Segurança

Há um argumento curioso dos defensores do arrendamento de casa – que geralmente defendem também a precariedade laboral. Estes senhores primeiro querem acabar com tudo o que seja segurança no emprego, para depois dizerem que “já não há empregos seguros” que permitam comprar casa – com a instabilidade laboral, hoje em dia quem não herdou uma casa ou não tem pais que lha ofereçam só deve alugar casa e não comprar.
Mais vale estas pessoas defenderem de vez, e abertamente, que querem acabar com o direito à casa própria (tal como querem acabar com o emprego seguro). Eu admito – considero que o mercado de aluguer de casas deve ser a excepção e não a regra. Deve ser desencorajado ao máximo. A menos que desejem uma situação como a da música do vídeo (ouçam até ao fim).

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16 respostas a Segurança

  1. Carlos Fernandes diz:

    Este post é tão idiota e estúpido , fruto quiçá de vapores etílicos ou outros,que eu nem ia comentar, mas reparem só, qual é a lógica de qualquer senhorio defender estupidamente a precariedade laboral, tornando assim muito mais arriscado e duvidoso a probabilidade futura de vir a receber as rendas caso os arrendatários fiquem no desemprego ou em (sub)empregos precários?

  2. JDC diz:

    mas a questão aqui está, precisamente, na questão do emprego seguro. Fará sentido falar em emprego seguro, como tiveram os nossos avós ou os nossos pais, a trabalhar mais de 20 anos na mesma empresa, etc?
    Vivemos numa era de expansão muito acelerada, onde o conhecimento se cria e transmite tão depressa que me atrevo a afirmar que o ciclo de vida normal de uma empresa já não se compadece com essas perenidades. Antes disso, as empresas hoje em dia vêm-se forçadas a redireccionar frequentemente o seu nicho de mercado, a mudar competências, etc, o que torna, implicitamente, o trabalho mais precário a menos que as pessoas possuam formação e capacidade de alterarem as suas aptidões ao mesmo ritmo da empresa…

  3. The Studio diz:

    Grande Filipe, não se dá por vencido! Isto é que é a combatividade de um verdadeiro homem de Esquerda!

    “Há um argumento curioso dos defensores do arrendamento de casa”

    Os defensores do arrendamento de casa, é o resto do mundo à excepção do Filipe, certo?

    “Estes senhores primeiro querem acabar com tudo o que seja segurança no emprego, para depois dizerem que “já não há empregos seguros” que permitam comprar casa”

    Um argumento interessante. Tenho lido estas discussões com algum interesse e passou-me completamente despercebido. Pode citar quem usou esse argumento?
    —————————————————————————-

    Filipe,

    Vejamos o exemplo do senhor que lhe arrendou casa nos EUA. Trata-se de um inútil que não faz nada de útil para a sociedade e que vive dos rendimentos dos seus capitais. O Filipe defende portanto que este senhor deveria vender a casa, como o Filipe já jurou que venderia se fosse proprietário de uma casa que não habitasse. É uma excelente ideia, mas quais seriam as consequências?

    Ora bem, esse senhor venderia as casas, colocaria o dinheiro no banco, e viveria dos rendimentos do seu capital (os juros). Os rendimentos dos juros serão sensivelmente identicos aos das rendas, caso contrário as pessoas em vez de ter o dinheiro no banco comprariam casas para arrendar, e as rendas desceriam até um valor de equilíbrio.

    Os bancos, que iriam fazer com o dinheiro desse senhor? Iriam empresta-lo, possivelmente a investidores que iriam especular no mercado do petróleo e dos bens alimentares.

    Em ambos os casos, esse senhor que o Filipe odeia e com que negoceia iria viver dos rendimentos do capital. A diferença é se o Filipe prefere ter uma casa para alugar ou se prefere que esse dinheiro ande alimentar a especulação.

  4. mariana diz:

    cada tiro, cada melro…

    então o que é que tem dizer que o arrendamento de casas é um negócio a conservar, sobretudo com justiça e equilibrio para ambas as partes tem a ver com instabilidade laboral? eu não posso mudar do marques para as antas? e depois para miragaia? posso até começar por arrendar uma casita longe do emprego e, à medida que for ganhando mais estabilidade e for subindo na empresa, posso alugar uma casa mais perto, ou maior.
    bem vistas as coisas, alugar casas até promove mais liberdade de escolha para o locatário. repare: agora vivo num t1, porque tem o tamanho que preciso. para o ano, decido ter um filho. vamos alugar um t2…mas calhou de ter gémeos. pronto, alugo um t3. e se decidirmos mudar de cidade? pronto, mudamos de casa. sem ter que as vender, sem ter que pagar juros ao banco, sem ter um jugo de 40 anos para pagar a um senhorio tão ingrato que não pára de subir o valor da “renda”.

