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tirar ou nao o cavalinho da chuva

18 Julho 2008 | por Fernanda Câncio

acabo de ver um senhor na sic-not a dizer, ‘em representação das famílias ciganas da apelação’, que não voltam para a apelação (quinta da fonte) e que não saem dali enquanto o presidente da câmara não lhes der outras casas. ‘o presidente da câmara que tire o cavalinho da chuva que a gente não volta para lá’.

esta história começa a enervar-me sobremaneira, confesso — é isso e computador onde estou a escrever, mais os acentos que não encontro. e pergunto se não é suposto, por exemplo, certificar que as crianças destas famílias não sofrem demasiado com as consequências das atitudes/crenças dos pais, que encasquetaram esta ideia peregrina de que a malta lhes deve umas casas fresquinhas e por mor disso forçam os filhos a dormir ao relento. já agora, apreciava que os queridos colegas que entrevistam este senhor e os colegas dele se lembrassem de lhe perguntar quanto ganha por mês ‘na venda’ (que ele diz que é a ocupação dele), quanto declarou de irs no ano passado e se não tem familiares onde possa deixar os filhos enquanto faz lobbying junto da câmara. e se não for pedir muito, já agora, perguntar-lhe ainda por que raio acha que tem o direito não só de exigir uma casa como de decidir onde é a casa e que vizinhos tem.

sei bem que pareço o paulo portas a falar, mas asseguro que ao contrário dele não ponho em causa as transferências sociais nem os programas de combate a pobreza. chateia-me é que se abuse deles. e, sobretudo, a chantagem e a utilização de crianças para esses efeitos faz-me urticária.

Comentários

Pingback de cinco dias » ai dra manuela, por amor de deus
Data: 18 Julho 2008, 11:48

[...] enervada ou assim, mas agora deu-me para embirrar com coisas que vejo e oiço na tv. hoje foi isto, ontem foi a dra manuela ferreira leite, perante uma plateia qualquer de psds, a dizer que està [...]

Comentário de anonymouse
Data: 18 Julho 2008, 11:52

Agora que se começa a pensar criticamente sobre a quinta da fonte os outros calam-se. Já não há imagens de tiroteio para explorar.

Comentário de Sérgio
Data: 18 Julho 2008, 11:54

Começo a ficar assustado.
Duas postas consecutivas em que concordo absolutamente…

Comentário de Ant.º das Neves Castanho
Data: 18 Julho 2008, 12:01

Belas “prendas”, os ciganos…

Muitos deles recebem o rendimento social à custa de, literalmente, aterrorizarem as assistentes sociais, que assim são muitas vezes forçadas a viciar os relatórios técnicos que “fundamentam” a sua concessão, ou manutenção…

Comentário de Luís Lavoura
Data: 18 Julho 2008, 12:04

Sobe a utilização das crianças, cabe dizer que muitos portugueses se queisaram da utilização que ciganos romenos fazem delas na mendicidade, mas que, quando as autoridades portuguesas foram a ver, não encontraram uma única criança cigana romena que parecesse sofrer de maus tratos ou má nutrição, etc.

Quero eu dizer, talvez a Fernanda não devesse estar muito preocupada com a utilização que os ciganos fazem das crianças deles. Tratan-nas, é um facto, de forma deveras original pelos nossos padrões, mas está longe de estar comprovado que as tratem mal.

E dormir ao relento, no calor de Julho, não faz mal a ninguém.

Comentário de R.
Data: 18 Julho 2008, 12:05

Elementar bom senso.

Comentário de jc
Data: 18 Julho 2008, 12:46

ó fernanda, o correio da manhã publicou em manchete que 90% dos “filhos da lua” da apelação vivem do rendimento mínimo. aqui está resolvido o problema do irs.

mais, o portugal diário, que deve ser escrito num teclado como o seu (que cagaço me pregou com o post anterio; de repente pensei que tinha sido enviada para o limbo do acordo ortográfico) conta a verdadeira estória do que se passou naquela noite fatídica (que bem que isto soava se fosse um fado)

ora leia e ria:

http://diario.iol.pt/sociedade/ciganos-quinta-da-fonte-tiroteio-sao-joao-da-talha-confrontos-tiroteio/972716-4071.html

Comentário de Chico da Tasca
Data: 18 Julho 2008, 12:47

Concordo a 100000%, mais coisa menos coisa, com este post e subscrevo-o por baixo.

