Do Porto

Desde anteontem encontro-me no Porto, e ontem à noite aproveitei para assistir a um debate sobre regionalização promovido pela Câmara Municipal do Porto e moderado por Rui Rio (ele mesmo). Ao contrário do que é costume em Lisboa, no Porto havia intervenção do público, no final. Intervim como agente provocador. Aqui estão as linhas mestras do meu comentário:

  • deixei bem claro que a descentralização era indispensável e não tinha nenhum problema em especial com a regionalização. O problema era mesmo o Porto;
  • falou-se no debate que o Porto deveria absorver Gaia (assim mesmo, abertamente), formando uma só cidade. A ideia não era má, mas algo incorrecta: o certo seria Gaia absorver o Porto (e acabar de vez com o Porto);
  • todo o país tem que se queixar do centralismo e das desigualdades regionais, mas só no Porto se fala de regionalização. O que motiva o Porto não é a descentralização mas a inveja de Lisboa e uma nova centralização, a norte (o centralismo tripeiro);
  • eu votaria contra a regionalização. Para votar a favor teria de se regionalizar todo o país excepto o Porto. A região norte seria à volta do Porto; o Porto seria um enclave nortenho da região de Lisboa;
  • a quem invoca a constituição para defender a regionalização, recordo que na altura em que isso foi escrito (1975) o socialismo também era um imperativo constitucional. E que tal se, antes de implantarmos a regionalização, implantássemos o socialismo?
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26 respostas a Do Porto

  1. Provocador de 1ª. Não levou porrada!

  2. Saíste de lá vivo, o que prova que a regionalização tem condições para avançar.

  3. Duende61310 diz:

    hihihhi. Eu sou do Porto e a favor de regionalização. Se o debate fosse moderado por aquela alma caridosa dirigente dos superdragões não lhe tinha sobejado tempo para escrever este post. Ainda bem que o “moderador” (estranho moderador mas …. bá lá como cá se diz) era o Dr. Rui Rio. Mesmo assim deve ter ouvido das boas não?

  4. Ricardo Santos Pinto diz:

    Sem comentários…
    De um tipo que diz o que diz sobre os senhorios, já se espera tudo.
    Ser inimputável, pode dizer tudo o que quiser que já ninguém se chateia. Provocará, se calhar, um esboço de sorrioso. Tal qual um Alberto João Jardim ou uma Maria de Lurdes Rodrigues.
    E tem Lisboa representantes destes!

  5. mariana diz:

    já tinha provas com a história das rendas, mas agora realmente se vê. arranje uma vida própria, porque o papel de enfant terrible e provocador da turma já está fora de moda. e só fica bem a quem sabe do que fala…

  6. Saloio diz:

    Ó Sr. Doutor Filipe Moura: o senhor, finalmente, confessa-se.

    A sua actividade é a de um “provocateur”.

    É que o senhor não foi só um agente provocador lá na reunião do Porto. Quase tudo o que alega aqui no “5”, como em relação aos senhorios (que eu não sou), são típicos de um agente provocador. Eu, como sou mais lento, só agora percebi.

    Sabe, os agentes provocadores foram inventados pelas ditaduras para, como terroristas, provocarem a indignação dos justos, a repressão dos incautos e a debandada dos fiéis.

    Enfim, tenho pena, mas…podia dar-lhe para pior.

    Digo eu…

  7. Clara diz:

    Regionalização?? Bolas. Nem da Madeira … FDS!!
    Regionalização da praia … Ups do campo… Ups dos Jardins … Ups das Ribeiras, rios e regatos … Filipe: PRAIA!!! SOL!! BRONZE!! Nada de quimica, só químicas … ( Um segredo: o Obama vai perder por causa da mulher … vais ver …)

  8. o niilista diz:

    o professor doutor filipe moura não devia ter deixado o intendente onde trabalha para fornicar a paciência dos e das tripeiras agora que têm todos o apito mouro a apitar e a vieirar.irra. o homointendente bai bulir com a raça dos tugas no covil e roça o descarado que nem pernil de porco. o suburbano da tenda dos hungaros. azeiteiro interna te a bem dos mouros dirão. dobrate e morde a picha sitiado das catacumbas do império e não sias de aí.

