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Bem vinda ao mundo, miss Beatie!

4 Julho 2008 | por Ines Meneses

Já nasceu o bebé Beatie! Parabéns aos pais (na foto; ver mais aqui) e obrigada aos três por alargarem o leque da variedade humana. Haja alguns augúrios felizes neste início de milénio. Como uma família nova, por exemplo.

(mix de 2 posts anteriores lá na minha casa)

Comentários

Comentário de Sérgio
Data: 4 Julho 2008, 10:22

Este caso faz-me alguma confusão.
Então o Thomas não é um homem? Não alterou o seu corpo para viver a sua masculinidade? Não tem uma mente masculina?
Não disse: “eu sou Thomas, um homem”?
Parece-me que, no fundo, o Thomas não é coisa nenhuma. Insere-se na “variedade humana”.
Mas já que fizeram essa opção, podiam calar a boca não? Qual a intenção? Servir de exemplo para todos os transsexuais masculinos que querem ter um filho mas receiam a discriminação social? Ou será que isto é mais um “olhem para mim”?
Toda a gente deve casar com quem bem entender. Depois de ter lido estudos por pessoas mais qualificadas que eu, já concordo com a adopção.
Traço aqui a linha.
Claro que não estou a dizer que o Thomas devia ser proibido de usar os seus ovários.
Apenas estou a dizer que ele devia decidir o que quer ser afinal.

Comentário de Nuno
Data: 4 Julho 2008, 11:04

Não tão depressa. Se seguir o exemplo da mãe (ou será do pai?), a Miss Beatie ainda acaba em Mr. Beastie Boy. Já agora, as fotografias são feias, muito feias. Ao contrário do que costuma acontecer com as mulheres grávidas, normalmente muito belas. A confusão que vai nessa cabecinha, Inês.

Comentário de Ines Meneses
Data: 4 Julho 2008, 11:14

Quer ser isto mesmo: uma pessoa inteira e real, feita de muitas coisas diferentes. Ou o Sérgio sente que cabe inteiro nalguma definição simples? No caso de Thomas Beatie, é alguém que mudou muita coisa na sua identidade física e social, que vive com uma mulher que não pode ter mais filhos e que, tendo a capacidade para isso, resolveu ter ele um filho. So what? Já era tempo de abandonarmos esta necessidade infantil de que as coisas se organizem todas em conceitos simples e estanques. A vida é mais engraçada que isso. Let it flow.
A publicidade vem apenas da sociedade (alguma sociedade) estranhar tanto que as pessoas não caibam em definições burocráticas. Nem quero pensar no tipo de reacções com que estas pessoas terão que lidar. Bem-hajam por publicitar: talvez isso facilite um bocadinho as coisas aos próximos.

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 4 Julho 2008, 11:48

Confusão na cabecinha da Inês, Nuno? eheh

Comentário de Nuno
Data: 4 Julho 2008, 11:58

Inês, não sei qual a sua idade, mas o seu discurso é o de uma rapariguita de 10 anos… “So what?” “Let it flow.” “A vida é mais engraça que isso.” Anda a ver MTV a mais. Que tal ler uns livrinhos inteligentes que lhe ensinem algo sobre a seriedade da vida!

Comentário de jose manuel faria
Data: 4 Julho 2008, 11:59

beati não é um homem. É um travesty masculino, não é transssexual.
É uma mulher com barbas e sem mamas. O casal é lésbico.

O parto foi normal.

Comentário de Sérgio
Data: 4 Julho 2008, 12:03

Inês, Thomas Beatie não é “alguém”, é um homem que se bateu por ver a sua masculinidade reconhecida oficialmente.
E conseguiu.
Isto prova apenas que, provavelmente, ainda não sabe ao certo o que é.
E a publicidade é apenas fruto da procura de notoriedade que é comum a quase todos os seres humanos.
Quanto ao “let it flow”, desculpe mas se eles têm direito a publicitar o seu caso da vida, se a Inês tem direito a publicitar o caso deles e a declarar o seu apoio pela causa(?), eu tenho o direito a dizer a minha opinião.
E ela é simples: auto-promoção irresponsável.

Comentário de Ines Meneses
Data: 4 Julho 2008, 12:16

O Nuno é contra a existência de pessoas feias?

Acho engraçado que só tenha fixado as palavras MTV, para usar a sua feliz definição, em tudo o que eu disse. Quer comentar a matéria de facto, ou está só mal-disposto e acha feio? Eu também tenho dias desses. Andar muito preocupado com a seriedade da vida normalmente tem esse efeito, impede-nos de viver a sério.

