Algumas “delícias” sobre esses parasitas chamados senhorios

Parece que no Insurgente andam a destacar como “delícias” os meus comentários aos textos da Fernanda sobre senhorios. Porque não quero que lhes falte nada e assumo tudo o que digo, reescrevo aqui o mais relevante dos meus comentários. Quando tiver mais tempo escrevo sobre o assunto.

“A minha tia avó morreu há oito anos. Pagava cerca de mil escudos de renda. Tinha uma reforma de trinta contos. Que renda é que queriam que ela pagasse?
(…) O Salazar fez muito bem em ter congelado o preço das rendas. Só foi pena o Vasco Gonçalves, anos mais tarde, ter nacionalizado muita coisa mas não ter nacionalizado a habitação.
É claro que há sempre a hipótese (tipicamente guterrante) de subsidiar as rendas dos mais desfavorecidos. Mas digam lá para que raio hei de estar eu a pagar com os meus impostos rendas que eram baixas, para benefício de alguém – o senhorio – que tem capital e que não faz absolutamente nada de produtivo ou que traga benefício à sociedade, limitando-se a alugar casas? Em que é que o aluguer de casas por privados desenvolve a economia, estimula o crescimento? Por isso eu tenho pena de o Vasco Gonçalves não ter nacionalizado a habitação – embora esteja longe de defender um Champalimaud ou um Mello, consigo ter mais respeito por estes senhores do que por um senhorio. E por isso, aos senhorios queixosos eu pergunto: e se vendessem as vossas casas, que não vos fazem falta nenhuma? As casas são (ou devem ser) um recurso finito, que não é para ser açambarcado. De certeza que muitos dos vossos inquilinos as comprariam. Senão, as câmaras ou o estado. Desde que fosse o estado a ficar com as casas e a alugá-las a quem precisasse, eu até nem me importaria de pagar impostos (para o estado as comprar).

Por que os senhorios não vendem, simplesmente, as casas aos inquilinos (por um preço justo, de mercado)? A maioria compraria – estou certo e diz-me a minha experiência. Com sacrifícios – os senhorios têm muito mais posses e melhor nível de vida que a generalidade dos inquilinos, e quem disser o contrário é desonesto -, mas estou certo de que a maioria dos inquilinos se pudesse compraria. Se não pudesse comprar, o estado ou as câmaras interviriam, tornando-se senhorios. Se não querem ter chatices vendam as casas.

Não conheço nenhum senhorio que queira vender as casas que possui, mesmo nos casos e que a renda é ridícula. Estão sempre à espera que os inquilinos morram. E esperam a nossa solidariedade.
A única alteração que eu proporia à actual lei – que reconheço ter aspectos absurdos, como todas as leis “de compromisso”, que não querem cortar o mal pela raiz – seria dar todo o apoio aos senhorios na venda de casa. Se o inquilino não quisesse comprar a casa, comprava-a o estado por um preço justo de mercado. Só com esta transacção consumada aceitaria que se mexesse nas rendas. Estar a aumentar as rendas em benefício dos senhorios seria beneficiar um negócio feudal e os maiores parasitas dos tempos modernos, que ganham dinheiro à custa do que é absolutamente essencial para outros (uma casa), sem fazerem nada por isso.”

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110 Responses to Algumas “delícias” sobre esses parasitas chamados senhorios

  1. Filipe,
    Ainda não explicaste como se compra uma casa para a qual não se tem dinheiro para pagar a renda. Fico à espera 😉

  2. Pingback: Há os parasitas e os totalitários « O Insurgente

  3. google diz:

    Toda a gente sabe como é que a propriedade é criada, são velhinhos que poupam na bebida durante anos a fio.
    Os grandes proprietarios esses, são os mais idosos e mais abstémios de todos.
    Isto é ensinado em qualquer faculdade de economia.

  4. Caro Ricardo,
    eu gosto muito da cidade do Porto e dos portuenses. Todos os anos tenho o prazer de lá passar cinco dias num encontro anual de física matemática (é daqui a uma semana – lá estarei). Para o que eu não tenho muita paciência é para o “espírito de Calimeros” que a maioria dos portuenses tem, e pela inveja e rancor que têm em relação a Lisboa e aos lisboetas (que não têm culpa nenhuma). Um dos expoentes desse “espírito de Calimero” na blogosfera é o Pedro Menezes Simões. Daí esse meu comentário, que era mais uma “boca” a despropósito. Não vamos desviar as atenções do que está a ser discutido. Há boas questões nos comentários – do Pedro Menezes Simões e não só. Não faltarão ocasiões para discutirmos as relações Porto – Lisboa e nessa altura conto contigo (e com o Pedro Menezes Simões).

    “A propósito, dizem que aí por Lisboa os comunistas comem criancinhas ao pequeno-almoço.”

    Quem me dera que houvesse mais comunistas em Lisboa!

    “Quanto às praxes académicas, do Porto com muito orgulho! A praxe ajuda o recém-chegado a integrar-se no ambiente universitário e a relacionar-se desde logo com os colegas mais velhos.”

    Só um gajo do Porto (ou vá lá de Coimbra) é que dizia uma destas! Só se for para estabelecer “relações à moda do Porto”, tipo Pinto da Costa, Bobi, Tareco e Guarda Abel.

    (Na boa, ok?)

  5. 52 comentários! Parabéns Filipe.

  6. Para o Filipe: quem vos dera um médio como o Bobi ou um ponta de lança como o Tarecoo

  7. O Tareco é melhor que o Postiga? Pois, se calhar é.

  8. Luis diz:

    Obviamente, um tópico destes tinha que descambar. É mais fácil mandar umas bocas sobre o Porto e Lisboa do que defender o indefensável.

  9. Respondendo ao Lidador (9:04) pela última vez:

    “corresponderá a desigualdade máxima a uma entropia máxima?”

