Gosto deste “debate”

A direita comentadeira, em particular a portuguesa, é muito curiosa. Aqui há um ano, quando António Costa e José Sá Fernandes formaram uma aliança na Câmara de Lisboa, houve um sobressalto geral contra a proposta de introduzir uma cota para habitação a custos controlados. Denunciou-se que era uma ideia “cubana”, apesar de estar em prática de Nova Iorque a Amsterdão, por infringir o direito sagrado dos promotores imobiliários colocarem cem por cento das suas casas no centro da capital a preços irrealistas, contribuindo para que Lisboa se torne numa espécie de ovo com a gema esburacada.
Passado um ano, descobre-se que essa medida seria talvez a melhor forma de evitar problemas como o da Quinta da Fonte. Em vez de continuar a fazer bairros sociais como depósitos de pobres, deve alojar-se por unidade familiar em bairros comuns, com rendas ou prestações apropriadas aos rendimentos.
Sabe-se que a criminalidade e a violência são maioritariamente praticadas por homens jovens e adultos, entre os 18 e os 30 anos, e tanto mais quando concentrada localmente. Pois bem: uma família com filhos menores num bairro comum, frequentando uma escola comum (e com esta regra muito clara: só deve receber benefícios do Estado quem mantiver os filhos na escola até ao fim) e participando na vida desse bairro, é uma família que está mais afastada da criminalidade quando os filhos crescerem.

Mas há mais: o facto de as casas a custos controlados não serem só para pobres, mas também para a classe média e os jovens casais, afasta o estigma. O facto de os custos serem alterados conforme os rendimentos e modificados ano a ano diminui a fraude. E, como bónus, o centro da cidade fica mais povoado e activo.
Os bairros sociais são francamente melhores do que os bairros de lata que os antecederam. Mas têm defeitos. Não têm comércio, porque são “bairros de pobres” e economicamente inviáveis. Às vezes não têm transportes, porque é preciso fazer linhas novas. Mas se promovermos a mistura social pela cidade, a mesma loja de rua serve toda a gente e é economicamente viável. As linhas de transportes são as que já existiam, etc.
Em suma: a mistura social na cidade pode não ser uma ideia perfeita, mas é melhor do que o bairro social, que já era melhor do que o bairro de lata.

Se é difícil discutir a ideia de destinar casas para famílias de classe média ou de pobres nos bairros da Baixa ou – sacrilégio! – da Lapa, já é ridiculamente fácil descobrir a pólvora da semana passada: que há racismo entre negros e ciganos.
No Expresso, Fernando Madrinha é característico: “O racismo não é só a preto e branco”, escreve ele, “o que baralha um pouco a esquerda bem pensante”. Mas, oh Madrinha!, alguém lhe prometeu que era impossível haver ciganos racistas, negros racistas, judeus ou árabes racistas? Alguma vez lhe garantiram que a pobreza é uma escola de virtudes da qual é impossível sair-se criminoso? Pensava eu que era ao contrário e que, por isso, era tão importante erradicar a pobreza. Sendo assim como diz, não sei que “esquerda bem pensante” tem andando a ler; se lhe quiserem vender a Ponte Vasco da Gama, desconfie.
Mas a candura de Fernando Madrinha serve ao menos para revelar que a motivação particular do “debate” não é afinal mais elevada do que poder embaraçar a “esquerda bem pensante”. Não se iludam, amigos. Por mim, poderei passar tranquilamente o Verão a discutir a Quinta da Fonte: com sorte, pode ser que ainda os veja meditar um pouquinho sobre ideias que há um ano atacavam como “cubanas”.

21.07.2008, Rui Tavares

Sobre Rui Tavares

Segunda | Rui Tavares
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

29 respostas a Gosto deste “debate”

  1. Luís Lavoura diz:

    Este texto omite um pormenor: as casas dos bairros sociais são em prédios construídos para arrendamento (com renda controlada), enquanto que os prédios no centro da cidade são condomínios. Surge então uma questão: quem seria o condómino? A família pobre? Mas podemos nós esperar que uma família pobre seja um bom condómino, que ajude na manutenção do prédio e pague a tempo e horas as suas comparticipações? E que pague os impostos (IMI)? Se, or outro lado, se pretende que o condómino seja o Estado, então, pode-se esperar que o Estado seja um bom condómino? Repare-se que esses bairros sociais todos não têm manutenção absolutamente nenhuma. Eu não gostaria de ter no prédio onde vivo um andar a pertencer à Câmara Municipal de Lisboa com esta a arrendá-lo a uma família pobre, pois que não tenho dúvidas de que a CML seria uma péssima condómina.

