquecer. É que a maioria de nós pensa mesmo assim, não fosse a tarefa tão arriscada não haveria snipers que chegasse… E acrescenta, tocando o cerne da questão – “e da próxima sempre posso ser eu a lá estar”.

Não se trata da divisão entre “a maioria de nós” e os que não são capazes de “esquecer”, trata-se do simples facto de que da próxima qualquer um de nós pode “lá estar”.

Comentário de David Fernandes
Data: 11 de Agosto de 2008, 21:20

TND

Pois falharam: se eu e o meu amigo encetarmos uma negociação e o negócio não se concretizar pode-se dizer, de facto, que ambos falhamos.
E daí vem o quê? Uma saca de nozes.

Daqui se deduz a resposta à sua pergunta sobre o motivo da falha: incompetência de uns e outros: meliantes e polícias.
Daí … vem outra saca de nozes.

“E acrescenta, tocando o cerne da questão – “e da próxima sempre posso ser eu a lá estar”.” … “trata-se do simples facto de que da próxima qualquer um de nós pode “lá estar””

Pois é. E nesse caso, o meu amigo preferia ser a senhora ou o senhor funcionários da “história”? Partindo do princípio, claro, de que melhor, melhor, seria nem lá estar.

Acabo de ver reportagem da RTP em que o enviado especial se deslocou propositadamente (não consta que haja por lá outra coisa a reportar) a Minas Gerais para ouvir as famílias e creio bem que, não tardará muito, chegaremos todos à brilhante e ÓBVIA conclusão de que os dois ditos cujos meliantes eram afinal boa gente, que um e outro agiram incentivados por outro e um. E se assim não foi, os negociadores foram quem os obrigou a perpetrar o assalto já que, como se sabe, o nosso país AINDA não é bom mercado para a sua pouco procurada profissão.

Haja paciência para tanta retórica da treta.

Sinto-me um pouco descansado, confesso, já que acredito no reforço do treino dos atiradores E negociadores para que falhas semelhantes não voltem a acontecer.

É que eu, se estiver numa situação semelhante, gostaria de ser a senhora funcionária.

PS: Sobre o que deu a “não-revolução” de Abril (não percebi o propósito da referência) o meu amigo responde e poupa-me ao trabalho: outro saco de nozes.

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 11 de Agosto de 2008, 21:51

Parece-me claro que os negociadores falharam redondamente, caso contrário tinham conseguido a rendição dos sequestradores.
A menos que a função de um negociador seja conseguir que o sequestrador se ponha a jeito para os snipers.

Comentário de David Fernandes
Data: 11 de Agosto de 2008, 22:34

O Ricardo Santos Pinto teve uma epifanía e descobriu que ser negociador é como ser padeiro: nem sempe o pão sai perfeito. Por vezes queima, outras fica encruado. Achava que negociar era coisa da ordem da matemática??

Aprende-se até morrer.

Comentário de David Fernandes
Data: 11 de Agosto de 2008, 22:42

E caro Ricardo,

Já agora aproveito para lhe dar outra hipótese epifânica: o facto de a coisa ter terminado 9 horas depois e não 4 horas antes com a morte de inocentes pode muito ter-se devido à tal actuação “falhada” dos negociadores.

Ou isto será um raciocínio muito difícil de seguir???

Comentário de TND
Data: 11 de Agosto de 2008, 23:07

DF,

Não acha a dedução de “incompetência de uns e outros” um pouco conveniente demais ao seu ponto de vista? Não sei de que lado é que houve mais incompetência, graças à dita censura não foi possível fazer qualquer conclusão quanto a esse aspecto.

É absolutamente irrelevante se os tipos eram uns santinhos possuídos pelo demónio ou os maiores psicopatas do mundo. A pena de morte viola o direito à vida assegurado pela declaração universal dos direitos do homem – SEM EXCEPÇÃO. Ainda mais uma hipotética pena de morte em directo, in loco, e como escolha tática à priori por uma força de intervenção policial.

Também é bastante conveninente ao seu discurso colocar-se na posição dos reféns. É difícil, exige coragem, mas faça um exercício – coloque-se no lugar dos sequestradores.

Se conseguir ofereço-lhe os sacos de nozes que quiser.

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 11 de Agosto de 2008, 23:56

Sr David Fonseca

Lamento que seja obtuso ao ponto de não aceitar opiniões diferentes das suas, por inaceitáveis que lhe possam parecer. Eu cá tomo todas as opiniões por válidas.
Neste caso, é a minha opinião. E agora? Sou obrigado a pensar como o senhor?