    Isto foi uma pergunta que eu lhe fiz, Lidador (a resposta é não, por sinal). Você, para a responder (e sem nunca a responder completamente), meteu completamente os pés pelas mãos, chegando ao ponto de defender barbaridades como

    “desenvolvimento de todas as coisas no universo é do mais complexo para o mais simples”

    Eu não sei em que universo é que você vive (ou o que é que entende por “mais simples”). O que você afirmou é contrariado no dia a dia. Haver muitas coisas mais simples não torna o universo mais simples: bem pelo contrário. Um monte de pedras é mais complexo que uma casa, que é algo que tem uma estrutura, é arrumado e organizado. Eu já desisti de o tentar convencer (é inútil). Já lhe demonstrei o absurdo que defende recorrendo a matemática do ensino secundário. Você manifestamente não percebe. Lamento, mas o problema é seu. É você que não percebe. Agora não vou tolerar mais que diga que sou eu que não percebo, porque é o contrário. E isto não é “puxar os galões” académicos: qualquer pessoa que leia a discussão que tivemos no tal post (e os comentários que continua a largar, como o que referi agora) percebe de que lado está a razão, menos você. Eu é que já dei demais para este peditório, pelo que este assunto está encerrado. Meta o rabinho entre as pernas.

    E agora, chega de perder tempo e vamos aos outros comentários.

  10. A garreia continua …

    E ( os dois!) já leram a Vitoria Camps!?!

    Não me esqueci!

  11. /me diz:

    Uma pessoa na minha família trabalhou no duro e conseguiu construir ele próprio umas casas, investindo nisso o que poupava. Durante anos a fio não gastou praticamente nada, investiu para depois poder reformar-se sossegadamente, com uma reforma segura. Agora os herdeiros têm casas com inquilinos a pagar misérias (alguns bem ricos e com casas comerciais). E o Filipe Moura acha que essas casas devem ser vendidas ao preço da chuva? Vai roubar para outro lado, Filipe.

  12. Lidador diz:

    “chegando ao ponto de defender barbaridades como
    desenvolvimento de todas as coisas no universo é do mais complexo para o mais simples”

    A irracionalidade cega-o meu caro FM.
    Esta frase não é minha.

    É de Fang Li Zhi.

    (A Criação do Universo, Gradiva, pag 102)

    Certamente que sabe quem é o senhor.
    Pela parte que me toca, perdeu o FM uma boa ocasião para estar calado.

    Quanto`à “pergunta que eu lhe fiz”, é patética a sua tentativa de tentar dar o dito por não dito. A sua pergunta era retórica…destinava-se a tentrar contradizer-me, uma vez que eu havia dito justamente o contrário.

    E ainda bem que você reconhece que a resposta era não.
    O que foi exactamente aquilo que eu disse.

    Dito isto, meu caro, recomendo-lhe que daqui para a frente evite usar argumentos de autoridade como se bastasse mostrar os galões para tornar válido tudo aquilo que lhe apetece dizer.
    Esse nunca foi o caminho da ciência. Se bastasse o estatuto, Bohr teria perdido o debate com Einstein.
    Não vá você por aí. Ainda é demasiado novo para se arrogar faustos de prima-dona.

  13. Lidador diz:

    “O que você afirmou é contrariado no dia a dia”

    Pois é, mas não no universo como um todo, caraças. Se a ordem aumenta numa parte do sistema é à custa do aumento da desordem no sistema todo.
    Chiça, demonstre lá o contrário.
    Tem o Nobel da Física garantido.

    Claro que se pode sofisticar a análise e considerar a gravitação, e certamente você é bom nisso, mas NÃO PODE NEGAR a 2ª Lei.
    Quer dizer, poder pode, mas tem de sustentar isso muito bem.
    Até agora só mostrou galões.
    É pouco.

  14. Me

    A chuva anda muito cara…

  15. Ricardo Santos Pinto diz:

    Caro Filipe,

    Só reagi porque acho que as referências ao Porto, negativas como sempre, vieram totalmente a despropósito. E não me revejo nessa do kalimero (tipo primeiro-ministro, sempre a vitimizar-se), porque o Porto deve culpar-se a si próprio pela situação em que se encontra.
    Sobretudo porque também gosto muito de Lisboa e dos lisboetas, só não suporto essa mania de superioridade e de considerarem o resto do país paisagem. Por isso é que, apesar de gostar muito de Lisboa, os meus horizontes nem sequer passam por aí. Acho que o Porto se deve desenvolver para o norte da Europa. É por aí que deve passar o seu desenvolvimento, como já foi desde a Idade Média. Esquecer que Lisboa existe e partir para o resto do mundo.
    Quanto às praxes, na esmagadora maioria dos casos (a maioria que nunca aparece nas notícias), são uma excelente forma de integração, como foi no meu caso (o pior que me quiseram fazer foi pôr-me a cantar Quim Barreiros, e mesmo isso recusei).
    Ṇo se pode ̩ confundir com aqueles que humilham e at̩ violam, porque isso ṇo ̩ praxe Р̩ crime.
    Só mesmo alguém que não está por dentro do que é uma praxe é que podia dizer uma coisa dessas. Só mesmo um gajo de Lisboa. A não ser que privilegies as relações «à moda de Lisboa», tipo Luís Filipe Vieira, Vale e Azevedo, Jorge Gonçalves (ex-Sporting fugido para Angola), Inocêncio Calabote ou os pedófilos todos da Casa Pia e do Parque Eduardo VII.
    (Na boa, ok?)
    Já agora, regressando ao tema, o centro histórico do Porto é um exemplo elucidativo desta questão dos senhorios, inquilinos e rendas. E se fosse fácil de resolver, o Porto não estava a cair aos bocados há tantos anos!

  16. Lidador, você é que não deveria citar frases que não percebe. Você não percebe a frase que citou. Pense no exemplo da casa e das pedras que eu lhe dei, antes de citar frases que não percebe.

    “E ainda bem que você reconhece que a resposta era não.
    O que foi exactamente aquilo que eu disse.”

    Você nunca me respondeu à pergunta. Eu sabia desde o princípio que a resposta era “não”.

    “recomendo-lhe que daqui para a frente evite usar argumentos de autoridade como se bastasse mostrar os galões para tornar válido tudo aquilo que lhe apetece dizer.
    Esse nunca foi o caminho da ciência.”

    Pois não. Tem toda a razão. No que não tem razão é em acusar-me de usar “argumentos de autoridade”. Quando eu lhe digo que você não percebe, é porque não percebe (creio que por casmurrice). Nunca me viu usar nenhum argumento de autoridade. Quem vai buscar o meu currículo até é você, nunca eu.

    Eu nunca neguei a segunda lei da termodinâmica em lado nenhum. Apenas disse – e isso é mais do que óbvio – que a igualdade não é um estado de equilíbrio. E demonstrei matematicamente (coisa que você – mais uma vez! – não percebe).

