Pesquisa

qualquer coisinha

5 Agosto 2008 | por Fernanda Câncio

A gorjeta é uma instituição fascinante. Existe mais ou menos por todo o lado, estando até oficializada em alguns países: nos restaurantes americanos, por exemplo, é incluída na conta, em percentagens que variam entre os 10 e os 15 por cento. No resto do mundo é necessário examinar a factura para perceber se é preciso deixar “alguma coisa” ou se alguém já decidiu por nós não só se fomos bem servidos como o quanto valorizámos monetariamente o facto. Sendo os EUA apontados como um dos expoentes do liberalismo, a obrigatoriedade de premiar o serviço pode parecer um paradoxo mas, afinal, a gorjeta à força tem a ver com o facto de o ordenado dos empregados de mesa ser quase inexistente – e, diga-se de passagem, é raríssimo apanhar num restaurante americano com as carantonhas de enfado e o descuido que tantos empregados de mesa portugueses ostentam, pelo que o acrescento obrigatório parece resultar no contrário do esperado.

Num país como o nosso, em que existe ordenado mínimo, a gorjeta é ainda assim tão institucional que está prevista para efeitos de colecta – embora seja duvidoso que alguém pague impostos sobre esse pecúlio. Mas se num restaurante ou num café ou num cabeleireiro esse acrescento parece fazer sentido, como expressão de agrado face a um serviço mais atencioso, ou se parece mandatório “ter uma atenção” com quem nos traz as compras da mercearia ou do supermercado ou as malas ao quarto de hotel (o busílis, claro, é saber quanto, mas essa é questão para outro texto), será que, pela mesma ordem de ideias, não faria sentido dar qualquer coisa a quem nos atende bem numa loja ou mesmo numa repartição? Ao sapateiro que nos fez um tão bom serviço nas meias solas, ao carteiro que tão diligente nos traz as encomendas à porta, enfim, a toda e qualquer pessoa que é amável e competente no serviço que presta. Por que será, então, que se convencionou dever dar a uns e não a outros, ao ponto de, em algumas das situações mencionadas, uma gratificação – note-se a etimologia da palavra, que parece remeter para um obrigado em géneros — poder ser encarada como imprópria, suspeita ou até indício de corrupção?

A perplexidade acrescenta-se ao constatar que nas convenções dos receptores normais de gorjeta estão incluídos os taxistas. Que será que se premeia ao acrescentar uns trocos numa viagem de táxi? A condução? A urbanidade? O conhecimento do trajecto? Se ninguém dá um tostão a um condutor de autocarro, se a ninguém ocorre gratificar um piloto de avião ou até um hospedeiro, que será que se está a pagar “a mais” quando se dá gorjeta num táxi? O mistério intriga-me há anos, e tanto mais quando não é incomum que um taxista devolva ao cliente um arredondamento de 5 ou 10 cêntimos sobre a quantia constante no taxímetro, como quem diz “a quem é que julgas que estás a dar esmola”? Ora o engraçado neste gesto é que de facto, ao dar “mais qualquer coisa” por um serviço em que se fez só o básico, o expectável, o acertado no contrato tácito, o cliente está de facto a dar uma esmola. Está a dizer: toma, eu que tenho a mais e não me faz falta dou-te a ti, que tens a menos.

Essa ideia de que quem paga o serviço tem mais que quem o presta surge assim como a aparente chave da distinção entre serviços “sujeitos a gorjeta” e os outros. É como se quem vai ao restaurante, ao cabeleireiro, anda de táxi e se aloja em hotéis passasse automaticamente a rico, e fosse assim forçado a dar provas do seu estado sumptuário, sob pena de ser acusado de forretice e maus fígados. Sem uma relação entre a gratificação e a qualidade do serviço prestado, o que se está a fazer quando se dá uma gorjeta automática é ceder a uma chantagem implícita, a de operar uma patética pantomina de riqueza e generosidade – e a dizer: não, não te esforces, eu dou na mesma.

(publicado na coluna ’sermões impossíveis’ na notícias magazine em não sei quantos de julho)

Comentários

Comentário de eduardo graça
Data: 5 Agosto 2008, 19:50

Como simples leitor pergunto: não podem usar um corpo de letra mais pequeno?