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 11 de Agosto de 2008, 23:57

Parece-me claro que os negociadores falharam redondamente, caso contrário tinham conseguido a rendição dos sequestradores.
A menos que a função de um negociador seja conseguir que o sequestrador se ponha a jeito para os snipers.
Para isso, não precisavam de ter demorado tanto tempo.

Comentário de David Fernandes
Data: 12 de Agosto de 2008, 0:10

TND:

“Não acha a dedução de “incompetência de uns e outros” um pouco conveniente demais ao seu ponto de vista?”

Acho. E nada menos do que a de “incompetência dos negociadores” ao seu.

Já percebi que o TND tem uma bela queda para dizer o óbvio.

Parece-me lógico que cada um tente argumentar em coerência com o seu ponto de vista. Mas posso estar enganado.

Só agora percebi a chamada da “censura” ao caso; sou muito lentinho, sou. Acha portanto o TND que o relatório pormenorizado da operação deve ser publicado para que assim todo o leque de especialistas, no qual suponho, se inclui, avalie a dita operação?

Muito me conta.

Só faltava agora equiparar a neutralização (eliminação faz comichão) dos meliantes a uma pena de morte. Sem comentário: falta-me imaginação para tanto.

Sobre colocar-me na posição deste ou daquele, confesso ser-me mais fácil colocar-me na das vítimas do que na dos sequestradores.

Aliás, não tenho a presunção de ter capacidade para tal. Tem o TND?

E diga-me lá o que conseguiu concluir dessa manobra de mudança de personalidade?

Concluiu que talvez o mais incompetente nesta história toda foi afinal o mundo?? Esta sociedade maléfica que obrigou dois pobres coitados, pacatos e bem comportados a optarem pela via do crime??

Cheira-me de novo a nozes, mas podemos continuar nesta conversa de nada. Argumento após argumento, não tarda, estaremos a falar de avelãs.

Sempre desenfastia.

Comentário de TND
Data: 12 de Agosto de 2008, 1:29

Talvez não seja o DF que tem uma queda para ler o óbvio? É que por acaso até costumo procurar construir o meu ponto de vista argumentando contra mim próprio. E nunca disse que uma eventual negociação falhou por incompetência – conforme sugere – disse é que não sabemos. Por isso mesmo é que acho flagrante, suspeito, aplaudir-se aquilo que não se compreende na sua essência.

Numa altura em que um tipo não pára numa operação stop é atingido na cabeça, em que ouvimos um negociador gritar no megafone numa versão Al Pacino ridiculamente paternalista, e em que, hoje mesmo, mais um puto é baleado pela GNR na tola porque os assaltantes do carro em que se encontrava fugiam duma vacaria com tijolos roubados… Acha que é preciso ser especialista para exigir esclarecimentos??? Parece-lhe “conversa de nada”???

A insegurança aumenta, de facto. Parece-lhe uma doença genética que leva mais mães a parir mais criminosos (que devem ser abatidos, geneticamente defeituosos que são), ou um problema social?

Numa coisa estamos de acordo – é de facto mais fácil colocarmo-nos na posição dos reféns.

Comentário de David Fernandes
Data: 12 de Agosto de 2008, 3:30

TDN

“Por isso mesmo é que acho flagrante, suspeito, aplaudir-se aquilo que não se compreende na sua essência.”

Esse é o problema. O TDN diz que para aplaudir algo é necessário compreender a sua essência. Eu digo que isso é impossível e ainda bem que o é; seria a paralização total.

Isso não existe.

O erro que deu origem a esta traquitana toda é a crença, imaginada e preconceituosa, de que o povo que aplaudiu o desfecho, aplaudiu a morte e não a vida.

Daqui até ao delírio de achar que este “caso” pode ser um mau precedente foi um pequeno passo.

O povo, uma boa parte do povo, não precisa de compreender a ESSÊNCIA da coisa. O povo pensa que havia ali um mal e que deixou de haver com a actuação da polícia. Ao povo, como a mim e o TND, é mais fácil colocar-se na pele das vítimas do que na dos agressores.

Demonizar quem assim pensa é desonestidade para não dizer estupidez.

O povo que pouco tem, paradoxo, compreende muito bem o valor de coisas como o trabalho honesto e o que significa propriedade.

Por isso o povo se enfurece, e algum dele seria capaz de matar, com coisas triviais como o roubo de um cabrito.