  9. mf diz:

    Eu votaria a favor da regionalização. O norte nada tem a invejar ao país de Aveiro para baixo. Pelo contrário. Uma pena que tenha de continuar amarrado aos não me toques de Lisboa. Afinal , os maiores empregadores do país são do Norte. Carago. E o club que ganha tudo.

  10. MRC diz:

    Apesar de estar no Algarve onde todos são a favor da regionalização, corroboro com os comentários do autor deste post.
    Para além das questões práticas que aí são focadas há ainda que recordar que Portugal tem mais tradição de municipalidade do que regiões propriamente ditas.
    Penso que algumas vantagens da regionalização poderiam ser compensadas por um maior protagonismo quer do presidente de cada CCDR quer do presidente das associações de munícipios que, inclusivamente no futuro, poderiam ser o mesmo cargo, a eleger democraticamente no mesmo dia das eleições autárquicas.

  11. Afirmar que a terra gira ao contrário e os rios nascem no mar é uma provocação, sem dúvida; como aliás qualquer estupidez aleatória que queiramos dizer. E nisso, os loucos de Lisboa são mestres. Diz, pelo menos, a canção.

  12. filinto diz:

    Dizia o Filipe que em Lisboa não é costume haver intervenção do público? Por que será?

  13. jaime roriz diz:

    Filipe Moura, o interessante mesmo era saber como reagiu a plateia às suas intervenções.

  14. jaime roriz diz:

    Sendo de Lisboa e tendo muita família no Porto, gosto muito dessa cidade cinzenta virada para a serra do pilar. Recordo-vos que a rivalidade entre Lisboa e o Porto nunca existiu verdadeiramente. Algumas pessoas pretenderam capitalizar uma certa tendência natural para a competitividade para atingirem outros fins. Foi assim com os políticos de direita a seguir ao PREC em 76, 77 e 78, que diziam que “No Porto é que se trabalha” quando a votação à direita era mais forte na zona norte. Felizmente os portugueses não são parvos e rapidamente se deixaram dessas parvoíces e alfacinhos e tripeiras bem como tripeiros e alfacinhas lá foram deixando marcas de amor nos respectivos lençóis e fazendo a sua vidinha sem rivalidades parvas.

    Anos mais tarde apareceram as abéculas do Vale e Azevedo e do Pinto da Costa e até o imbecil do Manuel Damásio que mais uma vez foram ao cemitério e desenterraram o morto-vivo-rivalidade-porto-lisboa. Está tudo estragado outra vez. Se da primeira o motivo ainda era mais ou menos nobre –> a política, (sim, a política é nobre porque pretende dar bem estar às populações), desta feita o motivo é torpe, comezinho, rural, estupidificante e sem graça nenhuma –> o futebol.

    Não digo que o futebol não tenha alguma graça, eu próprio vejo um jogo de quatro em quatro anos em média, mas colocar gente que sempre se amou, no sentido literal do termo, em competição por causa de 22 imbecis, que mal sabem falar, a correr atrás de uma bola e, muito pior que isso, para justificar o problema de terem dívidas astronómicas e de pura e simplesmente subsistirem criminosamente à custa de abuso de confiança em matéria de impostos, parece-me uma desonestidade muito grande.

    Porto e Lisboa são duas realidades muito portuguesas, as vezes que deixei o meu coração perdido de amor (as marcas de amor nos nossos lençóis) no Porto são das melhores recordações que tenho. “Ah! O Porto sentido e o Porto sem ti não faz sentido” o pôr do sol na Foz e as noites no meia-cave e as exposições de pintura no zebras. “Coisas” que só no Porto podiam acontecer ali a descer a pé desde a praça do poveiros com a serra do pilar em frente.

