O “status” de andar de bicicleta

Ainda no rescaldo do Dia do Ambiente, destaco um bom texto – já com alguns dias -, vejam bem, de Luís Rocha (o “mata-mouros” que escreve sempre a azul), no Blasfémias (não é todos os dias): “É tudo uma questão de status”. Já não digo que Luís Rocha ande de bicicleta (o relevo do Porto de facto não ajuda muito), mas espero ao menos que não ande de carro e aproveite o excelente Metro do Porto. Será?

Efectivamente, em Portugal quem não anda de carro não tem “status” – e é nestes pequenos pormenores que se vê como somos um país de gente pobre, que dá muito valor às aparências, preza o enriquecimento fácil e despreza o trabalho. Pode comer-se mal, mas ai de nós se não formos de carrinho. Para não ir de transportes públicos, por exemplo, diz-que que eles “não funcionam bem” (em Lisboa poderiam funcionar melhor, de facto, mas parece que há quem queira ter uma estação de metro sempre à porta, e não se lembre que numa cidade atafulhada de carros não andam nem os carros, nem os autocarros). Para não ir de bicicleta, inventam-se as desculpas mais baratas, como o “relevo de Lisboa” (as colinas de Lisboa são evidentemente acidentadas, mas a maior parte da área da cidade é quase plana ou pouco inclinada, Avenida da Liberdade incluída). Ou, como não poderia deixar de ser, o “status”! É neste texto da sua colega Helena Matos, um belo exemplo de como um suposto “feminismo” pode servir para disfarçar o reaccionarismo. Mas o preço do petróleo tem subido, e há de continuar a subir. Só que enquanto eu vir as nossas cidades cheias de carros privados, não me venham dizer que a gasolina está cara. Leiam a resposta do Tárique.

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