Comentário de Saloio
Data: 5 Agosto 2008, 20:19

Estimada FC: a minha avozinha que era comunista do PCP, afirmava há uns 40 anos, alto e bom som, perante o espanto de todos, que: “a gorjeta atrasa a Revolução!!!!”.

Digo eu…

Comentário de pcarvalho
Data: 5 Agosto 2008, 20:55

A gorja é digno de Estados atrasados muito próximo do esclavagismo

Comentário de João José Fernandes Simões
Data: 5 Agosto 2008, 21:56

E isto que eu gosto de ler em Fernanda Câncio e que faz do 5dias.net um dos melhores blogs, talvez mesmo o melhor blog, não fora uma sua co-autora que aqui aparece nas férias parlamentares e o Zé-dos Bonés escreverem algumas banalidades.

Eu não sou capaz de dar uma gorjeta pela simples razão de que a recusaria, também achando que não é uma atitude digna.
O que é digno é receber salários decentes e não compensar salários miseráveis com gorjetas.

Comentário de carlos barbosa oliveira
Data: 5 Agosto 2008, 22:57

Curioso, porque há uns meses tive uma conversa com o Paplagui , lá no meu Rochedo, sobre este assunto El chamou-me forreta e disse que tinha mau feitio. Engoli, contrariado, mas ainda tive pachorra para lhe explicar que na maioria dos restaurantes, as gorjetas são divididas igualmente por todos os empregads e considero isso uma injustiça. Entã eu dou uma gratificação a um tipo que me serve e com quem simpatizo e ela vai e dividida com outro que é um antipático insuportável? Não me parece justo. Esqueci-me de lhe dizer ( ao Papalagui, não à fernanda) que até conheço um rstaurante onde é o patrão que fica com as gorjetas. No final do mês, retira 25% para ele e dá o resto aos empregados… mas se a quantia que cabe a cada um dos empregados ultrapassar um determinado montante , o remanescente fica para o mês seguinte…

Comentário de Zarco
Data: 5 Agosto 2008, 23:16

A gorjeta sempre foi para mim uma grande “incógnita”: nem sempre sei quando é “devida”, isto é, se é ou não oportuna e elagante, e, depois, o “quantum”. Num serviço pago, sempre se pode calcular uma percentagem do custo respectivo; mas, e ao moço que leva a bagagem ao quarto do hotel? (hoje, só já nalguns!), ou ào pessoal do bengaleiro?

Comentário de CMF
Data: 6 Agosto 2008, 5:35

“nos restaurantes americanos, por exemplo, é incluída na conta, em percentagens que variam entre os 10 e os 15 por cento.”
Por favor, poupe-nos a estes erros. 1) Raramente* é incluída na conta; 2) Deixe 10 por cento por um bom serviço e olhe para a cara de quem recebe.

* O “raramente” pode ser discutível; mas não é de certeza uma prática maioritária…viaje mais um pouco.

Depois vem o “EUA apontados como um dos expoentes do liberalismo” e a “a gorjeta à força”….claro, com a premissa errada podemos dizer qualquer disparate. Bravo!

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 6 Agosto 2008, 9:33

cara/caro cmf, de facto não corri todas as tascas dos eua. mas nas várias cidades onde estive, e nos vários restaurantes que frequentei, a gorjeta estava geralmente incluída, e a percentagem era essa.

quanto ao facto de os eua serem apontados ‘como um expoente do liberalismo’, desculpe, realmente costumam ser apontados como um expoente da economia socialista. como é que escrevi uma coisa destas?

já agora, e para não esnobar os pobres provincianos, por favor queira dizer-nos qual a percentagem certa das gorjetas nos eua, pode ser? para a próxima vez que a saloiada lá for não fazer má figura.

Comentário de jcd
Data: 6 Agosto 2008, 9:51

Não sei se a Fernanda não estará a confundir a gorgeta com a taxa de serviço, que se paga em alguns restaurantes nos EUA, principalmente quando se servem grupos grandes. A gorgeta, mesmo que venha adicionada à conta, apesar de ser socialmente aceite e estar generalizada, é voluntária.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 6 Agosto 2008, 10:23

caro jcd, e que é a taxa de serviço senão a gorjeta? creio aliás que a taxa de serviço também é voluntária — mas vem na conta, certo? é assim como o couvert que não se consome. não me lembro de ter dito que era obrigatório pagá-la, apenas que estava oficializada. e encontrei-a em muitos restaurantes que frequentei com uma ou duas pessoas.

