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Algumas “delícias” sobre esses parasitas chamados senhorios

2 de Julho de 2008 por Filipe Moura

Parece que no Insurgente andam a destacar como “delícias” os meus comentários aos textos da Fernanda sobre senhorios. Porque não quero que lhes falte nada e assumo tudo o que digo, reescrevo aqui o mais relevante dos meus comentários. Quando tiver mais tempo escrevo sobre o assunto.

“A minha tia avó morreu há oito anos. Pagava cerca de mil escudos de renda. Tinha uma reforma de trinta contos. Que renda é que queriam que ela pagasse?
(…) O Salazar fez muito bem em ter congelado o preço das rendas. Só foi pena o Vasco Gonçalves, anos mais tarde, ter nacionalizado muita coisa mas não ter nacionalizado a habitação.
É claro que há sempre a hipótese (tipicamente guterrante) de subsidiar as rendas dos mais desfavorecidos. Mas digam lá para que raio hei de estar eu a pagar com os meus impostos rendas que eram baixas, para benefício de alguém – o senhorio – que tem capital e que não faz absolutamente nada de produtivo ou que traga benefício à sociedade, limitando-se a alugar casas? Em que é que o aluguer de casas por privados desenvolve a economia, estimula o crescimento? Por isso eu tenho pena de o Vasco Gonçalves não ter nacionalizado a habitação – embora esteja longe de defender um Champalimaud ou um Mello, consigo ter mais respeito por estes senhores do que por um senhorio. E por isso, aos senhorios queixosos eu pergunto: e se vendessem as vossas casas, que não vos fazem falta nenhuma? As casas são (ou devem ser) um recurso finito, que não é para ser açambarcado. De certeza que muitos dos vossos inquilinos as comprariam. Senão, as câmaras ou o estado. Desde que fosse o estado a ficar com as casas e a alugá-las a quem precisasse, eu até nem me importaria de pagar impostos (para o estado as comprar).

Por que os senhorios não vendem, simplesmente, as casas aos inquilinos (por um preço justo, de mercado)? A maioria compraria – estou certo e diz-me a minha experiência. Com sacrifícios – os senhorios têm muito mais posses e melhor nível de vida que a generalidade dos inquilinos, e quem disser o contrário é desonesto -, mas estou certo de que a maioria dos inquilinos se pudesse compraria. Se não pudesse comprar, o estado ou as câmaras interviriam, tornando-se senhorios. Se não querem ter chatices vendam as casas.

Não conheço nenhum senhorio que queira vender as casas que possui, mesmo nos casos e que a renda é ridícula. Estão sempre à espera que os inquilinos morram. E esperam a nossa solidariedade.
A única alteração que eu proporia à actual lei – que reconheço ter aspectos absurdos, como todas as leis “de compromisso”, que não querem cortar o mal pela raiz – seria dar todo o apoio aos senhorios na venda de casa. Se o inquilino não quisesse comprar a casa, comprava-a o estado por um preço justo de mercado. Só com esta transacção consumada aceitaria que se mexesse nas rendas. Estar a aumentar as rendas em benefício dos senhorios seria beneficiar um negócio feudal e os maiores parasitas dos tempos modernos, que ganham dinheiro à custa do que é absolutamente essencial para outros (uma casa), sem fazerem nada por isso.”

Comentários

Comentário de João Pinto e Castro
Data: 2 de Julho de 2008, 23:36

Para ser franco, acho mais natural seres tu e a tua família a pagar o custo da habitação da tua avó do que o senhorio. Nunca te passou isso pela cabeça?

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 3 de Julho de 2008, 0:36

não, joão. obviamente tal coisa não passa na cabeça do filipe. o que lhe passa pela cabeça é que os prédios saíram aos senhorios no bolo rei. não interessa que paguem mais de imposto do que recebem, que mandar arranjar um cano que rebenta lhes custe o equivalente a anos de rendas. não interessa se por um acaso do destino uns têm casas com rendas de um euro e outros, ao lado, têm casas iguais com rendas de 1000. os da renda de um euro pagam pelos outros. porque são uma raça maldita. uma espécie de agiotas facínoras, com a única diferença de, no caso, perderem dinheiro em vez de o ganharem, e serem os pobres inquilinos a lucrar.

Comentário de jz
Data: 3 de Julho de 2008, 0:41

entao, a reforma de 30 contos nao da para pagar a renda mas magicamente dara para comprar a casa… isso e um argumento um pouco idiota, n?

Comentário de mariana
Data: 3 de Julho de 2008, 0:41

joao pinto:

já lhe disse isso, mas ele acha que solidariedade é para os de fora, não para os de casa…

Comentário de Clara
Data: 3 de Julho de 2008, 0:49

Eh eh eh.
Censura no 5dias.!?

Então eu não tenho direito a expressar o meu parecer?

Será que somos obrigados a PAGAR A COCA DO FILHO DO SENHORIO???
(zANGADA! Pois, estou!)

Comentário de Clara
Data: 3 de Julho de 2008, 0:52

Coitadinhos dos cantores!
Ai as cópias piratas! Ai os CDS e Direitos de Autor. Ai ganham pouco.
E o que ganham vai para a coca. ( É uma metáfora!)

Comentário de De Puta Madre
Data: 3 de Julho de 2008, 2:11

FC
Por acaso, é as duas coisas: o bolo rei e o brinde. Entretanto, anda a sair a fava…)

JRoriz. Que tal aproveitar uma altura em que a mão de obra está mais barata, arranja a casa à sua velhinha senhora e daqui a uns anos vai fazer as contas e dizer que a dpm lhe deu um bom conselho.

Para todos: Só ainda não percebi porque ( por que … já não sei …) batem palmas ao facto da senhora ter 30 contos de reforma… Mas a família o quê??? A, por economia, “dignidade” da pessoa está na sua autonomia. Depender do Estado?? Depender da “sorte” dos filhos?? Com o senhorio havia ou não havia um contrato? Havia. Então?
Acho que o mercado subiu à cabeça dos senhorios, como o Euro subiu à cabeça dos merceeiros ( as coisas já não aumentam 5 ou dez escudos! Aumentam 20 ou 40 cêntimos!).

Qualquer dia ( ainda há-de chegar …) contraem-se empréstimos para alugar casa.

Mariana: Andam a fazer má publicidade à Solidariedade, esta é algo que que é pontual ( em fnção de uma situação concreta e balizada no tempo! E não se esqueça que a solidadriedade é entre iguais, e visa restabelecer a igualdade, a alguém que por infortunio se vê em situação injusta.

Como disse a Agostina Bessa Luís “a Pobreza é cansativa”. Logo, solidadriedade é no espaço cidadania exigir que que o exemplo dado pelo FMoura não seja sequer alvo de graça quanto mais de EXISTIR, mas não. Cai mal. Cai terrivelmente mal. Desde quando é que eu com 85 anos tenho que ser um peso económico para alguém? Isto parece-me mesmo a lógica da cova!

Comentário de LA-C
Data: 3 de Julho de 2008, 6:52

Filipe, o que entendes por “valor de mercado”?
É que me parece que valor de mercado será o valor pelo qual as partes aceitam comprar e vender um dado bem., quando não há constrangimentos a essa transacção. O que propões é que de alguma forma se pressione os senhorios a vender as casas que não querem vender (nem que seja ao impedi-los que cobrarem as rendas que facilmente podiam cobrar no mercado). Ou seja, não me parece que tu queiras que eles vendam pelo “valor de mercado”.
Mais, outra questão, se consideras que os inquilinos iam comprar as casas pelo tal “valor de mercado”, então porque não compram uma dessas casas no mercado? O que não faltam são pessoas que querem vender as casas, parece-me. Porque é que quem não quer vender, como tu próprio reconheces, há-de ser obrigado a vender?

Devo-te dizer, apesar de não concordar com o que defendes, que considero que és absolutamente coerente com o que sempre defendeste e, de certa forma, és mais honesto do que alguns colegas do teu blogue, dado que levas as implicações das tuas opções ideológicas até ao fim. Lembro-me bem de no teu outro blogue teres defendido que os preços dos bens essenciais deviam ser fixados pelo Estado. Basicamente, se bem percebo, consideras que a habitação é um bem essencial e portanto a regra dos preços máximos tabelados se aplica.

Comentário de Lidador
Data: 3 de Julho de 2008, 9:00

O Filipe Moura, desde que , em nome da ideologia, se atreveu a negar a 2ª Lei da Termodinâmica (nos blogues a irracionalidade é livre), tomou-lhe o gosto e acha que a melhor maneira de refutar uma asneira é reafirmá-la.

Chama-se a isto “fuga para a frente”.

Quanto aos “preços justos de mercado”, creio bem que o Filipe Moura nunca ouviu falar de um tal Gosplan e do sucesso que teve, a fixar preços e salários “justos”, desde o parafuso de 3 mm ao papell higiénico de 3 folhas com aroma de lavanda.

No mundo dos Filipes Mouras, a perfeição será atingida quando pessoas esclarecidas e bem intencionadas, como ele obviamente, mandarem. É mais ou menos como a conversa das misses.

P.S. Parece que o Professor Pol Pot era tb uma pesssoa esclarecida e cheia de boas intenções. O totalitarismo ronrona no peito de todos os Filipes Mouras deste mundo….

Comentário de Lidador
Data: 3 de Julho de 2008, 9:03

“és absolutamente coerente com o que sempre defendeste ”

A coerência, como virtude, está algo sobrevalorizada.
Um pedregulho é bastante coerente. Não muda.
Isto para não falar da coerência de Hitler, Estaline ou Castro.

Comentário de Luís Lavoura
Data: 3 de Julho de 2008, 10:00

Eu considero, de facto, que este comentário que o Filipe Moura colocou a outro post, é tão perfeito, tão redondo, tão completo, que merece, de facto, ser postado como um post à parte, para que todos vejam e leiam e se maravilhem.

Comentário de Luis
Data: 3 de Julho de 2008, 10:44

1) “(..)tinha uma reforma de trinta contos. Que renda é que queriam que ela pagasse?”

Que tal uma renda que permitisse aos senhorios pagar os encargos do imóvel ?

2) “É claro que há sempre a hipótese (..) de subsidiar as rendas dos mais desfavorecidos. Mas digam lá para que raio hei de estar eu a pagar com os meus impostos rendas que eram baixas, para benefício de alguém (..)que não faz absolutamente nada de produtivo ou que traga benefício à sociedade, limitando-se a alugar casas?”

Se não acha útil a disponibilização de habitação a quem dela necessite, deixe que lhe diga que tem uma estranha noção de utilidade.
Essas casas e o capital são produto do esforço acumulado do senhorio e/ou sua família. São (ou foram) construídas/adquiridas com o fim de proporcionar rendimento aos seus proprietários – e se assim não fosse, pura e simplesmente nem existiriam. Pode ter a certeza de que nenhum senhorio que tivesse previsto o congelamento das rendas, alguma vez teria construído ou comprado imóveis. Ter-se-ia limitado a guardar o seu capital no banco, sossegadinho, onde ele estaria bem mais seguro.

3)”Em que é que o aluguer de casas por privados desenvolve a economia, estimula o crescimento? ”
O congelamento das rendas foi uma das (se não A) medidas mais desastrosas de sempre. Provocou o colapso do mercado do arrendamento, e valorizou artificialmente as casas disponíveis para arrendamento – o que, por sua vez, tornou mais racional a compra de habitação própria. Dado que a compra é por natureza uma decisão com implicações a muito longo prazo, as famílias passaram a ter mais dificuldades na adaptação da habitação às necessidades e à situação conjuntural. Os casais compram logo um T3, e ficam amarrados a ele durante anos, sem grande possibilidade de correcção no caso de desemprego, mudança de local de trabalho, diminuição de rendimentos, etc. Diga-me então, em que é a o arrendamento de casas poderia contribuir para o crescimento da economia…

(continua)

Comentário de João Pinto e Castro
Data: 3 de Julho de 2008, 10:46

Espero, Filipe, que ninguém te vá buscar dinheiro à conta bancária para sustentar a avó dele, sob o pretexto de que, se o puseste lá, é porque não precisas dele.

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 3 de Julho de 2008, 10:48

A sua avó paga mil escudos de renda. Que obras é que quer que o senhorio faça?

Comentário de /me
Data: 3 de Julho de 2008, 10:55

Os senhorios não podem vender as casas a preços justos de mercado porque o Estado se intrometeu nesse mesmo mercado e o distorceu. Vender as casas a 1/3 ou 1/4 do valor (depois de anos a fio a ter prejuizo) é vender a preço justo de mercado?