    E não faz sentido nenhum você vir acusar-me de “cegueira ideológica”. Se, como você diz,
    “A 2ª Lei, significa que todo o universo virá a ser uniforme, igual: a morte térmica, a máxima entropia”
    significa que a igualdade seria “natural”! Ora, Lidador, isso convinha-me a mim, não era? O socialismo seria “natural”! Mas eu nunca disse isso, Lidador: o socialismo não é um estado natural em lado nenhum. Implementá-lo (tal como construir uma casa das pedras) implica realizar trabalho. Sim, e diminuir a entropia da organização da sociedade. Mas o universo não é só a organização da sociedade, sabe?

    É espantoso que você não se aperceba do socialismo inerente ao que defende! Eu contrario-o por defender o socialismo e você vem acusar-me de “contrariar a segunda lei da termodinâmica” (sem bases nenhumas) e de “cegueira ideológica”! Logo eu que sou socialista!

    Permita-me que lhe recomende o melhor livro de divulgação científica que já li – “O Quark e o Jaguar – aventuras no simples e no complexo”. Pode ver a biografia do autor, Murray Gell-mann (americano e judeu – onde está a “cegueira ideológica”?) aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Murray_Gell-Mann

    Leia-o e não volte a citar o que não percebeu. E agora, de uma vez por todas, assunto encerrado.

  17. Luis diz:

    “Eu tenho que trabalhar (dezenas de testes para corrigir) e ganhar o meu sustento, sabem? Não sou senhorio. Não tenho um “complemento” nos meus rendimentos dado pelas rendas de um prédio a preços de mercado.”

    Agora que já corrigiu os testes todos, back to basics ?

    Tenho alguma dificuldade em perceber porque é que o seu trabalho de corrigir dezenas de testes é mais digno do que o trabalho de alguém que investe o capital de que dispõe numa actividade de alto risco como o arrendamento.
    Já o Filipe tem dificuldade em perceber que ser senhorio não é só receber rendas.

  18. A pergunta era “como compra o inquilino uma casa quando não tem dinheiro para a renda”. Responde lá.
    Ou queres ficar conhecido como o JoaoMiranda do Cinco dias? Polémica de comentários-mil já lá canta…

  19. Pedro Menezes Simões, a experiência que relata é totalmente diversa da minha (mas também o Pedro Menezes Simões é o tal que considera que a “classe média” frequenta os colégios privados – vimos mesmo de meios diferentes). No entanto não chamo “disparate” ao que afirma (e conheço pessoas que alugam casas). Embora ache que as suas descrições de senhorios e estudantes do privado não têm nada a ver com a realidade. É pena que não faça o mesmo. Assim não dá para debater.

    Luís, se ser senhorio não é só receber rendas, é o quê? “Alguém que investe o capital de que dispõe numa actividade de alto risco como o arrendamento”? Não me faça rir.

    Dorean, se não têm dinheiro para pagar uma prestação de uma casa também não têm dinheiro para pagar uma renda a “preços de mercado”, não é?

  20. Saloio diz:

    Sr. Doutor, Professor, Engenheiro, Filipe Moura: sem ironia, espero que a sua estatura intelectual no campo da física não seja igual ao do campo político.

    Porque para mim, simples cidadão sem tal craveira académica – que saúdo com respeito, a física representa o futuro, o amanhã, sei lá…, os foguetões, os neutrões, e toda a panóplia de visões, que Artur C. Clark e Bob Faynman tão esclarecidamente divulgaram.

    Contudo, confirmo que o seu pensamento político ficou para trás, nos anos 60, qual leninista agarrado em Chekpoint Charlie numa manhã cinzenta e agreste.

    Já por diversas vezes teci comentários contra os seus posts, nunca tendo sido saneado, mas longe de mim criticar a sua teoria politica em si – vivemos em democracia e o senhor é absolutamente livre de pensar o que quiser (ao contrário de países que praticam a sua própria ideologia). E, se calhar, convidaram-no aqui para o “5 Dias” exactamente por isso, por o senhor ainda conseguir representar com alguma convicção as dinossáuricas teorias do catecismo vermelhusco ipsis verbis – é obra!!!. Recorda-me o PREC e o Verão Quente.

    Mas eu fico com pena. Sei que o senhor não é burro, e que compreende perfeitamente o que outros comentaristas lhe explicaram atrás, e que até aceitará muito do que foi dito contra o que escreveu (sendo ilusório estar a pegar-se com o Lidador, que é boa malha e seu confrade).

    Não sei se me permite uma hipótese pessoal: caso um filho seu herde uma casa arrendada de um avô, por exemplo, e ele precise da casa, o senhor vai fazer o que disse ali atrás?

    Não me diga a resposta, porque eu tenho respeito por si.

    Digo eu…

  21. Carlos Fernandes diz:

    Então e o(s) caso(s) da tal inquilina de Coimbra com uma casa com 14 assoalhadas ? Pois é, xeque-mate às suas teorias absurdas, caro professor .

  22. Model500 diz:

    È obvio que o Lidador nesta questão da entropia está ser muito básico. A quantidade física que dá pelo nome de entropia, e que mede o grau de desordem de um sistema, mais do que aumentar sempre que dois sistemas se unem, tem a particularidade de que a entropia do sistema resultante é maior do que a soma das entropias dos sistemas individuais.

    Ou seja, uma excelente metáfora para o socialismo e uma refutação total do neoliberalismo. Na física o lidador é um zero.

  23. Bom fim de semana a todos. Volto a esta questão para a semana. Mas este assunto (do aluguer de casas, não da entropia) não fica por aqui, garanto-vos.

  24. Lidador diz:

    FM, sente-se aqui e respire fundo.
    Sei que você é um homem inteligente, acredito que seja excelente na sua área (embora, isto tem de ser dito, de uma arrepiante ignorância em questões económicas e avassaladoramente naive em matéria ideológica) que já percebeu que andou mal e está ansioso por enterrar um assunto que não lhe acaricia o ego, usando a consagrada a técnica de assobiar para o ar trauteando a conhecida rima :

    Já disse que não disse isso
    Ou talvez o tenha dito
    Retiro aquilo que disse
    E o que não disse repito.

