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ainda a quinta da fonte e a esquerda e a direita e assim

23 Julho 2008 | por Fernanda Câncio

‘há quem viva melhor com o rendimento mínimo garantido do que quem trabalhe nas limpezas da estação fluvial e não tenha onde deixar a filha menor’, diz o maradona, neste texto citado pelo joão pinto e castro. e acrescenta: ‘Vejo uma pessoa de Direita quando vejo alguém mais peocupado em acabar com esta injustiça do que em acabar com a pobreza’.

é capaz de ser por isso que alguns dos meus amigos que se dizem de direita insistem comigo para que eu admita sê-lo também. eu, porém, resisto. e resisto ainda mais a esta idiotice que domina a maioria das discussões políticas ou sobre políticas e que tem o seu apogeu na blogosfera, a saber, a insistência em discutir a propósito de um dado assunto as vantagens e desvantagens daquilo que cada ‘lado’ acha ser a ‘posição’ do ‘outro lado’ sobre o assunto, ao invés de se tentar pensar sobre o dito assunto e procurar, na medida do possível, respostas, saídas, soluções. o texto de rui ramos que jpc cita é um exemplo dessa suprema idiotice, como aliás muito do que se tem escrito e dito sobre a quinta da fonte.

a primeira frase de maradona é absolutamente verdadeira e deve fazer-nos reflectir. é intolerável, do ponto de vista de qualquer pessoa com sentido de justiça, seja de esquerda, direita ou do raio que a parta, que alguém que se esforça a trabalhar viva em piores condições que alguém que não o faz e recebe o rendimento social de inserção. e essa realidade é demasiado frequente para ser alegremente ignorada ou tratada como um mito urbano. 

significa isso que as políticas sociais são erradas e devem ser anuladas, como parece propor rui ramos (e digo parece porque na verdade ele não se compromete com o propor seja o que for)? não, não e não. creio nas vantagens de um sistema redistributivo e os dados existentes há décadas no mundo inteiro demonstram que esse sistema funciona — e funciona com vantagem para a comunidade, além da vantagem oferecida aos beneficiários. tem perversões? tem, claro. é preciso olhar para elas de frente, aceitando que existem, e tentar diminui-las. 

o assistencialismo que faz crianças intratáveis das pessoas crescidas, oferecendo-nos espectáculos como o das famílias ciganas da quinta da fonte ou o dos moradores em fúria do bairro do aleixo (porto) é um erro. e surge tanto mais como um erro quanto há todos os dias gente a ter de sair de casas compradas a preços histéricos por não conseguir pagar as prestações ao banco enquanto em bairros sociais há quem não pague a renda há mais de 10 anos ou venda a chave a um primo enquanto recebe o rsi, tem uma antena meo na janela, três telemóveis topo de gama e se queixa de não ter esquentador para dar banho quente às crianças (e não estou a inventar). não é admissível que isto se passe, e tem de ser possível encontrar respostas e soluções para isto. 

agora falar da criação de bairros sociais como se tivesse sido uma invenção da esquerda — a ignorância das pessoas, nomeadamente das que se apresentam como historiadoras, às vezes é um bocadinho encanitante de mais — e como se a solução fosse mandar toda a gente que lá vive para o olho da rua, acabar com o rsi e quem morresse morria é um bocadinho pouco sério de mais. a próxima vez que o professor doutor rui ramos quiser, ao fim de uma semana de notícias, falar de um assunto como a quinta da fonte e os bairros sociais em geral pode espremer as meninges para, em vez de fazer um discurso sobre o que acha que é a esquerda, apresentar as suas ideias para a forma como os países, as comunidades, os estados devem tratar os desfavorecidos. e, já agora, dizer de quem fala quando se refere às ‘opiniões da esquerda’. é que se não se importa, entre o rui tavares e o josé falcão do sos racismo, mais o rui rio (que, se calhar o rui ramos não reparou, mas se propõe deitar abaixo as torres do aleixo e realojar os seus habitantes no centro histórico do porto, em casas requalificadas para o efeito) mais aqui esta sua criada, entre muitas outras pessoas, há umas diferençazinhas. mandava a honestidade não nos colocar a todos no mesmo saco — mas é tão mais fácil, não é, professor doutor?

Comentários

Comentário de João Galamba
Data: 23 Julho 2008, 14:05

Fernanda,

que grande post. és uma Hegeliana inconsciente, é o que é..

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 23 Julho 2008, 14:17

hum?

Comentário de Bruno - Planetas
Data: 23 Julho 2008, 14:18

Concordo com a Fernanda, mas insisto que as vozes da dita “esquerda” não têm sido coerentes com a realidade dos factos no caso em apreço.
Pecam pela posição tendenciosa de quem apenas quer retirar dividendos políticos e não resolver os problemas reais de maneira responsável.

Comentário de Sérgio
Data: 23 Julho 2008, 14:29

Estou em pulgas para ler alguma coisa da jornalista Câncio com a qual eu discorde.
Só para ver que não amansei com o suposto “estalo”.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 23 Julho 2008, 14:31

bruno, desculpe, mas eu estou firmemente convencida de que sou de esquerda. e não me lembro de ter tido, nos últimos muitos anos, uma posição diversa da que exponho neste post.

Comentário de Nuno
Data: 23 Julho 2008, 14:36

Desculpem lá qualquer coisinha, mas o artigo do Rui Ramos é muitíssimo bom. Seria óptimo se ele apresentasse a solução para os problemas que aponta, mas é claro que a solução não está aí à nossa frente, pronta a ser adoptada a qualquer momento; caso contrário, o problema teria deixado de existir há já muito tempo. Suspeito que tanto alarido neste blog por causa do artigo do Rui Ramos resulta do facto de até vocês reconhecerem (com muita pena vossa) que o artigo dele diz umas quantas verdades. Pode não ser a verdade toda, mas é certamente uma parte substancial dela. Tomara o nosso país ter 10 cronistas como o Rui Ramos (tanto à esquerda como à direita) em vez dos 50 que temos…

Comentário de Bruno - Planetas
Data: 23 Julho 2008, 14:41

Fernanda, pois eu também me considero de esquerda.
Naturalmente que me refiro às posições da “esquerda” que se atribui essa exclusividade, nomeadamente ao BE, PC, SOS racismo etc…

Comentário de henry james
Data: 23 Julho 2008, 14:47

Reparo que não sugere qualquer solução para o problema, Fernanda. Em vez disso discorre sobre as opiniões de Rui Ramos sobre as opiniões da esquerda. Se o assistencialismo é tão nefasto como o abandono, resta-nos fazer o quê?

Talvez o “hegeliano consciente” tenha uma boa resposta.

Comentário de ezequiel
Data: 23 Julho 2008, 14:54

uma hegeliana inconsciente?????

hum?
—-

chorei de rir com esta…:)

uma Hegeliana!!

minha nossa, apre, que os céus me atinjam a meloa, mas a bubblicious F aint a bloody Hegelian. She is fit trooper. ehe heh eheh ehe :)

Só mesmo tu João. :)

Comentário de ezequiel
Data: 23 Julho 2008, 14:59

Vou experimentar esta com a minha G-friend.

Darling, you are unconscious Leibnizian!

WHAT???

bang bang…and moi is gone, outa window, no more sweets

eh eh eh :)

João, já viste uma foto da F???

