Vocabolário (2)

Há quase precisamente 30 anos, assisti a uma transmissão televisiva de um Argentina-Hungria, para o mundial de futebol. A coisa estava a ser comentada por um jogador português da altura. A páginas tantas, o relator da RTP mencionou uma qualquer virtude do “futebol magiar”. O craque interrompeu-o de imediato, não conseguindo silenciar um sentido protesto: “desculpe, mas eu acho que a Argentina também tem um futebol bastante magiar!”
Só me escapa o nome do artista; suspeito que foi o Humberto Coelho, mas não consigo, três décadas passadas, garanti-lo. Alguém mais se recorda deste fabuloso momento tele-desportivo?

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16 respostas a Vocabolário (2)

  1. antonio diz:

    Não me lembro, mas tenho pena.
    Em compensação , nunca me esquecerei do comentador que achava “italianos” demasiado…(preencher aqui) e que portanto dizia ‘transalpinos’. Agora a minha profunda suspeita sobre ‘o fundo da questão’ é que a Argentina, tendo portanto um futebol bastante magiar, não o teria contudo suficientemente transalpino. E vice-versa.
    Seja como fôr, a culpa é do governo. Agora por favor não me incomodem com minudências, estou a constituir um grupo de interesses corporativo para exigir uma redução do ISP para mim também. Vou ali incendiar um bocadinho do planeta e já volto. Até ao meu regresso.

  2. Esta ouvi-a/vi-a eu e tenho até uma certa memória visual do momento. Perguntando um jornalista a determinado futebolista português – que já identificarei – o que achava dos jogadores da equipa da Hungria, este respondeu prontamente que «são todos magníficos jogadores, não é por acaso que lhes chamam magiares.» Autor: o guarda-redes Manuel Bento, titular do Benfica e da selecção ao longo de uma quantidade de anos, e que infelizmente já não pertence ao reino dos vivos.

  3. urca diz:

    O comentário do Rui Bebiano é que corresponde à verdade, o resto é pura invenção. Pronunciando-se sobre a selecção húngara, Bento remata: “Bem, não é por acaso que lhe chamam a equipa magiar”. O Luis Rainha não se devia meter nisto porque se interessa pouco por futebol, com excepção das decisões da UEFA, por sua vez exceptuadas das decisões da UEFA que anulem anteriores decisões da UEFA…

  4. António Figueira diz:

    O jornalista – António Manuel, creio, da RTP-Porto – também já se finou (contrapôs à primeira frase outra ainda mais genial: Mas V. não acha que os argentinos são também bastante magiares?, ou qualquer coisa do género).

  5. O melhor é desligar a TV e ouvir o relato, apesar de excessivo na rádio os dispates são menores.

    Então ouvir o sr. da TV aos gritos depois de um golo visto por todos não faz sentido.

    Penso que os comentadores tanto da rádio como da tv deveriam ser imparciais e não tanto patrioteiros.

  6. é verdade, confirmo a frase do Rui Bebiano.

  7. cristã diz:

    a história que conheço é a do Rui Bebiano.

  8. -Tenho ideia que a frase terá sido no Espanha 82, será?

  9. filinto diz:

    Pensei que era do João Pinto e não do Bento, mas se o confirmam… A outra não conheço, de facto.

  10. Também me recordo: foi o Bento.

  11. É fácil saber quando foi. Bento estava a comentar as equipas que tinham calhado no grupo de Portugal. Bastará pois consultarem-se os manuais de História. Mas não foi na mítica Grande Revolução de Saltillo (Mundial do México), em que Bento, Carlos Manuel e Diamantino constituíram a troika que dirigiu o processo, destituindo Torres, o nosso Kerensky.

  12. Luis Rainha diz:

    A memória é mesmo um maquinismo engraçado. Durante décadas, recordei-me claramente de ter ouvido aquele comentário num Argentina-Hungria de um Mundial. Agora, até fui verificar e o ano em que colocava esta reminiscência (1978) teve mesmo um Campeonato do Mundo e um jogo com essas equipas. Mas começo a suspeitar de que talvez tenha construído o episódio com peças retiradas de outros contextos. Ou talvez não.

  13. cristã diz:

    talvez sim , Luis. Embora haja outra versão:estando o Benfica em vésperas de receber uma equipa húngara, num jogo europeu, á pergunta sobre o valor de tal equipa, Bento terá respondido que não era de menosprezar porque tinha muitos jogadores de selecção e não era por acaso se chamava à selecção húngara a selecção magiar.

  14. Adorava que os Gato Fedorento nos passassem essa nos Tesourinhos Deprimentes, ehehehehehe.

    Outra situação totalmente diferente, mas igualmente saborosa, foi aquela do Otão Habsburgo que, num campeonato qualquer, ao lhe perguntarem se era a favor da equipa da Áustria ou da Hungria, respondeu: contra quem?

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