Recordações da casa amarela

Atravessaram, em corrida, o bairro. Estranha geografia onde as barracas apareciam sem ordem aparente. Andavam cegos no negrume das ruelas. À frente ia um camarada do bairro. Tinham quase todos menos de 20 anos. O partido tinha-lhes dado uma missão, a excitação e a adrenalina fazia-os correr sem esforço, tratava-se de apoiar o piquete de greve e impedir que os “amarelos” fizessem sair os autocarros da Estação da Musgueira. Há uns dias, diziam, mataram dois dos “nossos”. Não iam deixar nenhum autocarro circular durante a greve. A noite estava fria, descansaram e beberam uma aguardente forte e amarga que alguém trazia numa garrafa.
O ódio estava fresco. O sangue tinha corrido nas ruas do Porto. Passaram-se menos de 15 dias que a polícia de choque tinha carregado sobre trabalhadores. Nas ruas ficaram 58 feridos e dois mortos. Diz quem viu que o sangue misturava-se com a pólvora na face do vendedor ambulante Mário Gonçalves. Morto com um tiro à queima-roupa na cabeça. A polícia tinha ordens para impedir que a CGTP se manifestasse no 1º de Maio, na Praça da Liberdade. A pretexto da Inter se ter sempre manifestado aí, quem iria assinalar, desta vez, o dia do trabalhador na baixa portuense seriam os “sindicatos democráticos”.
Nas primeiras horas do dia do trabalhador, a polícia de choque “varreu” a Praça da Liberdade. A malta dos “sindicatos democráticos”, escudada pela polícia de choque, gritava: “morte aos comunas”.

“Pedro Vieira e Mário Emílio Gonçalves teriam hoje, respectivamente, 49 e 42 anos, se duas balas, ambas de calibre 7,65 milímetros, não os tivesse tornados vítimas da negra noite de 30 de Abril de 1982. Pedro era delegado sindical da CGTP e empregado têxtil. Foi atingido nas costas. Mário, vendedor ambulante, um mero curioso, foi na cara que recebeu o tiro”, escreveu a jornalista Margarida Fonseca no Jornal de Notícias, 25 anos depois.

A Greve Geral foi um grito impossível. Mas isso não lhe negava justiça. Marcada para dia 11 de Maio, o protesto foi convocado para pedir a dissolução da polícia de choque e a demissão do governo da AD, responsável político pela violenta repressão.
Para os militantes, as primeiras horas eram fundamentais. Não se podia permitir que meia dúzia de “amarelos” furassem a greve e fizessem parecer que ela não existia. Nas últimas paralisações, quase 90 por cento dos trabalhadores tinham aderido, mas uma minoria substituiu os grevistas e colocou parte da frota na rua. As ordens eram claras: nem um autocarro circularia até às 12 horas.
O grupo, que atravessou as barracas em corrida, perseguia uma viatura que tinha conseguido fugir ao cerco. Atravessada a Musgueira, a corta-mato, ganharam uns 100 metros. O motor rosnou surdamente e o corriqueiro “1 – Charneca” transformou-se num monstro ameaçador que acelerava para cima do grupo. As pedras voavam. Os vidros não partiam, dobravam-se. Até que se ouviu o primeiro estilhaço. A dez metros, fez inversão de marcha e fugiu. Era o primeiro embate. Agora, era preciso recolher os contentores metálicos, para os usar como barreira que impedisse os restantes de sair. Juntaram-se ao piquete, eram já mais de duzentos, velhos, novos, gente do bairro, estudantes, operários, trabalhadores da Carris. Olhavam uns para os outros a sorrir, sentindo a força de estarem juntos. Nervoso, um deles, apalpou o bolso, a ver se a soqueira não tinha caído na correria. Tinha decidido só a usar em último recurso. Foram avisando que muitos dos fura-greves estavam armados de revólveres e navalhas. “Se tiver que bater com isto, não mato ninguém”, pensou. Nestas escaramuças o mais difícil era começar. É preciso um clique para desatar a bater. É difícil rachar a cabeça a alguém sem aviso. Mas a experiência tinha-lhes também ensinado que convinha não ficar à espera. Regra geral era o caminho mais curto para levar na tromba. Na curta dúzia de confrontos que participara percebera bem o que se pretendia: se era para bater, despachar aquilo o mais rapidamente possível. Se não, manter a calma, evitar confrontos e falar calmamente.
Esta noite não sairia ninguém da estação da Musgueira. A madrugada avançava e a cena repetia-se, como uma luta combinada, muitas vezes repetida – mandavam os autocarros contra os contentores. O piquete saltava, retirava o condutor da viatura e rasgava os pneus. Às 5 da manhã, uma série de jipes e carrinhas com seguranças, que pareciam ser dos “amarelos”, pararam à frente. “Olha o Torres Couto”, gritaram do piquete. Alguns olharam, mas não viram nada. Ficou a dúvida, até porque os bigodes eram democraticamente distribuídos por toda a população, de ambos os sexos, no início dos anos 80, e a velocidade da fuga deste original contra-piquete “democrático e sindical” prejudicou a sua correcta identificação. Sem a presença da polícia de choque retiraram com denodado garbo.
Às 7 da manhã, a coisa esteve por um fio. Um condutor mais excitado apontou um revólver aos grevistas, foi agarrado e a arma disparou. A vida normal faz fronteira com o cómico e o trágico.
O dia levantou-se, ignorando os estranhos acontecimentos da noite. O primeiro autocarro conseguiu sair 20 minutos depois do meia dia.
Uma gota de água, num rio de uma greve.
O governo não caiu. A polícia de choque não foi dissolvida. Mais de um milhão e meio de trabalhadores participou na greve. A polícia de choque ainda não voltou a matar nas manifestações.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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22 respostas a Recordações da casa amarela