Comentário de Luís Lavoura
Data: 3 de Julho de 2008, 11:02

“Por que os senhorios não vendem, simplesmente, as casas aos inquilinos (por um preço justo, de mercado)?”

Esta sugestão faz-me lembrar uma prima minha, que tem uma inquilina que lhe paga meia-dúzia de contos mensais e a quem a minha prima ofereceu uma “indemnização” para que ela lhe desamparasse a casa. A inquilina retorquiu: “Só deixo esta casa se a senhora me comprar uma casa nova para eu viver.”

Isto sim, é uma inquilina a sério. A senhoria tem obrigação de lhe comprar, a preço de mercado como o Filipe muito bem sugere, uma casa para ela viver. A inquilina aceita trocar uma casa velha a cair de podre por uma casa nova oferecida pela senhoria. Tudo a preços de mercado!

Comentário de Luis
Data: 3 de Julho de 2008, 11:23

4) “aos senhorios queixosos eu pergunto: e se vendessem as vossas casas, que não vos fazem falta nenhuma?”

Por estranho que lhe pareça, para muitos senhorios, essas casas são fonte de despesa – e muitos venderiam, se pudessem. Sucede que para pessoas de 60 anos, é muito mais cómodo pagar 30 ou 40 euros de renda – e acredite que sei do que falo. Um cliente meu propôs, há 8 anos, a venda a 28 inquilinos, de casas de 3 assoalhadas, em Lisboa, junto ao Hospital da Cruz Vermelha, por 6000 contos, e só conseguiu vender 8. Desses, 3 já foram vendidos, por mais do triplo. Coitados dos inquilinos, que foram gozar os rendimentos arduamente ganhos, para as suas terras..
A solução, para muitos senhorios, tem sido pagar aos inquilinos para saírem !! (o cliente que citei atrás recebe frequentemente pedidos de dinheiro para os inquilinos abandonarem as casas).
Por outro lado, há ainda quem tenha princípios morais e sinta uma enorme relutância em pagar 2 vezes pelo que já é seu – ou em vender, a preço ridículo, algo que legitimamente lhe pertence.

5) “De certeza que muitos dos vossos inquilinos as comprariam. ”
Um inquilino que possa comprar uma casa não pode pagar uma renda actual ?

6) “Senão, as câmaras ou o estado. Desde que fosse o estado a ficar com as casas e a alugá-las a quem precisasse, eu até nem me importaria de pagar impostos (para o estado as comprar).”

O Estado e as câmaras são maus senhorios. A melhor e mais eficaz forma de o Estado ajudar quem precisa de casa é, pura e simplesmente, criar um processo de despejo célere. Dar uma casa para arrendamento é hoje um verdadeiro lance de roleta – o que leva que a muitas casas fiquem devolutas.

7) “Por que os senhorios não vendem, simplesmente, as casas aos inquilinos (por um preço justo, de mercado)? A maioria compraria – estou certo e diz-me a minha experiência.”
Não vendem a um preço justo, porque não é possível. Os inquilinos sabem que, se não comprarem, mais ninguém compra – o que leva a preços ridículos. E no fim, fazem as contas e é muito mais simples pagar 40 ou 50 euros por mês..

7) ” Se não querem ter chatices vendam as casas.”
Imagine o seguinte cenário: o Estado decreta hoje o congelamento de todos os depósitos bancários. O banco fica proibído de lhe entregar capital e deixa de lhe entregar juros, mas você continua a ser obrigado a pagar os impostos. Se quiser evitar chatices, doe o dinheiro ao banco.
Boa sorte.

8) “Não conheço nenhum senhorio que queira vender as casas que possui, mesmo nos casos e que a renda é ridícula. Estão sempre à espera que os inquilinos morram. ”
Eu também conheço pouca gente que queira ser assaltada. É defeito da gente que conheço, ou será a natureza humana?

8) ” Estar a aumentar as rendas em benefício dos senhorios seria beneficiar um negócio feudal e os maiores parasitas dos tempos modernos, que ganham dinheiro à custa do que é absolutamente essencial para outros (uma casa), sem fazerem nada por isso.”

Erro seu. Fizeram muito – as casas não lhes caíram do céu, e só existem porque existiu, em tempos, um mercado de arrendamento.
E pagam impostos (que não são poucos nem suaves, diga-se).
E o principal motor para a conservação dos imóveis é a perspectiva dos senhorios transmitirem uma fonte de rendimento aos seus descendentes.

Comentário de Tárique
Data: 3 de Julho de 2008, 11:30

O direito de ocupação, direito de usufruto de casas vazias devia ser posto em prática. Acabava-se logo com a especulação.

O Estado não intervinha caso eu ocupasse uma casa vazia há mais de 6 meses. Tanto quanto sei, na Holanda esta prática resulta em maravilhas.

Mas estou certo que se eu fizesse o mesmo que se faz por lá, ocupar casas vazias, os liberais da nossa praça implorariam ao estado para mandar lá os góis de metrelhadora na mão.

Comentário de Saloio
Data: 3 de Julho de 2008, 11:37

No fundo, o Filipe Moura está a tingir o seu objectivo: ser comentado.

Há gente para tudo, nomeadamente para obterem os seus 15 segundos de evidência (como dizia o outro).

Segundo a teoria do post, além da casa, dever-se-lhe-ia dar tudo o resto a condizer: um Mercedes confortável, refeições no Gambrinus, garrafas de Perrier e Moet Chadon para ao pequeno almoço, caviar ao lanche, e outros condimentos adequados à boa-vida – porque não tenho a mínima dúvida que a estimável senhora, tal como a minha própria avozinha, os merecia.

Ó Fidel, desculpe…Filipe, se for isto que a sua ideologia promove, estou consigo.

Digo eu…

Comentário de Cam
Data: 3 de Julho de 2008, 11:39

Muito bem, concordo com a lógica do Filipe Moura mas ele sofre um pouco de miopia, vistas curtas.
Há que abrir os horizontes, passar as fronteiras e aplicar os mesmos criterios não apenas a casos instituidos, não apenas aos cidadãos do país, mas a todo o mundo.
Por isso acho bem que o Filipe Moura se prepare para alugar 2 quartos uma familia togolesa, pai, 2 mulheres e 6 filhos, a 5 € por mês porque eles não podem pagar mais. A cozinha e as casas de banho serão partilhadas. E nada de refilar, porco capitalista, porque a riqueza relativa de que o Filipe Moura dispoe não foi gerada por ele, recebeu-a por herança.
Obviamente as despesas de manutenção da casa decorrerão por conta do filipe moura.
A solidariedade tem de ser imposta pelo braço armado da lei, mas porque deve este braço parar nas fronteiras nacionais? Confisquemos os bens do “De Puta Madre” e dividamo-los pelos sem abrigo da india e do brasil. Quando vir estas luminarias a dividirem o que têm (e como têm acesso à net têm certamente muito mais que a mediana mundial) pelos que não têm acredito que nutrem sinceros sentimentos de solidariedade para com os que menos possuem.
Enquanto não vir direi que são falsos esquerdistas, uns meros ressabiados invejosos, que não tencionam partilhar nada mas apenas impor pela força do estado que quem tem mais que eles partilhe com eles proprios aquilo que eles desejam e não têm.
Não desejam ser solidarios com ninguem, querem é usar a força do estado para obrigar os outros a serem solidarios com eles proprios.
Não há no “esquerdismo” deles a semente da generosidade mas sim o cancro do egoismo.

Comentário de Model500
Data: 3 de Julho de 2008, 11:45

Eu sou senhorio. Mas concordo totalmente com este post do Filipe Moura. De resto, Filipe propõe a melhor solução que eu vi a até hoje: dar todo o apoio aos senhorios na venda de casa. Se o inquilino não quisesse comprar a casa, comprava-a o estado por um preço justo de mercado.

E, sim, sinto-me protagonista de um negócio feudal.

Comentário de Tárique
Data: 3 de Julho de 2008, 11:51

Se fosse legal ocupar casas cá como é na Holanda queria ver se os senhorios não se apressavam a baixar os obscenos preços que praticam agora. ando à procura de casa para alugar e encontro preços tipo 600 euros por um t1 minúsculo em marvila, puta que os pariu a todos

Comentário de Luis
Data: 3 de Julho de 2008, 11:54

“O direito de ocupação, direito de usufruto de casas vazias devia ser posto em prática. Acabava-se logo com a especulação. ”

Pois. E o direito de apropriação dos bens alheios também.

Comentário de Luis
Data: 3 de Julho de 2008, 12:00

“(..)a melhor solução que eu vi a até hoje: dar todo o apoio aos senhorios na venda de casa. Se o inquilino não quisesse comprar a casa,
comprava-a o estado por um preço justo de mercado.
(..)”

Porque raio deveria eu pagar impostos para o seu inquilino continuar na casa?

Comentário de Filipe Moura
Data: 3 de Julho de 2008, 13:07

“o que lhe passa pela cabeça é que os prédios saíram aos senhorios no bolo rei.”

Se não lhes saíram no bolo rei, saíram como, Fernanda?

“não interessa que paguem mais de imposto do que recebem, que mandar arranjar um cano que rebenta lhes custe o equivalente a anos de rendas. não interessa se por um acaso do destino uns têm casas com rendas de um euro e outros, ao lado, têm casas iguais com rendas de 1000. os da renda de um euro pagam pelos outros. porque são uma raça maldita. uma espécie de agiotas facínoras, com a única diferença de, no caso, perderem dinheiro em vez de o ganharem, e serem os pobres inquilinos a lucrar.”

Não me canso de perguntar: se é assim por que não vendem a casa aos inquilinos e livravam-se de todas essas chatices? Se os inquilinos não quisessem ou não pudessem comprar as casas é que teria que se arranjar outra solução. Que passaria por uma intervenção do estado pelo menos em casos como os da minha tia avó.

Apesar de todas estas dificuldades não conheço um senhorio interessado em vender as suas casas. Alguém me pode explicar porquê? Eu explico: não cuidam minimamente das casas que lhes pertencem e esperam que os inquilinos morram ou percam a paciência e se vão embora.

Comentário de nm
Data: 3 de Julho de 2008, 13:24

Dá-lhes Filipe. A burguesia fica sempre confundida quando lhes atiram alternativas para os olhos monolíticos, que tirando o neoliberalismo nunca viram mais nada na vida. É giro quando para te diminuirem as opiniões ainda dizem que nem sabes a 2ª lei da Termodinâmica, tu com um PhD em Física. Claro que lhes sairam os prédios no bolo rei – Tirando meia dúzia deles que talvez tenham trabalhado para os comprar. Não são os Braganças dos maiores senhorios da Baixa? De onde lhes vieram? Alguém tem dúvidas que os lucros são feitos à custa do que se não redistribui e do que se rouba aos trabalhadores, pagando-lhes mal e porcamente, e com as margens excessivas que se pedem aos compradores de serviços e produtos? Recomendo a visualização de http://br.youtube.com/watch?v=ihWL-cX7ZFM. E ouçam a letra, bem actual.

Comentário de nm
Data: 3 de Julho de 2008, 13:41

Para quem não consegue perceber o espanhol cantado, diz que há aí muitos assim, transcrevo a letra.

En la plaza de mi pueblo

En la plaza de mi pueblo
dijo el jornalero al amo
“Nuestros hijos nacerán
con el puño levantado”.
Esta tierra que no es mía
esta tierra que es del amo
la riego con mi sudor
la trabajo con mis manos.
Pero dime, compañero,
si estas tierras son del amo
¿por qué nunca lo hemos visto
trabajando en el arado?
Con mi arado abro los surcos
con mi arado escribo yo
páginas sobre la tierra
de miseria y de sudor.

da ligação do You Tube.

Para os mais dados à poesia lembro que Garcia Llorca – dificilmente poeta más un maricón, segundo o Insurgente, outros antros blogosféricos e a casa da Manuela Dias Ferreira (o Leite é do procriador marido) – também musicou a canção popular.

Comentário de De Puta Madre
Data: 3 de Julho de 2008, 13:47

E,
claro, muitas vezes, muitas e muitas e muitas vezes NÃO-Autorizam os inquilinos a fazerem as obras necessárias por sua própria conta.