Comentário de jcd
Data: 6 Agosto 2008, 10:42

“caro jcd, e que é a taxa de serviço senão a gorjeta?”

A taxa de serviço é para o resturante, a gorgeta para o empregado.

Comentário de Dorean Paxorales
Data: 6 Agosto 2008, 11:35

O Filipe não tinha já discorrido brilhantemente sobre o tema?

Intriguista,
DP

Comentário de Luis Rainha
Data: 6 Agosto 2008, 11:49

Não é bem assim: formalmente, a “taxa” é do restaurante, mas a norma é a sua divisão pelo pessoal de sala.

Comentário de jcd
Data: 6 Agosto 2008, 11:58

A taxa é do restaurante e é contabilizada como proveito do restaurante.

A outra diferença é que a taxa é de pagamento obrigatório e a gorgeta não.

Pingback de Os insondáveis mistérios da gorjeta « No fim da picada
Data: 6 Agosto 2008, 12:16

[...] cinco dias » qualquer coisinha [...]

Comentário de clara
Data: 6 Agosto 2008, 12:51

Ooops! e os almoços grátis …

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 6 Agosto 2008, 14:19

dorean, não dei por isso. onde, quando, porquê, etc?

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 6 Agosto 2008, 14:21

por piada, ontem vi, não sei em q tv, uma reportagem sobre a ‘economia informal’ e o balúrdio que foge aos impostos assim, na qual se questionavam vários empregados de mesa em restaurante sobre se sabiam que tinham de descontar 10% (esta eu não sabia — a da percentagem) sobre o valor das gorjetas. ficaram todos de boca aberta, evidentemente.

Comentário de Dorean Paxorales
Data: 6 Agosto 2008, 14:32

cara fc,
fui ver: era o couvert.

http://5dias.net/2008/02/25/grandes-liberais-e-pequenos-vigaristas-2/

Comentário de LA-C
Data: 6 Agosto 2008, 14:38

Vivi vários anos nos EUA, e tenho lá muita família emigrada, e nunca vi a gorjeta ser incluída na conta, com uma excepção: almoços e jantares com grupos grandes. Nestas situações, para evitar que cada um de nós confie nas gorjetas dos outros, é comum vir já a gorjeta acrescentada.
Já vi em NYC o empregado de mesa sair disparado atrás de clientes estrangeiros (turistas) que não tinham deixado gorjeta; assim diria que a gorjeta é socialmente obrigatória.

Comentário de jaime roriz
Data: 6 Agosto 2008, 14:41

Na minha juventude trabalhava numa bomba de gasolina aos domingos. Fazia-me indecentemente às gorjetas. Ganhava 850$00 por cada domingo e pelo menos 1.500$00 em gorjetas. Nos raros domingos em que estava mais chateado ou menos “trabalhador” chegava a fazer só 200$00 de gorjetas. Parece-me que é justo que se premeie o trabalho extra. Hoje, como profissional liberal (licenciado e altamente especializado) se alguém quiser arredondar o pagamento para cima (o que acontece) recebo com muito gosto e agradeço com humildade. Não sei se isto explica alguma coisa. Dúvido que alguém acrescente arredondamentos a jornalistas mas é possível. Em tempos (em 1982 durante escassos três meses) fui cobrador da EDP, pois acreditem que havia pessoas que me davam gorjeta. Eu recebia. Contente.

Comentário de Luis Rainha
Data: 6 Agosto 2008, 15:01

LA-C,
Exacto. Alguns restaurantes mais famosos em NY, como o “Tavern on the Green” e mais uns quantos, bem tentaram impor a “service charge” como costumeira, mas não me parece que a coisa tenha pegado, a não se no caso de banquetes e afins.