Comentário de Clara
Data: 18 Julho 2008, 12:52

A autenticidade é uma coisa muito linda. Dá gosto.

Ó! Fernanda …Psssui! Não diz nada sobre os Impostos Ciganos. Tá.
Nas feiras é maravilhoso comprar tudo a 5 e 3 Eres e 1 Ero! Logo. Os Impostosestam mais que pagos. Ou queres que os pobres andem por ai nús e rotos!!?

As crianças ao relento .. hummm qual é o problema? Não percebi! Temos clima da noruega? Não. Então? Fazem muito bem. im senhor: E uma casa já na Quinta da Marinha! Nada como estar ao pé dos seus pares mais ilustres, nesta coisa de não pagar Impostos…

Comentário de m&m
Data: 18 Julho 2008, 13:02

vá com calma Fernanda; só para a contrariar, por este andar ainda haveremos de ver o Studio defender os pretos e os ciganos .

Comentário de Pedro K(Costa) Ferreira
Data: 18 Julho 2008, 13:28

“…sei bem que pareço o paulo portas a falar, mas asseguro que ao contrário dele não ponho em causa as transferências sociais nem os programas de combate a pobreza…”

Parabéns à dona Fernanda por ter escrito este post e, especialmente a frase citada.

Este é um assunto (os deveres dos beneficiários das ajudas sociais) que é politicamente incorrecto falar. Os partidos “mainstream” recusam falar dele, e deixam-no para os extremistas. Mas é preciso levantar a questão na praça pública da forma honesta como a dona Fernanda o fez.

Eu também não sou contra “as transferências sociais nem os programas de combate a pobreza”, mas por acaso acho uma tontice, uma ineficiência e uma imoralidade que as câmaras municipais gastem tempo, recursos e energia com habitação social. Ha milhentos casos de gente que precisava de uma casa a certa altura da sua vida e que continua a beneficiar dessa habitação social quando já dela não precisa, e continuando a achar que tem direitos: deveres nenhum.

Comentário de Mr. Shankly
Data: 18 Julho 2008, 14:46

Concordo plenamente.
“não encontraram uma única criança cigana romena que parecesse sofrer de maus tratos ou má nutrição, etc.”
Procuraram mal. Estarem no Campo Grande, à hora do almoço, com 40º a dormir ao colo das mães se não são maus tratos anda lá perto.

Comentário de Eugénio Costa Almeida
Data: 18 Julho 2008, 15:55

Há coisas neste assunto que ainda não consegui compreender completamente.
Como é que uma eventual discussão “interna” entre um casal ou duas pessoas da “etnia” (já embirro com esta expressão dentro da comunidade portuguesa, o que vem reforçar que há um maior incremento do racismo em Portugal, no “nós” e os “outros”) cigana e se espalhou, e como, para a comunidade “africana” (outro terno etnológico que embirro, porque de africanos ó se for a cor, já que a maioria é de 2ª e 3ª geração nados e criados em Portugal; outro sintoma rácico).
Segundo o que ouvi de pessoas próximas da zona teriam sido os “ciganos” que venderam as armas aos “africanos”. Que os problemas são de má-convivência devido não só às ditas como à droga e quem manda em quem na zona.
Por isso, bom seria que alguém assumisse os erros e verificasse porta-a-porta quem é quem e quem não fosse “bom” deveria ser colocado no lugar mais indicado.
Cumprimentos

Comentário de Justiniano
Data: 18 Julho 2008, 15:56

Já estou como o Sérgio!!!
Começo a ficar preocupado, por si, de começar a concordar consigo!!!