  2. A ideia da dispersão parece boa mas, como muitas vezes acontece, pode ser apenas uma “fuga para a frente” relativamente a problemas que não têm nenhuma solução agradável.

    Por aquilo que sei certas comunidades porão muitas resistência a quebrar a tradição de proximidade que caracteriza o seu modo de vida ancestral. Também se pode argumentar que, por exemplo, uma família de ciganos realojada, por absurdo, no Restelo se sentirá provavelmente isolada e desenquadrada.

    A desculpa da pobreza para os comportamentos anormais (viver abusivamente do rendimento mínimo garantido e não pagar as módicas rendas) ou criminosos (traficar droga, possuir armas ilegais e usá-las em plena rua quando se zangam com os vizinhos) é inadmissível e é uma ofensa aos verdadeiramente pobres. Como todos sabemos a generalidade dos pobres não tem tais comportamentos.

    A pobreza não é condição necessária, e muito menos suficiente, para se ser criminoso.

  3. Concordo plenamente, aliás, escrevi há uns dias um texto na mesma linha no meu blogue. Se quiser visitar: http://oafilhado.blogspot.com/2008/07/guerrilha-urbana-um-problema-de.html

  4. Passado um ano, descobre-se que essa medida seria talvez a melhor forma de evitar problemas como o da Quinta da Fonte. Em vez de continuar a fazer bairros sociais como depósitos de pobres, deve alojar-se por unidade familiar em bairros comuns, com rendas ou prestações apropriadas aos rendimentos.
    -Custos controlados a 4 ou 5 Euros?
    -Que fazer aqueles que mesmo assim recusam pagar? Poderiam ser despejados de forma célere? E que também não pagam água, luz, fazendo ligações directas, seriam pagas pelo condomínio, pelos vizinhos ou pela CML? Eventuais danos na propriedade seriam suportados por quem? na Portela existem prédios onde as portas foram retiradas (provavelmente para venderem a chapa), num prédio “normal, digamos”, tal acto seria pago por quem? Convém não embarcar em demasiadas utopias, e perceber com quem lidamos.

  5. m&m diz:

    o Rousseau deve andar às voltas na tumba.

    Não seja estroina e faça um esforço mental; nesta história coloque os brancos da Quinta da Fonte, que tb os há, no lugar dos negros. O arrazoado seria o mesmo?

    mentalize-se que a desresponsabilização e relativização criminal tb são fermento da subida ignóbil da extrema-direita.

  6. anonymouse diz:

    esta é a solução mais racional para quem for dado a estas coisas de pensar sobre o assunto sem largar espuma da boca.
    Não faz sentido que prédios inteiros sejam ocupados por familiares, amigos, compadres, comparsas etc. Isso não acontece em mais nenhuma classe social. Não haveriam tiros se não housse esta agrupação

  7. jorge c. diz:

    Eu concordo consigo. Agora, vá dizer à comunidade cigana que a vai separar. Um para cada canto da cidade, em bairros diferentes. Vá andando, que quando estiver a ser chacinado nós chamamos a polícia.

    “Em vez de continuar a fazer bairros sociais como depósitos de pobres, deve alojar-se por unidade familiar em bairros comuns, com rendas ou prestações apropriadas aos rendimentos.”

    “Se é difícil discutir a ideia de destinar casas para famílias de classe média ou de pobres nos bairros da Baixa ou – sacrilégio! – da Lapa, já é ridiculamente fácil descobrir a pólvora da semana passada: que há racismo entre negros e ciganos.”