A santidade do Senhorio tem aqui uma série de testemunhas, canonização Já!
……………………….
Claro que isto vai voltar: à partilha de um T3 por 3 famílias.
……………………
Moro numa Vila Fantasma. Arranjo uma chave mestra e durante um inverno inteiro posso mudar todos os dias de casa que ninguém dará por isso.
……………………………..
Acham que essas casas que vão ser entregues ( falta de $$$) vão ser revendidas??? Aos endinheirados das Europas do Norte, talvez … e aos Espanhóis.
………………………….
Uhmmm, os imperialistas do cimento já rezam por um terramoto à 1755 há muito tempo. Mas na falte dele, uma guerrinha ( cirúrgica) não ia mal …

Comentário de Luis
Data: 3 de Julho de 2008, 14:05

“Se não lhes saíram no bolo rei, saíram como(..) ?”
Compraram-nas, construíram-nas, ou herdaram-nas. Em todo o caso, resultam do seu esforço (ou dos seus familiares, o que para o caso vai dar ao mesmo).

“Não me canso de perguntar: se é assim por que não vendem a casa aos inquilinos e livravam-se de todas essas chatices? Se os inquilinos não quisessem ou não pudessem comprar as casas é que teria que se arranjar outra solução.”

Não me canso de lhe responder. Nenhum inquilino com juízo compra uma casa, pelo seu preço justo, quando usufrui dela por meia-dúzia de tostões.

“Que passaria por uma intervenção do estado pelo menos em casos como os da minha tia avó.”

Admitindo que alguém tem que garantir o bem-estar da sua tia-avó, é estranhíssimo que esse alguém seja o senhorio. Estranho ainda que a sua primeira opção fosse o Estado – eu optaria pela família…

“Apesar de todas estas dificuldades não conheço um senhorio interessado em vender as suas casas. Alguém me pode explicar porquê? Eu explico: não cuidam minimamente das casas que lhes pertencem e esperam que os inquilinos morram ou percam a paciência e se vão embora.”

É, de facto, é óptimo. Esperar anos a fio que um inquilino morra, ou que se digne exigir uns milhares de euros ao senhorio, para ir “para a terra”. E entretanto, ir pagando para o inquilino usar o que não é dele.

Comentário de Luís Lavoura
Data: 3 de Julho de 2008, 14:25

“não conheço um senhorio interessado em vender as suas casas”

Eu diria que muitos estariam interessados em vendâ-las – ao seu preço de mercado, isto é, como se elas não tivessem inquilinos a ocupá-las.

Eu desde já afirmo que, se o Estado me quiser comprar as casas que eu tenho arrendadas com rendas antigas, pagando-me por elas o justo valor de mercado – isto é, o mesmo preço que seria pago caso elas estivessem libertas de inquilinos – eu aceitarei.

Se fôr essa a política que o Filipe Moura pretende implmentar e defende, pois bem, a mim pessoalmente serve-me, embora eu considere que seria uma enorme delapidação de dinheiro da parte do Estado.

Comentário de De Puta Madre
Data: 3 de Julho de 2008, 15:18

nm
Olé!
Isto da linha de raciocínio burguesa, tem cá uns tiques de veia de camionista-Patrão.

Comentário de Pedro Menezes Simoes
Data: 3 de Julho de 2008, 15:18

“Se não lhes saíram no bolo rei, saíram como, Fernanda?”

Nalguns casos, os senhorios são pessoas idosas que gastaram todas as suas poupanças arduamente ganhas e poupadas para comprar uma casa para arrendar que lhes servisse de rendimento extra na velhice. Alguns deles tinham, há 8 anos, rendas de 30 contos, recebiam 1 conto de renda, e pagavam 4 ou 5 de impostos….

Podiam ter gasto o dinheiro da casa em vinho. Isso seria meritório. Mas comprar uma casa para arrendar já não é.

“Não me canso de perguntar: se é assim por que não vendem a casa aos inquilinos e livravam-se de todas essas chatices? Se os inquilinos não quisessem ou não pudessem comprar as casas é que teria que se arranjar outra solução. Que passaria por uma intervenção do estado pelo menos em casos como os da minha tia avó.”
Olhe que bem tentam, mas regra geral os inquilinos que pagam mil paus oferecem 100 contos para ficar com as casas que no mercado se vendem por 20.000. Se é a favor de que o Estado intervenha para comprar casas a preços de mercado, porque não intervir para pagar rendas a preço de mercado? Qual a diferença?

“Apesar de todas estas dificuldades não conheço um senhorio interessado em vender as suas casas. Alguém me pode explicar porquê?”

Porque o Filipe não conhece ninguém que arrende casas? Se conhecesse não dizia esse disparate.

“Eu explico: não cuidam minimamente das casas que lhes pertencem e esperam que os inquilinos morram ou percam a paciência e se vão embora.”

Na verdade, conheço senhorios a tentar vender casas aos inquilinos a menos de metade do preço de mercado. Em muitos casos, inquilinos que nem moram lá, mas gostam de ter uma segunda casa paga a preço da chuva… Noutros casos, gastam imenso dinheiro a recuperar casas que os inquilinos literalmente destroem (vi um caso em que 2 anos após a renovação a casa se tinha tornado uma pocilga). Mais dinheiro do que aquele que recebem nas rendas. E fazem-no porque têm pena dos inquilinos (embora os inquilinos não tenham pena de si próprios).

“A minha tia avó morreu há oito anos. Pagava cerca de mil escudos de renda. Tinha uma reforma de trinta contos. Que renda é que queriam que ela pagasse?”
Uma renda justa, de mercado. Tal como ela deveria receber uma reforma que lhe permitisse pagar essa renda, ou subsídio de renda. O Filipe Moura quer transformar os senhorios na Segurança Social. Ora, o Estado existe para isso. O que não faz qualquer sentido, nem no seu mundo utopista, é que as casas dos senhorios lhes correspondam a um encargo adicional.

Comentário de Pedro Menezes Simoes
Data: 3 de Julho de 2008, 15:24

Já agora, os senhorios contribuiram para o crescimento económico ao comprar casas. Deram emprego a muitas pessoas durante vários meses. É certo que comprando álcool dariam trabalho a outras tantas. Mas hoje as casas geram bem estar, têm uma utilidade. São um bem duradouro. Ao contrário do álcool, que alegra muito. Mas seriamos hoje todos mais pobres.

A sua proposta significa apenas que os senhorios irão vender as casas que têm arrendadas, as própria casa onde habitam, e alugar uma casa ao estado a mil paus. Ao dinheiro que amealharam, vão etilicamente gastá-lo. No mundo do Filipe, investir é um mau negócio. Até é falta de ética.

Comentário de RV
Data: 3 de Julho de 2008, 15:39

Ocorre-me perguntar ao Filipe Moura quantos senhorios conhece, já que repetidamente usa esse número como indicador duma verdade – a sua.

Será que o Filipe conhece outras realidades além da portuguesa? Se as conhece prefere ignora-las. Cá, quem quer casa, compra-a, já que o mercado de arrendamento é uma miséria. E continuará a ser assim enquanto o estado meter o nariz num assunto do foro privado, para grande vantagem do sector bancário. Mas isso não parece importar o Filipe Moura. Apenas os senhorios que investem as suas poupanças num negócio privado merecem o seu desprezo.

Comentário de nm
Data: 3 de Julho de 2008, 15:39

de puta madre, há tiques para todos os gostos. só que alguns insurgentes destão convencidos que o não têm.

Comentário de Luis
Data: 3 de Julho de 2008, 16:31

(enganei-me no link no comentário anterior)

http://olhequenaoshoutor.blogspot.com/2008/07/das-delcias-e-dos-parasitas-chamados.html

Comentário de RV
Data: 3 de Julho de 2008, 16:49

Tárique:

As rendas são caras porque
1. há poucas casas para arrendar => elevada procura => preços altos;

2. mais, os preços são altos porque os riscos de colocar uma casa no mercado de arrendamento são elevados: se o inquilino deixa de pagar é um martírio para resolver a questão, atendendo à nossa miserável justiça. Além disso, o Estado pode sempre decidir intervir no mercado a favor dos inquilinos, como até agora tem feito até agora (questão eleitoral: serão mais os inquilinos do que os senhorios);

3. os inquilinos quando deixam as casas não são obrigados a devolve-las como as encontraram.

Sabia que na Alemanha paga-se uma caução (além dos 2 ou 3 meses de avanço na renda) que é depositada pelo senhorio numa conta específica para o efeito? Os juros dessa conta e o dinheiro da caução são entregues ao inquilino quando este deixa a casa. Mas só a devolver como encontrou (pintada de fresco, limpa e sem danos), pois se não o fizer o senhorio tem liberdade para usar esse dinheiro.

Pois é. Na Alemanha o mercado de arrendamento é uma realidade, cá é uma ficção. E agora, vai dizer que a culpa é dos senhorios que não têm vocação para a caridade?

Comentário de RV
Data: 3 de Julho de 2008, 16:57

Já agora, só para que conste, conheço a situação alemã por experiência própria. Vivi alguns anos na Alemanha, numa casa alugada. E quase todas as pessoas do meu circulo de trabalho/amizade também viviam em casas alugadas. Não me parece que essas pessoas tivessem pior qualidade de vida do que nós…

Comentário de Luis
Data: 3 de Julho de 2008, 17:49

“Comentário de Tárique:
ando à procura de casa para alugar e encontro preços tipo 600 euros por um t1 minúsculo em marvila, puta que os pariu a todos”

Suponho que por “ando à procura de casa” não se refira a nada de demasiado extenuante – ler o jornal, por exemplo. É um esforço enorme, e pode impedi-lo de se concentrar nas virtudes do movimento okupa, eu sei – mas em compensação, até pode resultar.

P.S – Por esse preço, tenho 4 ou 5 pessoas dispostas a arrendar-lhe, já, 3 assoalhadas no Jardim Constantino, ou em São Mamede, ou no Rato, ou na Lapa…. chega ?

Comentário de Pedro Gomes
Data: 3 de Julho de 2008, 18:34

Tárique, onde tem procurado? Já pesquisou o “Ocasião”? Acabei de arrendar um T1 na Calçada de S. Vicente (em Alfama) com 40 m2, por 400€/mês.

Uma opção simpática consiste em ler a Time Out semanalmente, pois publica a chamada “oportunidade da semana” do portal casa.sapo.pt

Comentário de anonimo
Data: 3 de Julho de 2008, 18:42

Mas é verdade que o Filipe Moura nega o 2º princípio da Termodinâmica, ou é algum boato?
Onde é que ele afirmou isso?
Alguém esclarece?

Comentário de Filipe Moura
Data: 3 de Julho de 2008, 21:46

Anónimo das 18:42: vá a http://5dias.net/2008/05/26/um-governo-de-esquerda/
e faça o seu julgamento sobre quem é que percebe ou não de Termodinâmica. O disparate é livre mas a difamação não.

Comentário de Filipe Moura
Data: 3 de Julho de 2008, 21:53

Pedro Menezes Simões, achei graça à sua obsessão com o álcool e o seu consumo. É o “Podiam ter gasto o dinheiro da casa em vinho”, é o “vão etilicamente gastá-lo.” Vê-se mesmo que você é do Porto, onde consta que ainda há mães que dão “sopas de cavalo cansado” aos filhos. É como as praxes académicas: em Lisboa não há disso (ou se há, foi trazido pelos tripeiros). Bebi um copinho de tinto (de cooperativa, claro) ao jantar. À sua, Pedro.
Quanto ao resto dos comentários, muito interessantes (incluindo o seu, Pedro), se me dão licença respondo amanhã. Eu tenho que trabalhar (dezenas de testes para corrigir) e ganhar o meu sustento, sabem? Não sou senhorio. Não tenho um “complemento” nos meus rendimentos dado pelas rendas de um prédio a preços de mercado.

Comentário de Lidador
Data: 3 de Julho de 2008, 22:38

Caro FM não tenho a mínima dúvida que você é doutorado em Física.
E que nunca dirá o que disse na tal discussão, nas suas aulas ou papers da especialidade.
Mas reconheça que meteu os pés, ao pretender usar a sua autoridade académica como rolo compressor, mesmo sabendo que estava deliberadamente a asneirar.

Não é preciso ser doutorado em Física para conhecer o conceito da 2ª Lei da Termodinâmica.
Aprende-se no 10º ano de escolaridade, pelo que não vale a pena querer armar-se em caveleiro de altas cavalarias.
Se um génio da Matemática escrever num blogue que as traansformações de Fourier não servem para nada, eu, mesmo não sendo um génio da matemática, sou capaz de lhe provar que está errado.
Aliás você sabe perfeitamente que meteu os pés.
De resto, esta sua opinião sobre os inquilinos e senhorios, revela cabalmente que lhe falta um mínimo de bom senso.
Os homens como você são perigosos.
Sabe quem foi Lyssenko?

