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Retórica

23 Junho 2008 | por João Galamba

Num post onde se questiona o significado da Retórica, Nuno Lobo escreve:

“Por tudo isto, é importante esclarecer o seguinte: a retórica de Obama é um fenómeno novo que supera a empobrecedora gestão técnica da coisa pública? ou é a retórica de Obama uma mera redução da política a uma técnica de conquista do poder?”

E o José Manuel dos Santos (um dos meus cronistas preferidos) ‘respondeu-lhe’ num artigo magnífico:

Nesta campanha verbal, Obama reabilitou a retórica política, dando-lhe um novo cuidado e uma nova apropriação. Foi esse o ponto de aplicação em que firmou a alavanca do seu triunfo. Ouvi-lo é voltar a ler a Retórica de Aristóteles. Ele convence porque argumenta (logos), porque emociona (pathos) e porque há um “eu” que diz “vós” e é reconhecido (ethos).

Ao fim de oito anos em que, na boca de Bush, a palavra política foi afasia, gaguez, balbucio, contrafacção e esgar, o discurso eloquente de Barack Obama parece um tributo aos oradores clássicos. Se Obama será eleito (há sempre quem se tenha viciado no esgar), veremos. Se, eleito, resistirá à lógica da máquina infernal, saberemos. Para já, a reanimação de um verbo político inanimado é o início de um início. Num mundo que parecia já não suportar começos, este pode ser um caminho que atravessa o deserto. Porque a dignidade da política começa na dignidade da palavra que a diz.

Platão pode ter suspeitado dos oradores públicos que pontificavam em Atenas (esta é a interpretação que tende a dominar o nosso entendimento da coisa), instituindo uma série de dualismos (razão-emoção, verdade-opinião), mas Aristóteles procurou reabilitar o seu significado na dimensão linguística que caracteriza a acção humana, a essência da política. Ao contrário do que muitos pretendem, a Retórica de Obama não não é (necessariamente) manipulação nem um mero adorno estIlístico; ela é o meio através do qual a palavra política transcende (o que é diferente de abandonar) a simples técnica e o palavreado árido dos especialistas. Ela corresponde ao momento em que entendemos que a verdade precisa de ser comunicada, pois não há logos (razão) sem o poder da palavra

Comentários

Comentário de Lidador
Data: 23 Junho 2008, 11:55

Suspeito que estes elogios untuosos da “Retórica do Obama”, têm menos a ver com a retórica do que com a simpatia dos autores pelo que acham ser um novo D. Sebastião ou até um novo Prometeu.

Nada de novo…os tontos caminham de ilusão em ilusão, necessitam de uma fé, de um transcendente

Talvez devessem relativizar …Hitler tinha tb uma retórica notável, Mussolini idem e os vendedores de cobertores tb.
Isto para não falar dos gurus de seitas várias , capazes de alienar completamente quem está disposto a ser alienado.

Os ratos tendem a seguir o flautista de Hamelin

Comentário de Pedro
Data: 23 Junho 2008, 14:10

Ó lidador, tu, pelo contrário, tens uma retórica deplorável: só dizes asneiras. Vê-se logo que és grunho. Parabéns, pá.

Comentário de The Studio
Data: 23 Junho 2008, 16:06

Por entre as baboseiras sobre Platão e Aristóteles, o que é dito de concreto sobre Obama? É dito que “Ele convence porque argumenta (logos), porque emociona (pathos) e porque há um “eu” que diz “vós” e é reconhecido (ethos).”

É possível que os apoiantes de Obama se convençam porque se emocionam, mas também há quem seja racional e pense em lugar de se guiar pelas emoções. Quanto aos alegados “argumentos” de Obama, alguém lhe conhece um argumento?

Sejamos claros: Obama é pura e simplesmente um produto de marketing. É um produto vendido como qualquer outro pelas campanhas publicitárias. Obama faz as poses, os compassos de espera, os tons de voz que lhe são ditados pelos directores de marketing e limita-se repetir os discursos que decora e que não são escritos por ele.

Não tem qualquer mensagem política e limita-se a reproduzir chavões ocos. Mas a verdade é que Obama vende. A imagem de Obama e a “promessa de mudança” ilude os sequiosos de mudança. Obama é o “fast food” que chegou à política.

Mas para todos os que se deixaram seduzir pelo discurso de Obama… O que é que ele já disse além de “change we can believe” ?

