Onde a silly season dura o ano todo


Não há pai para o Clube dos Pensadores. Ele é pensamentos sobre a rica Noruega, onde não se lobriga “estatuária kitsh”, onde até os clubes de futebol “pedem meças aos seus congéneres lusos em competições internacionais” (não será antes de curling?), onde nada se compara com as funestas desgraças portuguesas… ficando apenas de fora o “pormenor” do petróleo para explicar tanta cólidade de vida. Ele é o fundador e “convidado permanente” dos debates do Clube em titânica luta contra a língua pátria, enquanto nos explica as suas agruras com o contador da água e chora o seu persistente lamento de que “a política se encontra desvinculada da ética e a ética se encontra desvinculada da política” (ao que parece, o Clube elegeu como novo paradigma do “líder” o espantoso Narciso Miranda). Ele é malta que acha que Lobo Antunes é “um escritor medíocre, com um texto que roça a boçalidade, que em 10 palavras 3 são asneirolas de reles calão” e mais um rosário de coisas boas. Desculpe lá, ó JJ, mas vossemecês são bons de mais para vos poder deixar em paz

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

20 respostas a Onde a silly season dura o ano todo

  1. ezequiel diz:

    clube dos pensadores!

    sim senhor..e a minha avozinha chama-se Leopoldina III, come rãs ao pequeno almoço e faz patinagem artística para o circo de St Petersburg

    isto só mesmo com eça e com jameson, muito jameson…

    glú glú glú 🙂

  2. ezequiel diz:

    aquela dos anglo americans no background (óculos) é DEMAIS!!

    óculos = pensadores

    apre! por toutatis…benzai e banzai…kamikaze com sumo de laranja …

  3. ezequiel diz:

    Luis,

    estavas na plateia???
    (*+*) eh ehe h e

  4. João José Fernandes Simões diz:

    Luís Rainha, que você é uma máquina, eu já tinha percebido, agora está confirmado.

    Por acaso, aquele “JJ” é o “João José Fernandes Simões” ou, como muito bem me chamou o co-autor do 5dias.net mais conhecido pelo “Zé-dos-Bonés”, o tal que tem “piedade” por tipos que vão ao psiquiatra, por a “singela consoante j”.

    Por razão de mera economia das palavras, já assinei por “JJ” e “j” apesar de as pessoas mais atentas já deverem saber quem sou e o que faço, tendo sido criticado pelo uso do anonimato, coisa que detesto por não ser do meu feitio andar escondido. E até punha aqui a minha foto, mas tal ficaria mal no meio de caras tão bonitas.

    Mas, afinal, até o meu “ídolo”, a Fernanda Câncio, ás vezes, anda por aí “escondida” com uma ‘“singela vogal “a”’ ::))

    Mas, voltando ao “pensador”…ufffffffff, muitas histórias, meu caro Luís Rainha.
    Pena minha, porque, obviamente, o discurso tem que ser cifrado, que eu não sou nenhum herói e anda por aí tanto (a)soprador.

  5. João José Fernandes Simões diz:

    Bolas, eu sei que o Luís não é (meu) escriturário, mas bem que podia retirar o meu primeiro comentário, que foi enviado, agora vejo, por descuido.

    E também quando me refiro ao meu “ídolo”, não é a singela vogal “a” mas “f”.

    Acho que me ando a enervar com o Zé-dos-Bonés, que publica os meus comentários estúpidos e que não publica os que, não sendo estúpidos, lhe dizem algumas verdades.
    Censurou-me três, e vamos ver se não censura mais um hoje, achando que ainda lhe vou chamar de “coronel”.

    Mas, talvez, o Rogério, até seja ser um tipo porreiro, a ter em conta o seu post mais recente, o qual subscrevo na íntegra.
    Achando que ainda vamos ficar “amigos”, que as embirrações, por vezes, tiram (a mim e a ele) alguma clarividência.