    Em vez de pensar “contra a burguesia”, perceba que o comportamento da comunidade cigana nem sempre é previsível. Deixemo-nos de paninhos quentes e de utopias adolescentes porque as coisas têm de ser tratadas como são.
    Falemos a sério, então.
    Eu vivi perto de uma família cigana desde que nasci. Eram amigos dos meus avós, vizinhos desde sempre. Olho para eles com bastante respeito (para além da amizade, mas isso é outra coisa) porque tinham um comportamento social comum. Mas nem sempre foi assim com outras famílias. julguei sempre que os ciganos não faziam as anormalidades de que ouvia falar. Não punham burros nas janelas dos prédios, não deitavam baldes de urina pela janela, etc. etc. Mas havia uns, que não estes, que o faziam.
    Onde é que eu vi isto? No Padrão da Légua (não sei se sabe onde é). Se quiser convido-o para assistir a duas ou três situações que se calhar o fariam ver as coisas de forma diferente. Acha que é racismo meu? Pois, eu acredito que sim, porque para dar uma de bom rapaz é sempre mais fácil.
    A ideia de vida em comunidade de uma família cigana é bastante diferente da nossa. O Rui Tavares canta de galo porque de certeza que nunca teve muitos problemas com a vizinhança (neste sentido e não no sentido de barulho de discoteca como a FC na noite de Sto. António).
    E diga-me uma coisa, vai obrigar pessoas que vivem numa casa há 40 anos a ter de levar com a falta de civilidade de alguém que tem, de facto, um comportamento social diferente? E a seguir quando essas pessoas se chatearem e se fartarem de chamar a polícia, de terem discussões absurdas com os indesejados vizinhos e se passarem da cabeça, vai-lhes chamar racistas? Claro. Essa é a sua função.

  8. jorge c. diz:

    Deixe-me apenas acrescentar uma coisa.
    Não quero com isto dizer que a solução que apresenta não me agrade à partida. Muito pelo contrário. De qualquer forma, o que defendo é que a estabilidade dos cidadãos que já vivem nesses bairros, nessas ruas, pela cidade, tem de ser assegurada.

  9. MigPT diz:

    É realmente edilico o discurso dos preços controlados. Este Rui Tavares vive num mundo em que os decisores politicos são anjos com capacidades omnipotentes, que conseguem abarcar toda a informação e por isso tomam sempre decisões eficazes e correctas. A existencia de sistemas de criação de níveis de oferta artificial, deu SEMPRE maus resultados. A História económica mundial mostra isso em centenas de casos tentados, mas mesmo assim há sempre alguém que acha que o sistema até pode funcionar.
    É sempre lindo constatar a miopia económica dos amantes das sociedades com economias centralizadas, como é o caso deste texto.

  10. Carlos Duarte diz:

    Pegando um bocado numas conversas antigas que por aqui andaram sobre arrendamento, a solução seria, obviamente, o Estado subsidiar o aluguer de casas por parte das famílias de baixos rendimentos, que as alugariam no mercado (o Estado subsidiaria uma percentagem até um valor limite de “x”, um bocado como o arrendamento jovem). O mesmo Estado asseguraria uma percentagem igual da caução que essas famílias teriam de entregar ao senhorio por conta do aluguer (ficando o senhorio a pagar o condomínio, obviamente).

    Em caso de falta de pagamento, funcionavam as leis “normais” e os ocupantes eram despejados.

  11. Embora a ideia da construção a custos controlados seja boa e ajude até a minorar alguns dos problemas sentidos nos chamados bairros sociais, convém não exagerar nas virtudes do urbanismo, este por si só não muda o comportamento humano. Também me parece redutor reduzir as formas de delinquência ao processo de realojamento…Se este preserva as redes de amizade e de vizinhança existentes nos bairros de barracas, então diz-se que tende a reproduzir a delinquência no novo espaço residencial; se dispersa as famílias, logo se-lhe aponta o desenraizamento, tantas vezes visto como causador da delinquência.
    Importa também desmistificar a ideia de que estes bairros estão isolados do tecido urbano. Isso não acontece no nosso país, tão-pouco em Paris, onde até são servidos pela rede de metro, nalguns casos. De igual modo a ideia de gueto, os bairros construídos segundo os parâmetros da arquitectura funcionalista até resultaram, inicialmente. Foi o processo mais geral de decomposição da classe operária e a progressiva integração de populações em situação de exclusão (historicamente, afastadas do tecido económica e produtivo ou do emprego formal) e oriundas do contexto migratório que geraram novos problemas, com os quais as sociedades desenvolvidas, da Europa e dos EUA, têm dificuldade em lidar. São problemas sociais complexos, que talvez não tenham solução no nosso tempo histórico, e que são mais agudizados nos bairros de habitação social, porque economicamente mais acessíveis a populações desprovidas de recursos.
    Reconhecendo isto, importa não cair na armadilha do discurso comunistarista e enfatizar antes as diferenças de comportamento entre os indivíduos, por mais homogéneo que seja o agrupamento no qual se inserem. Um pobre ou habitante de um bairro social não é necessariamente um delinquente. Nem o bairro gera automaticamente a delinquência. Porque ser de esquerda, pelo menos para mim, não é ser determinista.