  1. Tárique diz:

    Não é que não tenha tentado … estava aqui a pensar no Luís Miguel

  2. ezequiel diz:

    nuno

    eu adoro este tipo de texto.
    sobretudo porque revela a mentalidade-experiência revolucionária”, que sempre me fascinou…

    estou a imaginar os teus camaradas, caras, gestos e tudo…que, caso tivesse sido jovem no salazarismo…teriam sido meus camaradas de certeza!! gostei muito. camarada Nuno. 🙂

    e, além disso..chorei de rir! 🙂

    “Ficou a dúvida, até porque os bigodes eram democraticamente distribuídos por toda a população, de ambos os sexos, no início dos anos 80, e a velocidade da fuga deste original contra-piquete “democrático e sindical” prejudicou a sua correcta identificação.”

  3. ezequiel diz:

    these events will be known as the “Gillete Uprising”

    a brincar 🙂

  4. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Olá Ezequiel,
    Já não era sem tempo, pá (para usar a gíria do passado). Quando é que voltas a postar?

    Abraço,
    Nuno

  5. luis eme diz:

    belo texto, com memória…

  6. o caso das mortes ocorridas durante a carga do corpo de intervenção da psp deu lugar a indemnnizaçoes extra-judiciais pagas pelo estado às famílias mas a responsabilidade individual nunca foi apurada oficialmente. é um marco negro na história da polícia portuguesa. escrevi sobre isso em 1992, para a grande reportagem, no texto ‘licença para matar’ (sobre, precisamente, homicídios protagonizados por agentes policiais). a reportagem completa está disponívcel no livro ‘até não perceber’, da tinta da china (comprem, comprem).

    segue excerto:

    ‘Em inquérito dado por findo em Julho de 82, os dois procuradores-gerais adjuntos nomeados para esclarecer os factos que na noite de 30 de Abril para 1 de Maio, na sequência de uma manifestação da UGT e de uma contra-manifestação da CGTP, transformaram a baixa portuense num cenário de batalha campal, tinham concluído que existiam razões para proceder, em termos disciplinares e criminais, contra membros da PSP. O comissário Magalhães Teixeira, que comandou a última e mais violenta fase da intervenção do CI, era apontado como passível de censura disciplinar por desobediência a ordens superiores e o guarda Filipe Augusto, da divisão de trânsito da PSP do Porto, dado como provável autor dos disparos que feriram dois civis. Determinava-se que as restantes vítimas tinham sido atingidas com projécteis do calibre utilizado pelos agentes da corporação que, sobretudo no caso do CI, teriam usado as armas de fogo “fora do condicionalismo legal” e assumido, na sua actuação, “expressões de inusitada e desnecessária violência”. Não houve possibilidade de identificar os autores das duas mortes. Pedro Vieira, de 24 anos, terá sido atingido por uma bala de ricochete, proveniente da zona em que o CI actuava. Mas Mário Emílio Gonçalves, de dezassete anos, que estava com alguns amigos a assistir à confusão, é dado no relatório da procuradoria como vítima de homícidio voluntário. A descrição não deixa dúvidas: o rapaz foi morto por um disparo intencional, apontado a pouca distância por um polícia. Devido à zona em que ocorreu o incidente e ao calibre do projéctil (7,65mm), existem fortes indícios de o responsável ser um graduado do corpo de intervenção. Porém, a peritagem requerida às pistolas dos 18 graduados do CI e a às de seis agentes do comando distrital do Porto (“estas para dissipar suspeitas muito ténues”) não permitiu determinar qual tinha morto Mário Emilio.
    Nove anos depois, está tudo na mesma. «O processo foi arquivado por ordem do ministro da administração interna, por não se terem obtido provas suficientes», esclarecem, em uníssono, o comandante-geral e os seus adjuntos. «Em âmbito interno, efectuaram-se investigações, mas ficou a aguardar-se melhor prova.» Mas não é a PSP que distribui as munições? Não conseguem apurar desse modo quem disparou? Os sorrisos não escondem o enfado. «Claro que sim, sabemos quem disparou.» E então? «Houve mais disparos, havia no chão cartuchos de projécteis estranhos à polícia. Nunca se apurou bem o que se passou, há muitas contradições.» Espanto. Então o relatório da procuradoria não afastou definitivamente essa suspeita? Não se apuravam responsabilidades? Não se indicavam nomes? Não se falava de um homicídio voluntário cometido por um agente da corporação? Não se criticava severamente a actuação do CI? A resposta tem o efeito de uma pequena bomba. «Qual relatório?» Para esclarecimento dos presentes, as partes cruciais do documento são lidas em voz alta. A tensão condensa o ar do gabinete do comandante-geral da PSP. «O processo foi arquivado, o que é quer saber mais?» Por exemplo, o que aconteceu ao comissário Teixeira. «Já não está no CI.» Porquê? «Aposentou-se.» Quais as razões? Trocam-se de novo risos. «Porque atingiu o limite de idade, porque fez os 36 anos de serviço, sabe-se lá…»
    Se a investigação não deu qualquer fruto em termos de apuramento de responsabilidades pessoais ou corporativas, acabou por ter um desfecho surpreendente. Na sequência de um processo instaurado pelos familiares das duas vítimas mortais e por Maria Emília Soares, ferida no decorrer daquela noite por uma bala perdida, o Estado português, assumindo a sua responsabilidade, procedeu ao pagamento de indemnizações. O acordo, firmado a 27 de Abril de 1987, antes que tivesse lugar qualquer audiência do julgamento, resultou do consenso das duas partes. Como explica José Afonso, o advogado dos queixosos, «havia uma série de factos que era necessário provar e era uma tarefa difícil.» Daí que, apesar do pedido montar a 4000 contos, acabou por se aceitar metade: 800 contos por cada morto e 400 para Emília Soares.
    A verba, que só viria a ser paga em 1988, deixou nos pais de Mário Emílio e na mãe de Pedro Vieira o gosto azedo de uma traição. José Gonçalves, o pai do jovem de dezassete anos, tem a certeza de que a polícia sabia quem tinha morto o filho. «Lá encobriram as coisas e não deram a saber aos civis. Nem eu nem família nenhuma soube de nada.» A lembrança reacende-lhe uma chama antiga. «Mas se me tivessem dito quem tinha sido eu tinha coragem de lhe fazer o mesmo. A minha vida estava andada.» De casa de Pedro Vieira, a mãe responde com o silêncio. Alguém explica por ela: «Foi uma vergonha, mas não vale a pena voltar a falar disso. Filho há só um, compreende?’