    Back to the basics:

    1. Num comentário a um poste do 5 dias, aqui este seu amigo disse que
    “Na Física, só há produção de energia quando existe um diferencial entre dois pontos ( de potencial, de temperatura, etc) .
    A desigualdade é boa e não intrinsecamente má, como e esquerda acredita.
    Sem desigualdade e sem luta por ser, ter, saber ou obter mais, tudo pararia.”
    Em termos físicos a afirmação é válida, dentro dos pressupostos lógicos desta ciência. É como dizer que “não existem rectângulos”, numa geometria lobatchevskiana ou “não existem linhas paralelas”, numa geometria elíptica, ou, neste campo em que nos situamos “um sistema isolado em que a temperatura seja igual é um sistema com entropia máxima.”
    A passagem da Física para a organização social é , reconheço, algo temerária, mas num comentário num blogue, a metáfora não deslustra, é apelativa e o próprio FM não se coibiu de avançar destemidamente por esse campo.

    2. O FM, cuja autoridade na Física eu não tenho credenciais para contestar mas que, quanto o resto está enclausurado num edifício ideológico arcaico e irracional, achou que o assunto lhe dizia respeito e saiu-se com esta frase:
    “Sem dúvida que a igualdade absoluta corresponde a entropia mínima, mas corresponderá a desigualdade máxima a uma entropia máxima?”
    Esta afirmação é inacreditável, dentro do contexto em que a conversa decorria. Estávamos a falar de temperatura, de energia cinética, e o FM garante sem hesitar que igualdade (de temperatura, não esquecer que era disso que se falava) é entropia mínima.
    Ora isto é incompreensível. É como estarmos a falar de geometrias euclidianas e alguém de repente afirmar que é falso que por um ponto exterior a uma recta passa uma só linha recta paralela à recta dada.
    De facto pode ser falso, mas não num sistema euclidiano.
    Ora se alguém como o FM afirma que um estado de equilíbrio térmico corresponde a entropia mínima, só pode haver três explicações:

    Ou se enganou, ou postula a partir de um campo axiomático diferente, ou está a torcer deliberadamente os conceitos, servindo-se do seu estatuto académico para fazer vingar a uma inanidade ideológica. A ignorância está naturalmente excluída, tratando-se da pessoa que é.

    3.Mais tarde, num outro comentário, escrevi que “ a tendência geral para desenvolvimento de todas as coisas no universo é do mais complexo para o mais simples, da ordem para o caos, do não equilíbrio, para o equilíbrio térmico.
    A hipótese do universo em expansão, que de algum modo evita a morte térmica e implica a infinita produção de diferenças de temperatura, é ela mesmo uma boa metáfora do liberalismo, da contínua criação de riqueza e da consequente criação de desigualdade.
    Foi, reconheço, um engodo que o FM se apressou a abocanhar. Agarrou na 1ª frase e carregou de forma descuidada e arrogante, dizendo que “Eu não sei em que universo é que você vive ou o que é que entende por “mais simples”, e continuando por mais algumas linhas a derramar ao comprido a sua “superioridade” sobre uma frase que, subentende-se, considerou estúpida, bem como, obviamente o seu autor. Acreditando que a frase era minha, não hesitou em aconselhar-me a “meter o rabinho entre as pernas”.
    Acontece que o autor da frase é um tal Fang Li Zhi, famoso astrofísico chinês , com centenas de papers publicados e que, fugido da China comunista, trabalha hoje numa universidade do inferno neoliberal: os EUA.
    O FM percebeu logo que tinha metido mais uma vez os pés e na resposta foi um gosto vê-lo a retorcer-se. Não mais a frase estava em causa, eu é que não a tinha percebido. “ Lidador, você é que não deveria citar frases que não percebe. Você não percebe a frase que citou.”
    Ou seja, o FM começa por ridicularizar a mensagem, pensando que era eu o autor, e quando soube quem era verdadeiro autor, foi acometido de dissonância cognitiva, que tentou reduzir do modo clássico: atacando o mensageiro que não “percebe” a mensagem. Na verdade eu não interpretei a frase, limitei-me a transcrevê-la ipsis verbis. O FM ao atacá-la é que demonstrou cabalmente não a perceber.
    Tudo isto é estranho. O FM, que se move nos becos do Bloco de Esquerda, revela uma inacreditável infantilidade nas tácticas elementares de debate. A esquerda já não é o que era.
    E é deplorável que um homem perdido nos labirintos de uma ideologia patética que jaz há muito na vala comum da História, por ter alcançado a excelência numa área do conhecimento, acredite que pode agir de forma pesporrente, chutando para onde está virado, sem cuidar da guarda, como se à sua volta todos fossem ignorantes.
    Infelizmente o FM não parece (ainda) entender o mais básico paradoxo: ele, que incensa retoricamente a igualdade, foge naturalmente a ela no seu próprio metier, procura ser o melhor, o mais conhecedor, o que está mais à frente na procura do conhecimento. É elitista (e bem), mas recusa que o é e sobretudo condena o elitismo, ao mesmo tempo que se reivindica facticamente como elite. A má fé, no sentido próprio que o Sartre lhe deu e de que, aliás, foi um dos maiores exemplos.

    Este tipo de atitudes paradoxais de uma certa intelectualidade “shallow”, em termos filosóficos, está muito bem descrito em trabalhos como :
    -The Hostility of Intellectuals to Capitalism, (Ernest van den Haag)
    -Socratic Puzzles -Why do Intellectuals Oppose Capitalism? (Robert Nozik) e finalmente uma obra notável que, sem sarcasmo, o aconselho vivamente a ler, se quiser alçar voo para lá dos muros em que uma simplista e simplória formatação ideológica o encerra:
    -O ópio dos intelectuais (Raymond Aron)

    Porque, meu caro FM, anda que não o saiba, em termos político-ideológicos, você é um caso de catálogo. Comunga da amálgama ideológica que caracteriza a “bempensância”: uma mistura estranha de liberalismo clássico, com cristianismo, utopia libertária, pieguice, demagogia floribélica e crenças vagamente socialistas. Um indigesto pot pourri assumido como a “Verdade”, por muitos intelectuais formatados no cadinho do marxismo cultural.
    É essa amálgama irracional que o leva politizar a sua credibilidade científica.
    Faça um favor a si mesmo: liberte-se dessa canga ideológica que o diminui e leia Raymond Aron.