    acho muito bem que quem quiser tenha o direito a comprar uma casa. mas nem as pessoas são todas iguais, nem os objectivos de vida. e continuar com um mercado de arrendamento neste estado, acabamos por ter uma ditadura ao contrário. é a ditadura da compra de casas. no centro das cidades só há 2 tipos de casa: as muito caras e boas e as muito baratas e podres. a inexistência de um verdadeiro mercado, flexível como a vontade dos seus clientes, leva a que acabe por ser mais em conta comprar um t2 em valongo do que alugar uma casa na sé, mesmo que se queira muito mais viver na sé, mesmo que daqui a 10 anos o t2 seja pequeno. resta-nos tentar viver no t2 ou tentar vendê-lo, já desvalorizado. no fundo, é um aluguer a médio prazo, mais arriscado e dispendioso, porque desde início não foi possível alugar uma casa a um preço justo e em condições.
    o que o filipe defende é precisamente isto: todos temos direito a ter uma casa (bem), todos temos direito a comprar uma casa (bem), mas esquece-se que todos temos direito a arrendar uma casa – sejamos inquilinos ou senhorios.

  5. Dinis diz:

    ó homem mas você anda a fumar que tipo de ganza?!
    É que nunca vi o “rantanplan” dizer metade dos seus disparates. Então as comparações…e as verdades tidas por absolutas..

  6. Dinis diz:

    casa própria? Defina… casa paga ao Espirito Santo, ao BCP ou á CGD?

  7. Luís Lavoura diz:

    Eu assumo que não vi o vídeo, muito menos até ao fim.

    Também assumo que penso ao contrário do Filipe, acho que o arrendamento deveria (num mundo ideal) ser a regra e a compra de casa a exceção.

    Agora essa da instabilidade laboral ser boa para os senhorios, não concordo. Eu tenho dois inquilinos (um habitacional e outro para negócio) e em ambos os casos desejo ardentemente que eles tenham imenso sucesso nos seus negócios, e que não caiam no desemprego de forma nenhuma, para que possam continuar a, regularmente, pagar-me as rendas.

  8. Carlos Duarte diz:

    Caro Filipe Moura,

    Vamos considerar uma situação hipotética:

    O Filipe compra um apartamento em Lisboa, aonde trabalha. Como todos os “comuns mortais”, faz um empréstimo bancário a 30 anos, a pagar 500 € / mês e adquire o seu T1, o qual paga com parte dos 1000 € que ganha de salário. Sobram-lhe 500 €/mês.

    Após uns anitos a trabalhar, e devido à sua reconhecida competência, começam-lhe a surgir oportunidades de emprego mais aliciantes e melhores remuneradas. Infelizmente são em Aveiro. O Filipe faz as contas e muda-se para Aveiro, comprando outro T1 por 400 € por mês. No entanto agora pagam-lhe 1500 €/mês, portanto sobra-lhe mais um bocado (600€/mês). Põe o apartamento de Lisboa à venda, mas os compradores não aparecem, dado o mercado estar saturado.

    Entretanto conhece uma catraia e resolvem juntar os trapos. Como pretendem fazer família, põe o T1 à venda (ela vivia com os pais) e compram, conjuntamente, um T3, por 1000 €/mês. Ela ganha 1000 € por mês, pelo que sobra aos dois 600 €/mês. Os dois apartamentos antigos continuam por vender, mas o Filipe tem esperança e lá vai “aguentando” a redução no seu dinheiro disponível (que agora, metade de 600 €, é de 300 €/mês).

    Nasce o primeiro filho, aparecem as contas e os dois T1’s (de Lisboa e Coimbra) por vender… e agora? Entrega os T1’s ao Banco? Mas o Banco quer dinheiro, NÃO os apartamentos…. Se fosse um senhorio, ficaria com eles, mas o Banco não é senhorio nem imobiliária. Se deixar de pagar, o Banco penhora-lhe o salário para garantir o pagamento das prestações!

    Imagina agora que em vez de comprar tinha alugado: se o mercado estivesse a funcionar bem, provavelmente pagaria menos que num empréstimo, mas vamos a admitir que pagaria o mesmo.

    Em Lisboa, teria um rendimento disponível de 600 €/mês.
    Em Aveiro, solteiro, 1100 €/mês
    Em Aveiro, casado, 750 €/mês.