Comentário de Ines Meneses
Data: 4 Julho 2008, 12:19

José Manuel Faria, um travesti é um homem com roupa e maquilhagem de mulher. O Beatie fez cirurgias e tratamentos hormonais. É um transsexual com apenas parte do processo médico feito. É maçador mas, lá está, nem tudo no mundo cabe só numa gavetinha.

Comentário de Calvino
Data: 4 Julho 2008, 12:24

Sim, nao duvido que a Ines viva muito “a serio”. Com essa meia-duzia de trocadilhos no bolso, ninguem a agarra

Comentário de Sérgio
Data: 4 Julho 2008, 12:25

Só para saber se o meu comentário irá ser aprovado apenas quando a Inês tiver a argumentação preparada. ;)

Comentário de Clara
Data: 4 Julho 2008, 12:41

Pois. Pois.
Pois.
Pois.
Pois.
Não encontro nem uma nesga de gajo como deve ser: Bom e Honesto.
Ter um filho? E ver logo a cara do pai? O perfil do pai! …
Pois.
Pois.
Direito à inseminação para mulheres solteiras ( sem ser por lesbianismo) JÁ!
Pois.
Pois.
Os meus direitos!!!

Comentário de Nuno
Data: 4 Julho 2008, 12:44

A transformação da natureza habitualmente resulta em fealdade. Matéria de facto? O que posso eu dizer? Que as pessoas, por vezes, fazem coisas que até o Calígula coraria se as fizesse? Não é a primeira vez, nem será a última. A Inês aplaude, eu fecho os olhos.

Comentário de Paula Telo Alves
Data: 4 Julho 2008, 12:55

Eu por acaso acho que as fotografias são bonitas, muito bonitas. Ah, e não tenho 10 anos nem gosto em particular da MTV.

Comentário de o cuco
Data: 4 Julho 2008, 13:04

a mim só me faz confusão a publicidade feita ao caso. Quanto ao resto, eles que se entendam.

Comentário de Ines Meneses
Data: 4 Julho 2008, 13:13

Nuno, já que trouxe a beleza à conversa: sabe que, por politicamente incorrecto que seja dizê-lo, a maior parte das grávidas não se sente especialmente bonita, sobretudo na fase final da gravidez. Se calhar, pelo mesmo motivo que quase todas as pessoas se sentem não muito bonitas por altura da puberdade: porque estão a acontecer mudanças importantes muito depressa. Tem a certeza que não é o que se passa consigo neste caso?

Quando à natureza e à beleza: nós fazemos parte da natureza e as nossas mudanças também. Aliás, a natureza (no sentido da natureza viva) não é feita senão de mudanças constantes. Se quer ver o que a natureza, humanidade à parte, pensa da beleza, tenho apenas uma coisa a mostrar-lhe: o meu amigo, o aye-aye: http://womenageatrois.blogs.sapo.pt/177585.html

Sérgio: mas quem é que lhe disse que não podia dizer o que pensa? Pode, claro. Eu também. E no caso, pelos vistos, discordamos. Isso é dramático para si? Para mim não.
E continuando a discordar: irresponsável porquê? Perante o quê ou quem?

Comentário de Ines Meneses
Data: 4 Julho 2008, 13:17

Calvino, espero não o chocar ao revelar-lhe isto, mas a minha vida não se confina às caixas de comentários dos blogs.
Logo que encontrar a entidade oficial de certificação de vida séria trago-vos o meu certificado, está bem? Eu mostro-vos o meu e vocês mostram-me o vosso.

Isto hoje está tudo muito nervosinho…

Comentário de Ines Meneses
Data: 4 Julho 2008, 13:20

Lamento se os comentários demoram a sair, eu estou pouco rodada neste blog e evito mexer-lhe nas entranhas para não estragar tudo, portanto espero como uma parasita que outros aprovem os comentários por mim. Não é manipulação, Sérgio, é nabice mesmo.

Comentário de Ines Meneses
Data: 4 Julho 2008, 13:21

…ainda assim, fico tocada por achar que os meus argumentos são muito preparados. Tocada, mas um bocado envergonhada.

Comentário de Sérgio
Data: 4 Julho 2008, 13:42

Inês, antes de mais perguntava-lhe se é verdade ou não que o Thomas se bateu por ver o seu género reconhecido como “masculino”?
Ele podia ter-se batido por ver o género Transsexual e não sei se não o faz, mas neste caso ele bateu-se por ver escrito na sua carta de condução, formulários de seguros e dados bancários como pertencente ao sexo “masculino”. A partir do momento em que o Thomas resolve engravidar mostra que devia ter reivindicado outra coisa qualquer ou então nenhuma. Deixava-se ficar sossegado. Nada o impedia de fazer os seus tramentos hormonais, remoção de galndulas mamárias etc…

De resto quando a Inês diz “let it flow” tal pode ser interpretado como um, educado diga-se, “cale-se”. Pensei que fosse obvio.