  25. Helena Velho diz:

    Raramente me dou “ao trabalho”( sim que ler estes comentários, e alguns completamente acéfalos! dá que fazer!) de ler com total dedicação tudo o que é escrito nas caixas de comentários de um tema que não me é especialmente grato…
    Mas, Filipe Moura numa linha , apenas!, quero-lhe dizer:

    A sua capacidade( leia PACIÊNCIA) é louvável!

    Ah! e eu sou do Porto, não portista, e penso por mim( tenho mais do que três neurónios…o último pet-scan revelou uns mil milhões(itos) ) e sou anti-praxe , não compreendo a guerra Porto-Lisboa( embora às vezes fique aborrecida por certos eventos serem por aí e não ter €€ e tempo para os ir ver!!), não bebo só vinho do Porto( adoro vinho Alentejano!) …entre outras coisas!

    ..quanto aos senhorios e rendas eu, a quem sairam alguns inquilinos no tide – não é no bolo rei porque me faz lembrar o senhor silva-( eu sei lá como e que os meus avós as conseguiram!?) digo que, infelizmente nenhum dos inquilinos as querem comprar, porque mal podem pagar as baixa rendas! e quem é o sacro banco que empresta dinheiro para um bem essencial, a quem não tem nada para dar em troca??? porque 30.000€ por um t 4, com 50/60 anos, parece uma bagatela para quem comprou um apartamento t3 por 250.000 €, certo?Mas, pensem bem …é mesmo??

  26. Optimista diz:

    O que disses é pura parvoíce e acerca de Vasco Gonçalves:
    Vasco Gonçalves foi um dos que começou a destruir o país, que nao aproveitou a oferta dos militares e começou a destruir o país. Que chegou um dia a um país nórdico e disse: Lá em Portugal estamos a acabar com os ricos, disse isso num país onde estavam a acabar com os pobres. Tenham dó, preocupem-se com o presente. Pelo menos se fosse tudo privado, os políticos nao roubavam tanto. Nos países nórdicos os impostos, as empresas públicas funcionam porque são competentes e nao roubam.

  27. Luis diz:

    “Luís, se ser senhorio não é só receber rendas, é o quê? “Alguém que investe o capital de que dispõe numa actividade de alto risco como o arrendamento”? Não me faça rir.”

    1) Para arrendar casas, é preciso tê-las (1ª lei de La Palisse). E a posse decorre necessariamente do investimento – mesmo que dos seus antepassados. É capital, que podia estar investido noutra actividade, ou pura e simplesmente sossegadinho, num banco, a render 3%. Volto ao exemplo do banco: imagine que lhe confiscam tudo o que tem no banco. Boa sorte.

    2) Admitir um inquilino é uma actividade de risco. Se, depois de pagar 1 ou 2 rendas ele deixa de pagar, só ao fim de 3 meses de rendas em atraso pode iniciar o processo de despejo. Com sorte, dependendo da cidade em questão, em 3 anos tem o problema resolvido e consegue tirá-lo de lá. Nessa altura, constata que teve a casa ocupada, não recebeu um tostão, pagou impostos, advogado, tribunal, despesas de condomínio, etc – e vai receber ZERO. Com muita sorte, o inquilino vai embora a meio do processo – e aí, você desiste, porque sabe que a hipótese de encontrá-lo é ZERO, também. Em qualquer dos casos, o prejuízo é sempre seu. Depois, terá que voltar a fazer obras.

    3) Rendas antigas РQuem, com 2 dedos de testa, pode exigir a algu̩m que recebe rendas congeladas, que invista o que ṇo tem, para fazer obras, sem qualquer perspectiva de retorno do investimento?

  28. Luis diz:

    “Dorean, se não têm dinheiro para pagar uma prestação de uma casa também não têm dinheiro para pagar uma renda a “preços de mercado”, não é?”

    é exactamente aqui que está o maior erro do seu raciocínio – porque não se apercebe que se os inquilinos têm capacidade para comprar, não devem, não podem, beneficiar de rendas congeladas, nem de estar numa posição que lhes permite ROUBAR o imóvel.
    E os que não podem pagar, também não comprariam.
    Logo, sobra o Estado. Tendo em conta que falamos de 400.000 rendas congeladas, e que você assume que a generalidade dos inquilinos são pobres e não podem comprar, faça as contas, a preços de mercado.

  29. Sr. Optimista:
    eh eheh eh hehe; LOL; LOL; LOL!!!!!!!!!!!!!!!!

    MORAL DA HISTÓRIA DO MEU LARGO E PROFUNDO RISO!

    ASSASSINARAM O SENHOR QUE QUERIAM ACABAR COM OS POBRES!!!!!!

    Ou seja: o OLOF PALM!

  30. esta conversa miserabilista é muitíssimo interessante. só tem um problema: a realidade. diz a helena velho: ‘porque 30.000€ por um t 4, com 50/60 anos, parece uma bagatela para quem comprou um apartamento t3 por 250.000 €, certo?Mas, pensem bem …é mesmo??’. pois, helena. eu vivo num apartamento não com 50/60 anos mas para aí com uns 200. 150, vá. quando o comprei, em 1996, no prédio só havia uma moradora. uma sra com 80 anos, que ocupava uma casa igual em tamanho à que eu comprei. pagava para aí 5 euros. eu comprei a casa por 25 mil contos, paguei sisa e 11 mil contos de obras. mas antes de comprar a minha casa, fui falar com a sra, porque a dela era um andar acima da minha e tinha melhor vista. queria saber se podia fazer-lhe uma proposta. ela disse-me que só saía da casa pelo mesmo valor pela qual ela estava a ser vendida: 25 mil contos. porque, explicou, a casa era dela. para quem não percebeu, ela exigia uma indemnização igual a valor de venda da casa. a casa dela tinha problemas de infiltrações em várias divisões que ela não usava e ela queixava-se o tempo todo que o senhorio dela não os resolvia. como eu me mudei para o prédio, passou a achar que eu tinha a obrigação de pagar eu os arranjos na casa dela. como o prédio não tinha sistema de abertura de porta nem luz na escada nem intercomunicador, entre as minhas exigências a quem me vendeu o apartamento estavam essas cosas todas. foi colocada uma fechadura na porta e foi preciso mandar fazer chaves. avisei a senhora de que ia passar a haver fechadura na porta e convidei-a a vir comigo mandar fazer uma chave para ela, enquanto eu mandava fazer as minhas. chegada à loja, mandei fazer as chaves, incluindo uma para ela. na altura de pagar, ela não se mexeu e eu naturalmente paguei a chave. quando lha entreguei, disse-me que precisava de outra para o ‘filho engenheiro’. por duas vezes, entrou-me água em casa porque ela tinha as janelas da varanda estragadas e alcatifa no chão e quando chovia entrava-lhe água em casa que ensopava a alcatifa e passava para a minha através do tecto. este problema acabou por ser resolvido pela minha pressão sobre o senhorio dela. esta senhora, que tinha outra casa em nome dela na zona de lisboa e que era tudo menos uma pessoa destituída, acabou por ser despejada pelo senhorio seguinte, já que deixou de pagar as rendas — meteu na cabeça que devia continuar a pagar ao anterior senhorio, que entretanto vendeu o prédio, e por mais que eu a avisasse de que estava a cometer um erro, não me ouviu. a batalha em trbunal durou anos. a casa que ocupava foi vendida por 45 mil contos, no estado em que estava, em 2002/2003. as obras de recuperação orçaram em cerca de 20 mil contos. diga-me, helena velho, o que é que isto lhe diz. que 30 mil euros não é uma bagatela? só a gozar.

