a última viagem de soljenitsin

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4 respostas a a última viagem de soljenitsin

  1. Maria João Pires diz:

    Aproveito o tema e recomendo visita ao Natureza do Mal:

    http://anaturezadomal.blogspot.com/2008/08/alexander-soljenitsine.html

  2. Miguel Botelho diz:

    Há pouco tempo li alguns comentários de Soljenitsine em relação aos acontecimentos do nosso verão quente de 75. Este escritor, hoje visto como um herói para muitos, defendia um ataque da Nato a Portugal. Para além disso, defendia os bombardeamentos sistemáticos dos EUA contra o Vietname e era um apologista do regime de Franco. Quer isto, talvez, dizer que o herói do arquipélago de Gulag não está tão longe de algumas teorias sustentadas por muitos admiradores de Hitler, Mussolini, senão mesmo de George W. Bush Jr.

  3. Saloio diz:

    Senhor Miguel Botelho: (sem ofensa) o seu comentário parece emitido pela antiga Agência Tass, da Moscovo de Brejnev – ou, como se dizia no meu tempo de estudante, vinda de um…”lacaio revisionista a soldo dos imprialistas soviéticos”. Estou a brincar…

    De facto, para mim, A. Soljenitsin é um vulto maior da literatura mundial, e o primeiro a divulgar os horrores do regime stalinista instalado na União Soviética dita socialista/comunista.

    Quando li “Um dia na vida de Ivan Danisovicht”, com 17 anos, fiquei uns tempos sem fome. A seguir, tanto o “Pavilhão de Cancerosos”, como “O Arquipélago de Goulac”, foram obras grandiosas, comentadas em todo o mundo, e que fizeram despertar nas mentes dos esquerdistas ingénuos, o falso sonho que o comunismo tinha trazido a tantos milhares de pessoas.

    E foi esse rosto desumano e fascista dos anos socialistas da Rússia, e da asnguinária opressão ali instalada, que o autor divulgou por todo o mundo como só um artista maior e profundamente afectado por tais terrores, consegue transmitir.

    Fez mais Soljenitsin pela democracia na US do que toda a guerra fria.

    Já antes dele, nos anos 60, o jornalista Artur London tinha descrito em pormenor as atrocidades dos julgamentos fantoches dos socialistas na Hungria – num livro memorável chamado ” A Confissão”.

    Contudo, A. Sol. vai mais fundo no descrever o dia-a-dia e o que vai na mente daqueles que se atreveram a pensar diferente e sofreram as consequências de tal atrevimento.

    Foi alguém que, com os seus escritos, influenciou muitos que também acreditaram na propaganda de uma pátria com sol para todos – e, ao contrário, tiveram a fome e a tortura como únicas companheiras da sua existência anónima.

    Na dúzia de livros que mais me tocaram (“O Despertar dos Mágicos”, “Cem anos de Solidão”, “Conversa na Catedral”, “O Ópio dos Intelectuais”, “Nem Marx, Nem Jesus”, “Mães e Filhas”, “O Grupo”, ” A Metarmofose”, “O Imenso Adeus”, “10 Dias que Abalaram o Mundo”), “Um Dia na Vida…” completa algo que, ainda hoje, quando me lembro de pormenores, fico comovido.

    É uma grande perda para a cultura mundial.

    Digo eu…

  4. Miguel Botelho diz:

    É um ponto de vista que eu não comento. A meu ver, o que ouvimos deste escritor também é, em grande parte, pura propaganda política. Se ler algumas das entrevistas que este autor deu, entre 1974-1975, verá que nada do que se escreve hoje tem a ver com a realidade. É que defender o regime de Franco, os bombardeamentos criminosos contra as populações indefesas do Vietname e um ataque a Portugal pela Nato (se a revolução tivesse seguido outro rumo) são ideias ou vontades que nada têm a ver com a paz e o progresso da humanidade.

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