De resto esta propaganda é de uma irresponsabilidade atroz pela atenção negativa que atrai para a sua (a do Thomas) familia. Que o Thomas opte por se “lançar às feras” é uma coisa. Agora de caminho está a lançar também a filha. E sim, para mim isso é irresponsável.

Comentário de Sérgio
Data: 4 Julho 2008, 13:43

Bem, o envergonhada deve querer dizer alguma coisa mas como sou um pouco bronco passou-me ao lado. Mas o meu comentário era tipo tongue in cheek. :)

Comentário de jose manuel faria
Data: 4 Julho 2008, 13:49

É um transsexual com apenas parte do processo médico feito - falta mudar de genitais! Então na cama estão duas vaginas.

Comentário de Ines Meneses
Data: 4 Julho 2008, 14:33

Clara, sim. Mais uma discriminação muito estranha. Mais um nível da noção livro-da-1ª-classe das famílias e das crianças que nos continua a governar.

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 4 Julho 2008, 15:14

Em rigor, josé manuel faria, estão duas pessoas na cama. Não é que isso seja muito importante, mas não tenho a certeza se, neste caso, cohabitam duas pessoas e respectivas vaginas, o Thomas pode já ter sido sujeito a cirúrgia dos genitais externos, a única certeza que tenho é que manteve os orgãos reprodutores internos femininos - útero, trompas e ovários.

Comentário de Ines Meneses
Data: 4 Julho 2008, 16:02

Sérgio, o meu ponto é mesmo que não acho que as pessoas devessem necessariamente definir-se dentro de fronteiras fixas (e o let it flow tinha que ver com isso, com a ideia de que a vida gera identidades mais fluidas do que às vezes pensamos).

Percebo o ponto da publicidade negativa, mas a responsabilidade será mais de quem acha que uma criança é diferente, pior ou melhor que outra por causa deste tipo de “fixação identitária”.

O envergonhada era porque não preparo mesmo nada os posts ou comentários, regra geral - e era tão tongue in cheek como a sua provocação, claro.

Agora se não se importam tenho ali a minha própria filha, que não é tão exótica como a menina Beatie mas também tem direito à vida. Abandono-vos. Mas voltarei.

Entretanto, para quem tem dúvidas acerca do que significa medicamente a mudança de género, da lentidão e complexidade do processo, e da variedade possível de graus de mudança, esta notícia contém um resumo esquemático da coisa:
http://news.bbc.co.uk/1/hi/health/7489280.stm

Comentário de Olaf Oleiros
Data: 4 Julho 2008, 19:21

” So what? Já era tempo de abandonarmos esta necessidade infantil de que as coisas se organizem todas em conceitos simples e estanques. A vida é mais engraçada que isso. Let it flow”

Esta frase é tipica de quem pensa em tudo antes de pensar no mais importante: a criança que nasceu.

O que irá ela pensar quando souber (o que não vai ser dificil nem segredo nenhum dada a projecção mediática deste caso) que nasceu da maneira como nasceu? O que irá ela pensar quando souber que o seu pai foi uma mulher, que quis ser homem (não vejo problema nenhum nisso) e que depois de tomar uma quantidade industrial de hormonas para ser homem, voltou a aproveitar o que lhe restava do seu antigo corpo de mulher, para “conceber” aquela criança.

Só espero que a criança, quando tiver aquelas dúvidas normais em todas as crianças e jovens, já tenha a capacidade de dizer “let it flow”…

Este Mundo em que tudo é relativo só me faz lembrar a célebre frase do “Duque” no filme “Saló”: “Tudo é bom quando é excessivo!”. Continuem a pensar assim que não há problema nenhum. Não é por isso que o Mundo vai acabar, pelo menos o nosso…Quanto à criança caso venha a sofrer (o que na minha opinião é provável) paciencia…daqui a 20 anos já ninguem se lembra…

Comentário de Ines Meneses
Data: 5 Julho 2008, 17:12

Porque é que a criança há-de pensar alguma coisa mais do que tomar consciência, como muitos de nós fizemos/fazemos por outros motivos, de que existem demasiadas discriminações estúpidas? Aquelas duas pessoas são os pais dela, não serão eles quem ela vai achar estranhos.

Comentário de Gonçalo Aguiar
Data: 5 Julho 2008, 17:53

Inês meneses:
Do mundo como está conclui-se: as crianças deviam crescer sem papá e mamã.
Quanto mais pai e mãe, maior o arraial de estupidez dos filhos que procriam e se multiplicam. E já ninguém renova nada.