  31. Um verdadeiro conflito de gerações, esta coisa dos “inquilinos e senhorios”.

  32. Helena Velho diz:

    Fernanda

    Certamente tenho alguma dislexia que desconhecia…e pelo facto peço desculpa. O que eu quis dizer, e sem falsos miserabilismos, é que há muita, muita gente que habita casas de renda muito baixa, mas não têm, de facto, condições para investir na casa, fazer obras, nem sequer para dar uma pintadela por dentro, nem filhos “engenheiros”, alguns nem vêem os filhos há anos, nem têm espírito de sanguessugas, nem se escudam numa pseudo senilidade para usurpar o mérito/direito dos outros, como lhe fizeram!..E ,para essas pagar 30.000 € por uma casa é impossível, certo? o que eu comparei foi a disparidade de conceito: para esse tipo de pessoas os 30.000 € é uma fortuna…face a rendimentos de miséria… e quem não tem rendimentos não tem acesso a crédito( isto eu sei que é mesmo assim!) nem para comprar mercearia no jumbo! será que desta vez consegui superar a minha inabilidade para me expressar?

  33. helena velho, com certeza que há gente que não pode comprar uma casa por 30 mil euros. não creio que tenha havido aqui alguém a defender o contrário a não ser o filipe moura, que se fartou de dizer que se os senhorios estavam tão amargurados com as rendas de 5 euros deviam vender as casas aos inquilinos. a questão, obviamente, não é nem pode ser essa. os donos das casas, que são tão donos das casas como o filipe moura será dono do computador dele e do carro dele, se os tiver, mais da roupa e dos sapatos e da conta no banco, não têm como entender por que devem, por decisão estatal, fornecer casas de renda controlada a toda a gente que lá está dentro há 30 ou 40 anos, independentemente do seu rendimento. e mesmo que o rendimento das pessoas em causa seja diminuto, não percebo por que raio devem ser os senhorios a, à custa do respectivo prejuízo, assegurar um tecto a essas pessoas, nunca reparei que os bancos que emprestam o dinheiro e que por via das hipotecas são os grandes senhorios do país estivessem, apesar de ricos, para perdoar dívidas ou baixar rendas por causa da falta de rendimento dos clientes. se calhar o filipe devia exigir a renacionalização dos bancos, para ser um bocadinho coerente. agora a cena de ‘endireitar’ as injustiças do mundo à conta de meia dúzia de senhorios miseráveis é um bocado tonto de mais.

  34. Carlos Fernandes diz:

    Cara Fernanda Câncio, e o facto é que à Banca interessa e de que maneira estas opiniões de pessoas ( verdadeiros idiotas úteis) como o FMoura que denigrem o mercado de arrendamento chamando parasitas a uns agentes desse mercado, pois interessa-lhes, à Banca, ao máximo que o mercado de arrendamento funcione mal para que as pessoas optem não por arrendar mas por comprar casa, assegurando-lhes quer por via das hipotecas accionadas quer pelo valor das prestações mais juros, lucros estes sim Senhoriais e colossais e imorais.
    Por outro lado de notar e constatar que raras vezes os jornais e a imprensa apresenta notícias ou artigos de opinião mais críticos e desfavoráveis sobre a Banca, (que tem funções também positivas, obviamente)pudera, são dos principais anunciantes e accionistas dos Media…

  35. Agora são os bancos as vítimas e eu o “idiota útil” dos bancos! Penso comprar casa em breve – levo este texto ao meu banco e pode ser que me diminuam o spread! Espero que estejam todos contra os bancos quando o assunto for outro, como seja pôr cobro aos escandalosos lucros da banca (que – descansem – não são só dos empréstimos bancários). Ou será que isso já vai contra a “liberdade individual”?
    Pois bem, nada do que eu disse implica estar do lado dos bancos e não requerer um limite aos juros que, se cobrados em excesso, são agiotagem.
    O que eu vejo é que nenhum de vocês sabe o que é alugar uma casa. Se crêem que alugar uma casa é assim tão fácil, por que não a alugam?
    Fernanda, o que relatas é consequência de viveres num prédio com 150 anos. Opção tua. Tens outras vantagens: estás no centro da cidade. Não podes querer chuva na eira e sol no nabal.
    E vê se entendes: computadores (e apesar de tudo carros, infelizmente), e chapéus há muitos. Já dizia o Vasco Santana. Casas é que não (ou se há não deveria haver). Por isso deve atribuir-se casas a quem delas precisa. Um dos fundamentos da minha posição é este: não concordo que se fabriquem e vendam casas como quem vende chapéus. E creio que toda a gente tem direito a uma casa que lhe pertença a si. Só quem nunca a teve sabe dar valor a isto. Não há bem mais precioso.