  6. Luis Rainha diz:

    JJ
    Trata-se apenas de uma pequena confusão: o “JJ” a quem me dirigi é mesmo o “Joaquim Jorge” do Clube dos Pensadores, autoproclamado “convidado permanente” e guardião da moral na política. E criatura perspicaz: seguindo um comentário que lá deixei, assinado, lançou-me esta linda acusação: “a trás do anonimato tece considerações desprimorosas para comigo e o meu blogue !”

  7. João José Fernandes Simões diz:

    Óptimo…
    Mais um bom pretexto para deixar de usar singelas consoantes e usar o meu nome completo, que, do que faço, não preciso de andar sempre com uma tabuleta pendurada.

    E já que estamos em linha directa, aproveito para o cumprimentar e para lhe dizer que aprecio a forma como sabe escrever e sobre o que escreve, embora nem sempre concordando, mas também não seria normal se estivesse sempre de acordo.

    E quanto aos “pensadores” também acho que está dito ::))

  8. “António Lobo Antunes recebeu o Prémio Camões das mãos dos Presidentes da Republica de Portugal e do Brasil, vestido como um rapaz de 18 anos que vai para um concerto de rock em Woodstock para ver Jimy Hendrix. Quem não faz o que deveria fazer aos 18 anos e tenta fazer depois dos 50 anos, corre o risco de perpetrar uma farsa.”

    obrigado por me terem feito descobrir esta brilhante crítica à moral e bons costumes. acho que o autor não podia ficar mais lisonjeado por lhe terem roubado 16 anos de vida à aparência e 50 à alma que leva dentro. No entanto, estou em crer que alguém que se apresentasse em woodstock de camisa e blazer era capaz de não sair de lá vivo.

    o resto dos apontamentos críticos são igualmente interessantes e pertinentes. haja paciência.

  9. Manuel diz:

    Caros 5dias,

    Muitas pessoas têm escrito/digo/reportado coisas sobre a Noruega contudo, a maior parte destas são meras fantasias de pessoas desconhecedoras (ou intencional desinformação) de uma realidade que, apesar de ser melhor que a do nosso Portugal, está longe de ser ideal.

    Muito do sucesso actual da Noruega está sem dúvida intimamente associado ao petróleo, que lhes dá um poder de compra sem comparação na Europa. Só para dar um exemplo neste país a maior comunidade emigrante com formação média/superior é sueca, ou seja, os nossos vizinhos (que não são nada pobres) vêm para a Noruega trabalhar em busca das petro-coroas.

    Mas o dinheiro não é tudo. Associado ao elevado “income” proveniente de impostos “altos” sobre tudo o possa ser taxável, incluindo alimentação, viaturas, combustíveis, portagens (urbanas), CDs e DVDs, salários, álcool (exorbitantes caro), etc., os Noruegueses (povo) são extremamente poupadinhos. Sim poupadinhos!!! E aqui sim, julgo estar um dos segredos do sucesso e do seu elevado nível de vida.

    Quantos Portugueses da classe média (média/alta, alta e afins) pintam a sua casa ou apartamento? Quantos realizam “pequenas” reparações como mudar telhados, mudar chão, mudar sistemas de aquecimento e outros? Quantos realizam a manutenção da sua própria viatura. Quantos utilizam a viatura mais de 5 anos? Quantos Portugueses têm empregadas a dias em casa?

    Não digo que somos melhores ou piores que os Noruegueses pois estou longe de pensar que vivo num país idílico e numa sociedade perfeita… não! Apenas julgo que o nosso povo herdou vícios dos tempos coloniais em que Portugal era um país de alguma gente abastada que se aproveitavam da criadagem e/ou mão de obra barata para fazer tudo que desse um pouco mais de trabalho. Esta atitude está intrincada no nosso povo que, vai não vai, com ou sem posses, mais ou menos ou nada abastado, chama este ou aquele para lhe fazer isto ou aquilo!

    Cumps
    MLR

  10. O homem não gosta da linguagem do Lobo Antunes mas gosta do Ubaldo; terá lido “A casa dos budas ditosos” ?

  11. clube dos pensadores diz:

    Obrigado pela publicidade . Mesmo sendo negativa o fundamental é que se fale e comente.

    O Sr. Luis Rainha faz-me lembrar uma frase de Karl Krauss : ” Quando o sol da cultura se encontra no ocaso , até os anões lançam sombra”.

