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alegria, alegria, alegria

10 de Julho de 2008 por Fernanda Câncio

ainda a propósito disto, ontem, num moderníssimo e muito clean hotel do porto, ao fim de um dia de trabalho, e com uma enorme vontade de silêncio e descanso, afundada num sofá do lobby a ganhar coragem para a viagem nocturna para lisboa, implorei a uma simpática funcionária que baixasse o som correspondente a dois plasmas que exibiam vídeos dos ac/dc (sim, não menos que dos ac/dc). ela fez mais: tirou-lhes o som. foi quando se percebeu que em simultâneo, sob a exuberância da banda, se ouvia ‘música ambiente’. não fosse alguém desanimar, evidentemente.

Comentários

Comentário de jc
Data: 10 de Julho de 2008, 17:44

a “música ambiente” devia ser abolida.

é assustador entrar numa casa de banho de uma área de serviço e de repente ouvir um diálogo dos morangos com açucar, porque têm as colunas ligadas ao som da televisão, ou ainda pior, naquele canal de música hip hop francês. e é em todo o lado. deve ser uma conta restrita da tv cabo.

eu entendo que nos supermercados a música que passa nos alto falantes seja programada consoante o comportamento que se quer provocar no cliente. (música de ritmo acelerado para despachar as compras, música calma para tomarmos o nosso tempo), mas entrar numa loja de roupa e levar com o último cd do último grupo de forró importado ou de kizomba brasil é um massacre.

mais, parece-me que devia haver uma opção nas filas de espera dos call centers em que poderíamos não ter de ouvir a música de espera ou as publicidades e o inqualificavelmente impróprio “até já!” ( ou andei com os senhores da tmn à escola e não dei por nada?).

Comentário de Clara
Data: 10 de Julho de 2008, 19:55

É mesmo para dizer: O silêncio é de ouro.

Comentário de Ines Meneses
Data: 10 de Julho de 2008, 19:59

Bem-feita, para não mandares calar os velhinhos. E acho muito previdente da parte do hotel ter sempre o gerador auxiliar de barulho a funcionar, caso falhem as bandas vetustas.

Ah: agora também há prédios em que mal se entra se tem música ambiente (o que eu gosto desta expressão…), deve ser para entreter as pessoas que demoram a encontrar as chaves.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 10 de Julho de 2008, 23:02

no outro dia, inês, aconteceu-m uma cena desse género. fui a uma festa num prédio recente ali para o estádio da luz e mal entrei comecei a ouvir uma voz. não sendo especialmente mística, achei que devia ser uma tv muito alta num dos apartamentos. quando entrei no elevador, porém, ouvi a voz, cada vez mais distinta, sem perceber de onde vinha. a minha amiga disse-me, quando e abriu a porta, que é um mistério sem explicação. ah, e a voz correspondia a um relato de futebol.

Comentário de M. Abrantes
Data: 11 de Julho de 2008, 10:09

Fernanda, festas para os lados do estádio da luz é por si só contraditório. Tudo o resto que de incómodo possa depois acontecer, soa a castigo merecido:).

Comentário de Pedro K(Costa) Ferreira
Data: 11 de Julho de 2008, 17:07

Dona Fernanda Maria,

Também um historieta minha sobre essa praga musical-animante.

Estava eu numa prainha (daquelas que eu gostava — atenção ao tempo verbal –) quando a minha necessidade e desejo de descanso se incompatibilizaram com os altifalantes musicantes da barraca que vende gelados e cerveja. Dirigi-me à menina da barraquinha para pedir para desligar o som…. Numa das portas da barraquinha estava um edital da polícia marinha (ou não sei bem de quem) com indicações sobre o comportamento na praia: não levar cães, não jogar à bola… não usar aparelhos sonoros.

A menina da barraquinha como era muito simpática (ela até era mesmo ‘muita’ boa…) aceitou pôr a música mais baixa durante um bocado. Muito grato lhe fiquei.

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 11 de Julho de 2008, 17:41

Fernanda Câncio,

Já que vai ao Porto e gosta da temática dos bairros sociais, aconselho-a a fazer lá umas visitinhas. Olhe que material não lhe ia faltar.
Proponho que comece pelo Bairro do Aleixo, seguindo-se Lagarteiro, S. João de Deus, Cerco do Porto, Regadas e por aí fora. É tudo boa gente, apesar de tudo o que vêem e ouvem no dia-a-dia.

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