Comentário de Luis Moreira
Data: 5 Julho 2008, 19:12

Inês aplaudo a sua liberdade de espírito mas eu tenho muita dificuldade em me esquecer da criança que está a nascer.

Este processo é bom,para a criança?

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 5 Julho 2008, 23:37

E porque não há-de ser bom, Luís Moreira?

Comentário de Inês Meneses
Data: 6 Julho 2008, 11:18

Luís, mais uma vez, eu não me esqueço; eu não acho é que ela tenha mais ou menos probabilidades de ser feliz que outra criança qualquer.

Comentário de Olaf Oleiros
Data: 6 Julho 2008, 15:19

“eu não acho é que ela tenha mais ou menos probabilidades de ser feliz que outra criança qualquer”

Claro que tem. Há crianças que foram vitimas dos piores abusos e que mais tarde foram crianças, jovens e adultos muito felizes. Porque é que esta não poderá vir a ser? Apenas que terá que lidar com aquela pequena confusão de ter sido parida pelo pai…

Mais uma vez tudo se pode relativizar…Não importa pensar nem por um instante nos “contras” de uma situação destas…Afinal o que é a vida ou a felicidade de uma criança comparada com a liberdade de escolha de um homem que decide ser mãe?

Espero muito sinceramente estar enganado. Espero que a criança venha a ser feliz.
Caso no futuro tal não venha a acontecer “let it flow”, já passou…

Comentário de Gonçalo Aguiar
Data: 6 Julho 2008, 16:01

Argumentação de se tirar o chapelinho!
O bordado é bonito?

Comentário de cristã
Data: 6 Julho 2008, 16:24

Encanta-me esta capacidade de prever com tamanha exactidão quem vai ser ou não feliz.

Comentário de Olaf Oleiros
Data: 6 Julho 2008, 18:14

É precisamente por não termos a capacidade de prever quem vai ser feliz que deviamos pensar melhor as coisas e pensar primeiro nos outros antes de pensarmos em nós…

Comentário de cristã
Data: 6 Julho 2008, 19:01

“… é precisamente por não termos capacidade…” . Eu não tenho, mas o OlafOleiros, tem. Tanto tem que até espera, bondosamente, estar enganado.

Comentário de Olaf Oleiros
Data: 6 Julho 2008, 19:39

Eu tenho (e dei) uma opinião. Futurologia não é a minha especialidade. Não confunda as coisas.

Comentário de Olaf Oleiros
Data: 6 Julho 2008, 19:42

Eu não tenho essa capacidade, apenas tenho (e dei) a minha opinião. Não confunda as coisas. Nem faça de conta que as confunde…

Comentário de cristã
Data: 6 Julho 2008, 19:58

Precisamente porque não é possível prever quem vai ser ou não feliz é que se deve pensar duas vezes antes de falar. E ainda mais quando se está a falar das crianças e dos filhos dos outros.

Comentário de cristã
Data: 6 Julho 2008, 20:00

e já agora “espera muito sinceramente estar enganado” de quê?.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 6 Julho 2008, 20:18

o mais interessante nesta conversa, alexandra, é que estas pessoas que agoiram a infelicidade da menina são as primeiras a discriminá-la e portanto a contribuir para essa infelicidade. com os melhores objectivos, claro: o de manter uma ideia do mundo que lhes convenha, eliminando, se possível, tudo o que lhes desagrada. e desculpam-se com ‘as crianças da escola que vão discriminar a miúda’. as crianças que reproduzem o que eles, os papás delas, pensam. triste, triste.

Comentário de Gonçalo Aguiar
Data: 6 Julho 2008, 20:21

Que raio! Tenho vivido com santos e só agora é que me avisaram!
Sou parvo! Mas tão piedosos e caridosos que são já mepodiam ter alertado …

Comentário de Olaf Oleiros
Data: 6 Julho 2008, 20:39

Cara Crista,
Espero estar enganado quanto à hipotese de a criança/jovem vir a ter dificuldades em lidar com tudo isto (que ela obviamente mais cedo ou mais tarde vai saber/ser confrontada).

Cara Fernanda Câncio,

Ainda não sou papá mas quando for vou ensinar aos meus filhos aquilo que sempre me ensinaram: a respeitar os outros e as suas diferenças.
Foi curiosa a sua intervenção porque me fez lembrar quatro situações (algumas delas remontam a primária) em que fui o “primeiro da turma” a apoiar e a ajudar quatro pessoas vistas como “difrentes”.
Aqui o caso é um pouco diferente. Preocupam-me mais os problemas que a criança pode vir a ter com a sua própria identidade do que com os outros…Mas como já disse anteriormente é só uma opinião, que espero que não se verifique…

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