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 23 Julho 2008, 15:01

caro henry james, que bom vê-lo por aqui. folgo pela sua ressurreição. sabe, henry, este post não é sobre a quinta da fonte, é mesmo sobre o artigo do rui ramos. é por isso que discorro sobre o artigo do rui ramos. sobre o assunto quinta da fonte tinha escrito já um artigo no dn — no qual discorria sobre a quinta da fonte. não, não apresentei soluções para o problema. discorri sobre ele, sem precisar, como o rui ramos e muitos dos seus apaniguados, de muletas para tal. não precisei de atacar aquilo que a suposta direita supostamente diz ou faz para falar da quinta da fonte. aliás, há anos que escrevo sobre estes assuntos tentando pensar pela minha cabeça. dá trabalho, mas é o que há.

Comentário de ezequiel
Data: 23 Julho 2008, 15:09

Johnny

girls wanna be treated right! Like this…(just kidding..flirty mood today)

http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=59622789

Comentário de Tiago
Data: 23 Julho 2008, 15:23

Desculpe, Fernanda mas nao percebo que nao perceba que ‘esquerda’ e ‘direita’ sao abreviacoes (shorthand) que as pessoas usam em discussoes publicas para tentar perceber os outros e fazerem-se perceber.
A sua posicao ‘deixem-se la de politiquices, vamos la e’ resolver os problemas’ corre o perigo de escorregar para o tecnocratrico.
O problema, como bem refere, e’ que nao ha propriamente uma solucao de esquerda ou direita para os problemas da quinta da fonte. Sao varios problemas juntos (diferencas etnicas, exclusao urbana, pobreza, criminalidade, estereotipos raciais, etc.) mas que nao se organizam segundo uma ou duas logicas de possivel leitura politica.
Que intelectuais de direita ou esquerda escolham vertentes do problema para tentarem angariar suporte politicos para projectos politicos nacionais mais ou menos definidos e’ sintoma da conversa continua que e’ a democracia.
Na pratica, pode ser que algumas das sugestoes desses intelectuais sejam tomadas em consideracao na resolucao do problema mas qualquer politico local ou lider de comunidade estara muito bem enganado se achar que o melhor e’ aplicar “uma solucao de esquerda”.
Sao realidades diferentes, mas criticar uns usando os criterios de outros tambem nao me parece util.

Comentário de Carlos Barbosa de Oliveira
Data: 23 Julho 2008, 15:54

Os portugueses são mesmo assim, Fernanda! Extrair um pensamento dos neurónios custa-lhes ainda mais do que arrancar um dente.

Comentário de henry james
Data: 23 Julho 2008, 16:03

Sim, sim, tenho lido os seus artigos.

Mas permita-me formular o problema com um certo excesso de simplificação: de um lado temos a direita clássica, chamemos-lhe assim, que preconiza uma sã carnificina liberal — que a ciganada e os pretinhos se esgadanhem nos suburbios e um policiamento “reforçado” apanhe as carcaças em coto para edificação do povo obediente e saciado. Este parece ser o programa evangelizador de Paulo Portas, mais coisa menos coisa.

Do outro lado temos a esquerda Barnabé: muito diálogo, subsídios em barda e longos programas de formação cívica (como lavar as mãos, como não engravidar a filha adolescente) — resmas de teses da Universidade Nova e documentários de meia hora no São Jorge para pôr os lisboetas que escaparam ao inferno suburbano em contacto com as amenidades da Damaia ou da Bobadela.

No meio de tudo isso parece estar a Fernanda. Por um lado reconhece a necessidade de ajudar aquelas pessoas, por outro rejeita o “assistencialismo” (nem sei se escrevi bem esta horrenda palavra). E se não se conforma com os excessos de autoridade também rejeita o “paternalismo”. No entanto, tenho a sensação de que ainda não nos disse exactamente aquilo que pensa a respeito deste assunto. Será que tem receio de propôr tratamentos diferentes para comunidades diferentes? Será que é mais céptica do que nos quer confessar?

Não estava obviamente a tentar hostilizá-la, mas a tentar compreender. Este assunto interessa-me.

Comentário de PMA
Data: 23 Julho 2008, 16:09

Ninguém consegue ser indiferente às injustiças q as ajudas do estado provocam na “classe do meio”. Aquela q nem é rica pra não precisar, nem pobre para o poder receber.
Agora, parece-me claro q esse ponto, dos vários artigos de jornal e post em blogues q li, é sempre apontado por personalidades habitualmente ligadas à direita, ou centro direita, tirando o caso da nossa estimada autora (talvez axe q é mas n é!!)

Comentário de Dinis
Data: 23 Julho 2008, 16:16

A ideia central do que defende a Fernanda é muito importante´. Estrutural como agora se diz. É ter uma política de “wellfair-state” que não dê argumentos á direira retrógada e que não embarace os que defendem o estado providência.
Sucede que o que o Maradona diz é factual. Logo, e dado o exposto, eu acho que é imperioso que a bem do estado providência , este se dê ao respeito. A assistência tem que ser justa sob pena de se enredar num paradoxo insustentável, dando espaço e terreno aos populismos e demagogias do Drº Portas e dos escribas do insurgente.
Fiscalizar. Dar a quem precisa na justa medida das suas necessidades. É assim tão difícil?

Comentário de Luís Marvão
Data: 23 Julho 2008, 17:20

“bruno, desculpe, mas eu estou firmemente convencida de que sou de esquerda.”

No Mundo Insurgente, a Fernanda não só está à esquerda, como é a imagem cristalina da extrema-esquerda ;)
Bem, eu não provenho do Mundo Insurgente. Mas não há como evitar o olhar dos outros…
Agora sobre o artigo do Rui Ramos, é a cartilha liberal, mas aquela que considera as prestações sociais sempre nefastas para a sociedade global. Ele fá-lo com acutilância, mas o discurso permanece nas rígidas fronteiras da ideologia. Hoje os bairros sociais, amanhã o serviço nacional de saúde.

Comentário de al
Data: 23 Julho 2008, 19:19

O artigo do Prof. Doutor Rui Ramos é notável. O cerne da questão, que permanece intocado está aqui: «Eis a tragédia da pobreza: em troca do alívio público das suas carências, milhares de famílias tornaram-se carne para os canhões burocráticos e intelectuais do Estado Social.» Seja com a pior ou com a melhor das intenções, a pobreza traz consigo um estatuto de menoridade de cidadania, de liberdade individual. De facto, «[...]porque não tentar atingir o mesmo efeito de “mistura social” deslocando as classes médias dos seus condomínios para a Quinta da Fonte ou para a Cova da Moura? Responder-me-ão: porque se recusariam a ir e não se pode obrigá-las. O que, precisamente, não se passa com os pobres: a esses é possível obrigar, como estão a descobrir os refugiados da Quinta da Fonte.» É esse o problema que o Prof. Rui Ramos põe, o dessa menoridade. Achar que ele devia, além de o enunciar dar-lhe resposta, eis uma visão grotesca do que é a discussão de uma questão. Pobres de nós se apenas puséssemos as perguntas para as quais temos já respostas.

