Vocabolário

Ao ver que tenho cá em casa um miúdo de 15 anos que ainda se dedica a coleccionar “cromos” de futebolistas, veio-me à mente uma magna questão: e que coleccionarão os futebolistas? Não os imagino a colar com desvelo a efígie do tipo a quem partiram uma rótula no Domingo anterior; nem a pedir que lhe troquem dois repetidos por um com a tromba do gajo que os deixou no banco no último derby.
Ontem, ao ver o Paulo Bento a comentar o jogo da selecção, percebi tudo. O homem repetiu para aí uma seis vezes o advérbio “logicamente”. E revelou-me quem sabe dessas coisas que hoje em dia tal palavra goza de enorme popularidade entre os artistas da bola. Fez-se-me luz: esta malta colecciona vocábulos novos. Trocam-nos entre si, quiçá por SMS ou via Hi5, ostentam-nos por umas semanas e depois toca de ir à caça de mais. Estou mesmo a ver a conversa: “Petit: tenho aqui uma porreira! Quaresma: Diz lá, pá, que eu dei-te a da semana passada! Petit: Interpluridisciplinaridade! Quaresma: ó pá; essa é do caraças. E existe mesmo? Petit: o Pepe garante que sim. Quaresma: vou guardá-la para os quartos-de-final. Vai tudo ficar de cara à banda!”
Querem apostar que até ao fim do Euro ainda vamos ter comentadores do calibre de um Rui Santos a asseverar-nos que a interpluridisciplinaridade é a chave do sistema de treino do Filipão?

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