O povo não domina as técnicas da retórica ou as profundezas filosóficas do ser.

O povo ainda vai acreditando na autoridade, na polícia, nas instituições, como coisas “sagradas”. E eu não vejo outra maneira de se ser; teremos que procurar constantemente a essência das coisas?

É por isso que o povo ainda acorre a eleições políticas. Cada vez menos, mas ainda assim bastante povo.

Claro que os perítos da retórica apresentam estatísticas sobre a opinião do povo: alguém dizia que 97% concordava com a actuação da polícia e esse alguém, esperto como um alho, procurava misturar isso com uns x% que achavam que se devia era “matá-los a todos”. Não me espanta.

E o problema não é o povo tecer (e agir de acordo com) opiniões alegadamente “mal formadas”, sem a necessária compreensão da essência. O problema é aquela pequena percentagem de povo que se acha ESPECIAL e que, sabendo daquilo, atira do alto da sua sabedoria teorias sobre ética e moral.

O problema não é o povo que aplaude a polícia em Campolide; o problema são as pessoas como o Daniel Oliveira, o TND, eu (perdoe-se-me a presunção) que se entretêm em conversas mais ou menos elaboradas sobre nada.

O problema é haver quem insista em falar em grego, ser capaz de pedir para nos colocarmos na pele dos sequestradores e não seja capaz de se colocar na pele dessas pessoas que concordam com a actuação da polícia.

Estou a repetir-me, que isto não leva a lado nenhum.

Abraço, que é sempre um prazer ter com quem esgrimir argumentos e tentar não tropeçar nos mesmos; é um belo exercício mas de pouco mais do que de estilo, para não dizer vaidade.

Há mais a fazer … e não é numa caixa de comentários, nem sequer num blog, que é apenas folcore e comércio.

Comentário de David Fernandes
Data: 12 de Agosto de 2008, 3:49

Peço desculpa, deixei-me levar, e faltou responder a algo importante.

“A insegurança aumenta, de facto. Parece-lhe uma doença genética que leva mais mães a parir mais criminosos (que devem ser abatidos, geneticamente defeituosos que são), ou um problema social?”

É de facto um problema social. Só não percebo o que é que o aumento da insegurança (até isso parece discutível para algumas pessoas) se deve à actuação da polícia.

São coisas como “um tipo não pára numa operação stop é atingido na cabeça, em que ouvimos um negociador gritar no megafone numa versão Al Pacino ridiculamente paternalista, e em que, hoje mesmo, mais um puto é baleado pela GNR na tola porque os assaltantes do carro em que se encontrava fugiam duma vacaria com tijolos roubados” que estão a fazer aumentar a criminalidade? Será pela negativa?

Estará a falar de uma eventual incompetência generalizada da autoridade policial?

Não entendi. Deve ser da hora.

Sobre a audição permanente que propõem à actuação da polícia, refere-se concretamente a quê? Audição popular? Não está já a polícia, e os tribunais e a Assembleia, debaixo de escrutínio suficiente?

Quem seriam os auditores? O TND? Eu?

Acha mesmo que a polícia é uma cambada de cowboys?

Estará a falar mesmo a sério ou é apenas para não acabar com a conversa?

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 12 de Agosto de 2008, 11:22

O puto teve o que merecia. Era um criminoso.
(será que era brasileiro?)

Comentário de David Fernandes
Data: 12 de Agosto de 2008, 12:30

Ah! Estava mesmo a falar a sério. É um belo resumo de todo um “problema social”.

Adios!

Comentário de TND
Data: 12 de Agosto de 2008, 15:12

DF,

Vc dispara dispara dispara… guarde lá a arma q’ainda acerta na cabeça d’outro puto.. e não traga para aqui estatísticas senão não tarda muito tamos a apedrejar mulheres e a cortar as mãozinhas dos carteiristas.

Continua apenas a ler aquilo que lhe parece óbvio, a si. Eu não disse que a insegurança se “deve à actuação da polícia”, o que é evidente é um excesso no uso da força perante esta insegurança. Não é preciso um diploma em filosofia para se perceber a essência disso, mas se nem com as notícias de ontem quer reconhece-lo, leve lá a bicicleta.

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 12 de Agosto de 2008, 16:27

O sr David Fonseca gostava de uma daquelas democracias musculadas, tipo América do Sul.

Comentário de David Fernandes
Data: 12 de Agosto de 2008, 19:56

Ricardo: o que gostava o David Fonseca não faço a mais pequena ideia.

TND: estou sem palavras.