cohen
25 Julho 2008 | por Fernanda Câncio(story of isaac)
não vi o concerto. estava no porto. se estivesse em lisboa, teria tido de escolher entre lou reed e cohen — infinita burrice a dos programadores. mas como vi lou reed em 1980 (ou 81?) em cascais num concerto memorável (o primeiro da minha vida) teria decerto optado por cohen. à espera de ouvir dizer — ele di-las mais do que as canta– as duas estrofes acima. de todo o cohen, é isto sobretudo que eu retive: a reversibilidade tremenda das deliberações e dos sentimentos, a crueldade desalentada do coração humano, e esta voz de magoada perversidade, a voz de um profeta doloroso, sem redenção, maldito.
ajudar-te-ei se puder, matar-te-ei se tiver que ser, e depois, logo a seguir: ajudar-te-ei se tiver que ser, matar-te-ei se puder.

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