  12. Luís Lavoura diz:

    Carlos Duarte:

    “a solução seria, obviamente, o Estado subsidiar o aluguer de casas por parte das famílias de baixos rendimentos”

    O Estado já faz isso com jovens, e os resultados não são muito famosos.

    Além disso, muitos senhorios discriminam, recusam-se a arrendar as suas casas a negros ou ciganos.

    Eu sugeriria outra possibilidade. O Estado arrenda no mercado um prédio com diversos apartamentos ao seu proprietário. (O Estado já hoje faz isso mesmo para instalação de muitos dos seus serviços – repartições de finanças, etc.) Depois instala nesse prédio quem quer, em regime de subarrendamento. Dessa forma, garante-se que não se perturba a gestão de condomínios com a presença de maus condóminos. O Estado fica a saber quanto gasta, mês após mês, no apoio social a estas famílias (em vez de ser como atualmente, em que o Estado constrói prédios de habitação social com fundos comunitários, e depois não gasta cheta na sua manutenção.) O mercado habitacional não fica afetado.

  13. The Studio diz:

    Confesso que dei umas boas gargalhadas ao ler este texto. O Rui Tavares não vive neste mundo.

    Em primeiro lugar, ninguém é obrigado a viver na Quinta da Fonte. Os ciganos são livres de fazer como os outros Portugueses: Trabalhar e comprar casa onde bem entenderem.

    Em segundo lugar, não me parece que sejam pobres. Quem tem não sei quantos DVDs em casa, as crianças têm playstations, etç, não me parece a caracterização de uma família pobre. Muitos dos que os sustentam com o dinheiro dos seus impostos, seguramente que não usufruem destes luxos.

    No que diz respeito às famílias Africanas, condição necessária para possuir autorização de residência, é terem capacidade de assegurar o seu sustento e habitação. Se não têm como pagar a sua habitação (ou a renda) a lei determina que não têm condições para ser autorizados a residir em Portugal. É só cumprir a lei.

    Voltando às famílias ciganas, alguém imagina uma a viver nas torres da Portela, os primos na Lapa os cunhados em Alvalade… eles eram os primeiros a rejeitar liminarmente a ideia. Já ocorreu ao senhor Tavares que eles seriam os primeiros a não aceitar a ideia?

    Por fim, será que o Rui Tavares pode comparar os custos financeiros de alojar 100 famílias em prédios construídos de raiz e os custos de as espalhar comprando-lhes alojamento disperso pelo centro da cidade?

    Por último mesmo: Porque não vão trabalhar como o resto da população que os sustenta? Se chegassem a casa estourados ao fim do dia já não tinham grande vontade de andar aos tiros uns aos outros.
    Pode por exemplo saber-se a quantas entrevistas de emprego aquelas 2500 pessoas já foram este ano?

  14. Carlos Duarte diz:

    Caro Luís Lavoura,

    É óbvio que tem problemas. E é óbvio que haverá senhorios que se recusarão (legitimamente, porque o apartamento é deles) a alugar. Mas se meter o Estado ao barulho, acaba por cair na situação de o inquilino (mais uma vez) não ser responsabilizado e quem se lixa são os vizinhos. E os próprios senhorios podem-se recusar a alugar ao Estado…

    É óbvio que, pegando naquela discussão com o Filipe Moura, existindo um mercado profissional de arrendamento, o senhorio-empresa é menos passível de ser discriminatório desde que lhe paguem e sejam concedidas garantias (caução, direito de despejo).