    Qual lhe parece melhor solução? Em qual delas estaria a ser “explorado”?

    É óbvio que me pode dizer que podia ter conseguido vender os apartamentos. Claro que sim… mas podia não conseguir, ainda por cima T1 que são de venda mais díficil venda (são de fácil arrendamento no entanto, porque será…), mas ainda com o excesso de fogos existentes em Portugal.

    Quando tivesse amealhado dinheiro suficiente, podia comprar um ou mais T1’s, alugava-os e dava oportunidade a outras pessoas de progredirem na vida sem excesso de bagagem… Seria, nas suas próprias palavras, um explorador (com o agradecimento dos explorados, mas isso não interessa para nada).

  9. MP-S diz:

    “o mercado de aluguer de casas deve ser a excepção e não a regra”

    Filipe, nao exageres. Alugar casa pode ser uma opcao muito mais conveniente do que a comprar — pelo menos durante certos periodos da vida. Eu nao estava interessado em comprar uma casa quando acabei o curso, mas estave interessadissimo em alugar uma casa.

    De acordo que se devia facilitar a aquisicao de casa propria para quem estiver interessado. Ja’ nao estou seguro quanto aos mecanismos para
    conseguir isso.

  10. LA-C diz:

    Filipe, reparo que nestes teus textos sobre rendas escolhes sempre o tag “Economia”. Tal é manifestamente abusivo. O que tu defendes está para a Economia como a homeopatia está para a medicina ou bruxaria para a Física.
    Não está em causa o teu direito a manifestar a tua opinião, naturalmente, tal como não está em causa o direito dos homeopatas declararem que descobriram a vacina para o cancro ou para a SIDA, nem está em causa o direito dos criacionistas defenderem que a Terra tem apenas 6 mil anos, contra toda a evidência científica.
    A única coisa que está em causa é classificares como “economia” estes textos que escreves. Penso que concordarás que a seguir a um texto criacionista se deve colar a etiqueta “Religião” e não “Física” ou “Biologia”. Da mesma forma, por honestidade intekctual, deverias escolher uma etiqueta tipo “religião”, “moral”, “os senhorios que paguem a crise” ou algo parecido.

  11. Luis diz:

    Brilhante: A precariedade laboral é boa para os senhorios. Um Nobel para este homem, já.

    Filipe, perceba isto, de vez: o arrendamento tem inúmeras vantagens:

    1) É a melhor forma de garantir a flexibilidade e mobilidade AO TRABALHADOR. Permite evitar limitações geográficas na procura de trabalho, fixar pessoas nas cidades;

    2) Permite reduzir drasticamente o nº de pessoas a entrar nas cidades vindas dos subúrbios.

    3) Estimula a manutenção e conservação do património edificado, evitando a construção de nova habitação;

    Outras haveria, mas estas chegam.

  12. Pingback: Arrendamento » ENFADO

  13. MPR diz:

    Existem “os defensores do aluguer”? Não é uma questão de “os defensores do aluguer” versus “os defensores da compra”, é uma questão de perceber que ambas as situações têm vantagens e desvantagens, que há muita gente que precisa do aluguer porque não tem como comprar (sim a compra comporta encargos de milhares de euros entre custas do banco e impostos), ou porque não tem estabilidade no emprego, ou porque lhe sai mais barato alugar, ou porque está em fase de transição na sua vida e precisa de um sítio onde ficar (mudança de emprego, divórcio, etc) ou seja lá porque motivo for. A subida da Euribor por exemplo não seria tão dramática se o número de pessoas a alugar casa fosse maior. A única coisa que não interessa é ter prédios devolutos, o resto, compra, venda, aluguer ou qualquer tipo de negócio, é legitimo. Quem quer alugar aluga, quem quer comprar compra. Porque é que há de ser contra a liberdade de escolha?

  14. Antónimo diz:

    Recomendava que fossem ler uma coisinha antiga, do Prodhoun, que se chama O que é a Propriedade? Existe uma edição da Estampa. Parece-me que o Filipe Moura não está assim tão isolado. O referido senhor, actualmente demonizado pela opinião monolítica habitual, ia bem mais longe neste clássico da Filosofoa Política e Económica.

  15. Luis Rainha diz:

    Calma, que o Filipe vai, a qualquer momento, saltar de trás de um arbusto, gritando “apanhei-vos!”, e confessar que estava apenas a reinar connosco.

  16. Tárique diz:

    Antónimo: A propriedade é o vôo, essa é que é essa.
    E o Filipe continua a ser o único gajo de esquerda deste blogue.

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