Comentário de Aires da Costa
Data: 23 Julho 2008, 20:31

al
«Eis a tragédia da pobreza: em troca do alívio público das suas carências, milhares de famílias tornaram-se carne para os canhões burocráticos e intelectuais do Estado Social.» Seja com a pior ou com a melhor das intenções, a pobreza traz consigo um estatuto de menoridade de cidadania, de liberdade individual

Evidentemente que um alívio privado tem um outro estatuto e sempre
dá oportunidade a uns bailes e a uns chás

Já os alívios religiosos penso que são menos respeitáveis, pois podem impedir a ascenção aos céus dos aliviados

Comentário de al
Data: 23 Julho 2008, 21:26

Aires da Costa
O problema levantado pelo historiador Prof. Rui Ramos é o de menoridade e perda de independência que parece impor-se a quem aceita o auxílio de uma entidade do estado.
Vivemos bem com a menoridade dos outros? Pode o estado tutelar pessoas por estas serem pobres? É isso admissível? Podemos crer para os outros aquilo que sentiriamos como uma afronta se fosse connosco? Esquecemos essa violação efectiva, material, do princípio da igualdade perante a lei e da liberdade? Há modos de impedir que essa intromissão na esfera pessoal do ajudado ocorra? Também estamos prontos a mudar de casa se o estado assim o entender ou achamos isso absurdo? E é absurdo apenas porque temos dinheiro e há quem não tenha?
Estas e outras perguntas decorrem do texto do Prof. Doutor Rui Ramos
A questão do auxílio privado é outra questão e levantará outros problemas e não é o inverso desta questão.

Comentário de Carlos Marques
Data: 23 Julho 2008, 22:27

“mais o rui rio (que, se calhar o rui ramos não reparou, mas se propõe deitar abaixo as torres do aleixo e realojar os seus habitantes no centro histórico do porto, em casas requalificadas para o efeito”

Não conhecia esta ideia do Dr. Rui Rui. Boa! Sugeri, quer dizer, postei aqui, porque quem sou eu para sugerir nestas questões, postei aqui que se devia realojar muitas pessoas no centro de Lisboa. Para quê criar novas esquadras em bairros sem raízes nenhumas se em Lisboa elas existem? Isso e jardins, ruas, escolas. E Lisboa precisa de habitantes, que habitem, que saiam à rua, de classes sociais baixa e média, ou continuará meios deserta, atravessada em velocidade de cruzeiro pelos ricos e os altos funcionários públicos e detentores de elevados cargos públicos ou semi-públicos, que vogam entre o lugares da moda e os condomínios fechados. O Dr. Rui Rui enfrentou o poder do futebol onde ele era mais entranhado e não tem tido medo de enfrentar outros poderes - incluindo o da imprensa. Ainda há quem os tenha no sítio e, a julgar pelas duas vitórias consecutivas, no Porto ainda dão mais valor a isso do que à opinião publicada. Este é bem capaz de não ganhar um lugar no céu (bom cargo em monopólio, leia-se). Carlos

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 23 Julho 2008, 22:44

carlos, passei uma semana no porto a fazer entrevistas em bairros sociais. não fui ao aleixo (não estava incluído) mas fartei-me de ler sobre o assunto. esta é uma das notícias:

http://jpn.icicom.up.pt/2008/07/16/bairro_do_aleixo_vai_ser_demolido_ate_2013_em_troca_de_habitacoes_espalhadas_pelo_porto.html

Comentário de carlos barbosa oliveira
Data: 23 Julho 2008, 22:57

Fernanda, em relação ao Aleixo, reitero o que escrevi no meu blog. Não ponho em causa que haja interesses imobiliários, mas creio que não é isso que neste momento está em causa. Embora viva em Lisboa sou do Porto, ainda tenho lá casa e desloco-me lá muitas vezes. Acompanho há anos a qustão e, por uma vez, estou ao lado de Rui Rio ( espero que isso não acnteça muitas vezes, porque não é bom sinal…). É necessário demolir aquilo. E digo-lhe que não compreendo a posição da Palmira- que conheci já há 30 anos!
Bem, reparo agora que a resposta talvez não fosse para mim e sim para o Carlos Vaz Marques. Peço desculpa… esqueça

Comentário de j
Data: 23 Julho 2008, 23:02

A segregação de “pretos” e “ciganos” em “quintas das fontes” nada tem que ver com “esquerdas” ou “direitas” mas sim com a idiotice de alguns políticos e de técnicos sociais.. e também de alguns jornalistas.
Que acham que fica bem proteger certas minorias, com um propósito que não está assente em valores ou ideologias, mas antes tendo por objectivo arregimentar votos.

Comentário de j
Data: 23 Julho 2008, 23:20

Os comentários de “al” são de uma grande lucidez.
E de frontalidade, mesmo quando não concordo, não sendo aqui o caso.

Comentário de xatoo
Data: 23 Julho 2008, 23:38

urbanismo controlado economicamente pelo imobiliário, estranhos guetos na geografia social – sem tocar radicalmente nas causas, toda a gente pode dissertar sobre tudo o que quiser que a compreensão sobre esta problemática ficará rigorosamente igual àquilo que antes se tenha escrito. Não é um problema de esquerda/direita, é uma elipse,

Comentário de Aires da Costa
Data: 24 Julho 2008, 0:13

al
“O problema levantado pelo historiador Prof. Rui Ramos é o de menoridade e perda de independência que parece impor-se a quem aceita o auxílio de uma entidade do estado.”

Pobre mas livre é um pressuposto óbvio das interrogações/opiniões expressas. Sucede que, na sociedade em que vivemos ( Portugal princípio do séc. XXI), a ausência dum rendimento mínimo, em dinheiro ou em espécie, obtido legal ou ilegalmente, não é condição de liberdade ou de cidadania, porque a liberdade e os direitos de cidadania são atributos de quem existe e a ausência dum rendimento mínimo, significa morte, não em sentido figurado, mas no sentido literal da fome, das doenças, do frio e do calor e, já em muitas zonas, mesmo da sede, pois a água potável sem proprietário em pleno estio é cada vez mais rara.

Este problema de sobrevivência, dos que não conseguem obter rendimentos através da economia formal, tem outras soluções, aliás bem mais antigas que o estado assistencial, de que relevam algumas figuras bem amadas dos românticos a saber: os pedintes, vagabundos, vadios, prostitutas de rua e toda a panóplia de pequenos gatunos, assaltantes e vigaristas a que há a acrescentar a do recente “arrumador”.

As Misericórdias, a prisão da vadiagem e a proibição dos pedintes, foram algumas das soluções que as sociedades modernas puseram no terreno com toda a força à alguns séculos atrás. As políticas de habitação social, de sopa dos pobres e mais recentemente a do rendimento mínimo não são mais do que novas tentativas de resolver este problema.