  12. Mário Russo diz:

    Caríssimo Sr. Rainha

    Fez uma referência a um texto meu, perfeitamente identificado, no blogue do Clube dos Pensadores misturando com outras situações referentes a Joaquim Jorge o fundador do Clube. Nada contra comentar seja o que for, mas que fique claro, eu sou responsável pelos meus textos e só a mim vincula esse pensamento. É assim que funciona o Clube, verdadeiramente democrático e livre, sem amarras. Cada um é responsável por si. Não há pensamento colectivo organizado, como mistura no seu comentário.

    Não tenho absolutamente nada contra quem goste de António Lobo Antunes, o escritor bajulado pela crítica, e desejo que aprenda muito com ele. Que seria do amarelo…

    Também nunca me arvorei em defensor da verdade absoluta, apenas a minha verdade. Até porque a “unanimidade é burra”, como dizia Nelson Rodrigues (sabe quem é?).

    Porque o “homem” que não gosta de António Lobo Antunes, tentou gostar, mas pensa por si e não pelo que a crítica e as agências de propaganda difundem. Talvez essa seja a diferença. E quanto a João Ubaldo Ribeiro e outros autores que em certas circunstâncias ou obras usam o calão, e uma linguagem própria das suas personagens, fazem uma grande diferença do matraquear constante e em qualquer contexto, das grosserias linguísticas do sr. Antunes . V. Exa., gosta e tem todo o direito, continue, que eu não pretendo fazer catequese, porque já tenho os meus alunos a quem dedicar algo do que sei.

    Pelos vistos gosta muito do que se passa no nosso país, do comportamento dos nossos políticos e governantes, duvida do nível de vida na Noruega e repudia quem se insurja contra o estado em que se encontra o país. Tem todo o direito. Só não tem o direito de ser um censor, sim, de costumes e do pensamento livre.

    Mário Russo, membro do Clube dos Pensadores

  13. Luis Rainha diz:

    Caro membro,

    Longe de mim querer censurar-vos. Continuem assim, que vão por excelente caminho e ainda contribuem para a minha felicidade. Espero é que, nos entrementes, vá explicando aos seus alunos o que significa ao certo “roçar a banalidade” ou como é que “António Lobo Antunes é o Quim Barreiros dos escritores portugueses”.
    Quanto ao que gosto ou não de Lobo Antunes, da Noruega ou dos nossos políticos (olhe que o Narciso Miranda é mesmo uma fina escolha), não estou bem a ver onde foi buscar matéria-prima para essas inferências.

  14. Pingback: cinco dias » Fan mail

  15. Sou eu, eu é que gosto do Lobo Antunes.

    Sobre crítica bajulatória, entre Saramago e Lobo Antunes, vê-se bem onde e para que lado atira.

    E porque insiste em associar literatura a ensino, deixe-me que lhe diga: a literatura pode servir para ensinar, ou, pode utilizar-se a literatura para aprender (que não é bem a mesma coisa), mas, não é essa a sua função (isso será um efeito secundário e que bem perverso pode ser) e nem é isso que procuro nela.

    Mas fiquei curioso: diga-me assim algo que tenha aprendido com a leitura de, por exemplo, Saramago; uma coisinha só. Não lhe deve ser difícil lembrar-se.

  16. me diz:

    “das grosserias linguísticas do sr. Antunes ”

    Depois há as grosserias intelectuais das pseudo elites. Porque cada um dá o que tem e a mais não é obrigado, o Sr. membro fica-se pela linguística.

  17. Mário Russo diz:

    Prezado Sr. Rainha,

    Uma vez que me considero uma pessoa com educação, não posso deixar de responder ao que me é indagado. Assim, começando com a pergunta que é que aprendo com a escrita de José Saramago (JS). Tenho de explicar que JS é um escritor e pessoa que muito respeito, mas está longe de ser da minha preferência. Tenho quase todos os seus livros, como tenho vários de Lobo Antunes (António). Referi-o, porque, é óbvio, numa analogia teria que referir um exemplo de um galardoado de grande nível, que se portou com a dignidade que o prémio exigia. Por exemplo, acho que seria um disparate ir a um festival de rock de fato e gravata. Quem não sabe distinguir as coisas pode dar-se mal, pode, por exemplo, confundir um penico com uma chávena, só porque têm o mesmo formato.