    Eventualmente terão sempre de existir casas para os “irredutíveis” mas deveria ser elaborada um política que evitasse o abuso das mesmas (e, apesar de me custar, não desdenharia retirar a custódia das crianças aos pais e entregá-las para acolhimento / adopção se for provado que estes são incapazes de as criar “civicamente”).

  15. “Dispersar” os mais pobres no meio dos menos pobres (ou mesmo até no meio dos Senhores Ricos!) não é a pólvora negra sem fumo: assim foram construídos nos anos sessenta em Lisboa o Bairro dos Olivais (promoção imobiliária exclusivamente municipal, ainda do tempo do Fascismo, isenta de especulação e de interesses privados) e, nos anos oitenta, pensada a definida a Alta de Lisboa – chamava-se nessa altura o “OVO DE ABECASSIS”.

    Que era o último nome do então Senhor Presidente da Câmara Municipal da Capital (o primeiro era Nuno e o do meio era Krus), que já não era “fascista”, antes foi eleito pelo C. D. S. (que à altura ainda não P. P.).

    Que tal tentarem o “Sargenor”?

  16. AGG diz:

    Lembro-me de ler uma noticia espanhola há cerca de 8 anos sobre um bairro deste idílicos em que um espanhol branco teve um problema com um vizinho espanhol cigano, fez uma queixa de barulho se não me engano. Claro que o espanhol branco como grande racista que era teve a sua resposta e durante uma semana não conseguiu dormir com os seus vizinho a chegarem ao cumulo de colocar uma aparelhagem em frente à sua porta. O racista do espanhol branco num momento de insanidade pega na caçadeira e mata 2 espanhóis ciganos e vai directo à policia entregar-se.

    Outra situação, em 2006 o cão de um amigo meu mordeu a mão de um rapaz cigano (com certeza um cão racista) que a meteu entre as grades do portão de casa do meu amigo, não foi preciso mais de meia hora para o meu amigo ter uma comitiva desses coitadinhos à porta que lhe queriam matar o cão, o pai do meu amigo começou a tentar racionalizar com eles e num momento de distracção tentaram cortar-lhe a garganta com uma faca, por instinto o meu amigo que estava atrás do pai puxou-o na hora h e assim o pai só teve de levar 12 pontos na bochecha… mais um vil caso de racismo tanto do meu amigo como do pai….

    Chamem-me racista, burguês, capitalista, mas eu prefiro tê-los nos bairros sociais a matarem-se uns aos outros do que ao lado da minha casa a matarem-me a mim….. nem todos somos iguais e o Sr. Rui Teixeira poderá ter todo o gosto em se afirmar como um esquerdista moderno, um humanista, mas por favor tenha pena do seus vizinho que nada pediram para ter acesso a essa “modernice sociais”……

  17. AGG diz:

    Por favor,

    editar Rui Teixeira por Rui Tavares no comentário anterior

    Obrigado

  18. Aires da Costa diz:

    MigPt
    “A existencia de sistemas de criação de níveis de oferta artificial…”

    Este Ecoliberalês também se aplica às ofertas de crédito do Fed ou somente a coisas abaixo dos milhares de milhões de euros ?

  19. Mateus diz:

    AGG, tenha paciência, está a escrever para esquerdistas da lapa

  20. anonymouse diz:

    ““a solução seria, obviamente, o Estado subsidiar o aluguer de casas por parte das famílias de baixos rendimentos”

    O Estado já faz isso com jovens, e os resultados não são muito famosos.””

    Luís Lavoura como jovem e conhecedor de inúmeros casos concretos permita-me discordar-lhe da opinião. A renda jovem é para mim um caso de sucesso que permitiu a muitos jovens sairem de casa tornarem-se independentes e autónomos e dinamizarem o mercado de arrendamento. É, para mim, apesar de não ser beneficiário, um dos grandes sucessos dos subsidios sociais.