Menoridade do cidadão, perda de independência, mas sim claramente: Qualquer Bonnie and Clyde é maravilhosamente mais livre e independente que uma família que não paga os cinco euros de renda duma casa na Quinta da Fonte e que comprou uma PlayStation com o rendimento social de inserção. Pelo menos no filme…

Comentário de Ai Que eu sou anónimo MESMO!
Data: 24 Julho 2008, 0:50

Como dizer:

Uma vez descobri que ia abrir uma pós-graduação numa área altamente carenciada no país. Peguei nos trocos do RENDIMENTO DE INSERÇÃO SOCIAL - os quais vieram em acumulado - 13 meses depois -… vida de professor … 53.560. contos mês - e investi nessa pós-graduação, eles até tinham 10 Bolsas de Estudo para distribuir por 27 pessoazinhas. Quando lá cheguei descobri haver só gente Pinoca (mas muito fraquinha naquela matéria, era só base, base da maquilhagem… etc. etc. etc.) e eu. Eu?? ( A professorazinha de sociologia lá disse: “Ah! Eu consigo mais ou menos “engavetar toda a gente, mas você é impossível. “ De desata num questionário detectivesco ao meu sinistro Eu. Pois: eu … Eu sei lá… Ora, Recebera em acumulado 13 x 53. 560 escudos. Eu era isso. Claro que durante 10 meses tive um emprego PIRATA a receber 170 contos + Gasolina e sub. De alimentação e sem declarar nada ( Ah! Tudo isso por dois dias e meio de trabalho! Part-time e em Portugal e na Margem sul e a rondar o ano 2000). Claro! que já sabia que dali a 10 meses seria o “Pão que o Diabo amassou” o que me faria engordar ( Bem Pensado … adivinhar o meu futuro é uma coisa básica …).
EU??? ADDICTO À CRETINCE??? EU UM FILHO DA MÃE??? EU - OS NOMES À ESCOLHA COM QUE ME QUEIRAM ENXOVALHAR, CUSPIR, AMESQUINHAR – EU ISSO? Eu. EU? EU! EXEMPLO INEGÁVEL, IRREFUTÁVEL DE DESONESTIDADE??????????? Brincam???? Não. Eu? Não. Mas a coordenadora dessa dita pós-graduação numa área altamente carenciada no país SIM!! ESSA TIPA RELES! SIM. Essa sim. Mas como a caricatura de pessoa que é dessa tipa reles é do âmbito e da esfera do PINOCA … todo o mundo bajula, aplaude diz que é SÉRIA.
SÉRIA? Eu traduzo a seriedade dessa honestidade ofuscante: Quando a interroguei no final do ano ( pois, a minha inclinação para adivinhar o meu futuro é de uma evidência brutal, isso: de bruteza… eu teria de aguentar o silêncio! - pensavaeu - atendendo à atmosfera corcodilica e de postiçagem ) porque é que não me tinha sido atribuída a Bolsa de Estudo, perguntei eu. A Tipa responde-me que EU não tinha perfil! UE TINHA ENTRADO NOS SELECCIONADOS, PORQUE O CURSO ERA CARO E PESSOAS COMO EU ERAM ADMITIDAS PARA QUE OS DO PERFIL PUDESSEM USUFRUIR DE UM ENSINO MENOS DISPENDIOSO!!!
(Eu. Vivo. E sou tão gentil, um poço de gentileza!!! Mas não sou pinocas…)

Nota: As bolsas de Estudo tinham como critérios: 1O Curriculum ( Um Professor da área, com 6 anos de serviço não valeu de nada! O professor é uma coisa do âmbito da porcaria… etc.); 2Distância ( do local de leccionação da referida Pós-G) e 3IRS; aquando da atribuição das bolsas não tornaram publica a lista para não constrager os beneficiários. E o primeiro critério era o PERFIL?! Numa palavra: Mérito.Quem não gosta de ser reconhecido??? Pois, de entre os 10 colegas só uma admitiu que tinha recebido a dita bolsa… LINDINHO, não é?
Nota2: O mais hilariante e que quase fez desmaiar de ridículo a Senhora Séria foi o meu comentário: que aquilo tinha o “Enquadramento de um Programa de Protecção às Testemunhas de um Crime” como nos Estados Unidos Fazem. 90% da humanidade é pobre, não era para terem vergonh de receber uma bolsa de estudo. E Claro que garanti que iria consultar a LISTA, depois da senhora séria me dizer que a Lista era pública.
Nota3: Ao consultar a lista: (eh eh ehe) claro que as donzelas e donzelos condutores de carros topo de Gama eram os do perfil! Até quem tinha 3 meses de trabalho como secretária de uma empresa da área, com a lindona média de 11 valores num curso tirado na católica ( e não é Direito!).
Por Favor NÃO ABORREÇAM COM ESSA CONVERSA SOBRE RENDIMENTOS de INSERÇÂO SOCIAL e mais isto e mais aquilo.
É isso mesmo. Eu na área não exerço NADA porque tenho escarrapachado na testa: NÃO TENHO PERFIL ( POBRE!) é só por isso!!. Há muitos precipícios na vida, há sempre um à nossa disposição, à nossa beira e também há o só vir à terra 5 minutos por semana, e basta, tem sido o suficiente nestes últimos anos.
Ah! Esquecia-me a professorazinha de sociologia, a tal, encontrou-me um dia e lá disse: “Sabes: destes três anos - 130 alunos – chegamos à unânime conclusão que o teu trabalho final foi o melhor de todos.” Pois, mas eu levei um reles 16! Mesmo reles …

Comentário de Ai Que eu sou anónimo MESMO!
Data: 24 Julho 2008, 1:09

A pobreza é repugnante … até nos brancos, especialmente nos brancos como EU

Comentário de al
Data: 24 Julho 2008, 1:36

Sr. Aires da Costa,
Creio que, tal como diz, também eles, os “auxiliados”, na quinta da fotne ou na banlieu de Paris sabem que Bonnie & Clyde eram livres

Comentário de rvn
Data: 24 Julho 2008, 2:28

Os moradores dos bairros que fazem este país de misérias tantas e tão tristes Apelações, constituem a massa humana de que é feita esta estrutura social distorcida, viciada de geração em geração, culturalmente viciosa e amontoada por grosso em favos distribuídos ‘às famílias’ num sorteio de colmeias e colmeias de semi-gente, arrumada assim em vidas novas juntinhas para poupar espaço e em troca das vidas velhas em barracas condenadas que estavam a empatar o progresso. São bairros que acabam por ser autênticas extensões dos estabelecimentos prisionais, na prática (ou vice-versa, pouco importa), que o Portugal porreiropá conscientemente aceita e cuja existência consente, pese embora o nojo que o leva a olhá-los o menos possível, sempre sem os ver, por pudor só ausente em campanhas eleitorais. Mas não sem condições implícitas, subentendidas e conhecidas por toda a gente, a saber: não dar demasiado nas vistas, não envergonhar a malta em frente às visitas, não estragar o retrato de família, cá dentro ou lá fora, e sobretudo não chatear quem manda, nunca. É como quem diz ‘low profile’, na terminologia do poder. É como quem diz ‘não fazer merda’, numa linguagem de policiamento de proximidade, repetidamente explicada aos portubaixeses e muitas vezes por palavras.

É neste equilíbrio delicado que co-existem fogo e estopa, anos e anos e vidas a fio, porta com porta em meios-metros de rua e paredes-meias de casa, num milagre diário imposto pela maior das necessidades: a sobrevivência. Pois bem, está visto que no Bairro da Apelação o milagre apagou-se, por estes dias, entre os portubaixeses. Portugal segue o drama por alto, como um jogo da 2ª Divisão-B e em zapping com as novelas da noite, que a coisa promete. As forças de segurança estão no local, o aparato é beirutiano, Portugal-de-Baixo é zona de guerra. Esquecidos da sobrevivência e turvos de raiva, fogo e estopa pegaram-se no esgoto e atearam o incêndio mais preocupante deste Verão. São velhos ódios, ressequidos de gerações e misturados com toda a espécie de pressões e frustrações de uma existência madrasta, mais os velhos truques das negociatas sujas e escondidas, tudo tão somente à mercê de um sopro de preconceito que lhes dê de feição e alastre a tragédia ao impensável. E depois de tanto ver e ouvir o senhor Ministro Rui Pereira a dizer coisas sobre firmeza e sobre dead lines que não só não morrem como estão sempre a nascer, pergunto a mim próprio se estará alguém com atenção aos ventos lá em baixo ou se está tudo distraído a bater palmas uns aos outros cá em cima.