Comentário de The Studio
Data: 23 Junho 2008, 16:11

Só mais uma coisa: A comparação do Lidador entre Obama e Hitler não é nada descabida. O grande sucesso de Hitler deveu-se precisamente aos dois factores que estão na base do sucesso de Obama: Uma grande capacidade para discursar e o grande desejo de mudança por parte da população. Não quero com isto dizer que Obama defenda o que quer que seja semelhante a Hitler. Quero apenas dizer que tanto um como outro são um salto no escuro. No caso de Hitler já sabemos o resultado, no caso de Obama ainda não.

Comentário de Saloio
Data: 23 Junho 2008, 21:00

Estimado The Studio: estou consigo na sua análise.

Pessoalmente, as minhas preferências iam para Hillary…enfim, gostos.

Mas em relação a Obama, o senhor tem toda a razão: a pose, a entoação, o timbre e a expectativa teatral que ele evidencia nas sua campanha, só não é evidente …para quem não quer ver. Não me atrevendo a compará-lo a Hitler, outros houve, que também treinavam a pose e a teatralidade das frases, ao espelho, em Itália…

E é engraçado ver toda a esquerda indígena, e também a estrangeira, hipnotizada a verem em Obama algo que eles sabem bem que ele não vai ser: um esquerdista.

Sabe, o maior cego é aquele que não quer ver.

Digo eu…

Comentário de Nuno Lobo
Data: 23 Junho 2008, 22:12

João Galamba,
Escrevi um post no Cachimbo a “responder” a esta tua “resposta” (peço desculpa por se tratar de um post relativamente longo).
NL

Comentário de Nuno Lobo
Data: 23 Junho 2008, 22:23

A esta “tua” resposta ou a esta “sua” resposta, como achar(es) mais adequado.
NL

Comentário de ezequiel
Data: 24 Junho 2008, 5:32

não poderia concordar mais com o Platão.

Comentário de Anonimo
Data: 25 Julho 2008, 12:51

1: Então vi subir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças nomes de blasfêmia.
2: E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder e o seu trono e grande autoridade.
3: Também vi uma de suas cabeças como se fora ferida de morte, mas a sua ferida mortal foi curada. Toda a terra se maravilhou, seguindo a besta,
4: e adoraram o dragão, porque deu à besta a sua autoridade; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? quem poderá batalhar contra ela?
5: Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias; e deu-se-lhe autoridade para atuar por quarenta e dois meses.
6: E abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome e do seu tabernáculo e dos que habitam no céu.
7: Também lhe foi permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe autoridade sobre toda tribo, e povo, e língua e nação.
8: E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.
9: Se alguém tem ouvidos, ouça.
10: Se alguém leva em cativeiro, em cativeiro irá; se alguém matar à espada, necessário é que à espada seja morto. Aqui está a perseverança e a fé dos santos.
11: E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como dragão.
12: Também exercia toda a autoridade da primeira besta na sua presença; e fazia que a terra e os que nela habitavam adorassem a primeira besta, cuja ferida mortal fora curada.
13: E operava grandes sinais, de maneira que fazia até descer fogo do céu à terra, à vista dos homens;
14: e, por meio dos sinais que lhe foi permitido fazer na presença da besta, enganava os que habitavam sobre a terra e lhes dizia que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia.
15: Foi-lhe concedido também dar fôlego à imagem da besta, para que a imagem da besta falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta.
16: E fez que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, lhes fosse posto um sinal na mão direita, ou na fronte,
17: para que ninguém pudesse comprar ou vender, senão aquele que tivesse o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome.
18: Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis.