Comentário de De Puta Madre
Data: 3 de Julho de 2008, 22:39

Estou a morrer de inveja … E não é dos senhorios …

é dos nostros irmanos:

http://es.youtube.com/watch?v=TvG3KRLEEHU

http://youtube.com/watch?v=X_A18I-aFVY&feature=related

Vale …

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 3 de Julho de 2008, 22:47

Mas quem é que quer saber da senhora tia-avó do sr. Filipe Moura para alguma coisa? Não fala de outra coisa!
A mim, parece-me coisa de alfacinha ressabiado…

Comentário de Carlos Fernandes
Data: 3 de Julho de 2008, 22:49

Pois é FMoura, para mim está tudo claro, este seu comentário das 21:53 é bem explicativo. Por detrás da sua posição supostamente ideológica está mas é uma grande inveja, o que além de ser feio, e, neste caso ( e em garnde parte das situações concretas) não faz sentido pois o pobre é o senhorio. Leu aquele comentário da inquilina de Coimbra que subaluga quartos a 15 contos a estudantes e paga uma renda simbólica por uma casa de 14 assoalhadas? Comentário a isto ( ou não lhe convém)?

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 4 de Julho de 2008, 1:58

Filipe Moura,

O senhor tem uma obsessão pela cidade do Porto, ainda não percebi muito bem porquê. É o provincianismo lisboeta em todo o seu esplendor.
Não pode é inventar coisas a seu bel-prazer, como essa de as mães darem sopas de cavalo cansado aos filhos. Claro que não dão e o senhor deve sabê-lo tão bem como toda a gente.
A propósito, dizem que aí por Lisboa os comunistas comem criancinhas ao pequeno-almoço. Será verdade?
Quanto às praxes académicas, do Porto com muito orgulho! A praxe ajuda o recém-chegado a integrar-se no ambiente universitário e a relacionar-se desde logo com os colegas mais velhos.
A praxe não pode ser posta em causa por alguns alarves, uma minoria, que não sabem interpretar o sentido da tradição. Nos meus tempos, não praxei, mas fui praxado e não me fizeram nada de especial, pelo contrário.
Ah pois, mas já me esquecia, nós no Porto somos todos uns alarves atrasados. Em Lisboa é que é!
A propósito, como parece que não sabe, as actuais praxes académicas tiveram início em Coimbra e não no Porto. Inclusivamente, foram muito importantes na contestação à ditadura salazarista e à Guerra Colonial. No caso de Lisboa, a sua fraca implantação deveu-se apenas ao facto de não ser uma cidade eminentemente académica.

«O Salazar fez muito bem em ter congelado as rendas». «Se não lhes saíram no bolo rei [as casas], saíram como, Fernanda?»
Ufa! Ainda bem que tão iluminadas opiniões não são provenientes de alguém do Porto. Caso contrário, o que se diria dos alarves daqui do norte?
Por último: sabe muito bem que, em muitíssimos casos (não sei se será a maioria), os inquilinos têm mais dinheiro do que os senhorios. E como pagam rendas de mil escudos, a gente mais pobre do que eles, por que razão hão-de comprar a casa ou sair de lá?

Comentário de Lidador
Data: 4 de Julho de 2008, 9:04

Para que não fiquem dúvidas, isto foi o que o FM escreveu.

“corresponderá a desigualdade máxima a uma entropia máxima?”

Ora o que ele tb sabe, mas fez de conta que não, porque a ideologia é uma máquina de negar factos, a tendência geral para desenvolvimento de todas as coisas no universo é do mais complexo para o mais simples, da ordem para o caos, do não equilíbrio, para o equilíbrio térmico.
A 2ª Lei, significa que todo o universo virá a ser uniforme, igual: a morte térmica, a máxima entropia.
Foi essa a metáfora que utilizei e que tanto irritou o FM, apanhado na esquina da contradição entre a Física e a Ideologia, entre a Razão e a Religião.
A hipótese do universo em expansão, que de algum modo evita a morte térmica e implica a infinita produção de diferenças de temperatura, é ela mesmo uma boa metáfora do liberalismo, da contínua criação de riqueza e da consequente criação de desigualdade.

Comentário de Luis
Data: 4 de Julho de 2008, 10:14

“Eu tenho que trabalhar (dezenas de testes para corrigir) e ganhar o meu sustento, sabem? Não sou senhorio. Não tenho um “complemento” nos meus rendimentos dado pelas rendas de um prédio a preços de mercado.”

Tenho alguma dificuldade em perceber porque é que o seu trabalho de corrigir dezenas de testes é mais digno do que o trabalho de alguém que investe o capital de que dispõe numa actividade de alto risco como o arrendamento.
Já o Filipe tem dificuldade em perceber que ser senhorio não é só receber rendas.

Comentário de Dorean Paxorales
Data: 4 de Julho de 2008, 11:33

Filipe,
Ainda não explicaste como se compra uma casa para a qual não se tem dinheiro para pagar a renda. Fico à espera ;)

Pingback de Há os parasitas e os totalitários « O Insurgente
Data: 4 de Julho de 2008, 12:31

[...] Há os parasitas e os totalitários Arquivado como: Comentário, Economia, Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:31 pm Depois de algumas controvérsias já tive a oportunidade de conhecer o Filipe Moura. Já lá vão, creio, mais de dois anos. O que aprecio no Filipe é, fundamentalmente, a sua boa vontade. Infelizmente, o excesso de boa vontade, sem rumo e sem nexo, leva aos totalitarismos.  E eu acho que o Filipe não é um totalitário. Pelo menos quando não devaneia. [...]

Comentário de google
Data: 4 de Julho de 2008, 14:08

Toda a gente sabe como é que a propriedade é criada, são velhinhos que poupam na bebida durante anos a fio.
Os grandes proprietarios esses, são os mais idosos e mais abstémios de todos.
Isto é ensinado em qualquer faculdade de economia.

Comentário de Filipe Moura
Data: 4 de Julho de 2008, 14:48

Caro Ricardo,
eu gosto muito da cidade do Porto e dos portuenses. Todos os anos tenho o prazer de lá passar cinco dias num encontro anual de física matemática (é daqui a uma semana – lá estarei). Para o que eu não tenho muita paciência é para o “espírito de Calimeros” que a maioria dos portuenses tem, e pela inveja e rancor que têm em relação a Lisboa e aos lisboetas (que não têm culpa nenhuma). Um dos expoentes desse “espírito de Calimero” na blogosfera é o Pedro Menezes Simões. Daí esse meu comentário, que era mais uma “boca” a despropósito. Não vamos desviar as atenções do que está a ser discutido. Há boas questões nos comentários – do Pedro Menezes Simões e não só. Não faltarão ocasiões para discutirmos as relações Porto – Lisboa e nessa altura conto contigo (e com o Pedro Menezes Simões).

“A propósito, dizem que aí por Lisboa os comunistas comem criancinhas ao pequeno-almoço.”

Quem me dera que houvesse mais comunistas em Lisboa!

“Quanto às praxes académicas, do Porto com muito orgulho! A praxe ajuda o recém-chegado a integrar-se no ambiente universitário e a relacionar-se desde logo com os colegas mais velhos.”

Só um gajo do Porto (ou vá lá de Coimbra) é que dizia uma destas! Só se for para estabelecer “relações à moda do Porto”, tipo Pinto da Costa, Bobi, Tareco e Guarda Abel.

(Na boa, ok?)

Comentário de João Pinto e Castro
Data: 4 de Julho de 2008, 14:51

52 comentários! Parabéns Filipe.

Comentário de João Pinto e Castro
Data: 4 de Julho de 2008, 14:52

Para o Filipe: quem vos dera um médio como o Bobi ou um ponta de lança como o Tarecoo

Comentário de Filipe Moura
Data: 4 de Julho de 2008, 15:04

O Tareco é melhor que o Postiga? Pois, se calhar é.

Comentário de Luis
Data: 4 de Julho de 2008, 15:37

Obviamente, um tópico destes tinha que descambar. É mais fácil mandar umas bocas sobre o Porto e Lisboa do que defender o indefensável.

Comentário de Filipe Moura
Data: 4 de Julho de 2008, 15:55

Respondendo ao Lidador (9:04) pela última vez:

“corresponderá a desigualdade máxima a uma entropia máxima?”

Isto foi uma pergunta que eu lhe fiz, Lidador (a resposta é não, por sinal). Você, para a responder (e sem nunca a responder completamente), meteu completamente os pés pelas mãos, chegando ao ponto de defender barbaridades como

“desenvolvimento de todas as coisas no universo é do mais complexo para o mais simples”

Eu não sei em que universo é que você vive (ou o que é que entende por “mais simples”). O que você afirmou é contrariado no dia a dia. Haver muitas coisas mais simples não torna o universo mais simples: bem pelo contrário. Um monte de pedras é mais complexo que uma casa, que é algo que tem uma estrutura, é arrumado e organizado. Eu já desisti de o tentar convencer (é inútil). Já lhe demonstrei o absurdo que defende recorrendo a matemática do ensino secundário. Você manifestamente não percebe. Lamento, mas o problema é seu. É você que não percebe. Agora não vou tolerar mais que diga que sou eu que não percebo, porque é o contrário. E isto não é “puxar os galões” académicos: qualquer pessoa que leia a discussão que tivemos no tal post (e os comentários que continua a largar, como o que referi agora) percebe de que lado está a razão, menos você. Eu é que já dei demais para este peditório, pelo que este assunto está encerrado. Meta o rabinho entre as pernas.

E agora, chega de perder tempo e vamos aos outros comentários.

Comentário de De Puta Madre
Data: 4 de Julho de 2008, 16:12

A garreia continua …

E ( os dois!) já leram a Vitoria Camps!?!

Não me esqueci!

Comentário de /me
Data: 4 de Julho de 2008, 16:13

Uma pessoa na minha família trabalhou no duro e conseguiu construir ele próprio umas casas, investindo nisso o que poupava. Durante anos a fio não gastou praticamente nada, investiu para depois poder reformar-se sossegadamente, com uma reforma segura. Agora os herdeiros têm casas com inquilinos a pagar misérias (alguns bem ricos e com casas comerciais). E o Filipe Moura acha que essas casas devem ser vendidas ao preço da chuva? Vai roubar para outro lado, Filipe.

Comentário de Lidador
Data: 4 de Julho de 2008, 16:43

“chegando ao ponto de defender barbaridades como
desenvolvimento de todas as coisas no universo é do mais complexo para o mais simples”

A irracionalidade cega-o meu caro FM.
Esta frase não é minha.

É de Fang Li Zhi.

(A Criação do Universo, Gradiva, pag 102)

Certamente que sabe quem é o senhor.
Pela parte que me toca, perdeu o FM uma boa ocasião para estar calado.

Quanto`à “pergunta que eu lhe fiz”, é patética a sua tentativa de tentar dar o dito por não dito. A sua pergunta era retórica…destinava-se a tentrar contradizer-me, uma vez que eu havia dito justamente o contrário.

E ainda bem que você reconhece que a resposta era não.
O que foi exactamente aquilo que eu disse.

Dito isto, meu caro, recomendo-lhe que daqui para a frente evite usar argumentos de autoridade como se bastasse mostrar os galões para tornar válido tudo aquilo que lhe apetece dizer.
Esse nunca foi o caminho da ciência. Se bastasse o estatuto, Bohr teria perdido o debate com Einstein.
Não vá você por aí. Ainda é demasiado novo para se arrogar faustos de prima-dona.

Comentário de Lidador
Data: 4 de Julho de 2008, 16:56

“O que você afirmou é contrariado no dia a dia”

Pois é, mas não no universo como um todo, caraças. Se a ordem aumenta numa parte do sistema é à custa do aumento da desordem no sistema todo.
Chiça, demonstre lá o contrário.
Tem o Nobel da Física garantido.

Claro que se pode sofisticar a análise e considerar a gravitação, e certamente você é bom nisso, mas NÃO PODE NEGAR a 2ª Lei.
Quer dizer, poder pode, mas tem de sustentar isso muito bem.
Até agora só mostrou galões.
É pouco.