  36. ‘Fernanda, o que relatas é consequência de viveres num prédio com 150 anos. Opção tua. Tens outras vantagens: estás no centro da cidade. Não podes querer chuva na eira e sol no nabal.’ filipe, um dia hás-de explicar-me, devagarinho e com muita paciência, em que é que a narrativa sobre a minha ex-vizinha tem a ver com a idade do prédio, e qual a parte em que me queixei do prédio, ou neguei ter feito a opção (mais que óbvia) de comprar o apartamento onde resido. parece-te, pelos vistos, normal que uma pessoa pague 5 euros por uma casa que a valor de mercado valeu 225 mil euros e neste momento, após as obras, vale 350 mil. parece-te, pelos vistos, natural que a pessoa apesar de pagar cinco euros exigisse ao senhorio obras que só podia custar muitos milhares de euros e que pela falta de cuidado ocasionasse prejuízos a terceiros (neste caso, a mim). parece-te pelos vistos natural que essa pessoa achasse ter tanto ‘direito’ a dispor da casa como o senhorio, e que se considerasse na situação de ser ‘servida’ por qualquer co-proprietário do prédio. tudo isto te parece natural e desejável, claro. o facto de a senhora em causa ser ela própria senhoria — detentora de um apartamento na zona de lisboa que não usava — deve ser irrelevante. porque, coitada da senhora, era uma explorada e uma vítima do malandro do senhorio.

    ‘O que eu vejo é que nenhum de vocês sabe o que é alugar uma casa. Se crêem que alugar uma casa é assim tão fácil, por que não a alugam?’ filipe, obviamente já vivi numa casa alugada. não por cinco euros, temo dizer. como muitos dos meus amigos. procurámos e encontrámos. os preços são altos? pois são. como os preços das casas à venda. altíssimos. mais um motivo para ser um escândalo haver quem pague tão pouco.

    e, por fim, ‘ Só quem nunca a teve sabe dar valor a isto. Não há bem mais precioso.’ isto é suposto fazer-nos puxar do kleenex? por favor.

  37. Este incêndio parece bruxedo!!!
    Falaram tanto que a Baixa começou a arder …

  38. Fernanda: Deus ouviu as tuas lamúrias …, parece.

  39. Incêndio conveniente … Av. Da Liberdade …

    “Uhmmm, os imperialistas do cimento já rezam por um terramoto à 1755 há muito tempo. Mas na falte dele, uma guerrinha ( cirúrgica) não ia mal …” ou um fogo …
    Tudo dorme?

  40. Luis diz:

    “O que eu vejo é que nenhum de vocês sabe o que é alugar uma casa. Se crêem que alugar uma casa é assim tão fácil, por que não a alugam?”

    Sim, é difícil. É mais fácil, no imediato, comprar. Porquê ? Em grande medida devido ao congelamento das rendas (que transferiu a propriedade de facto do senhorio para o inquilino) e à inacreditável morosidade do sistema judicial – que transforma a decisão de arrendar numa verdadeira roleta russa.

    “Fernanda, o que relatas é consequência de viveres num prédio com 150 anos. Opção tua. Tens outras vantagens: estás no centro da cidade. ”
    Seguramente. É precisamente no centro das cidades, que o problema se coloca com mais acuidade. È nessas zonas que se encontram os casos mais flagrantes de casas com 10, 12, 14 assoalhadas, com rendas de 50 euros. Mas parece que para esses inquilinos já pode haver sol na eira e chuva no nabal.

    “(..) computadores (e apesar de tudo carros, infelizmente), e chapéus há muitos. (..) Casas é que não (ou se há não deveria haver).”
    Casas, há muitas. Há centenas de milhar de imóveis devolutos. Casos de prédios com 1, 2 residentes , são aos pontapés.

    “E creio que toda a gente tem direito a uma casa que lhe pertença a si. ”

    Porquê? Se me disser que toda a gente deve ter habitação, muito bem. Daí a que tenha que ser seu proprietário, vai uma distância muito longa.
    O arrendamento, em condições normais, é a forma mais racional de permitir a jovens em início de vida acederem a uma habitação à sua medida, em vez de terem de se lançar de cabeça numa compra de algo a 30 ou 40 anos, que os limite nas suas opções de vida.

  41. Ricardo Santos Pinto diz:

    «Ah! e eu sou do Porto, não portista, e penso por mim( tenho mais do que três neurónios…o último pet-scan revelou uns mil milhões(itos) ) e sou anti-praxe , não compreendo a guerra Porto-Lisboa( embora às vezes fique aborrecida por certos eventos serem por aí e não ter €€ e tempo para os ir ver!!), não bebo só vinho do Porto( adoro vinho Alentejano!) …entre outras coisas!»

    Como gostam de mencionar o Porto a despropósito, eu também sou do Porto; mas sou portista; e também penso por mim; mas sou a favor da praxe; e também não compreendo a guerra Porto – Lisboa; e também não bebo só Vinho do Porto; e também gosto muito de vinho alentejano (embora não perceba a comparação entre Vinho do Porto e vinho alentejano).

  42. Manel diz:

    Um fala de igualdade num sistema termodinâmico como sendo uniformidade de temperatura, outro como todos os microestados serem o mesmo.

    Com dois conceitos diferentes e não equivalentes chegam a conclusões opostas e passam longos posts a tentarem convencer sabe deus (ou o diabo) quem que o outro é estupido.

    Tudo isto misturado com tentativas de criar homomorfismos do campo da termodinâmica/física-estatística para as “ciências” sociais.

    Haja paciência.

  43. Essa do “homomorfismo” com as “”ciências” sociais” (note-se a colocação das aspas) está fixe… Eu sei que o que está errado na posição do Lidador não são as conclusões mas os pressupostos. E não vejo outro conceito de igualdade que seja vagamente homeomorfo ao das ciências sociais que não seja o da unicidade do microestado, que foi o que usei desde o princípio.

    De qualquer maneira, ninguém aqui chamou “estúpido” a ninguém. Haja paciência, realmente.

  44. “Porquê? Se me disser que toda a gente deve ter habitação, muito bem. Daí a que tenha que ser seu proprietário, vai uma distância muito longa.”

    Pois é uma distância muito longa. Tão longa como a que nos separa politicamente…
    Para mim, “ter” uma coisa e ser proprietário dela são sinónimos. Quem vive em casa alugada não “tem” casa.

    “O arrendamento, em condições normais, é a forma mais racional de permitir a jovens em início de vida acederem a uma habitação à sua medida, em vez de terem de se lançar de cabeça numa compra de algo a 30 ou 40 anos, que os limite nas suas opções de vida.”