Daniel 8:1
1: No ano terceiro do reinado do rei Belsazar apareceu-me uma visão, a mim, Daniel, depois daquela que me apareceu no princípio.
2: E na visão que tive, parecia-me que eu estava na cidadela de Susã, na província de Elão; e conforme a visão, eu estava junto ao rio Ulai.
3: Levantei os olhos, e olhei, e eis que estava em pé diante do rio um carneiro, que tinha dois chifres; e os dois chifres eram altos; mas um era mais alto do que o outro, e o mais alto subiu por último.
4: Vi que o carneiro dava marradas para o ocidente, e para o norte e para o sul; e nenhum dos animais lhe podia resistir, nem havia quem pudesse livrar-se do seu poder; ele, porém, fazia conforme a sua vontade, e se engrandecia.
5: E, estando eu considerando, eis que um bode vinha do ocidente sobre a face de toda a terra, mas sem tocar no chão; e aquele bode tinha um chifre notável entre os olhos.
6: E dirigiu-se ao carneiro que tinha os dois chifres, ao qual eu tinha visto em pé diante do rio, e correu contra ele no furor da sua força.
7: Vi-o chegar perto do carneiro; e, movido de cólera contra ele, o feriu, e lhe quebrou os dois chifres; não havia força no carneiro para lhe resistir, e o bode o lançou por terra, e o pisou aos pés; também não havia quem pudesse livrar o carneiro do seu poder.
8: O bode, pois, se engrandeceu sobremaneira; e estando ele forte, aquele grande chifre foi quebrado, e no seu lugar outros quatro também notáveis nasceram para os quatro ventos do céu.
9: Ainda de um deles saiu um chifre pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa;
10: e se engrandeceu até o exército do céu; e lançou por terra algumas das estrelas desse exército, e as pisou.
11: Sim, ele se engrandeceu até o príncipe do exército; e lhe tirou o holocausto contínuo, e o lugar do seu santuário foi deitado abaixo.
12: E o exército lhe foi entregue, juntamente com o holocausto contínuo, por causa da transgressão; lançou a verdade por terra; e fez o que era do seu agrado, e prosperou.
13: Depois ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: Até quando durará a visão relativamente ao holocausto contínuo e à transgressão assoladora, e à entrega do santuário e do exército, para serem pisados?
14: Ele me respondeu: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; então o santuário será purificado.
15: Havendo eu, Daniel, tido a visão, procurei entendê-la, e eis que se me apresentou como que uma semelhança de homem.
16: E ouvi uma voz de homem entre as margens do Ulai, a qual gritou, e disse: Gabriel, faze que este homem entenda a visão.
17: Veio, pois, perto de onde eu estava; e vindo ele, fiquei amedrontado, e caí com o rosto em terra. Mas ele me disse: Entende, filho do homem, pois esta visão se refere ao tempo do fim.
18: Ora, enquanto ele falava comigo, caí num profundo sono, com o rosto em terra; ele, porém, me tocou, e me pôs em pé.
19: e disse: Eis que te farei saber o que há de acontecer no último tempo da ira; pois isso pertence ao determinado tempo do fim.
20: Aquele carneiro que viste, o qual tinha dois chifres, são estes os reis da Média e da Pérsia.
21: Mas o bode peludo é o rei da Grécia; e o grande chifre que tinha entre os olhos é o primeiro rei.
22: O ter sido quebrado, levantando-se quatro em lugar dele, significa que quatro reinos se levantarão da mesma nação, porém não com a força dele.
23: Mas, no fim do reinado deles, quando os transgressores tiverem chegado ao cúmulo, levantar-se-á um rei, feroz de semblante e que entende enigmas.
24: Grande será o seu poder, mas não de si mesmo; e destruirá terrivelmente, e prosperará, e fará o que lhe aprouver; e destruirá os poderosos e o povo santo.
25: Pela sua sutileza fará prosperar o engano na sua mão; no seu coração se engrandecerá, e destruirá a muitos que vivem em segurança; e se levantará contra o príncipe dos príncipes; mas será quebrado sem intervir mão de homem.
26: E a visão da tarde e da manhã, que foi dita, é verdadeira. Tu, porém, cerra a visão, porque se refere a dias mui distantes.
27: E eu, Daniel, desmaiei, e estive enfermo alguns dias; então me levantei e tratei dos negócios do rei. E espantei-me acerca da visão, pois não havia quem a entendesse.

Apocalipse 6:1
1: E vi quando o Cordeiro abriu um dos sete selos, e ouvi um dos quatro seres viventes dizer numa voz como de trovão: Vem!
2: Olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava montado nele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vencendo, e para vencer.
3: Quando ele abriu o segundo selo, ouvi o segundo ser vivente dizer: Vem!
4: E saiu outro cavalo, um cavalo vermelho; e ao que estava montado nele foi dado que tirasse a paz da terra, de modo que os homens se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.
5: Quando abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivente dizer: Vem! E olhei, e eis um cavalo preto; e o que estava montado nele tinha uma balança na mão.
6: E ouvi como que uma voz no meio dos quatro seres viventes, que dizia: Um queniz de trigo por um denário, e três quenizes de cevada por um denário; e não danifiques o azeite e o vinho.
7: Quando abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto ser vivente dizer: Vem!
8: E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava montado nele chamava-se Morte; e o inferno seguia com ele; e foi-lhe dada autoridade sobre a quarta parte da terra, para matar com a espada, e com a fome, e com a peste, e com as feras da terra.
9: Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que deram.

Voces que são grandes conhecedores da sabedoria secular me digam se podem traduzir o que penso de Barac Obama

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