Comentário de Daniel Francisco
Data: 24 Julho 2008, 3:49

Bem eu já postei anteriormente mas cá vai outra vez:

Pois eu não me importava de ficar com uma das casas que vão vagar,
trabalho que me esfolo, em dois empregos, para pagar a casa onde vivo, sou licenciado, mestrado, sem deduções, isenções ou subsidios, sempre tive de pagar tudo. ahh o meu ordenado nos dois empregos, pois são 1200 euros brutos, sim pq liquidos como ganho muito ficam em 750 liquidos. Pago, 500 euros de casa, mais 100 de despesas, mais 40 de passe ( pq não dá para pagar o carro nem o seguro), como e visto-me com 90 euros por mês, pois dava-me um jeitaso uma casa na quinta da fonte, ou na cova da moura (onde já morei) ou na Damaia ou na Buraca, mas não, como trabalho e muito uma média de 14 horas por dia (oito mais seis) não tenho direito, ahh sim sou caucasianio e já sofri muito racismo, mas nunca ninguem me defendeu

e sim meu caro Ai Que eu sou anónimo MESMO!

compreendo a situação, mas eu consegui ter um 18 no mestrado, com direito a louvor e a unanimidade e direito a publicação da tese pela Universidade (coisa QUE AGUARDO HÁ UM ANO), agora bolsa para terminar atese de doutoramento em Madrid na melhor faculdade da europa na area, com o apoio e estagio garantido numa das melhores do mundo ( sim harvard, a dos USA) e cartas de referencia de 8 professores de oito faculdades diferentes e de diferentes paises,
pois na FDCT acham que eu não tenho perfil
e fiquei três anos como o rapaz abaixo da linha de agua e sabe é uma pena que você é tão bom….
pois mas lá continuo com os meus dois empregos a trabalhar 14 horas por dia e com sorte a conseguir fazer qq coisa nos feriados

Comentário de ezequiel
Data: 24 Julho 2008, 4:04

só espero que haja por aí, algures, ou uma joana de la arca jornalística ou um Sherlockster qualquer, que investigue e descubra o que se passava nas cabeçinhas que decidiram iniciar o tiroteio: antes de saber isto, não faz qualquer sentido especular se foi racismo, etnicismo, simples rivalidades comunitárias, mal-entendidos, crime, etc etc…

do suposto racismo do tiroteio às soberbas imobiliárias…tudo isto sem nunca sabermos o que realmente se passa ali. Se não conhecerem o que ali se passa, nunca poderão inserir isto num conjunto de outras refs. Como é que os blacks conceptualizam os ciganos e vice versa? Eu não conheço esta realidade, confesso. Mas estes comentários não me ajudaram muito….

elrrivedercci

Comentário de ezequiel
Data: 24 Julho 2008, 4:10

Por um lado temos a direita clássica…e, pelo outro, temos a INVESTIGAÇÃO…

imaginem.

há porrada entre curdos e turcos no norte de londres

chamam um estudioso na matéria para esclarecer os confusos

o homem aparece na bbc

perguntam-lhe o que se passa e ele diz

“há a direita clássica e há os pinguins domesticados da Namibia…”

mas, meu caro, o que é que se passa ali??? É uma pergunta simples. Qual é o historial da convivência (ou não) destas comunidades? Está inscrito nos horizontes culturais da malta (tipo: reds versus blues) ou é coisa passageira e extemporânea? Ando a ver os noticiários e ainda não vi coisa que prestasse na box sobre o assunto. Tem medo dos tiroteios, os senhores jornalistas de investigação?? Não me parece. Então?

Nos, os lusos, somos uns matafisicos dos diabos…do mo

Comentário de ezequiel
Data: 24 Julho 2008, 4:14

fisga-se RVN..isto é fogo e estopa por todo o lado…estás onde?
Na somália ou no sudão?

Parece-me que estás a exagerar um pouco, não? entusiasmas-te com o vocab, quiçá?

Comentário de Ángel Sánchez Seoane
Data: 24 Julho 2008, 11:01

Respetada Senhora Câncio: Acolhendome a honestidade deste blog que voçe goberna tentei por tres veces e por dous caminhos distintos dar a conhecer unhos links que penso que poden contribuir á reflexión (http://www.infolive.tv/es/infolive.tv-3119-israelnews-el-conflicto-y-la-manipulacion-de-los-medios e http://www.infolive.tv/es/infolive.tv-23993-israelnews-el-conflicto-y-la-desinformacion) sen telo conseguido. Tento por cuarta, confiando na sua imparcialidade e profesionalidade. Obrigado

Comentário de henry james
Data: 24 Julho 2008, 12:16

Você não é muito articulado, pois não ezequiel? Onde quer chegar, exactamente?

Comentário de mdsol
Data: 24 Julho 2008, 12:49

Okay. Só pode ser das minhas limitações. Mas não sei, nem me apetece muito participar nestas quase “meta-discussões”.
“Rodriguinhos” à parte: Fernanda Câncio você escreve bem e depressa e dentro do que me é dado ver com vontade de ver as coisas sem enviesamentos pacóvios. Se não é perfeita e tem pressupostos prévios bem definidos… tomara muito boa gente saber situar-se e não ziguezaguear ao sabor de interesses de momento ou estados de alma mais ou menos fortuitos. Assim sendo, fiz (mais) um link lá para o meu canto que, não sendo lido por multidões, é lido por gente bem interessante!
: )

Comentário de Aires da Costa
Data: 24 Julho 2008, 13:31

Daniel Francisco
“são 1200 euros brutos, sim pq liquidos como ganho muito ficam em 750 liquidos. Pago, 500 euros de casa, mais 100 de despesas, mais 40 de passe ( pq não dá para pagar o carro nem o seguro), como e visto-me com 90 euros por mês”
Espero que não me leve a mal de lhe dar alguns conselhos de borla um deles com valor superior ao RSI:
- Aprenda a preencher a declaração do IRS.
- Com uma média de 3 euros por dia, partindo do princípio que anda nú e não gasta dinheiro em sabão, presumo que come dois papo secos com margarina ao pequeno almoço, esparguete com atum ao almoço, uma saladinha de tomate e pepino ao jantar e um copinho de leite com umas bolachinhas Maria ao deitar. Atenção que ainda pode ser constituído arguido por suspeita de ter roubado os livros, as fotocópias, o papel e as esferográficas que usou para tirar o seu mestrado (partindo do princípio que tem isenção de propinas e o computador e o acesso à internet lhe foram oferecidos).

