Dia da Raça

Ainda não sou nenhum Matusalém (embora para lá caminhe, com as devidas cautelas), mas (à conta de ser o mais novo) ainda me lembro da estranha e desagradável relação que na altura da minha infância (anos 60) os jovens perto de mim sentiam existir entre Portugal e o estrangeiro (i.e., a Europa que contava, maxime França e Inglaterra): o venerando Chefe do Estado, o Portugal oficial, o António Calvário a cantar a “Oração”, eram uma vergonha; orgulhos, tinha-os a gente nalguma cultura dita “da oposição” – e no Eusébio. Quando, muito atrasado, ouvi há bocado a história do dia “da raça” – e repetido, “da raça” – senti-me quarenta anos mais novo.

PS: O maior – ou pelo menos o mais consensual – português do século XX foi o Eusébio da Silva Ferreira; os heróis deste Euro foram, até agora, e sucessivamente, Pepe e Deco. “Raça”? Isso talvez na Lituânia, you bloody fools.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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9 respostas a Dia da Raça

  1. j diz:

    Pode concluir, senhor PM:

    Estou a ouvir o PM no Debate Quinzenal na Assembleia da República e em que o Governo escolheu o tema dos Combustíveis.

    O tema foi bem escolhido porque, inevitavelmente, qualquer que fosse outro a ser escolhido, os problemas dos últimos dias com os trabalhadores, e sobretudo com os donos das empresas de transportes, viriam sempre à baila, portanto, nada como jogar por antecipação, na lógica de que a melhor defesa é o ataque.

    Também foi óbvio que a má consciência de algum PS, lembrando aqui o sequestro da Ponte 25 Abril, que levou o actual PR, na altura PM, a fazer intervir as polícias e em que aquele PS se aproveitou politicamente, fez o Governo negociar até à última, evitando a confrontação na rua com a intervenção policial para repor a ilegalidade, a qual até um cego viu, face à evidência dos crimes praticados nos últimos dias, com um atropelo ás liberdades de quem quis trabalhar, a começar por muitos dos profissionais das empresas transportadoras que foram coagidos a parar.

    Mas o que me leva a escrever sobre isto são os argumentos do PM na abertura do debate, que me fez lembrar os meus tempos de estudante e em que eu esgrimia até á última argumentos, entrando, tantas vezes, em confronto aberto com os professores, sempre na procura incessante das (minhas) razões.

    Aquela minha atitude, que, ainda hoje, mantenho, quando me convenço de que tenho razão, leva a que, simpaticamente, ou talvez não, me acusem de ter conversa da treta. É disto de que vive o debate político, hoje, e também ontem, como testemunham os nossos clássicos. De tretas. Se calhar, afinal, tem que ser assim.

    E do mal, o menos, que vença o diálogo.
    Embora talvez fizesse bem uma cachaporras bem aviadas em alguns espertos que por aí andam, a começar em alguns políticos, como aquele que agora estou a ouvir, e que usa fatos ás riscas e sorrisos esbranquiçados e postiços. E que vivem das migalhas dos votos dos velhinhos, dos pensionistas, das famílias pobres, dos taxistas…
    Sendo «…lamentável, esse discurso, sempre com a mesma lógica básica do aproveitamento político».

    E agora vou trabalhar, enquanto ouço o Debate, espreitando a SICN, aqui no computador. O que é óptimo. Para servir como “música” de fundo.

  2. Coitadito, este Presilhas, sempre que abre aquela boca, ou entra bolo-rei, ou sai asneira…

  3. Luis Moreira diz:

    Lembro-me bem. O Calvário olhos postos no tecto (não era no Céu) voz a tremilicar, cabelo pintado, as miúdas doidas e eu cá para mim, cheira-me que não gostas delas. Grande compensação. Vi-o uma vez em Castelo Branco. Fiquei melhor nos meus verdes anos.

  4. o sátiro diz:

    A esquerda arcaica , “bota-abaixo”, “velhos do Restelo” tinha que fazer um escândalo com esta frase do PR.
    Só sabendo denegrir e destruir, hipócrita até à medula, defendendo no Governo o que contesta desabridamente na oposião, enrola-se na suas próprias contradições até perder totalmente a lógica do que diz.
    Foi assim com, por ex, o Centro Cultural de Belém que hoje frequenta com assiduidade; na campanha de M:Alegre que fazia constantes apelos à “Pátria”; na defesa da força contra os camionistas em Espanha que, se fosse Aznar, seria “fascista”, “franquista” no mínimo; no combate aos “privilégios” da função pública, quando na oposição bombardearam MFL; e então ´quanto ao internacional, nem se fala: cobardemente calados sobre Coreia do Norte, Cuba, Darfur,Tibete( durante 50 anos),Zimbabwé,Irão…
    Os emigrantes que se matam a trabalhar por esse mundo fora é que dão lições de portugalidade a esta malta disforme.

  5. The Studio diz:

    A respeito deste assunto, só me ocorre a questão colocada acho que no Insurgente “De que raça eram os cães de Pavlov ?”. Esta sim, uma questão verdadeiramente interessante.

    Consensual que Eusébio foi o maior Português do Sec. XX ?? Consensual ?? Tanto quanto sei, no grande concurso RTP, o Prof. Oliveira Salazar foi considerado o maior Português de sempre ( e consequentemente do Sec XX).

    Deixo para o fim o mais bonito deste “post”. Um representante da esquerda elitista que tem por hábito bater forte e feio no mundo do futebol, a escolher como herois nacionais três futebolistas: Eusébio, Pepe e Deco. Há coisas que dispensam comentários.

  6. Luis Moreira diz:

    Mas o Salazar tambem era bom de bola?

  7. E há também comentários que não dispensam comentários:

    1º – «“De que raça eram os cães de Pavlov?”. Esta sim, uma questão verdadeiramente interessante.» FASCINANTE, mesmo! Ora então venha daí mais um «grande concurso RTP» para a malta toda ficar a saber a resposta certa!

    2º – «Consensual?? Tanto quanto sei, no grande concurso RTP, o Prof. Oliveira Salazar foi considerado o maior Português de sempre (e consequentemente do Séc. XX).» Tanto quanto sabia, o facto de alguém ser escolhido pela maioria NÃO implica forçosamente consensualidade. Mas agora descubro que, afinal, Cavaco e Sócrates são “consensuais” na País e que M.ª Ferr.ª Leite também é “consensual” no PSD. Está-se sempre a aprender com os studiosos…

    3º – «Há coisas que dispensam comentários.»: fórmula original de… concluir um comentário!

    Se este “The Studio” é assim, como é que será o correspondente T5?

    NOTA MÁXIMA!

  8. M. Abrantes diz:

    Cavaco tem uma pancada pelo 10 de Junho. Mas tem tido azar com os argumentos que utiliza para defender a dama. Há 1 ano foi o amuo com o corte do directo televisivo. Agora foi o ‘dia da raça’. O homem é um romântico. Há que lhe dar um desconto.

  9. Isto não é nada. Abram a Ilustração Portuguesa e vejam o que há uns oitenta anos os Relvas, os Chagas, Costas e comp. lda. diziam da raça. Até o Himmler concordaria…

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