    (excerto de ‘licença para matar’, reportagem publicada na revista grande reportagem em 1992)

  7. Luís Lavoura diz:

    Lindos episódios que o Nuno nos recorda aqui, e dos quais me parece vagamente que ele se orgulha: lock-out efetuado pelo PCP e pelos sindicatos suas correias de transmissão, que fecham as empresas impedindo os trabalhadores de trabalhar.

  8. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Luís Lavoura,
    Cada um escolhe o seu lado. O seu é previsivelmente o da polícia de choque.

  9. Será aqui possível escolher o lado dos trabalhadores que queriam trabalhar nesse dia e que eram embuscados pelos outros? Ou o direito ao trabalho só existe quando os sindicatos o desejam?

  10. j diz:

    O mais fácil quanto se escreve sobre este tipo de assuntos é chamar de “assassinos” (a expressão é minha, embora retirada do contexto do texto) aos polícias. Quantas vezes agentes policiais vivem autênticos dramas pessoais que decorrem entre aquilo que o dever os obriga, que não é matar, naturalmente, mas que pode acontecer, e só quem já viveu estes dramas sabe avaliar, e eu já vivi, e aquilo que muitos pensam, num latente conflito interior entre o polícia enquanto cidadão e o polícia enquanto profissional.

    E quantos “sindicalistas” são menos “democráticos” que muitos polícias, sendo redutor escrever sobre estes temas pondo sempre os polícias no lugares dos “maus”.

  11. Caro J,
    1.Com todo o respeito e estima por si, eu sei distinguir entre polícias “secos” e “molhados”. Acho que há polícias que se recusam a bater quando é injustificável e não se limitam a cumprir ordens. Por exemplo, muitos membros do corpo de intervenção recusaram-se a ir espancar os seus camaradas no Terreiro do Paço. E dias depois organizaram um levantamento de rancho na unidade a quando a visita do ministro. Comportamento, completamente diferente de alguém que mata a queima roupa um indivíduo numa rua.
    2. É tão ilegal impedir trabalhadores de trabalhar numa greve, como deslocar trabalhadores para substituir colegas grevistas. Eu prefiro a primeira ilegalidade. Para além de que há vezes que por princípios maiores é preciso desobedecer à legalidade. No meu entender, é este o caso. Não podia ser deixado sem resposta o assassinato de duas pessoas e a intromissão do governo para impedir os sindicatos de que não gostava de se manifestarem no local tradicional.

  12. João José Fernandes Simões diz:

    Nuno,

    Antes de mais, desculpe não lhe retribuir o tratamento de “caro”.
    E de “caro” já basta a gasolina.

    Acho adequado, quando falo num contexto mais sério, identificar-me não apenas pela solitária “consoante de J”, usando a expressão de um seu co-blogger do 5Dias.Net, que há dias postou aí mais para baixo uma fotografia de um tipo rodeado de fanecas mortas, podendo o “J” ser confundido com o anonimato, coisa que detesto.

    Note, que em nada do que eu comentei disse o contrário do que o Nuno escreveu no seu próprio comentário.
    O meu comentário não foi ideológico. Foi, se quiser, psicológico.

    Como compreende não me posso alongar naquilo que penso sobre este assunto, pois todos os poderes, sobretudo o político, são arrogantes, por muito que disfarcem. E a bloga não está imune aos bufos.
    E, ao contrário do Nuno, não sou um cidadão que goze de todos os direitos de cidadania, só dos deveres, por força do dever de reserva a que estou obrigado.

    O contexto do meu comentário anterior, no fundo, apenas quis exprimir que não existem polícias nem bons nem maus. Porque os bons não servem para polícias (deixe aqui mudar a música, estava a ouvir o Chico Buarque e agora vou continuar com o Pedro Barroso).
    Por isso, não existem “secos” e “molhados”, porque os “secos” se tramaram por não quererem bater (por não quererem “obedecer ás ordens”) e os “molhados” também se tramaram porque se manifestaram sem que esse direito lhes fosse reconhecido, à época, na lei.

    O que eu quis dizer é que os polícias, por muito preparados que estejam, cometem sempre erros, incluindo matar. Até usam armas, como sabe, por isso, estão mais vulneráveis, por muito contraditório que possa parecer aplicar aqui “vulneráveis”.
    É assim, e será sempre assim, em qualquer país do mundo, seja na antiga RDA (sem ironia…) em que quem era apanhado a saltar o Muro levava uma rajada “pelas costas”, seja no país mais democrático que exista ou que ainda esteja por aparecer.