Comentário de De Puta Madre
Data: 4 de Julho de 2008, 17:00

Me

A chuva anda muito cara…

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 4 de Julho de 2008, 17:10

Caro Filipe,

Só reagi porque acho que as referências ao Porto, negativas como sempre, vieram totalmente a despropósito. E não me revejo nessa do kalimero (tipo primeiro-ministro, sempre a vitimizar-se), porque o Porto deve culpar-se a si próprio pela situação em que se encontra.
Sobretudo porque também gosto muito de Lisboa e dos lisboetas, só não suporto essa mania de superioridade e de considerarem o resto do país paisagem. Por isso é que, apesar de gostar muito de Lisboa, os meus horizontes nem sequer passam por aí. Acho que o Porto se deve desenvolver para o norte da Europa. É por aí que deve passar o seu desenvolvimento, como já foi desde a Idade Média. Esquecer que Lisboa existe e partir para o resto do mundo.
Quanto às praxes, na esmagadora maioria dos casos (a maioria que nunca aparece nas notícias), são uma excelente forma de integração, como foi no meu caso (o pior que me quiseram fazer foi pôr-me a cantar Quim Barreiros, e mesmo isso recusei).
Não se pode é confundir com aqueles que humilham e até violam, porque isso não é praxe – é crime.
Só mesmo alguém que não está por dentro do que é uma praxe é que podia dizer uma coisa dessas. Só mesmo um gajo de Lisboa. A não ser que privilegies as relações «à moda de Lisboa», tipo Luís Filipe Vieira, Vale e Azevedo, Jorge Gonçalves (ex-Sporting fugido para Angola), Inocêncio Calabote ou os pedófilos todos da Casa Pia e do Parque Eduardo VII.
(Na boa, ok?)
Já agora, regressando ao tema, o centro histórico do Porto é um exemplo elucidativo desta questão dos senhorios, inquilinos e rendas. E se fosse fácil de resolver, o Porto não estava a cair aos bocados há tantos anos!

Comentário de Filipe Moura
Data: 4 de Julho de 2008, 17:42

Lidador, você é que não deveria citar frases que não percebe. Você não percebe a frase que citou. Pense no exemplo da casa e das pedras que eu lhe dei, antes de citar frases que não percebe.

“E ainda bem que você reconhece que a resposta era não.
O que foi exactamente aquilo que eu disse.”

Você nunca me respondeu à pergunta. Eu sabia desde o princípio que a resposta era “não”.

“recomendo-lhe que daqui para a frente evite usar argumentos de autoridade como se bastasse mostrar os galões para tornar válido tudo aquilo que lhe apetece dizer.
Esse nunca foi o caminho da ciência.”

Pois não. Tem toda a razão. No que não tem razão é em acusar-me de usar “argumentos de autoridade”. Quando eu lhe digo que você não percebe, é porque não percebe (creio que por casmurrice). Nunca me viu usar nenhum argumento de autoridade. Quem vai buscar o meu currículo até é você, nunca eu.

Eu nunca neguei a segunda lei da termodinâmica em lado nenhum. Apenas disse – e isso é mais do que óbvio – que a igualdade não é um estado de equilíbrio. E demonstrei matematicamente (coisa que você – mais uma vez! – não percebe).

E não faz sentido nenhum você vir acusar-me de “cegueira ideológica”. Se, como você diz,
“A 2ª Lei, significa que todo o universo virá a ser uniforme, igual: a morte térmica, a máxima entropia”
significa que a igualdade seria “natural”! Ora, Lidador, isso convinha-me a mim, não era? O socialismo seria “natural”! Mas eu nunca disse isso, Lidador: o socialismo não é um estado natural em lado nenhum. Implementá-lo (tal como construir uma casa das pedras) implica realizar trabalho. Sim, e diminuir a entropia da organização da sociedade. Mas o universo não é só a organização da sociedade, sabe?

É espantoso que você não se aperceba do socialismo inerente ao que defende! Eu contrario-o por defender o socialismo e você vem acusar-me de “contrariar a segunda lei da termodinâmica” (sem bases nenhumas) e de “cegueira ideológica”! Logo eu que sou socialista!

Permita-me que lhe recomende o melhor livro de divulgação científica que já li – “O Quark e o Jaguar – aventuras no simples e no complexo”. Pode ver a biografia do autor, Murray Gell-mann (americano e judeu – onde está a “cegueira ideológica”?) aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Murray_Gell-Mann

Leia-o e não volte a citar o que não percebeu. E agora, de uma vez por todas, assunto encerrado.

Comentário de Luis
Data: 4 de Julho de 2008, 18:34

“Eu tenho que trabalhar (dezenas de testes para corrigir) e ganhar o meu sustento, sabem? Não sou senhorio. Não tenho um “complemento” nos meus rendimentos dado pelas rendas de um prédio a preços de mercado.”

Agora que já corrigiu os testes todos, back to basics ?

Tenho alguma dificuldade em perceber porque é que o seu trabalho de corrigir dezenas de testes é mais digno do que o trabalho de alguém que investe o capital de que dispõe numa actividade de alto risco como o arrendamento.
Já o Filipe tem dificuldade em perceber que ser senhorio não é só receber rendas.

Comentário de Dorean Paxorales
Data: 4 de Julho de 2008, 19:15

A pergunta era “como compra o inquilino uma casa quando não tem dinheiro para a renda”. Responde lá.
Ou queres ficar conhecido como o JoaoMiranda do Cinco dias? Polémica de comentários-mil já lá canta…

Comentário de Filipe Moura
Data: 4 de Julho de 2008, 19:45

Pedro Menezes Simões, a experiência que relata é totalmente diversa da minha (mas também o Pedro Menezes Simões é o tal que considera que a “classe média” frequenta os colégios privados – vimos mesmo de meios diferentes). No entanto não chamo “disparate” ao que afirma (e conheço pessoas que alugam casas). Embora ache que as suas descrições de senhorios e estudantes do privado não têm nada a ver com a realidade. É pena que não faça o mesmo. Assim não dá para debater.

Luís, se ser senhorio não é só receber rendas, é o quê? “Alguém que investe o capital de que dispõe numa actividade de alto risco como o arrendamento”? Não me faça rir.

Dorean, se não têm dinheiro para pagar uma prestação de uma casa também não têm dinheiro para pagar uma renda a “preços de mercado”, não é?

Comentário de Saloio
Data: 4 de Julho de 2008, 20:28

Sr. Doutor, Professor, Engenheiro, Filipe Moura: sem ironia, espero que a sua estatura intelectual no campo da física não seja igual ao do campo político.

Porque para mim, simples cidadão sem tal craveira académica – que saúdo com respeito, a física representa o futuro, o amanhã, sei lá…, os foguetões, os neutrões, e toda a panóplia de visões, que Artur C. Clark e Bob Faynman tão esclarecidamente divulgaram.

Contudo, confirmo que o seu pensamento político ficou para trás, nos anos 60, qual leninista agarrado em Chekpoint Charlie numa manhã cinzenta e agreste.

Já por diversas vezes teci comentários contra os seus posts, nunca tendo sido saneado, mas longe de mim criticar a sua teoria politica em si – vivemos em democracia e o senhor é absolutamente livre de pensar o que quiser (ao contrário de países que praticam a sua própria ideologia). E, se calhar, convidaram-no aqui para o “5 Dias” exactamente por isso, por o senhor ainda conseguir representar com alguma convicção as dinossáuricas teorias do catecismo vermelhusco ipsis verbis – é obra!!!. Recorda-me o PREC e o Verão Quente.

Mas eu fico com pena. Sei que o senhor não é burro, e que compreende perfeitamente o que outros comentaristas lhe explicaram atrás, e que até aceitará muito do que foi dito contra o que escreveu (sendo ilusório estar a pegar-se com o Lidador, que é boa malha e seu confrade).

Não sei se me permite uma hipótese pessoal: caso um filho seu herde uma casa arrendada de um avô, por exemplo, e ele precise da casa, o senhor vai fazer o que disse ali atrás?

Não me diga a resposta, porque eu tenho respeito por si.

Digo eu…

Comentário de Carlos Fernandes
Data: 4 de Julho de 2008, 20:44

Então e o(s) caso(s) da tal inquilina de Coimbra com uma casa com 14 assoalhadas ? Pois é, xeque-mate às suas teorias absurdas, caro professor .

Comentário de Model500
Data: 4 de Julho de 2008, 22:41

È obvio que o Lidador nesta questão da entropia está ser muito básico. A quantidade física que dá pelo nome de entropia, e que mede o grau de desordem de um sistema, mais do que aumentar sempre que dois sistemas se unem, tem a particularidade de que a entropia do sistema resultante é maior do que a soma das entropias dos sistemas individuais.

Ou seja, uma excelente metáfora para o socialismo e uma refutação total do neoliberalismo. Na física o lidador é um zero.

Comentário de Filipe Moura
Data: 4 de Julho de 2008, 23:08

Bom fim de semana a todos. Volto a esta questão para a semana. Mas este assunto (do aluguer de casas, não da entropia) não fica por aqui, garanto-vos.

Comentário de Lidador
Data: 5 de Julho de 2008, 13:04

FM, sente-se aqui e respire fundo.
Sei que você é um homem inteligente, acredito que seja excelente na sua área (embora, isto tem de ser dito, de uma arrepiante ignorância em questões económicas e avassaladoramente naive em matéria ideológica) que já percebeu que andou mal e está ansioso por enterrar um assunto que não lhe acaricia o ego, usando a consagrada a técnica de assobiar para o ar trauteando a conhecida rima :

Já disse que não disse isso
Ou talvez o tenha dito
Retiro aquilo que disse
E o que não disse repito.

Back to the basics:

1. Num comentário a um poste do 5 dias, aqui este seu amigo disse que
“Na Física, só há produção de energia quando existe um diferencial entre dois pontos ( de potencial, de temperatura, etc) .
A desigualdade é boa e não intrinsecamente má, como e esquerda acredita.
Sem desigualdade e sem luta por ser, ter, saber ou obter mais, tudo pararia.”
Em termos físicos a afirmação é válida, dentro dos pressupostos lógicos desta ciência. É como dizer que “não existem rectângulos”, numa geometria lobatchevskiana ou “não existem linhas paralelas”, numa geometria elíptica, ou, neste campo em que nos situamos “um sistema isolado em que a temperatura seja igual é um sistema com entropia máxima.”
A passagem da Física para a organização social é , reconheço, algo temerária, mas num comentário num blogue, a metáfora não deslustra, é apelativa e o próprio FM não se coibiu de avançar destemidamente por esse campo.

2. O FM, cuja autoridade na Física eu não tenho credenciais para contestar mas que, quanto o resto está enclausurado num edifício ideológico arcaico e irracional, achou que o assunto lhe dizia respeito e saiu-se com esta frase:
“Sem dúvida que a igualdade absoluta corresponde a entropia mínima, mas corresponderá a desigualdade máxima a uma entropia máxima?”
Esta afirmação é inacreditável, dentro do contexto em que a conversa decorria. Estávamos a falar de temperatura, de energia cinética, e o FM garante sem hesitar que igualdade (de temperatura, não esquecer que era disso que se falava) é entropia mínima.
Ora isto é incompreensível. É como estarmos a falar de geometrias euclidianas e alguém de repente afirmar que é falso que por um ponto exterior a uma recta passa uma só linha recta paralela à recta dada.
De facto pode ser falso, mas não num sistema euclidiano.
Ora se alguém como o FM afirma que um estado de equilíbrio térmico corresponde a entropia mínima, só pode haver três explicações:

Ou se enganou, ou postula a partir de um campo axiomático diferente, ou está a torcer deliberadamente os conceitos, servindo-se do seu estatuto académico para fazer vingar a uma inanidade ideológica. A ignorância está naturalmente excluída, tratando-se da pessoa que é.