  21. pessoal, descupem lá que não dá para responder a tudo. olhem, fica aqui um comentário a uma discussão semelhante no blasfémias.

    claro que qualquer proposta tem sempre imensos defeitos potenciais. mas pensava que afinal há uma semana ninguém gostava da situação actual. podemos sempre voltar à situação anterior, de uma cidade com uma cintura de bairro da lata em torno. ou a solução paulista: condomínios de luxo e favelas.
    —-
    JM: os proprietários estão descapitalizados? mas têm a propriedade. podem vendê-la. o comprador pode fazer obras, alugar, vender apartamentos. o congelamento das rendas é culpado de muita coisa, mas não é culpado de tudo. os prédios no Rossio não têm inquilinos, não têm grandes obras a fazer, a sua situação legal é definida, não há processos encalhados na câmara porque não há nada para decidir, os proprietários não os podem demolir, as fachadas foram arranjadas à conta do contribuinte, estão numa das zonas mais apetecíveis da cidade. e estão vazios.

    o proprietário do prédio que ardeu na av. da liberdade era um grande banco, não estava descapitalizado.

    o problema não é o mercado estar a funcionar mal, ou não estar a funcionar. o mercado funciona como sempre. o problema é que os efeitos do funcionamento do mercado, no caso concreto de lisboa, são indesejáveis. a cidade continua a ficar vazia. já antes, os efeitos da intervenção do estado foram também indesejáveis. e os efeitos de ficar parado são também indesejáveis. isto só quer dizer que os ideólogos inflexíveis de vários matizes não ajudam, mas não quer dizer que não seja possível fazer algo. isto quer dizer que qualquer proposta terá imensos defeitos (a minha tem-nos) mas não quer dizer que não tenha vantagens, ou que elas não sejam maiores do que as desvantagens.

    problema: existe gente que quer morar na baixa. existem casas vazia na baixa. a procura e a oferta, contudo, não se ajustam. o preço não desce até um ponto em que haja tomadores à procura de casa para viver. porque o negócio só em último lugar é de vender casas para viver. o negócio é, em primeiro lugar, comprar e vender casas. note-se que não tenho nada contra, acho óptimo, não lhe chamo especulação, não acho imoral, nada disso. apenas que o efeito é manter casas vazia (que em primeiro lugar até poderão ter ficado vazia por causa da intervenção errada do estado, ou num primeiro momento correcta e depois inadaptada a uma situação de inflação galopante, o que seja).

    política: no entanto, é legítimo que a comunidade politicamente organizada (chame-se estado, município ou outra coisa qualquer) não queira ter a cidade vazia. e que tome acções políticas para interferir com o funcionamento do mercado. isto é o que nos separa, nesta e em muitas outras discussões. para o fazer, há políticas correctas e políticas incorrectas.

    exemplo de política incorrecta: interferir com os preços ou o mercado de uma forma que inviabiliza a obtenção de qualquer lucro, ou permite a obtenção de um lucro residual. digamos que este é o efeito do congelamento das rendas. o proprietário não tem dinheiro para reinvestir, para recuperar, etc.

    mas o facto de uma política pública ser incorrecta não quer dizer que todas sejam más, nem quer dizer que seja ilegítimo ter qualquer tipo de política pública.

    pressupostos de uma política correcta: uma política correcta deve ser viabilizada economicamente garantindo que o mercado de casas para habitar é um mercado apetecível. para tal, não deve congelar nem fixar preços abaixo de uma determinada fasquia. deve até, deixá-los livres e controlar apenas os custos de uma porção de casas (digamos 10%) permitindo ao investidor um cabaz onde realize um lucro substancial. o dinheiro que perde em dez por cento ganha em noventa por cento. não é um lucro máximo potencial, mas é um lucro suficiente para o investimento compensar.

    pode dar-se o caso, no entanto, de o proprietário não estar no mercado de casas para habitar. é legítimo. mas acontece que produz efeitos indesejáveis sobre a cidade, que é um bem comum. um prédio degradado na minha rua é mau para toda a gente em torno. a avenida da liberdade cheia de prédios degradados é mau para lisboa.

    os cidadãos tem a legitimidade e o direito de penalizar uma prática que os prejudica. devem fazê-lo obrigando os proprietários a fazer obras, taxando fortemente os prédios devolutos, em último caso confiscando e vendendo em hasta pública — a escolha de políticas depende do caso e da gravidade. os cidadãos e os seus representantes eleitos podem considerar que, pelo menos até ao momento em que a cidade volte a apresentar taxas de ocupação a um determinado nível, o negócio de casas para não-habitação deve ser menos apetecível, para que o negócio de casas para habitação seja comparativamente mais apetecível.