Comentário de João José Fernandes Simões
Data: 6 Agosto 2008, 15:46

Fernanda Câncio,
Permita que lhe peça a publicação do que abaixo transcrevo.
(Pleasssssssseeeee… em consideração por um dos comentadores mais antigos do 5dias.net, e relevando ser “estúpido”)

«Há sempre uma primeira vez para usar o Livro de Reclamações

No dia de hoje, recebi via CTT uma Nota de Débito, sem número, datada de 2 do corrente, para efectuar o pagamento de uma taxa moderadora referente a um episódio de urgência em 22 de Junho de 2008, relativo a uma ecografia.

Naquele documento diz-se que «…não sendo feito o pagamento, ao fim de oito dias, o processo será enviado para contencioso (…) e que pode fazer o pagamento por cheque ou vale postal».

Tendo consciência de que aqueles modos de pagamento são legais, acontece que nada me obriga ao uso de cheques, de que, aliás, não faço uso há mais de 30 anos.

Por outro lado, quer com o uso de cheque quer com vale postal, tal obriga a que me desloque ao hospital ou a uma estação dos CTT ou que me dê ao trabalho de o enviar por carta com o ónus do respectivo selo.

Ora, a nota de débito que está a ser reclamada diz respeito a uma pessoa que eu aqui represento, que é a minha Mãe, a qual não sabe ler nem escrever e que, tendo 82 anos e dificuldades de locomoção, está impossibilitada de se deslocar sem ser acompanhada.

Não fora, portanto, a circunstância de a minha mãe ter um filho que vive no mesmo domicílio e, findo o prazo dos oito dias para pagamento voluntário, teria a autoridade policial à porta, no contexto da tramitação do processo contencioso.

Importando, sobretudo, observar que, aquando da alta da minha Mãe no episódio de urgência, nada me foi apresentado para pagar, o que seria normal, em vez de vir a receber uma nota de débito enviada a uma cidadã, lembro, que não sabe ler nem escrever. Ainda que soubesse.

Sendo assim, e por não ter qualquer prova do valor supostamente em dívida, apenas farei a sua liquidação mediante o recebimento do exame médico em questão.

Por último, em tempos em que o Governo investe muito dinheiro na modernização e simplificação administrativa, tendo em vista facilitar a vida ao cidadão, seria escusado toda a esta perda de tempo se os serviços públicos disponibilizassem o pagamento por multibanco, o que eu faria sentado através do meu computador em vez de perder um dia a deslocar-me ao hospital para fazer esta reclamação.

Ficando, assim, a aguardar que me seja entregue o exame médico em causa para que proceda à liquidação da taxa moderadora em dívida.»

Comentário de Rogério da Costa Pereira
Data: 6 Agosto 2008, 16:11

;)

Comentário de CMF
Data: 6 Agosto 2008, 16:45

“cara/caro cmf, de facto não corri todas as tascas dos eua. mas nas várias cidades onde estive, e nos vários restaurantes que frequentei, a gorjeta estava geralmente incluída”
Viajou em grupo?

“por favor queira dizer-nos qual a percentagem certa das gorjetas nos eua, pode ser?”
18 por cento, parece ser o mínimo “oficial”. 15 por cento ainda é aceitável. Nalgumas facturas costumam vir pré-calculadas as gorjetas de 18, 20 e 25%, para que o cliente possa decidir rapidamente.

“quanto ao facto de os eua serem apontados ‘como um expoente do liberalismo’, desculpe, realmente costumam ser apontados como um expoente da economia socialista. como é que escrevi uma coisa desta”
Não era isso que eu queria dizer. A culpa foi minha, certamente. Passo a explicar: é desonesto apelar a um facto duvidoso (no mínimo), a obrigatoriedade das propinas, para satirizar “o expoente do liberalismo”. Mais: “Sendo os EUA apontados como um dos expoentes do liberalismo, a obrigatoriedade de premiar o serviço pode parecer um paradoxo”. Um paradoxo porquê (dando de barato a tal obrigatoriedade)? Nunca pensou que, a imposição ou não de propinas, a tradição das propinas, pode ser um acto de liberdade? E já pensou que pode estar relacionada com (atenção, palavrão) o mérito?