    Concordo que não se deve comprar uma casa de ânimo leve (daí a necessidade do mercado de aluguer). De qualquer maneira a solução para isso era um mercado de casas mais dinâmico. Já é assim com as passagens de avião; lá chegará o tempo em que será assim com as casas.

  45. Machado diz:

    Filipe,

    discordo quando diz que “ter” uma casa é sinónimo de “ser proprietário”. eu alugo um apartamento e no entanto, continuo a achar que é a minha casa. também sou investigador, em física. e quando se trabalha no privado, a posição na empresa está longe se ser segura. e empresas R&D não é coisa que se encontra por aí em qualquer esquina. explique-me lá quem, nesta condições, vai comprometer-se a comprar casa. investigador não é só trabalhar ad eternum numa universidade sem risco de ver a sua posição ameaçada…

  46. Lidador diz:

    “Eu sei que o que está errado na posição do Lidador não são as conclusões mas os pressupostos.”

    Caro Fm, eu sei que o que está errado na sua posição é querer torcer os pressupostos para os adaptar às conclusões. O contrário da ciência, by the way.
    Quanto ao resto, a metáfora era simples e mantém-se: só há acção se houver diferenças, dê-lhe você as voltas que lhe der.

    e qualquer maneira, ninguém aqui chamou “estúpido” a ninguém. Haja paciência, realmente.

    “Para mim, “ter” uma coisa e ser proprietário dela são sinónimos. Quem vive em casa alugada não “tem” casa.”

    Falta aí o factor “tempo”. “Ter” é por quanto tempo? Só tem razão se aplicar o “ter” ao tempo todo, até à eternidade ou à sua morte, ou à morte do bem em questão.
    Pelo seu raciocínio, se já vendeu algo que tinha, na verdade nunca o “teve”.
    Alugar uma casa é tê-la durante algum tempo. Comprá-la é tê-la durante mais tempo. Ou não.
    E na verdade quem compra a crédito tem menos do que que aluga. A casa está hipotecada e se deixar de pagar arrisca-se a ficar sem ela e sem o dinheiro que já pagou. Que diz uma casa, diz um carro, ou qq outro bem não imediatamente consumível.

    “Concordo que não se deve comprar uma casa de ânimo leve (daí a necessidade do mercado de aluguer). De qualquer maneira a solução para isso era um mercado de casas mais dinâmico. Já é assim com as passagens de avião; lá chegará o tempo em que será assim com as casas.”

    E para ter um mercado de casas mais dinâmico, é preciso que os proprietários tenham a certeza de lucrar. É o lucro que faz mover o mundo, não as patacoadas moralistas à Frei Louçã.
    Tal com as companhias aéreas. Vendem barato porque têm de concorrer e querem lucros.

    Não foi o Estado que “fez” preços baixos e abundante oferta na aviação ou nas telecomunicações.
    Foi exactamente o contrário. Deixar o mercado trabalhar, dedicando-se o Estado a regular e a garantir condições de direito e de concorrência.

    Se formos a ver bem, por detrás das fumaças ideológicas que intoxicam o FM, está afinal um liberal em potência, cujo problema principal é ter lido Marx a mais e Adam Smith a menos.
    Nada que se não resolva.

  47. Luis diz:

    “Pois é uma distância muito longa. Tão longa como a que nos separa politicamente… Para mim, “ter” uma coisa e ser proprietário dela são sinónimos. Quem vive em casa alugada não “tem” casa.”
    Porquê ? Sente-se mais proprietário a pagar ao banco?

    “Concordo que não se deve comprar uma casa de ânimo leve (daí a necessidade do mercado de aluguer). De qualquer maneira a solução para isso era um mercado de casas mais dinâmico. Já é assim com as passagens de avião; lá chegará o tempo em que será assim com as casas.”
    Não chegará, pode ter a certeza. Enquanto alguém que pensa arrendar perceber que corre o sério risco de ficar 3 ou mais anos para resolver um simples problema de pagamento de renda, só alguém inconsciente arrisca. Isso leva a que haja pouca oferta e preços elevados (para compensar o risco). Logo, do lado da procura só sobra quem não tem crédito, ou quem necessita de casa por períodos curtos. Logo, o risco é elevado. Logo…

  48. Manel diz:

    «De qualquer maneira, ninguém aqui chamou “estúpido” a ninguém. Haja paciência, realmente.»

    Eu não escrevi que chamaram “estúpido”, apenas disse que tentam convencer que o outro é. Leia com atenção e seja rigoroso.

    Desde dizer que citou uma frase sem saber o que quer dizer até insinuar que o doutorado em Física (perdão, PhD que sempre são mais uns aninhos de “estudo”) não sabe (ou aldrabou) o que é a segunda lei da termodinâmica, vale tudo.

    O resultado final nos dois threads ainda fica mais interessante do que o comentário original do Dr. Filipe Moura sobre os senhorios que por si só já é bem divertido.

    Fico à espera dos homomorfismos entre transições de fase e revoluções sociais.

  49. “eu alugo um apartamento e no entanto, continuo a achar que é a minha casa. também sou investigador, em física. e quando se trabalha no privado, a posição na empresa está longe se ser segura. (…) explique-me lá quem, nesta condições, vai comprometer-se a comprar casa. investigador não é só trabalhar ad eternum numa universidade sem risco de ver a sua posição ameaçada…”

    Olhe, na universidade pública, presentemente, também não. Eu que o diga! E conheço muita gente que compra ou pensa comprar casa.

    E esse argumento é engraçado – primeiro querem acabar com tudo o que seja segurança no emprego, e depois dizem que “já não há empregos seguros” que permitam comprar casa – com a instabilidade laboral, só se pode alugar. Mais vale defenderem de vez que querem acabar com o direito à casa própria. Eu admito – considero que o mercado de aluguer de casas deve ser a excepção e não a regra. Deve ser desencorajado ao máximo.

  50. Lidador diz:

    “querem acabar com tudo o que seja ”

    Já cá faltava a conspiração cósmica à taxista.
    “Eles” querem, “eles” são maus, “eles” reunem-se em noites de Lua Nova, em volta de poções e caldeirões , a congeminar o mal, a planear acabar com os empregos dos bons.

    “Eles”.
    Quem?
    Os demónios, os judeus, os capitalistas, os que estiverem a dar.
    Faz sempre um jeitão personaliza as forças impessoais.
    Possibilita bodes expiatórios e moralismos imbecis.

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