Comentário de RD
Data: 18 Julho 2008, 15:58

Concordo com tudo o que a Fernanda diz…brilhante.
Quanto ao sr. Luís Lavoura, queria explicar-lhe que os maus tratos a crianças não significa unica e exclusivamente dar-lhes porrada. acha mesmo que a exploração de crianças é uma forma original de as educar? também é daqueles que acha que os pedófilos são seduzidos pelos menores? será que teve uma infância assim tão complicada? experimente como diz Mr.Shankly ir ao campo grande, esteja mais atento…

Comentário de Cátia
Data: 18 Julho 2008, 16:00

Concordo que os habitantes da Quinata da Fonte e outros pressionem a Câmara Municipal e outras autoridades competentes, não pedindo uma nova casa mas exigindo segurança. É um problema de segurança e deve ser tratado como tal.

Se os habitantes querem uma casa nova, considero que devem arranjá-la por meios lícitos próprios (arrendamento, compra). A Câmara já cumpriu a sua função nessa matéria.

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 18 Julho 2008, 16:10

Claro, Luís lavoura, “entre ciganada não se mete a colherada”*, não é? Que é lá isso de nos preocuparmos com “a utilização que os ciganos fazem das crianças ‘deles’”?

*adaptação livre do velhinho “entre marido e mulher não se mete a colher”…

Comentário de o sátiro
Data: 18 Julho 2008, 19:44

Não haverá um pouco de xenofobia no post e em muitos dos comentários?
O que é que disseram do Berlusconi???
Já há muitos anos que se sabe do rendimento mínimo, dos peditórios,etc; mas falar nisso, nem pensar. Só se lembraram agora?
Pois eu estou ao lado dos moradores do bairro: o Estado e a C.M. devem garantir a segurança dos moradores, brancos, negros, ciganos, quem quer que seja: todos são seres humanos..
Outra coisa é fiscalizar as possíveis fraudes com subsídios e impostos, que também compete ao Estado auditorar.

Comentário de Carlos Marques
Data: 18 Julho 2008, 22:11

Eu continuo a propor aquela ideia de realojar os ciganos em prédios devolutos na Av. da Liberdade e arredores, depois de devidamente colocados em mínimas condições de habitabilidade. O que falta a Lisboa é quem saia à noite à rua, fora do Bairro, pessoas que gostem de estar fora de portas. Era uma troca: alugavam as casas dos ciganos na Quinta da Fonte a outros e colocavam os ciganos na Av. da Liberdade. Acho que para quem vende Gucci (é com dois cês?) e Zegna esse é o local exacto. Um beijo, Fernanda, nesta noite de Verão. Seu, Carlos PS: mais pispinetas, please.

Comentário de Inês Meneses
Data: 19 Julho 2008, 10:22

Subscrevo o post e toda a sua lógica. Mas quanto ao sub-tema que para aqui anda, tenho que dizer que todas as informações de professores primários indicam que as crianças ciganas são sempre miúdos habituados a ser muito bem tratados (por oposição ao que acontece com outros grupos de crianças). Há muito poucos indícios de essa seja uma questão, mesmo imaginando que haja, como em tudo, excepções.

Comentário de Dorean Paxorales
Data: 19 Julho 2008, 15:03

Fernanda Câncio,
Pego na idéia de outro comentário para também congratulá-la pelo artigo: o “mainstream” (sic) da política tem de abandonar o discurso cauteloso e pegar no boi pelos cornos, resgatando estes temas aos grupos extremistas, sem pruridos nem preconceitos.

Carlos Marques,
Gostei da sua idéia de realojamento na av. da Liberdade. Infelizmente, embora pareça que não, os refugiados são munícipes de Loures, não de Lisboa.

Comentário de M. Loureiro
Data: 21 Julho 2008, 17:49

O meu comentário, que é o 22º, também não vai ajudar em nada a resolução do problema. Gostaria, no entanto, de perguntar: Quem são e onde estão os indivíduos que andaram aos tiros na Quinta da Fonte? Quem vandalizou as casas e porquê? Quais são as verdadeiras razões do conflito? Não há ninguém com autoridade e coragem suficientes para explicar às duas comunidades que ou se comportam e dão ao respeito ou as consequências serão graves?

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