Calou-se a voz de Deus

Ao que parece, o taumaturgo, cansado da solidão, da pobreza, das ameaças de despejo e da multiplicação infinda dos pequenos tormentos quotidianos, assinalou o 4 de Julho com o seu próprio fogo de artifício, metendo uma bala na cabeça. Quiçá uma tramitação burocrática necessária para ocupar de facto o cargo reivindicado no seu último livro, The Word of God. Eis o édito respectivo:
«Once a mortal, soon to be in Heaven, I may be
your best chance to distinguish yourself
as someone specially Blessed and bound for Glory
without going to a lot of trouble or expense.
The Scripture is out there now
[The Word of God, Tachyon Press, $14.95],
proclaiming my Divinity and promising Salvation.»

Sei lá quantas vezes vi Thomas M. Disch ser descrito como «o melhor autor subavaliado da América» (por cá, duvido que alguém tenha sequer noticiado o óbito). Ou coisa que o valha. Sei que cresci assombrado pela beleza maligna e subtil de On Wings of Song e 334, duas das obras mais estranhas, comoventes e humanas em alguma vez pousei a vista. A avalancha de adjectivos não lhes faz justiça. Encomendem, cravem ou roubem pelo menos estes dois títulos. Enquanto não chegarem, fiquem com o blogue interrompido ou com as respostas de Nosso Senhor aos seus fiéis. E não se admirem se começarmos em breve a assistir a alguns milagres bem estranhos.

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3 respostas a Calou-se a voz de Deus

  1. por acaso, a frase mais emblemática dos últimos dias:

    Kill yourselves while you can, guys.
    It’s what I would do.

    TDisch – The tablets of common knowledge

  2. Eu faço parte dos pagãos, não conhecia: não apenas não notei o óbito como nem sequer a vida. Mas agora fiquei com muita curiosidade…

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