    Mas não vou falar mais sobre este assunto, porque de Polícia já tive a dose que chega, acredite. Apenas me chateia algum discurso redutor quando se fala da bófia.
    Embora, no fundo, eu até esteja de acordo com o que escreve, tendo em conta o objectivo que pretende.

    Para terminar… Naturalmente, que é da mais elementar justiça que a família dos cidadãos que sejam vítimas de violência policial, seja ou não gratuita, sejam ressarcidos nos seus direitos.
    O que isso não pode significar é que a cabeça dos polícias tenha que, necessariamente, ser posta “no cepo”, exibida no pelourinho da praça.
    Porque os excessos nem sempre são intencionais. E ainda que o sejam, existem ambientes (psicológicos…) que só quem passa por eles percebe.

    E… Diz o Pedro Barroso, que vou continuar a ouvir: “O mundo não é uma máquina… Pode um dia vir-se a zangar…”

  13. fox diz:

    Nuno Ramos de Almeida
    Lapidar, e tão simples: “Cada um escolhe o seu lado.”
    Um abraço

  14. Aires diz:

    li artigo e comentarios…

    um e outros revelam interesse destas lembranças dolorosas alguns dias de chumbo…

    que existiram como sistema, quotidiano, antes, algum largo tempo antes..

    vivemos em democracia,

    tanto quanto ela exista,

    e nós a saibamos praticar….

    logo escolhamos nosso “campo”

    mas com agum sentido de pudor

    em relação ao que deve ser um sentimento “unitário”

    de “moral politica” e país que queremos

    abraço

  15. Luís Lavoura diz:

    Nuno, o meu lado não é, de facto, o seu. Eu sou pelo direito a trabalhar. E se fôr necessária a polícia de choque para impôr esse direito, pois que venha ela. E que dê marretadas nas costas daqueles, que, como Você, gostam de impôr e proibir coisas aos outros.

  16. j diz:


    Esperando que a “polícia de choque” não seja necessária para «impôr o direito» dos camionistas que hoje querem trabalhar e os piquetes não os deixam circular, colocando-se «no meio da estrada a acenar para obrigar os camiões a encostar», conforme ouvi, com espanto, numa televisão, da boca de um camionista que integra um piquete de greve.

    Isto apesar de eu lhes reconhecer razão em muita coisa.
    Agora, não podemos é confudir os direitos, e depois lá vêm os “maus” para dar umas palmadas.

  17. Nuno Ramos de Almeida diz:

    J,
    No Porto, há 25 anos, a polícia não veio repor a legalidade. Mas, garantir a repressão.

  18. ezequiel diz:

    Olá Nuno

    noop
    I`m a busy bee

    abraço,
    ezequiel

  19. j diz:

    Nuno,

    Tanto esforço da minha parte e você não querer perceber.
    A polícia, afinal, pensa que serve para quê…!?
    Para «garantir a repressão», obviamente, tanto nos países com ditaduras como nas democracias liberais.

  20. Nuno Ramos de Almeida diz:

    J,
    Desculpe lá, daqui a pouco está-me a dizer que o Estado é sempre uma forma de ditadura. Tirando, o plano da vulgata marxista, o que lhe estou a dizer é que à polícia , em democracia, exige-se comportamentos diferentes que no Chile de Pinochet.

  21. j diz:

    «Estado é sempre uma forma de ditadura»
    Acho que sim, de facto.

    E será que há 25 anos se vivia em democracia?
    Eu acho não.
    Até agora tenho algumas dúvidas.

    Por outro lado, seria injusto não reconhecer que as polícias também se têm vindo a “democratizar” nos seus comportamentos.

    Mas, insisto no que me fez comentar o seu post, e que o Nuno parece não querer perceber.
    Porque, no fundo, estamos a dizer a mesma coisa, mas em contextos diferentes.
    Você num contexto “ideológico”.
    E eu num contexto “psicológico”, sem querer que seja desculpabilizante.

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