3.Mais tarde, num outro comentário, escrevi que “ a tendência geral para desenvolvimento de todas as coisas no universo é do mais complexo para o mais simples, da ordem para o caos, do não equilíbrio, para o equilíbrio térmico.
A hipótese do universo em expansão, que de algum modo evita a morte térmica e implica a infinita produção de diferenças de temperatura, é ela mesmo uma boa metáfora do liberalismo, da contínua criação de riqueza e da consequente criação de desigualdade.
Foi, reconheço, um engodo que o FM se apressou a abocanhar. Agarrou na 1ª frase e carregou de forma descuidada e arrogante, dizendo que “Eu não sei em que universo é que você vive ou o que é que entende por “mais simples”, e continuando por mais algumas linhas a derramar ao comprido a sua “superioridade” sobre uma frase que, subentende-se, considerou estúpida, bem como, obviamente o seu autor. Acreditando que a frase era minha, não hesitou em aconselhar-me a “meter o rabinho entre as pernas”.
Acontece que o autor da frase é um tal Fang Li Zhi, famoso astrofísico chinês , com centenas de papers publicados e que, fugido da China comunista, trabalha hoje numa universidade do inferno neoliberal: os EUA.
O FM percebeu logo que tinha metido mais uma vez os pés e na resposta foi um gosto vê-lo a retorcer-se. Não mais a frase estava em causa, eu é que não a tinha percebido. “ Lidador, você é que não deveria citar frases que não percebe. Você não percebe a frase que citou.”
Ou seja, o FM começa por ridicularizar a mensagem, pensando que era eu o autor, e quando soube quem era verdadeiro autor, foi acometido de dissonância cognitiva, que tentou reduzir do modo clássico: atacando o mensageiro que não “percebe” a mensagem. Na verdade eu não interpretei a frase, limitei-me a transcrevê-la ipsis verbis. O FM ao atacá-la é que demonstrou cabalmente não a perceber.
Tudo isto é estranho. O FM, que se move nos becos do Bloco de Esquerda, revela uma inacreditável infantilidade nas tácticas elementares de debate. A esquerda já não é o que era.
E é deplorável que um homem perdido nos labirintos de uma ideologia patética que jaz há muito na vala comum da História, por ter alcançado a excelência numa área do conhecimento, acredite que pode agir de forma pesporrente, chutando para onde está virado, sem cuidar da guarda, como se à sua volta todos fossem ignorantes.
Infelizmente o FM não parece (ainda) entender o mais básico paradoxo: ele, que incensa retoricamente a igualdade, foge naturalmente a ela no seu próprio metier, procura ser o melhor, o mais conhecedor, o que está mais à frente na procura do conhecimento. É elitista (e bem), mas recusa que o é e sobretudo condena o elitismo, ao mesmo tempo que se reivindica facticamente como elite. A má fé, no sentido próprio que o Sartre lhe deu e de que, aliás, foi um dos maiores exemplos.

Este tipo de atitudes paradoxais de uma certa intelectualidade “shallow”, em termos filosóficos, está muito bem descrito em trabalhos como :
-The Hostility of Intellectuals to Capitalism, (Ernest van den Haag)
-Socratic Puzzles -Why do Intellectuals Oppose Capitalism? (Robert Nozik) e finalmente uma obra notável que, sem sarcasmo, o aconselho vivamente a ler, se quiser alçar voo para lá dos muros em que uma simplista e simplória formatação ideológica o encerra:
-O ópio dos intelectuais (Raymond Aron)

Porque, meu caro FM, anda que não o saiba, em termos político-ideológicos, você é um caso de catálogo. Comunga da amálgama ideológica que caracteriza a “bempensância”: uma mistura estranha de liberalismo clássico, com cristianismo, utopia libertária, pieguice, demagogia floribélica e crenças vagamente socialistas. Um indigesto pot pourri assumido como a “Verdade”, por muitos intelectuais formatados no cadinho do marxismo cultural.
É essa amálgama irracional que o leva politizar a sua credibilidade científica.
Faça um favor a si mesmo: liberte-se dessa canga ideológica que o diminui e leia Raymond Aron.

Comentário de Helena Velho
Data: 5 de Julho de 2008, 13:57

Raramente me dou “ao trabalho”( sim que ler estes comentários, e alguns completamente acéfalos! dá que fazer!) de ler com total dedicação tudo o que é escrito nas caixas de comentários de um tema que não me é especialmente grato…
Mas, Filipe Moura numa linha , apenas!, quero-lhe dizer:

A sua capacidade( leia PACIÊNCIA) é louvável!

Ah! e eu sou do Porto, não portista, e penso por mim( tenho mais do que três neurónios…o último pet-scan revelou uns mil milhões(itos) ) e sou anti-praxe , não compreendo a guerra Porto-Lisboa( embora às vezes fique aborrecida por certos eventos serem por aí e não ter €€ e tempo para os ir ver!!), não bebo só vinho do Porto( adoro vinho Alentejano!) …entre outras coisas!

..quanto aos senhorios e rendas eu, a quem sairam alguns inquilinos no tide – não é no bolo rei porque me faz lembrar o senhor silva-( eu sei lá como e que os meus avós as conseguiram!?) digo que, infelizmente nenhum dos inquilinos as querem comprar, porque mal podem pagar as baixa rendas! e quem é o sacro banco que empresta dinheiro para um bem essencial, a quem não tem nada para dar em troca??? porque 30.000€ por um t 4, com 50/60 anos, parece uma bagatela para quem comprou um apartamento t3 por 250.000 €, certo?Mas, pensem bem …é mesmo??

Comentário de Optimista
Data: 5 de Julho de 2008, 14:59

O que disses é pura parvoíce e acerca de Vasco Gonçalves:
Vasco Gonçalves foi um dos que começou a destruir o país, que nao aproveitou a oferta dos militares e começou a destruir o país. Que chegou um dia a um país nórdico e disse: Lá em Portugal estamos a acabar com os ricos, disse isso num país onde estavam a acabar com os pobres. Tenham dó, preocupem-se com o presente. Pelo menos se fosse tudo privado, os políticos nao roubavam tanto. Nos países nórdicos os impostos, as empresas públicas funcionam porque são competentes e nao roubam.

Comentário de Luis
Data: 5 de Julho de 2008, 18:37

“Luís, se ser senhorio não é só receber rendas, é o quê? “Alguém que investe o capital de que dispõe numa actividade de alto risco como o arrendamento”? Não me faça rir.”

1) Para arrendar casas, é preciso tê-las (1ª lei de La Palisse). E a posse decorre necessariamente do investimento – mesmo que dos seus antepassados. É capital, que podia estar investido noutra actividade, ou pura e simplesmente sossegadinho, num banco, a render 3%. Volto ao exemplo do banco: imagine que lhe confiscam tudo o que tem no banco. Boa sorte.

2) Admitir um inquilino é uma actividade de risco. Se, depois de pagar 1 ou 2 rendas ele deixa de pagar, só ao fim de 3 meses de rendas em atraso pode iniciar o processo de despejo. Com sorte, dependendo da cidade em questão, em 3 anos tem o problema resolvido e consegue tirá-lo de lá. Nessa altura, constata que teve a casa ocupada, não recebeu um tostão, pagou impostos, advogado, tribunal, despesas de condomínio, etc – e vai receber ZERO. Com muita sorte, o inquilino vai embora a meio do processo – e aí, você desiste, porque sabe que a hipótese de encontrá-lo é ZERO, também. Em qualquer dos casos, o prejuízo é sempre seu. Depois, terá que voltar a fazer obras.

3) Rendas antigas – Quem, com 2 dedos de testa, pode exigir a alguém que recebe rendas congeladas, que invista o que não tem, para fazer obras, sem qualquer perspectiva de retorno do investimento?

Comentário de Luis
Data: 5 de Julho de 2008, 18:42

“Dorean, se não têm dinheiro para pagar uma prestação de uma casa também não têm dinheiro para pagar uma renda a “preços de mercado”, não é?”

é exactamente aqui que está o maior erro do seu raciocínio – porque não se apercebe que se os inquilinos têm capacidade para comprar, não devem, não podem, beneficiar de rendas congeladas, nem de estar numa posição que lhes permite ROUBAR o imóvel.
E os que não podem pagar, também não comprariam.
Logo, sobra o Estado. Tendo em conta que falamos de 400.000 rendas congeladas, e que você assume que a generalidade dos inquilinos são pobres e não podem comprar, faça as contas, a preços de mercado.

Comentário de De Puta Madre
Data: 5 de Julho de 2008, 19:39

Sr. Optimista:
eh eheh eh hehe; LOL; LOL; LOL!!!!!!!!!!!!!!!!

MORAL DA HISTÓRIA DO MEU LARGO E PROFUNDO RISO!

ASSASSINARAM O SENHOR QUE QUERIAM ACABAR COM OS POBRES!!!!!!

Ou seja: o OLOF PALM!

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 5 de Julho de 2008, 21:19

esta conversa miserabilista é muitíssimo interessante. só tem um problema: a realidade. diz a helena velho: ‘porque 30.000€ por um t 4, com 50/60 anos, parece uma bagatela para quem comprou um apartamento t3 por 250.000 €, certo?Mas, pensem bem …é mesmo??’. pois, helena. eu vivo num apartamento não com 50/60 anos mas para aí com uns 200. 150, vá. quando o comprei, em 1996, no prédio só havia uma moradora. uma sra com 80 anos, que ocupava uma casa igual em tamanho à que eu comprei. pagava para aí 5 euros. eu comprei a casa por 25 mil contos, paguei sisa e 11 mil contos de obras. mas antes de comprar a minha casa, fui falar com a sra, porque a dela era um andar acima da minha e tinha melhor vista. queria saber se podia fazer-lhe uma proposta. ela disse-me que só saía da casa pelo mesmo valor pela qual ela estava a ser vendida: 25 mil contos. porque, explicou, a casa era dela. para quem não percebeu, ela exigia uma indemnização igual a valor de venda da casa. a casa dela tinha problemas de infiltrações em várias divisões que ela não usava e ela queixava-se o tempo todo que o senhorio dela não os resolvia. como eu me mudei para o prédio, passou a achar que eu tinha a obrigação de pagar eu os arranjos na casa dela. como o prédio não tinha sistema de abertura de porta nem luz na escada nem intercomunicador, entre as minhas exigências a quem me vendeu o apartamento estavam essas cosas todas. foi colocada uma fechadura na porta e foi preciso mandar fazer chaves. avisei a senhora de que ia passar a haver fechadura na porta e convidei-a a vir comigo mandar fazer uma chave para ela, enquanto eu mandava fazer as minhas. chegada à loja, mandei fazer as chaves, incluindo uma para ela. na altura de pagar, ela não se mexeu e eu naturalmente paguei a chave. quando lha entreguei, disse-me que precisava de outra para o ‘filho engenheiro’. por duas vezes, entrou-me água em casa porque ela tinha as janelas da varanda estragadas e alcatifa no chão e quando chovia entrava-lhe água em casa que ensopava a alcatifa e passava para a minha através do tecto. este problema acabou por ser resolvido pela minha pressão sobre o senhorio dela. esta senhora, que tinha outra casa em nome dela na zona de lisboa e que era tudo menos uma pessoa destituída, acabou por ser despejada pelo senhorio seguinte, já que deixou de pagar as rendas — meteu na cabeça que devia continuar a pagar ao anterior senhorio, que entretanto vendeu o prédio, e por mais que eu a avisasse de que estava a cometer um erro, não me ouviu. a batalha em trbunal durou anos. a casa que ocupava foi vendida por 45 mil contos, no estado em que estava, em 2002/2003. as obras de recuperação orçaram em cerca de 20 mil contos. diga-me, helena velho, o que é que isto lhe diz. que 30 mil euros não é uma bagatela? só a gozar.

Comentário de De Puta Madre
Data: 5 de Julho de 2008, 21:52

Um verdadeiro conflito de gerações, esta coisa dos “inquilinos e senhorios”.

Comentário de Helena Velho
Data: 5 de Julho de 2008, 23:45

Fernanda

Certamente tenho alguma dislexia que desconhecia…e pelo facto peço desculpa. O que eu quis dizer, e sem falsos miserabilismos, é que há muita, muita gente que habita casas de renda muito baixa, mas não têm, de facto, condições para investir na casa, fazer obras, nem sequer para dar uma pintadela por dentro, nem filhos “engenheiros”, alguns nem vêem os filhos há anos, nem têm espírito de sanguessugas, nem se escudam numa pseudo senilidade para usurpar o mérito/direito dos outros, como lhe fizeram!..E ,para essas pagar 30.000 € por uma casa é impossível, certo? o que eu comparei foi a disparidade de conceito: para esse tipo de pessoas os 30.000 € é uma fortuna…face a rendimentos de miséria… e quem não tem rendimentos não tem acesso a crédito( isto eu sei que é mesmo assim!) nem para comprar mercearia no jumbo! será que desta vez consegui superar a minha inabilidade para me expressar?

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 6 de Julho de 2008, 1:17

helena velho, com certeza que há gente que não pode comprar uma casa por 30 mil euros. não creio que tenha havido aqui alguém a defender o contrário a não ser o filipe moura, que se fartou de dizer que se os senhorios estavam tão amargurados com as rendas de 5 euros deviam vender as casas aos inquilinos. a questão, obviamente, não é nem pode ser essa. os donos das casas, que são tão donos das casas como o filipe moura será dono do computador dele e do carro dele, se os tiver, mais da roupa e dos sapatos e da conta no banco, não têm como entender por que devem, por decisão estatal, fornecer casas de renda controlada a toda a gente que lá está dentro há 30 ou 40 anos, independentemente do seu rendimento. e mesmo que o rendimento das pessoas em causa seja diminuto, não percebo por que raio devem ser os senhorios a, à custa do respectivo prejuízo, assegurar um tecto a essas pessoas, nunca reparei que os bancos que emprestam o dinheiro e que por via das hipotecas são os grandes senhorios do país estivessem, apesar de ricos, para perdoar dívidas ou baixar rendas por causa da falta de rendimento dos clientes. se calhar o filipe devia exigir a renacionalização dos bancos, para ser um bocadinho coerente. agora a cena de ‘endireitar’ as injustiças do mundo à conta de meia dúzia de senhorios miseráveis é um bocado tonto de mais.