Comentário de o cuco
Data: 6 Agosto 2008, 17:22

de facto nos EUA é comum encontrar taxa de serviço nas contas de restaurantes mas, na maioria das cidades que conheço, e são algumas, a gorgeta é “obrigatória”. Em muitos restaurantes, junto às caixas, encontram-se pequenos cestos ou recipientes a dizer”não esqueça a gorgeta,por favor” ou em alguns locais os próprios criados/as de mesa dizem-nos para não esquecer a gorgeta. E também noutras profissões, como empregados de hotéis, taxistas, condutores de autocarro de “transfer” para os aeroportos, casas de banho públicas, etc, a gorgeta é considerada uma “obrigação”. E ficam muito mal dispostos quando não damos, pois já lhes pagámos os serviços efectuados. O que me leva a estranhar quando vejo os norte americanos usarem nos carros e outros lugares a célebre frase “we live free”.

Comentário de Filipe Moura
Data: 6 Agosto 2008, 23:10

O LA-C tem toda a razão. Na maior parte das vezes deves ter ido aos restaurantes em grupos, Fernanda. Mas também me sucedeu (recordo-me de uma ou duas vezes) sozinho.

Este assunto é parecido com o das entradas nos restaurantes, sim senhor. É hipócrita supor que o cliente é sempre livre de “não dar” gorjeta. Mas o conceito de liberdade nos EUA (e muitas outras coisas no mesmo país) são baseadas nesta hipocrisia fundamental.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 7 Agosto 2008, 0:04

luis (rainha), estive a ler o teu link. se bem percebi, o service charge de 10% reverte frequentemente para os empregados mas não é considerado ‘gorjeta’ para efeitos fiscais.

para mim, que assumo o papel de cliente, um service charge é o equivalente a uma gorjeta e é como tal que o interpreto. taxa de serviço, não sendo uma taxa fixa mas existindo nuns restaurantes e noutros não, será o quê senão uma gorjeta incluída na conta? não quero ser teimosa, estou simplesmente a fazer o raciocínio que me parece mais normal e q d resto sempre fiz.

por fim, cmf, essa defesa automática da boa da américa face a qualquer ‘ataque’, neste caso imaginário, não só é tonta como neste caso errou brutalmente o alvo.

Comentário de CMF
Data: 7 Agosto 2008, 0:28

“por fim, cmf, essa defesa automática da boa da américa face a qualquer ‘ataque’, neste caso imaginário, não só é tonta como neste caso errou brutalmente o alvo.”
Sobre o “paradoxo”, nada esclarece. De “tonterias” anda o mundo cheio. Passe bem.

Comentário de pz
Data: 7 Agosto 2008, 0:41

REALIDADE:
Isto vale para todos os EUA.

A gorjeta e “socialmente obrigatoria” como forma de compensar a pratica quase sem excepcoes em restauracao de se pagar salario minimo (geralmente abaixo do limiar de pobreza) e de nao se dar plano de saude nem de poupanca-reforma (num pais onde a maioria dos estados nao tem sistema de saude publica, e onde a seguranca social federal da uma cobertura abaixo do limiar de pobreza). Mas nao e obrigatoria.

Essa compensacao encontrou justificacao moral (e religiosa) na ideia de premiar o merito de um bom servico, castigando a incompetencia.

Na pratica, a gorjeta socialmente obrigatoria comum e de 15% - um pouco menos que isso (10%) e aceitavel mas o empregado mostra cara feia e se o cliente for la reconhecido no regresso e comum ser ligeiramente “castigado” com atrasos no servico e tratamento frio. Nao dar gorjeta e garantia de se ouvir gritaria e insultos, podendo ate ser-se enxovalhado por varios empregados ate fora da porta. Nada disto depende da qualidade do servico.

Taxa de servico e o mesmo que gorjeta, e e para os empregados, quando um grupo tem 6 ou mais pessoas. E comum ser “sugerida” no valor de 18% do total depois de incluidos impostos (as vezes 20-25). Nao e obrigatoria.

REGRA SIMPLES:
Para evitar chatices, em bares ou restaurantes dos EUA ha que pensar que os bens nao custam o que esta impresso na ementa, mas sim mais cerca de 1/4 desse valor, ou seja, mais ~8% para imposto e ~15% para gorjeta.

Escreva um comentário