Comentário de xatoo
Data: 24 Julho 2008, 13:32

caro Henry James
a falta de articulação dos militantes de esquerda pós-modernos deve-se ao menosprezo das leituras e práticas marxistas (que doravante até o Soares prognostica); e assim sendo, o corpo, por ausência de estrutura óssea fica reduzido a uma massa informe e sem consistência

Comentário de Ai Que eu sou anónimo MESMO!
Data: 24 Julho 2008, 13:57

Daniel Francisco:

Casos como os “nossos” ( se me permite, os do perfil levaram 18 e 19, mas o meu trabalho com 16, 130 alunos depois, ainda era o melhor.) Outro à parte: eu vi essa demonstração ( do meu trabalho fazer a diferença neste paizinho): duas das maiores empresas do país andaram e uma ainda anda a fazer figura com ele. Como tenho aquele toque evidente de “pobre”, de desprotecção total, claro que não vi um cêntimo. EU. No desemprego a financiar o prestígio de duas das maiores empresas portuguesas, duas Instituições da nossa sociedade, já para não mencionar a conduta altamente duvidosa de um Instituto Público. Mas noutro dia, quando me der outra doidice conto. Sim, ontem fui mais uma vez aliciada a trabalhar de graça. Do género: eu penso, elaboro o projecto, os tipos recebem. Dizem que gostam, mas de súbito ficam em apuros financeiros ou com outras prioridades. Nove meses depois com ligeiros toques vejo o meu trabalho na rua. Só no dia em que eu der uma valente sova em algum, tipo Quinta da Fonte é que VOU TER DIREITO À JUSTIÇA. Coitadinhos deles, tão sérios, tão idóneos. E EU valho o enxovalho que a pobreza me proporciona. Uma mistura de Cigania-Pretice com fundo branco, uma coisa para envergonhar os brancos Pinocas, dar-lhes mau nome à raça. É, simplesmente, aquela coisa singela de se pertencer aos brancos ruins.

PS.: A Dona Séria do comentário anterior, digamos que tem uma espécie de monopólio na área, para além de altamente casada e outras coisas paralelas… isto, por cá, também é assim. … eu sai de circulação, mas a Dona um dia ainda vai saber que a cereja no cimo do bolo: fui eu que a comi.

Comentário de ezequiel
Data: 24 Julho 2008, 14:06

para a próxima terei que “articular-me” para o “Henry James”.

Onde quero chegar?

Nada mais simples: começar por onde se deve começar sem precipitações de histérico. Estamos a falar da quinta da fonte, certo. Talvez fosse sensato tentar saber o que se passou ali, DE FACTO. Incorporar a quinta da fonte affair em discursos filosóficos sobre o liberalismo, a direita, a esquerda etc parece-me uma manobra intelectualmente desonesta, própria de demagogos ou de burros.

Ou seja, meu caro, you`re full of sheit!

Comentário de Daniel Francisco
Data: 24 Julho 2008, 14:29

Caro Aires da Costa
No IRS meto tudo, alias até já fui chamado às finanças há dois anos e tinha tudo, disseram que tinham achado estranho eu ter casa com os meus rendimentos e idade sendo solteiro e sem dependentes e eu com cara de parvo a olhar ( e a pensar ser solteiro e sem filhos não me dá o direito de ter uma casa????) no final sai de lá com a minha situação fiscal correctissima e sem ter de pagar nada ( quando até por via das dúvidas já tinham feito um calculo para eu pagar mais uns 274 euritos), mas adiante,
também deverei ser das poucas pessoas que recebeu uma carta das finanças a dizer que se eu quisse-se pagar uma multa de um situação que ainda estavam a analisar que o poderia fazer, e eu fiquei com uma duvida, se a minha suposta situação irregular ainda estava a ser analisada pq é tinha de pagar uma multa se nem sabia se no final teria de a pagar,
pois mais uma manha nas finanças ( sem poder ter ido trabalhar) e pimba afinal a minha situação estava regular, mas por sim por nao ir à Seg social ( e lá se foi a tarde) e enquanto eu agonizava para saber a minha situação a pensar o que será desta vez. Uma linda rapariaga étnica com um novo filho ia pedir subsididos,
não sabia quem era o pai da criança, não sabia o nome da própria ( o parto devia ter provocado amnesia), mas sabia que tinha direitos e queria o dinheiro por transferencia bancária para nao ter de ir a assistente social que nao gostava dela, mas também não sabia o numero da conta, assim q a lhe podiam já dar um cheque de 3 meses
a senhora que a atendia estava de boca aberta e eu pensar bolas e tenho de pagar eu 150 euros de cada um dos meus empregos para isto :((((

Ai Que eu sou anónimo MESMO!
um conselho faça você o seu projecto, vai ver passar de empregado a empreendedor muda e muito o estatuto

Comentário de aleph
Data: 24 Julho 2008, 15:01

É lamentável que alguém que trabalhe não viva melhor (materialmente) que quem recebe o rendimento social de inserção e não trabalha. Mas isto diz muito mais sobre a forma miserável como o trabalho é remunerado no nosso país do que sobre a injustiça do RSI.
Recorde-se que o RSI representa bem pouco no orçamento de estado (371 milhões de Euros: 0,4% das despesas totais ou 1,7% das despesas sociais - metade do que custam as scut, por exemplo). O valor médio dos beneficiários do RSI é de 82 Euros/mês ou 220 Euros por familia/mês. Uma fortuna…
Há muita gente que, não existindo o RSI, simplesmente passa fome. Não há trabalho (remunerado) para toda a gente na nossa sociedade… E quem não tem trabalho? Passa fome?

Comentário de al
Data: 24 Julho 2008, 16:28

Sr. Dr. Daniel Francisco.

Estou hesitante em acreditar no que leio, se não está a fazer graça. Se tudo isso realmente sucedeu creio que tem a infelicidade de não conhecer as pessoas certas. Acho que a coisa passa por se inscrever no PS.
Teria muito gosto em lhe proporcionar uma casa por metade do preço ou até por 100 euros, mas os apartamentos de que disponho estão ocupadas por pessoas que pagam 100-200 euros por 120/140 m2, a 150 metros do Corte Ingles e a quem eu exploro indecemente.
Lastimo-o muito, mas se não quer vender-se, saia daqui o mais depressa possível, escreva para todas as faculdades estrangeiras, peça todas as bolsas lá de fora, que isto aqui é país para fdp ignorantes.
Espero que resolva a situação em breve e saia daqui.
P.S. Isto não vem nada a propósito mas ler a Câncio a chamar idiota e desonesto ao Prof. Rui Ramos é coisa que tem a sua comicidade. Nem tudo é triste.

Pingback de Rendimento de solidariedade activa « Vasco Campilho
Data: 24 Julho 2008, 16:53

[...] O rSa é um mecanismo que garante não apenas um rendimento mínimo a quem não o tem, mas também assegura que o regresso ao trabalho é sempre recompensado por uma subida de rendimentos, apoiando igualmente o nível de rendimentos dos trabalhadores mais pobres, mesmo sem passado de desemprego. Esta medida ataca frontalmente a tal injustiça de que falavam o maradona e a fernanda câncio há dias: que alguém que se esforça a trabalhar viva em piores condições que alguém que não o faz e rece… [...]

Comentário de The Studio
Data: 24 Julho 2008, 16:58

“(…) há anos que escrevo sobre estes assuntos tentando pensar pela minha cabeça.”

Nesse caso a menina Câncio não é de Esquerda, onde está a sua dúvida?
————————————————————————-

Ser de Esquerda implica:

- Possuir aquele sentimento de superioridade que caracterizava os Nazis.
Os Esquerdistas, tal como os Nazis, acham-se pessoas superiores.