Comentário de Carlos Fernandes
Data: 6 de Julho de 2008, 2:12

Cara Fernanda Câncio, e o facto é que à Banca interessa e de que maneira estas opiniões de pessoas ( verdadeiros idiotas úteis) como o FMoura que denigrem o mercado de arrendamento chamando parasitas a uns agentes desse mercado, pois interessa-lhes, à Banca, ao máximo que o mercado de arrendamento funcione mal para que as pessoas optem não por arrendar mas por comprar casa, assegurando-lhes quer por via das hipotecas accionadas quer pelo valor das prestações mais juros, lucros estes sim Senhoriais e colossais e imorais.
Por outro lado de notar e constatar que raras vezes os jornais e a imprensa apresenta notícias ou artigos de opinião mais críticos e desfavoráveis sobre a Banca, (que tem funções também positivas, obviamente)pudera, são dos principais anunciantes e accionistas dos Media…

Comentário de Filipe Moura
Data: 6 de Julho de 2008, 3:01

Agora são os bancos as vítimas e eu o “idiota útil” dos bancos! Penso comprar casa em breve – levo este texto ao meu banco e pode ser que me diminuam o spread! Espero que estejam todos contra os bancos quando o assunto for outro, como seja pôr cobro aos escandalosos lucros da banca (que – descansem – não são só dos empréstimos bancários). Ou será que isso já vai contra a “liberdade individual”?
Pois bem, nada do que eu disse implica estar do lado dos bancos e não requerer um limite aos juros que, se cobrados em excesso, são agiotagem.
O que eu vejo é que nenhum de vocês sabe o que é alugar uma casa. Se crêem que alugar uma casa é assim tão fácil, por que não a alugam?
Fernanda, o que relatas é consequência de viveres num prédio com 150 anos. Opção tua. Tens outras vantagens: estás no centro da cidade. Não podes querer chuva na eira e sol no nabal.
E vê se entendes: computadores (e apesar de tudo carros, infelizmente), e chapéus há muitos. Já dizia o Vasco Santana. Casas é que não (ou se há não deveria haver). Por isso deve atribuir-se casas a quem delas precisa. Um dos fundamentos da minha posição é este: não concordo que se fabriquem e vendam casas como quem vende chapéus. E creio que toda a gente tem direito a uma casa que lhe pertença a si. Só quem nunca a teve sabe dar valor a isto. Não há bem mais precioso.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 6 de Julho de 2008, 11:19

‘Fernanda, o que relatas é consequência de viveres num prédio com 150 anos. Opção tua. Tens outras vantagens: estás no centro da cidade. Não podes querer chuva na eira e sol no nabal.’ filipe, um dia hás-de explicar-me, devagarinho e com muita paciência, em que é que a narrativa sobre a minha ex-vizinha tem a ver com a idade do prédio, e qual a parte em que me queixei do prédio, ou neguei ter feito a opção (mais que óbvia) de comprar o apartamento onde resido. parece-te, pelos vistos, normal que uma pessoa pague 5 euros por uma casa que a valor de mercado valeu 225 mil euros e neste momento, após as obras, vale 350 mil. parece-te, pelos vistos, natural que a pessoa apesar de pagar cinco euros exigisse ao senhorio obras que só podia custar muitos milhares de euros e que pela falta de cuidado ocasionasse prejuízos a terceiros (neste caso, a mim). parece-te pelos vistos natural que essa pessoa achasse ter tanto ‘direito’ a dispor da casa como o senhorio, e que se considerasse na situação de ser ’servida’ por qualquer co-proprietário do prédio. tudo isto te parece natural e desejável, claro. o facto de a senhora em causa ser ela própria senhoria — detentora de um apartamento na zona de lisboa que não usava — deve ser irrelevante. porque, coitada da senhora, era uma explorada e uma vítima do malandro do senhorio.

‘O que eu vejo é que nenhum de vocês sabe o que é alugar uma casa. Se crêem que alugar uma casa é assim tão fácil, por que não a alugam?’ filipe, obviamente já vivi numa casa alugada. não por cinco euros, temo dizer. como muitos dos meus amigos. procurámos e encontrámos. os preços são altos? pois são. como os preços das casas à venda. altíssimos. mais um motivo para ser um escândalo haver quem pague tão pouco.

e, por fim, ‘ Só quem nunca a teve sabe dar valor a isto. Não há bem mais precioso.’ isto é suposto fazer-nos puxar do kleenex? por favor.

Comentário de De Puta Madre
Data: 7 de Julho de 2008, 2:00

Este incêndio parece bruxedo!!!
Falaram tanto que a Baixa começou a arder …

Comentário de De Puta Madre
Data: 7 de Julho de 2008, 2:09

Fernanda: Deus ouviu as tuas lamúrias …, parece.

Comentário de De Puta Madre
Data: 7 de Julho de 2008, 2:27

Incêndio conveniente … Av. Da Liberdade …

“Uhmmm, os imperialistas do cimento já rezam por um terramoto à 1755 há muito tempo. Mas na falte dele, uma guerrinha ( cirúrgica) não ia mal …” ou um fogo …
Tudo dorme?

Comentário de Luis
Data: 7 de Julho de 2008, 10:45

“O que eu vejo é que nenhum de vocês sabe o que é alugar uma casa. Se crêem que alugar uma casa é assim tão fácil, por que não a alugam?”

Sim, é difícil. É mais fácil, no imediato, comprar. Porquê ? Em grande medida devido ao congelamento das rendas (que transferiu a propriedade de facto do senhorio para o inquilino) e à inacreditável morosidade do sistema judicial – que transforma a decisão de arrendar numa verdadeira roleta russa.

“Fernanda, o que relatas é consequência de viveres num prédio com 150 anos. Opção tua. Tens outras vantagens: estás no centro da cidade. ”
Seguramente. É precisamente no centro das cidades, que o problema se coloca com mais acuidade. È nessas zonas que se encontram os casos mais flagrantes de casas com 10, 12, 14 assoalhadas, com rendas de 50 euros. Mas parece que para esses inquilinos já pode haver sol na eira e chuva no nabal.

“(..) computadores (e apesar de tudo carros, infelizmente), e chapéus há muitos. (..) Casas é que não (ou se há não deveria haver).”
Casas, há muitas. Há centenas de milhar de imóveis devolutos. Casos de prédios com 1, 2 residentes , são aos pontapés.

“E creio que toda a gente tem direito a uma casa que lhe pertença a si. ”

Porquê? Se me disser que toda a gente deve ter habitação, muito bem. Daí a que tenha que ser seu proprietário, vai uma distância muito longa.
O arrendamento, em condições normais, é a forma mais racional de permitir a jovens em início de vida acederem a uma habitação à sua medida, em vez de terem de se lançar de cabeça numa compra de algo a 30 ou 40 anos, que os limite nas suas opções de vida.

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 7 de Julho de 2008, 20:09

«Ah! e eu sou do Porto, não portista, e penso por mim( tenho mais do que três neurónios…o último pet-scan revelou uns mil milhões(itos) ) e sou anti-praxe , não compreendo a guerra Porto-Lisboa( embora às vezes fique aborrecida por certos eventos serem por aí e não ter €€ e tempo para os ir ver!!), não bebo só vinho do Porto( adoro vinho Alentejano!) …entre outras coisas!»

Como gostam de mencionar o Porto a despropósito, eu também sou do Porto; mas sou portista; e também penso por mim; mas sou a favor da praxe; e também não compreendo a guerra Porto – Lisboa; e também não bebo só Vinho do Porto; e também gosto muito de vinho alentejano (embora não perceba a comparação entre Vinho do Porto e vinho alentejano).

Comentário de Manel
Data: 7 de Julho de 2008, 22:16

Um fala de igualdade num sistema termodinâmico como sendo uniformidade de temperatura, outro como todos os microestados serem o mesmo.

Com dois conceitos diferentes e não equivalentes chegam a conclusões opostas e passam longos posts a tentarem convencer sabe deus (ou o diabo) quem que o outro é estupido.

Tudo isto misturado com tentativas de criar homomorfismos do campo da termodinâmica/física-estatística para as “ciências” sociais.

Haja paciência.

Comentário de Filipe Moura
Data: 8 de Julho de 2008, 1:07

Essa do “homomorfismo” com as “”ciências” sociais” (note-se a colocação das aspas) está fixe… Eu sei que o que está errado na posição do Lidador não são as conclusões mas os pressupostos. E não vejo outro conceito de igualdade que seja vagamente homeomorfo ao das ciências sociais que não seja o da unicidade do microestado, que foi o que usei desde o princípio.

De qualquer maneira, ninguém aqui chamou “estúpido” a ninguém. Haja paciência, realmente.

Comentário de Filipe Moura
Data: 8 de Julho de 2008, 1:10

“Porquê? Se me disser que toda a gente deve ter habitação, muito bem. Daí a que tenha que ser seu proprietário, vai uma distância muito longa.”

Pois é uma distância muito longa. Tão longa como a que nos separa politicamente…
Para mim, “ter” uma coisa e ser proprietário dela são sinónimos. Quem vive em casa alugada não “tem” casa.

“O arrendamento, em condições normais, é a forma mais racional de permitir a jovens em início de vida acederem a uma habitação à sua medida, em vez de terem de se lançar de cabeça numa compra de algo a 30 ou 40 anos, que os limite nas suas opções de vida.”

Concordo que não se deve comprar uma casa de ânimo leve (daí a necessidade do mercado de aluguer). De qualquer maneira a solução para isso era um mercado de casas mais dinâmico. Já é assim com as passagens de avião; lá chegará o tempo em que será assim com as casas.

Comentário de Machado
Data: 8 de Julho de 2008, 7:21

Filipe,

discordo quando diz que “ter” uma casa é sinónimo de “ser proprietário”. eu alugo um apartamento e no entanto, continuo a achar que é a minha casa. também sou investigador, em física. e quando se trabalha no privado, a posição na empresa está longe se ser segura. e empresas R&D não é coisa que se encontra por aí em qualquer esquina. explique-me lá quem, nesta condições, vai comprometer-se a comprar casa. investigador não é só trabalhar ad eternum numa universidade sem risco de ver a sua posição ameaçada…

Comentário de Lidador
Data: 8 de Julho de 2008, 10:38

“Eu sei que o que está errado na posição do Lidador não são as conclusões mas os pressupostos.”

Caro Fm, eu sei que o que está errado na sua posição é querer torcer os pressupostos para os adaptar às conclusões. O contrário da ciência, by the way.
Quanto ao resto, a metáfora era simples e mantém-se: só há acção se houver diferenças, dê-lhe você as voltas que lhe der.

e qualquer maneira, ninguém aqui chamou “estúpido” a ninguém. Haja paciência, realmente.

“Para mim, “ter” uma coisa e ser proprietário dela são sinónimos. Quem vive em casa alugada não “tem” casa.”

Falta aí o factor “tempo”. “Ter” é por quanto tempo? Só tem razão se aplicar o “ter” ao tempo todo, até à eternidade ou à sua morte, ou à morte do bem em questão.
Pelo seu raciocínio, se já vendeu algo que tinha, na verdade nunca o “teve”.
Alugar uma casa é tê-la durante algum tempo. Comprá-la é tê-la durante mais tempo. Ou não.
E na verdade quem compra a crédito tem menos do que que aluga. A casa está hipotecada e se deixar de pagar arrisca-se a ficar sem ela e sem o dinheiro que já pagou. Que diz uma casa, diz um carro, ou qq outro bem não imediatamente consumível.

“Concordo que não se deve comprar uma casa de ânimo leve (daí a necessidade do mercado de aluguer). De qualquer maneira a solução para isso era um mercado de casas mais dinâmico. Já é assim com as passagens de avião; lá chegará o tempo em que será assim com as casas.”

E para ter um mercado de casas mais dinâmico, é preciso que os proprietários tenham a certeza de lucrar. É o lucro que faz mover o mundo, não as patacoadas moralistas à Frei Louçã.
Tal com as companhias aéreas. Vendem barato porque têm de concorrer e querem lucros.

