A directiva da vergonha e o silêncio ensurdecedor dos europeus

Foi aprovada com os votos da maioria do Parlamento Europeu, entre os quais se contam os votos de eurodeputados do CDS, PSD e PS , a chamada Directiva do Retorno. Este texto vergonhoso prevê a prisão dos imigrantes clandestinos até 18 meses, a expulsão dos imigrantes para países terceiros (provavelmente, como aconteceu aos imigrantes de Ceuta e Melilla, para irem morrer no deserto do Sahara, longe dos olhares europeus) e , violando declarações de direitos humanos subscritas por Portugal e outros paises europeus, a expulsão de menores desacompanhados.

Assiste-se à criminalização de pessoas, que tal como gerações de portugueses, têm como único crime procurarem uma vida melhor para si e os seus filhos.

Depois da condenação de Chávez e Lula, rapidamente criticada pela ala esquerda do Insurgente, os governantes dos países da América Latina aprovaram um texto na Cimeira do Mercosul que, citando o Público, diz o seguinte:

“Os Presidentes dos Estados do Mercosul e associados rejeitam qualquer intenção de criminalização da migração irregular e a adopção de políticas restritivas, em particular visando as populações mais vulneráveis, as mulheres e as crianças”, escreveram os participantes no documento final do encontro de Tucúman, cidade a 1200 quilómetros de Buenos Aires.
Assinaram o protesto a líder argentina e anfitriã da cimeira, Cristina Kirchner, e os homólogos do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, do Paraguai, Nicanor Duarte, da Bolívia, Evo Morales, da Venezuela, Hugo Chávez, do Chile, Michelle Bachelet, e do Uruguai, Tabaré Vásquez. Puseram ainda a sua assinatura os ministros representantes do Equador, Colômbia e Peru.
Num dos parágrafos mais duros, os participantes incitam à luta contra “o racismo, a discriminação, a xenofobia e todas as formas de discriminação”. Noutro, não menos forte, pedem aos países desenvolvidos que “evitem subvenções multimilionárias que falseiam a competitividade, e a falta de abertura dos seus mercados aos produtos emergentes […], que acentuam os motivos de migrações, que são a pobreza estrutural e a exclusão”.

Como de costume, o governo do Partido Socialista assume a posição responsável dos carcereiros: calado, colaboracionista e a assobiar para o ar.

Adenda

O Tiago Barbosa vem justificar o injustificável:

РPrimeiro, ningu̩m escreveu que a maioria dos deputados socialistas votou na directiva, apenas se disse que houve gente do PS que votou na directiva. Mas, o mais grave nem foi essa vota̤̣o: o mais grave foi que o governo portugu̻s ṇo se pronunciou contra a directiva no conselho de ministros europeu que apreciou a dita directiva.

– Segundo, eu não invectivei o Tiago Barbosa, apenas o chamei a ala “esquerda do insurgente”. Parece-me ingrato que o Tiago que há anos a fio é considerado pelo o Insurgente o melhor blogger de esquerda , sendo, por isso, uma espécie de homem de esquerda de estimação dos leitores do insurgente, se sinta invectivado com isso.

– Terceiro, Chávez fez muito bem ao reagir, como outros presidentes, a esta directiva inqualificável e atentatória dos direitos de muitos cidadãos latino-americanos. É também para isto que servem os governos. Acho que o problema é que o Tiago sempre que houve falar do Chávez saliva e, como tal, ignorou no seu primeiro post a posição de Lula e o conteúdo infame da directiva.

-Quarto, fico feliz que o meu post tenha obrigado o Tiago Barbosa a tomar posição contra a directiva.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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