- Não pensar. A razão advém-lhes da sua superioridade moral e não se baseia em qualquer argumento racional.

- A culpa é sempre do mercado e do liberalismo.

Os esquerdistas típicos são o Mário Soares e o Rui Taveres. Ainda me recordo o fabuloso texto do Rui Tavares onde dissertava sobre o desajustamento entre os cursos leccionados nas universidades e as necessidades do mercado de trabalho. A culpa era evidentemente do mercado. Se um hospital privado precisa de contratar um neurocirurgião, mas as universidades só produzirem sociólogos, quem está errado não são as universidades que leccionam cursos desnecessários. Quem está errado são os hospitais que não contratam sociólogos para fazer neurocirurgia, aproveitando o seu saber e experiência adquiridos durante o curso.

A menina Câncio não me parece ter capacidade para defender atrasadices mentais deste calibre, logo não é de esquerda.

Comentário de henry james
Data: 24 Julho 2008, 17:38

“Incorporar a quinta da fonte affair em discursos filosóficos sobre o liberalismo, a direita, a esquerda etc parece-me uma manobra intelectualmente desonesta, própria de demagogos ou de burros. Ou seja, meu caro, you`re full of sheit!”

Ah, então era isso. Lamento saber que os seus comentários estão ao nível deplorável dos seus posts. (Não o lamento por si — tenho mais que fazer — mas pelas várias pessoas que respeito neste blog).

Comentário de rvn
Data: 24 Julho 2008, 18:19

ezequiel,
nota-se o olho clínico, expliquemos então. O que notaste tem a ver com o embalo que as prosas têm, elas próprias, e de fcto o que leste é a barra deste lençol http://setevidascomoosgatos.blogs.sapo.pt/1654639.html pelo que é natural que estranhasses o ritmo das ideias e das frases. Esta é a explicação técnica para o que terás estranhado na forma do escrito. Tens alguma para me dar por teres estranhado o seu conteúdo? Entusiasmei-me? Somália, Sudão? Vocab? Amigo, a miséria só é very typical para os ricos, para os pobres é uma merda, mesmo. Vejo que lhe resistes ao cheiro com um deo potente, quiçá um entusiasmo que te arrebate ao ponto de a imaginares imaginação só minha. Fico feliz por ti. Onde estás tu pergunto eu, caríssimo. Compraste uma farmzita em marte, agora, foi?

Comentário de ana v.
Data: 24 Julho 2008, 18:55

“Lamento saber que os seus comentários estão ao nível deplorável dos seus posts.”

Todos os blogs colectivos têm um pobre diabo. O cinco dias já encontrou o ezequiel.

Comentário de nuno casto
Data: 24 Julho 2008, 19:24

o rui ramos não é uma luminária que se entretém a bater no estado social - o welfare - mas mama do ICS que é pago por esse mesmo estado? Parece que sim.

mas esta discussão, mostra bem como anda tudo histericamente pirado do miolo…

Comentário de ezequiel
Data: 24 Julho 2008, 19:51

meu caro RVN

por favor não me acuse de ser indiferente ao sofrimento de seja quem for…ou será isto mais um embalo, já inscrito nas muitas formações discursivas que menciona….a culpabilização eminente: “Estás-te a borrifar para os pobres!!” Lamento, mas isto não funciona comigo.

O tal embalo tb engendra muitos sentimentos de culpabilização…

ora, se a culpabilização não assenta em factos…mas apenas em meros impulsos de culpabilização generalizada….em espasmos metafisicos..a coisa aí pode ficar muito feia!! Interessa-me saber primeiro o q se passou na quinta da fonte, falar com os ciganos e blacks q lá vivem, compreender o prob para depois, e só depois, começar a culpabilizar seja quem for…

eu sei que existe corrupção por todo o lado, sei q as políticas de integração social tem sido um retumbante fracasso, conheço os sinuosos labirintos burocráticos que tem a missão de dificultar a vida dos pequenos empresários (pequenos mesmo), os guetos de Lisboa e do Porto…conheço tudo isto mas, como investigador, não posso presumir q tudo isto está implicado na quinta da fonte. Poderá estar. As interpretações gerais q apresentas são tão ou mais perigosas do que os problemas que mencionas…

caro Henry James,

ficaria assustado se me tivesse dito que adora ler os meus deploráveis posts.

Portanto, acho que devo agradecer-lhe pela sua sinceridade. :)

PS: os gato fedorento poderiam fazer um skecth com isto: O “Homem metafísico”…escorregaste na casca da banana…interesses imobiliários…
liberalismo…socialismo…feminismo…conservadorismo…padrões migratórios dos lemingues…e, claro, correntes quânticas de energia, só para dar um cheirinho a pos modernismo…

será que me faço entender?

Comentário de ezequiel
Data: 24 Julho 2008, 19:56

Farmzita??? só se for no Zimbábue.

Sentir pena pelos pobres?

Sinto tristeza e revolta. Nada mais. A minha avozinha ensinou-me que a pena é um sentimento feio. But that’s me.

Typical my ass!

Comentário de ezequiel
Data: 24 Julho 2008, 20:13

Fernanda,

P.F apresenta o livro de reclamações do 5dias a esta notável persona da literatura.

as minhas desculpas aos membros do 5 dias pelo meu Português.
oh dear oh dear…its a bourgeois tragedy!! :)

Comentário de henry james
Data: 24 Julho 2008, 20:32

“caro Henry James,
ficaria assustado se me tivesse dito que adora ler os meus deploráveis posts.
Portanto, acho que devo agradecer-lhe pela sua sinceridade.”

Talvez seja melhor não agradecer. Eu não esquecerei tão cedo que você usa palavras como “histéricos”, “demagogos” ou “burros” quando discorda dos comentadores deste blog. Julgo que os seus colegas também não esquecerão.

Comentário de ezequiel
Data: 24 Julho 2008, 22:04

Henry e Ana,

Eu já saí do 5dias há muito.

pedi que retirassem o meu nome da lista de autores

não o fizeram…

consultei o dicionário e recordei os significados dos termos que usei

não encontrei sinónimos mais simpáticos. Teria que mentir. Não gosto.

usei-os na plenitude das minhas capacidades de pobre diabo…

eu gosto muito de alguns escribas aqui do 5dias… outros, a meu ver, não valem os pixeis que usam….mas, sinceramente, não há aqui qualquer culto de lealdade…ou manual de boas maneiras que sirva de protocolo comportamental…

passe bem. interessante: não respondeu à crítica do seu raciocínio. (precipitação, começar de cima para baixo, enfim…)

é isto que eu penso…e apresentei razões
simples.

see if I give a rats ass about my so called colleagues! :)

era o q faltava.

Comentário de M. Loureiro
Data: 24 Julho 2008, 22:33

O que eu acho é que muitos deles, e não só o Rui Ramos, têm é vergonha de ser de direita.

Comentário de lucklucky
Data: 24 Julho 2008, 23:51

“e não me lembro de ter tido, nos últimos muitos anos, uma posição diversa da que exponho neste post.”

Ajudava um link ou uma cópia de um artigo…
Há poucos meses/anos teria sido crucificada(qual a penitência da esquerda?) como direitista perigosa por algumas frases que disse aqui.