    isto mais uma vez, é o que nos separa. a propriedade não é absoluta. não é na nossa constituição, não era no direito romano, não era no tempo da lei das sesmarias. ela só existe porque é reconhecida politicamente.

    entretanto, duas respostas a outras questões. claro que uma casa no herrengracht em amsterdão pode ser caríssima. na minha lisboa ideal, uma casa na avenida da liberdade também é cara. noventa por cento delas, pelo menos, serão caras. o meu problema não é elas serem caras. é estarem vazias.

    boa parte de lisboa, entretanto, já é um mercado livre. se os investidores estão descapitalizados, vendam a quem tem capital. se eu tiver dez prédios, vendo cinco, pego no dinheiro para investir nos outros cinco.

    Rui Tavares Diz:
    22 Julho, 2008 às 9:42 pm
    a outra resposta: claro que a CML deve dar o exemplo. do meu ponto de vista, deveria vender grande parte dos seus prédios em hasta pública, e colocar condições aos compradores: que uma porção fixa deles sejam para habitação. que uma porção fixa desses seja a custos controlados.

    quem achar que o investimento compensa, que compre. acho que não faltarão compradores.

  22. Salazar deve estar satisfeitíssimo, pois a esquerda caseira adopta agora a sua forma de organização social na habitação. Bem-vindos à avenida de Roma, ao bairro Salazar, Olivais e Encarnação, entre outros.*

    *Como se alguém no seu perfeito juízo pudesse acreditar que a CML – seja qual for a gestão in nomine -, esteja imune aos especuladores imobiliários. Já agora, as Câmaras nada têm que ver com o betonismo militante que vemos por aí…

  23. Aires da Costa diz:

    The Studio
    “Em primeiro lugar, ninguém é obrigado a viver na Quinta da Fonte. Os ciganos são livres de fazer como os outros Portugueses: Trabalhar e comprar casa onde bem entenderem”.

    Concordo plenamente consigo! Para repor a “verdade dos direitos” porque não deitar abaixo a “EXPO – Parque das Nações” e deixar os ciganos da Quinta da Fonte regressarem aos terrenos onde viviam.

  24. Aires da Costa diz:

    AGG
    “o espanhol branco num momento de insanidade pega na caçadeira e mata 2 espanhóis ciganos”
    “e num momento de distracção tentaram cortar-lhe a garganta com uma faca”
    Moral da história: o barulho provoca insanidade aos “espanhóis brancos” e as mordidelas nas mãos das crianças “espanholas ciganas” a pérfida homicida dos pais

    Já agora, o seu amigo já mandou abater o cão ou está à espera que ele trucide alguém da sua vizinhança

  25. The Studio diz:

    “Concordo plenamente consigo! Para repor a “verdade dos direitos” porque não deitar abaixo a “EXPO – Parque das Nações” e deixar os ciganos da Quinta da Fonte regressarem aos terrenos onde viviam.”

    Os terrenos da Expo em que viviam eram deles? Se eram devem naturalmente receber uma indemnização justa. Se não eram, isso não lhes dá direito a nada pois nem sequer deviam lá estar.

  26. ana diz:

    “Já agora, o seu amigo já mandou abater o cão ou está à espera que ele trucide alguém da sua vizinhança”

    Aires da Costa:

    Um cão não tem de ser abatido porque defende o seu território, isso é natural. Este estava fechado e a única coisa que o dono tem de fazer é impedir que por entre as grades ele possa chegar a alguém. Também os pais têm de tomar conta dos meninos e impedir que metam mãos por grades.
    Um caso semelhante passou-se comigo na feira de carnide. passei junto a um portão de grades com o meu filho de 3 anos e atrás do portão estava um ciganito de cerca de 8 anos. Quando passámos o ciganito agarrou o braço do meu filho por entre as grades e é evidente que tive de o soltar. Um minuto depois estava rodeada por ciganos adultos e não é preciso dizer mais. Doutra vez um cigano de 10-12 anos veio a correr na minha direcção, olhando para trás. Claro que chocou comigo e berrou de imediato: ai vizinha, que m’ia matando!ora veio logo o pai saber, com ar ameaçador, quem ia matando o seu menino. E os casos, infelizmente, não acabam. os ciganos têm a especial capacidade de passar o filme ao contrário. nunca vi um cigano nas finanças a pagar os seus impostos, mas já os vejo a exigir casas novas, depois de terem estragado as que tinham. Não podem pagar rendas de 4 ou 5 euros, mas podem ter carros que eu não posso ter. Não contribuem para nada de bom no país onde vivem, mas acham-se com mais direitos do que aqueles que contribuem. Enfim, nunca me considerei racista, mas a verdade é que não os quero por perto. Há excepções, é claro, mas infelizmente poucas.

  27. Ai. Ai Ai. estes novos-intrusos da esquerda são tão fáceis …

  28. viana diz:

    Não deixa de ser interessante que muitos que aqui comentaram exigem que as pessoas de etnia cigana sejam tratados como qualquer outra pessoa, não devendo por isso ter qualquer tipo de previlégio, insurgindo-se contra políticas de apoio comunitário. No entanto, não deixam de continuamente caracterizar essas pessoas como grupo: os ciganos são isto e fazem aquilo. Também me espanta ver comentadores adeptos ferrenhos das virtudes do mercado se indignarem com a possibilidade de pessoas pobres morarem em condomínios. Do ponto de vista do mercado, há apenas alguém que é dono de um apartamento num condomínio que deveria ter o direito de o vender ou arrendar a quem quiser, inclusivé o Estado. E este, sendo dono ou arrendatário, tem o direito de atribuir o usufruto a quem quiser, inclusivé pessoas pobres. Se houver quem não pague o condomínio, é problema deste. Podem sempre recorrer aos tribunais. O mixing social pode dar origem a conflitos? Sim. Obviamente o que devia interessar, do ponto de vista da defesa do bem comum e portanto do Estado, é se globalmente o nível de conflito diminuiria com o desaparecimento de guetos por via do mixing social.

    E já agora, para quem se sente ofendido por lhe chamarem racista, eis uma das definições de racismo no dicionário online Priberam:

    “mostras de hostilidade face a um grupo social ou étnico”

    Reconheça-se como tal quem tiver um pingo de honestidade. Ou têm receio do “politicamente correcto”? Sentem-se desconfortáveis com o “rótulo”?…

  29. nm diz:

    Tem razão o Tavares. Mas o presente modelo dos bairros sociais já começou a ser revisto no tempo do João Soares, que em simultâneo com a construção de 16 mil fogos para realojamentos das barracas, lançou a construção de fogos sociais na Quinta do Lambert, Alameda das Linhas de Torres. Claro que com Santana este movimento parou -tal como tudo o resto na cidade.
    Mais acima, alguém dizia que estes fogos muitas vezes são ocupados inteiramente por cúmplices, comparsas e familiares. É verdade. Por alturas das autárquicas que levaram à queda de Soares, um senhor Rodrigo qualquer coisa – que depois exerceu um cargo de poder na Gebalis, empresa que faz a gestão dos bairros sociais lisboetas – conseguiu angariar como militantes do seu partido, o PSD, todos os inquilinos de prédios inteiros de habitação social. Havia prédios onde todos os fogos eram ocupados por novos militantes laranjas. Curioso, aliás, que tenha havido percentualmente mais votos no PSD e apoios aos laranjas nos bairros sociais construídos pela coligação Amar Lisboa (PS/PCP) para realojar antigos moradores das barracas. Neste alfobre de clientelismo, também bebeu Lipari Pinto, que o “impoluto” Marques Mendes manteve, o mesmo que não teve pejo em atacar a administração da Gebalis por má gestão – ele que tinha sido director da empresa e que ajudara a enchê-la de boys e arranjara uma avença de muitos e muitos euros a uma colega de escritório de advogados, dele ou da mulher, em casos que merecem boa investigação jornalística – e que também fora notícia por esbofetear uma companheira de partido em lutas intestinas pelo poder na freguesia de S. Domingos de Benfica.

Os comentários estão fechados.