    Eu estava no palácio de Cristal (lisboeta que sou) em 1995 (acho que foi em 1995) quando se comemorou a passagem a património mundial da zona histórica do Porto. Quando o Rui Veloso cantou “quem vem e atravessa o rio” e toda a gente levantou os isqueiros acesos, chorava o rui, os músicos, os técnicos e toda a plateia. De arrepiar.

  15. Eduardo Correia diz:

    Lol..
    a proposta de regionalização, na aldeia dos aviões sobre o “rio”, é de utilidade muito “dubidosa”..

  16. Ricardo Santos Pinto diz:

    Sou portuense de gema e portista ferrenho. Assumo-me como pintodacostista, mesmo que não goste de muitas das coisas que ele diz e faz.
    Ainda assim, adoro Lisboa e os lisboetas. Passei excelentes momentos em Lisboa, a nossa capital e a mais bela cidade do país. Só não gosto que haja por lá gente tão provinciana como o Filipe Moura e o Eduardo Correia.
    Gente que, por não suportar as vitórias do futebol (realmente, Jaime Roriz, é um tema comezinho, tem razão), não perdoa à cidade do Porto e aos seus habitantes.

  17. M. Abrantes diz:

    O Filipe pensou que o Levanta-te e Ri ainda não tinha acabado, e foi ao Porto tentar gamar o lugar ao Fernando Rocha.

  18. PMS diz:

    “pintodacostista”

    O que é ser pintodacostista? Uma espécie de religião?

    Prefiro o cristianismo.

  19. Miguel diz:

    “em competição por causa de 22 imbecis, que mal sabem falar, a correr atrás de uma bola”

    Mais um que ficou de fora nas captações e ficou com o trauma…
    🙂

  20. jaime roriz diz:

    Caro Miguel,
    Os fanáticos de futebol são assim uma espécie de Estalines, quem não gosta da “coisa” só pode ser por trauma ou loucura, já agora quando pensar em deportar-me será para Miranda do Douro, onde a neve atinge 20 cm (muito longe dos 2 m da sibéria) ou para o Algarve (assim uma coisa tipo tarrafal)?

  21. Mata-o-Mouro-da-lhe-um-estouro diz:

    Regionalizacao o tanas! Independencia! Mas esta’ tudo a dormir? Mesmo anexados em Espanha Seriamos mais independentes em relacao a Madrid (ao menos em Espanha ha’ provincias com P grande) do que neste momento vassalos da oligarquia lisbonaria! O Saramago e’ que tem razao! E a junta metropolitana do Porto que apresente mas e’ queixa no tribunal europeu contra o governo portugues como ameac,ou aqui ha’ tempos! Entao os magrebinos recebem milhoes de fundos comunitarios destinados ‘as regioes pobres e derretem tudo na capital do Norte de Africa? Nos no Norte somos vistos apenas como uma colonia: so’ pagamos impostos e nao bufamos… e depois do dinheiro desviado o que sobra e’ enterrado em Lisboa. O que mais me custa e’ ver que os supostos “defensores” da regiao galaico-duriense (lusitanos o car*****) sao uns verdadeiros traidores q a troco de umas luvas ou promessas de cargos em Lisboa optam pela inepcia e manutencao do “status quo”… Esses ainda sao piores que os lisbonarios, pois estes defendem os seus interesses e a sua regiao… Era enforca-los a todos… “vendilhoes do templo”

  22. “Mata-o-Mouro-da-lhe-um-estouro”

    Belo nome.

    P.S. Escreveu Car**** com um * a mais… a não ser que termine em “ão”…

    P.P.S. Quando fala em defensores da região galaico-duriense refere-se a quem? Não me lembro de alguma vez ter visto algum ir a votos…

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