“do ponto de vista de qualquer pessoa com sentido de justiça, seja de esquerda, direita ou do raio que a parta, que alguém que se esforça a trabalhar viva em piores condições que alguém que não o faz”*

E isso é novidade? Aquilo que aconteceu já a esquerda sabe há muito, está metido nisto até ao tutano ou agora ninguém na esquerda contacta com as áreas sociais? Não fazem parte de comissões, associações etc? Vai-me dizer que quem trabalha na assistência social não sabe o que se passa? Então porque é que este assunto só apareceu como consequência desta explosão. Até agora ninguém sabia disto?

*: Lembra-me o Dr. Vital Moreira a falar do défice recentemente:(parafraseando) “o control do defice é essencial seja-se de esquerda direita etc…” Tem piada ainda não há pouco tempo a esquerda se estava marimbando para o défice. Os terríveis 3% de Limite eram um desastre para os programas sociais. Anos depois parece ser a única coisa que o Eng. Sócrates, de esquerda, se pode orgulhar, mas depois de mais um aumentos de impostos.

Comentário de lucklucky
Data: 24 Julho 2008, 23:53

“o rui ramos não é uma luminária que se entretém a bater no estado social - o welfare - mas mama do ICS que é pago por esse mesmo estado? Parece que sim.”

Isso é como aqueles trabalhadores comunistas que trabalham numa empresa privada?

Comentário de rvn
Data: 25 Julho 2008, 0:13

ezequiel,
não sei bem do que falas nem onde o leste, mas quero que saibas que tudo tem solução e estamos cá todos para o que for preciso. E digo mais: aqui entre nós, eu próprio bebo o meu copito, de vez em quando.

Comentário de al
Data: 25 Julho 2008, 0:27

j.,
Vi o seu comentário agora. Agradeço, mas a lucidez está no texto do Prof. Rui Ramos e parece que ninguém quer entrar nessa questão essencial que é a perda de cidadania por parte dos auxiliados que podem ser mudados de sítio ao bel-prazer de funcionários etc. É uma espécie de apartheid ou regime de tutoria semi-legal, mas parece que essa excepção ao principio da igualdade - por razões económicas - não suscita indgnações. Não é «giro»

Comentário de al
Data: 25 Julho 2008, 0:32

Há um crer onde devia estar um querer. Isto não é um aforismo, é um lapso no comentário das 21:26 de que peço desculpa - derivado, como diz maradona, a estar a pensar em crenças.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 25 Julho 2008, 2:32

ezequiel, saíste do cinco dias? não fazia ideia. ninguém me informa de nada. e não queres voltar?

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 25 Julho 2008, 3:02

luckylucky, desculpe, não percebi. eu seria crucificada ‘há poucos meses/anos’ mas não hoje, exactamente porquê? mudou alguma coisa nos seus pressupostos?

além disso, o luckylucky quer o quê, provas de que não passei agora a defender esta posição quando antes defendia outra ou a contrária, é isso? bom, acho que vai ter mesmo de se contentar com crer ou não crer no que lhe digo. recordo-me por exemplo de um texto de opinião sobre as políticas de realojamento publicado no dn cujo link não encontro. e recordo-me sobretudo daquilo que tenho pensado e defendido em inúmeras ocasiões — a maioria das quais não registadas nem linkáveis, porque, imagine, eu não publico tudo o que penso.

depois, deixe que lhe diga, é de gargalhada esse ‘Aquilo que aconteceu já a esquerda sabe há muito, está metido nisto até ao tutano ou agora ninguém na esquerda contacta com as áreas sociais? Não fazem parte de comissões, associações etc? Vai-me dizer que quem trabalha na assistência social não sabe o que se passa? Então porque é que este assunto só apareceu como consequência desta explosão. Até agora ninguém sabia disto?’. o luckykucky é um comediante. essa de ‘a esquerda’ ser apresentada assim a modos que uma estrutura em que a informação passaria por circular é muito boa. pena que no seu campo, seja ele qual for, a informação pareça circular mesmo muito pouco. tão pouco que o luckylucky acha que foi a primeira vez que alguém de esquerda se precupou com estes assuntos ou os debateu. enfim. lucky do luckylucky, deve ter estado os últimos muitos anos na polinésia francesa, ou isso

Comentário de Passionária
Data: 25 Julho 2008, 7:25

“Eu já saí do 5dias há muito.”

Ainda não tinha dado por isso. aliás ainda não tinha dado por si, graças a deus. a esquerda mal enjorcada cansa-me tanto tanto…

you think you are funny, don’t you? poor chap.

Comentário de agent
Data: 25 Julho 2008, 11:00

Já por cá andam mais de 60 comentários e ninguém abordou a ideia mais importante deste post: o uso da (descabida) generalização na falta de argumentos.

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 25 Julho 2008, 20:21

‘há quem viva melhor com o rendimento mínimo garantido do que quem trabalhe nas limpezas da estação fluvial e não tenha onde deixar a filha menor’

Este é um tipo de comentário que costumo ouvir às pessoas de Direita. Então se o Rendimento Mínimo é assim tão bom, que deixem de trabalhar - todos na família - e peçam o Rendimento Mínimo para, a partir daí, viverem à fartazana.
Que é o que os pobres fazem, não é? Fazem filhos para depois receberem o Rendimento Mínimo!
Cá por mim, custa-me muito mais aqueles que ganham milhões e não pagam um tostão de impostos.
Custa-me muito mais que esses mesmos que ganham milhões, mas não declaram nada, venham depois receber abonos de família e ouros subsídios. e eu, que tudo declaro, como professor, nada recebo.
Custa-me muito mais os patrões que levam empresas à falência, levando os trabalhadores para o desemprego, e andam por aí a pavonear-se em Ferrari’s e outros luxos.
Custa-me muito mais a vergonha dos Bancos, que pagam absurdas taxas de IRC para lucros de milhões, enquanto as PME pagam muitíssimo um IRC muito mais alto.
Custa-me muito mais, em suma, aqueles que roubam milhões do que aqueles que levam tostões.
Há casos em que o Rendimento Mínimo é mal atribuído? Haverá certamente, mas isso é uma questão de fiscalização. Também há subsídios de desemprego atribuídos a quem está a trabalhar. E pessoas de baixa que estão tudo menos doentes. e ninguém questiona essas protecções sociais.
«Ah, esses drogados recebem o Rendimento Mínimo para gastar tudo em droga!» E depois? Se pobres coitados, que não têm onde cair mortos, não sabem aproveitar uma pequena ajuda do Estado que poderia ser uma pequena saída para o seu problema, de quem será o principal prejuizo? Não será deles próprios?
São tostões, meus senhores, tostões! Um ano de fuga aos impostos dava para pagar dezenas de anos de Rendimento Mínimo!
O problema não está no Rendimento Mínimo. Está em tudo o resto. Nos salários de vergonha, nas pensões de miséria, nas condições de vida e de trabalho.

Comentário de Rantaplan
Data: 29 Julho 2008, 23:24

O camarada Demétrio tudo permitiu aos ciganos. Gente que devia dezanas de milhar de euros em rendas de casa sem nunca ter sido alvo de qualquer acção de despejo. Este artista, ícone dos autarcas do PCP, até permitiu que uma destas famílias ciganas estivesse em dívida de 17000 euros de água. Mas esta rapaziada vendia água ou tinha um matadouro? Tudo vale no reino da esquerda.

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