A grande fractura
5 de Julho de 2008 por Nuno Ramos de AlmeidaNa semana passada, a esquerda responsável e a direita do arco da governação mostraram as suas inultrapassáveis diferenças. Estavam a votar uma proposta do PS e PSD. Os homems de Sócrates chumbaram a proposta do PSD e aprovaram a sua. Mostraram, mais uma vez, a aleivosia daqueles que teimam em considerar que há um centrão dos interesses. Que diabo! Ainda existem convicções! Só gente extremista, amiga do Chávez, é que pode dizer que a governação do PS é igual à do PSD. Para Sócrates, as pessoas não são números. Os pobres têm cara. E os salários não param de crescer, quase tanto como as notas da matemática. Tivesse o governo mão nas estátísticas europeias e a verdade seria exibida no seu máximo explendor: em Portugal só há ricos e muito ricos.
Voltando à votação, só é pena que o texto do PSD, que o PS chumbou, fosse vírgula a vírgula, letra a letra, igual ao texto do PS que foi aprovado.

Comentário de dsm
Data: 5 de Julho de 2008, 15:40
Pois, ainda há esquerda que, mesmo a propósito de vírgulas iguais, faz questão de marcar as suas diferenças em relação à direita.
Num tempo em que até Miguel Portas invoca a autoridade de Bagão Félix para provar os seus pontos de vista em relação à revisão do Código do Trabalho, em que Fernando Rosas, na SIC-N, se refere com irreprimível simpatia e quase fraternamente à coragem do presidente polaco Kaczynski (lídimo representante de da Europa anti-neo-liberal que Rosas deseja, suponho) e em que NRA vai buscar aquela coisa das notas de matemática (“então eu pago o colégio ao meu puto, e, afinal, os outros também passam?!”), é refrescante saber que ainda há quem mantenha as distâncias.
Ainda há esquerda que se dá outro destino que não o de servir de passadeira vermelha à Manuela. Passadeira vermelha? Vermelha? Vermelha, pois, “que diabo! ainda existem convicções!”.