Não foi o Estado que “fez” preços baixos e abundante oferta na aviação ou nas telecomunicações.
Foi exactamente o contrário. Deixar o mercado trabalhar, dedicando-se o Estado a regular e a garantir condições de direito e de concorrência.

Se formos a ver bem, por detrás das fumaças ideológicas que intoxicam o FM, está afinal um liberal em potência, cujo problema principal é ter lido Marx a mais e Adam Smith a menos.
Nada que se não resolva.

Comentário de Luis
Data: 8 de Julho de 2008, 11:05

“Pois é uma distância muito longa. Tão longa como a que nos separa politicamente… Para mim, “ter” uma coisa e ser proprietário dela são sinónimos. Quem vive em casa alugada não “tem” casa.”
Porquê ? Sente-se mais proprietário a pagar ao banco?

“Concordo que não se deve comprar uma casa de ânimo leve (daí a necessidade do mercado de aluguer). De qualquer maneira a solução para isso era um mercado de casas mais dinâmico. Já é assim com as passagens de avião; lá chegará o tempo em que será assim com as casas.”
Não chegará, pode ter a certeza. Enquanto alguém que pensa arrendar perceber que corre o sério risco de ficar 3 ou mais anos para resolver um simples problema de pagamento de renda, só alguém inconsciente arrisca. Isso leva a que haja pouca oferta e preços elevados (para compensar o risco). Logo, do lado da procura só sobra quem não tem crédito, ou quem necessita de casa por períodos curtos. Logo, o risco é elevado. Logo…

Comentário de Manel
Data: 8 de Julho de 2008, 12:06

«De qualquer maneira, ninguém aqui chamou “estúpido” a ninguém. Haja paciência, realmente.»

Eu não escrevi que chamaram “estúpido”, apenas disse que tentam convencer que o outro é. Leia com atenção e seja rigoroso.

Desde dizer que citou uma frase sem saber o que quer dizer até insinuar que o doutorado em Física (perdão, PhD que sempre são mais uns aninhos de “estudo”) não sabe (ou aldrabou) o que é a segunda lei da termodinâmica, vale tudo.

O resultado final nos dois threads ainda fica mais interessante do que o comentário original do Dr. Filipe Moura sobre os senhorios que por si só já é bem divertido.

Fico à espera dos homomorfismos entre transições de fase e revoluções sociais.

Comentário de Filipe Moura
Data: 8 de Julho de 2008, 12:44

“eu alugo um apartamento e no entanto, continuo a achar que é a minha casa. também sou investigador, em física. e quando se trabalha no privado, a posição na empresa está longe se ser segura. (…) explique-me lá quem, nesta condições, vai comprometer-se a comprar casa. investigador não é só trabalhar ad eternum numa universidade sem risco de ver a sua posição ameaçada…”

Olhe, na universidade pública, presentemente, também não. Eu que o diga! E conheço muita gente que compra ou pensa comprar casa.

E esse argumento é engraçado – primeiro querem acabar com tudo o que seja segurança no emprego, e depois dizem que “já não há empregos seguros” que permitam comprar casa – com a instabilidade laboral, só se pode alugar. Mais vale defenderem de vez que querem acabar com o direito à casa própria. Eu admito – considero que o mercado de aluguer de casas deve ser a excepção e não a regra. Deve ser desencorajado ao máximo.

Comentário de Lidador
Data: 8 de Julho de 2008, 12:51

“querem acabar com tudo o que seja ”

Já cá faltava a conspiração cósmica à taxista.
“Eles” querem, “eles” são maus, “eles” reunem-se em noites de Lua Nova, em volta de poções e caldeirões , a congeminar o mal, a planear acabar com os empregos dos bons.

“Eles”.
Quem?
Os demónios, os judeus, os capitalistas, os que estiverem a dar.
Faz sempre um jeitão personaliza as forças impessoais.
Possibilita bodes expiatórios e moralismos imbecis.

Comentário de Filipe Moura
Data: 8 de Julho de 2008, 13:00

Epá, comentário nº 100! Parabéns ao Lidador!

Comentário de Pedro Menezes Simoes
Data: 8 de Julho de 2008, 13:16

Comentário de Filipe Moura
Data: 3 Julho 2008, 21:53
Comentário de Filipe Moura
Data: 4 Julho 2008, 14:48

“Caro” Filipe Moura

Não sou nem Calimero (acredito mais na acção que nos lamentos), nem insultei alguma vez algum lisboeta pela sua condição “geográfica”. Antes pelo contrário, várias vezes pedi moderação, elevação e discernimento aos meus conterrâneos sempre que me pareceu que estariam a fazer críticas injustas, ou a usar termos que poderiam ser mal interpretados (ou que simplesmente dirigiam a crítica ao alvo errado). E isto inclui os blogues nortenhos em que participo ou comento.

E, da mesma forma, não deixo de reagir aos insultos gratuitos e xenófobos de pessoas como o senhor que, pelo nível de instrução de que usufruiram, têm obrigação de melhor. Como compreenderá, ser tolerante não é compatível ser indiferença face à intolerância.

Confesso que a sua capacidade argumentativa fascina-me, e esta só é superada pela sua xenofobia e falta de educação. Seguramente não frequentamos os mesmos meios.

P.S. Tenha o cuidado de não se esquecer de verificar a origem dos alunos antes de corrigir os exames, não vá algum deles ser do Porto e não o chumbar. Identificar um portuense não é muito difícil: é o aluno com cara de Manuel Serrão, que está trajado e tresanda a vinho, que se faz acompanhar sempre de um cão e de um gato, e que começa todas as respostas com “penso eu de que” e termina com “carago”. Só usa caneta azul.

Comentário de Luis
Data: 8 de Julho de 2008, 14:26

“considero que o mercado de aluguer de casas deve ser a excepção e não a regra. Deve ser desencorajado ao máximo.”

Por acaso, mais desencorajado é impossível.

P.S – Ainda não conseguiu dar um único argumento que justifique a imoralidade do arrendamento. Isto, não contando como os “considero que” e “para mim”, claro.

Comentário de Filipe Moura
Data: 8 de Julho de 2008, 15:09

Eu já justifiquei e escrevi muitos. Se o Luís não os quer ler o problema é seu.

Comentário de Luis
Data: 8 de Julho de 2008, 15:38

Filipe,
Os seus argumentos resumem-se a :

1) É contra o arrendamento porque sim – ou melhor, porque as casas são um bem finito. Bom, todos os bens o são, por natureza.

2) Os inquilinos são pobres (quase todos) e os senhorios são ricos (não há senhorios pobres). Se tivesse algum contacto com o mundo real, escusava de dizer (e melhor ainda, pensar) barbaridades destas.

Comentário de Valdemar
Data: 16 de Setembro de 2008, 15:38

Mister Filipe… Tentei vender a minha casa ao sacana do inquilino que teve a ousadia de me oferecer 1/5 do valôr de mercado pois se o Mister Filipe quizer vendo-lha a si não por um preço justo mas apenas por 80% do tal valor de mercado (com inquilinos e tudo)… Como se diz por aqui… You don’t know what you’re talking about!!!
(Sydney)

Comentário de Senhorio
Data: 24 de Fevereiro de 2009, 13:56

É muito facil falar quem não sabe do que fala, certo é que não podemos colocar todos os senhorios num mesmo saco nem todos os inquilinos num outro saco, como se tratasse dos sortudos e dos coitadinhos respectivamente. A realidade é bem diferente, tenho uma moradia arrendada por perto de 50€ a uns inquilinos que tem muitas propriedades na zona, sendo esta a mais a zona mais cara do país, tendo estas arrendadas e com valores bem mais justos. Eu como senhorio sortudo tive de comprar um apartamento que estou a pagar ao banco com uns juros que todos conhecem para poder viver, uma vez que apesar de constar o meu nome nos registos, certo é que não sou dono de nada.
Háááááá ainda existiu uma tentativa de venda ao inquilino, o qual disse que só pagaria uma quantia tão boa que, nem uma pequena garagem só para um carro tem esse valor.
Como senhorio rico e sem saber o que fazer a tamanhos lucros da “minha propriedade” tenho que aguardar que um dia algum dos meus herdeiros tenha a sorte de poder fazer com a propriedade o que bem quizer.
Podemos falar mas era bom que antes tivessemos em conta que nem tudo é como nos contam e como queremos acreditar.

Comentário de Filipe Moura
Data: 25 de Fevereiro de 2009, 5:22

Caro Senhorio, presumo que a propriedade tenha sido arrendada pelo anterior proprietário, de quem a herdou? Se foi, está a pagar um empréstimo ao banco pela sua casa. Sucede a muito boa gente. Se foi o Senhorio que tomou a iniciativa de a arrendar, sem se lembrar de que mais tarde poderia vir a precisar de uma casa, parece-me que não tomou de facto a melhor opção, mas a responsabilidade é sua.
Deixe-me dizer para que fique bem claro que não tenho nenhuma simpatia pelo seu inquilino que paga uma renda barata. Mas já agora: na casa que os meus pais alugam, em Lisboa, no mês passado choveu tanto que a meio da noite tiveram que chamar os bombeiros, pois caía-lhes água dentro de casa. Caiu-lhes o tecto. Como era dentro de casa, são eles, inquilinos, os responsáveis. O senhorio, nada de arranjar o telhado, apesar de ter recebido dinheiro do estado para fazer obras. Os meus pais tentaram, como já tentaram outros inquilinos, telefonar para a sua moradia de luxo no Restelo para se queixarem. Não os atendeu – número desactivado. O senhorio mudou de número de telefone e não avisou nenhum inquilino, conforme o meu pai pôde confirmar. Se isto não é só receber as rendas ao fim do mês, é o quê?

Comentário de A. SARAIVA
Data: 14 de Abril de 2009, 19:25

Uma vez houve um governo comunista que falava mal do capitalismo e que o MERCEDES era carro de capitalista. Um dia esse senhor chegou ao poder, e comprou um MERCEDES.
A minha família veio do campo, trabalharam muito e os dinheiros de uma vida de trabalho duro, investiram num prédio.
Com os congelamentos das rendas, o que se ganhava não dava para comprar 1 kg. de carne.
Quando morria um familiar, o outro que assumia, não tinha dinheiro para pagar as finanças. Houve um familiar que teve 8 anos a pagar impostos e juros as finanças.
Em Santarém ainda há pessoas que recebem pouco mais de 1 €uro de renda e o inquilino ainda quer obras feitas.
Cuba, desde que Fidel Castro tirou as casas aos senhorios que não eram amigos pessoais dele e passou a ser do Estado Cubano, nunca mais houve uma alma que fizesse obras. As pessoas que foram atribuídas casas, deixaram as casas em ruínas, Cuba hoje sem senhorios e por conta do governo, tornou-se uma cidade degradada..

Comentário de A. SARAIVA
Data: 14 de Abril de 2009, 19:59

Aqui em Santarém Morreu uma inquilina com idade avançada. Essa senhora Além da casa dela ocupava um r/c, e dois primeiros andares.
Essa falecida senhora, trabalhou menos de 10 anos na sua vida.
Conseguiu 1 reforma dela, 2 pensões de viúves, e através das casas dos senhorios que ela nunca entregou, conseguiu juntar mais de 150.000 €uros, comprou uma garagem para o filho com capacidade para 3 carros, uma roulote, uma casa na Nazaré, 2 carros novos para o filho, e fez uma série de estravaganças. Essa senhora falava mal da vida, que os senhorios são uns malandros, mas a verdade é que ela fez a sua fortuna de pobre coitadinha á alugar quartos para estudantes, durante mais de 30 anos, no fim de sua vida as casas estavam todas a cair, e ela nunca pois sequer uma telha no telhado para amparar a chuva.
O ultimo inquilino que ela tinha, abandonou a casa porque o chão de madeira abriu-se debaixo de seus pés.
Mesmo assim, as casas em ruínas não foram entregues porquê ela estava a espera de uma indemnização, enquanto isto ela morava, sozinha na sua casinha de 3 andares, e ainda mantinha dois estudantes em sua residência, a render 150 €uros cada um.
As três casas de renda baixas, não ultrapassavam os 30 €uros no total, esta senhora passou a sua vida a queixar-se da pouca sorte e a falar mal dos governantes. Esta dita senhora não declarava seus rendimentos e nem sequer as suas pensões, dizia que era apenas uma pobre viúva com uma reforma de pouco mais de 200.00 €uros.
Como podem ver os sacanas dos senhorios, como ela os chamava, são uns pobres coitados ao pé desta pobre e rica senhora.