    De JS gosto de algumas obras, mas não gosto de outras. De Lobo Antunes, António, cansa-me a vulgaridade gratuita e a falta de nível. V. Exa., gosta muito e nada tenho contra. Cada um estabelece as preferências na vida de acordo com a sua cultura.

    Porque é que digo ser o Quim Barreiros dos escritores portugueses, porque A. L. Antunes está para Eduardo Lourenço, Torga, Jorge de Sena, Pessoa, Mário Cláudio, Agustina, Lídia, Eça e os Clássicos, como Quim Barreiros está para Rui Veloso.

    Já agora posso perguntar, o que é que tem trazido de positivo à discussão com a sua actuação no blog de escárnio e mal dizer? Um ideia que seja? O que pensa do ensino em Portugal? Da competitividade do país? Da crise energética e dos alimentos? Do cumprimento das metas de Kioto? Da reforma do sistema judiciário e político? Da regionalização e do desenvolvimento regional?
    O que tem feito? Única e simplesmente criticar e denegrir o que outros fazem. Protótipo daqueles críticos (de arte, literatura, cinema, …), que incapazes de criar uma obra, são mestres em dizer mal.

    Julgo que tem potencialidades para produzir algo de mais positivo, dando o seu contributo com textos que evidenciem a sua opinião sobre as grandes questões do nosso tempo. Quando a globalização pode ser um desafio e também uma ameaça, dê o seu contributo e não se refugie olimpicamente na sobranceria do seu reinado de escárnio.

    Mário Russo

  18. “reinado de escárnio”
    Lindo!

  19. O homem continua a “responder-ME” ao Luis Rainha.

    Eu é que perguntei o que tinha aprendido com o Saramago; não respondeu. Óbvio.

    Sobre a apreciação que faz da obra do António Lobo Antunes, leia as reacções ao prémio de alguns, suponho que para si também, insuspeitos como seja o Eduardo Lourenço.

    Tome nota:

    «Um imenso poeta no universo da prosa, que posso comparar à força de um Herberto Helder, mas em vez de ser o universo da liberdade total é o universo do mais insuportável, com um lirismo que só encontro em Céline e em Henry Miller, mas que é dele e é nosso.»

    Não me parecem palavras de circunstância.

    Mas já percebi que o seu problema já não é com a obra do homem, é com a fatiota que envergou na cerimónia.

    Valha-me a santa paciência.

  20. LR diz:

    Já vi que uma coisa nos distingue: o senhor quer saber das minhas opiniões; eu confesso-me algo desinteressado das suas. Mas se deseja mesmo saber o que penso sobre esses temas tão ponderosos, sr. Pensador, recomendo-lhe o Google e alguma paciência.
    Quanto ao seu exercício de name dropping – expressão apropriadamente similar a bird droppings – folgo em saber que tem o Rui Veloso como paradigma do grande músico; fica assim explicada muita coisa, como o resumo da sua crítica à obra de um escritor a pequenos vácuos como “a vulgaridade gratuita e a falta de nível”.
    Mas, já que se revela angustiado pelos desafios e ameaças da Globalização, podemos começar por aí: pode sempre repescar os meus ignaros comentários sobre o Sistema-Mundo de Immanuel Wallerstein e escrever algo sobre o seu ponto de vista, incluindo, quiçá, algumas reflexões sobre a obra de Janet Abu-Lughod ou de Andre Gunder Frank (também sei uns nomes, estrangeiros e tudo!) – Sobre este tema, estou sempre disposto a absorver a sabedoria de verdadeiros Pensadores…

    PS- Aquele comentário de sarjeta que afixaram no seu clube (suponho, dada a quantidade de erros de Português, que não tenha sido de sua autoria), sobre intimidades de terceiros, define mesmo o nível da coisa. Parabéns.

Os comentários estão fechados.