Privatização da Praça das Flores

Recebi este mail do Zé Neves, gostava, como eleitor do Sá Fernandes, gostava que alguém explicasse isto ao pessoal em geral e aos alfacinhas em particular.

Nota: esta explicação do Daniel é uma ajuda.

“Olá,

A Câmara Municipal de Lisboa e os seus vereadores marco perestrello e josé sá fernandes acharam por bem alugar a Praça das Flores, durante 17 dias, a uma marca de automóveis, a Skoda. Durante estes 17 dias, a Skoda realizará várias festas nocturnas de lançamento internacional de um seu novo modelo automóvel, ocupando ininterruptamente a praça. As pessoas – transeuntes, população do bairro, turistas – não poderão ter acesso à praça entre as 17h e a 01h, período durante o qual decorre a festa privada da Skoda. Uma parte de estrada está vedada e o jardim está todo ele vedado, com gradeamento disfarçado de arbustos. Existem uns seguranças privados à ‘porta’ (?!?) do jardim e muita polícia. Existiram já confrontos entre a polícias e os habitantes, com dois destes a serem levados para a esquadra. As festas sucessivas fazem barulho sucessivo, noite após noite. O comércio local (excepto os restaurantes e cafés mais finos que estão instalados na praça e que estão abertos apenas para os convidados-skoda) está a ser prejudicado, segundo os próprios. MAS, mais importante, há um sentimento de revolta pela privatização do espaço público que está em curso (ou, como dizia um vizinho, ‘quem tem o pilim é quem manda aqui nos joaquim’).

Os moradores e os comerciantes, entre a revolta e o conformismo, estão a pensar organizar algumas coisas de que darei conta assim que tiver mais informação.

Entretanto, peço-vos que divulguem esta situação.

um abraço
zé neves

ps – o meu interesse nisto é triplo: como eleitor e apoiante do sá fernandes, tenho algum peso acumulado na consciência face a tudo isto; sou morador, embora o barulho não chegue à minha rua; e, por fim, tenho um preconceito ideológico que me leva a achar que os espaços públicos devem ser comunizados em vez de serem privatizados.”

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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19 respostas a Privatização da Praça das Flores

  1. xatoo diz:

    O que os gajos do contra têm é inveja de não terem um Skoda e não trincarem as miúdas giras que vão à festarola. E mais ainda da massa: a CML recebe 150 mil euros e as obras de reabilitação do jardim da Praça das Flores feitas e pagas pela Skoda. Desculpem o incómodo que esta situação possa causar. Seremos breves. Quando ao preconceito ideológico, habituem-se; afinal há coisas piores que meia dúzia de vizinhos marretas e maldispostos face a esta espécie de 4ª via: a solução de franchising do espaço público em parte time – se a grande fronteira entre uns e outros (vizinhos e vendedores de vendedores de automóveis e outras bugigangas) está no “free-market”, situação que parece congregar o apoio geral da plebe (senão não votariam sempre nos mesmos 2 partidos do bloco central) é preciso não esquecer que o Capital também entra nestas contas.

  2. Luis Moreira diz:

    Eu inveja tenho,mas desconfio que ficaria muito enxofrado se morasse naquele lugar tão bonito! E os comerciantes do sítio devem estar á beira de um ataque de nervos. Eu votei no Zé e não é por isto que me zango com ele,mas a vontade fazer ás vezes leva a precipitações.

    Enfim,esperemos que os 17 dias passassem de pressa.

  3. corvo diz:

    E que tal passar pelo Arrastão e ler o que o Daniel Oliveira lá escreve, ele que até é morador na zona…..

  4. xatoo diz:

    a Praça das Flores, “aquele lugar tão bonito” se-lo-á decerto pela bicharada travesti que faz o trautoir dentro e fora do Finalmente; e ler o Daniel de Oliveira (livra!) agrava a compreensão do problema – ele irá sempre concluir que a Skoda é contra os casamentos gay

  5. Imaginem o que por aqui se leria se tivesse sido o Santana ou o Carmona…

  6. Luis Moreira diz:

    Cada um vê o que pode.Nunca vi nada que me assuste.E a Praça é linda.

  7. João Antunes diz:

    O Daniel.
    Quando a decisão é à porta do “spin-doctor” do contra-regime que subitamente passou a regime: uma compungida afirmação de discórdia, mas…heh pá, até se compreende…o “meu” vereador recuperou um jardim a “custo zero”. Espera que ninguém repare que foi à custa dele e dos Lisboetas. A “custo zero” se vai destruindo as nossas cidades com viadutos, parques de estacionamentos e túneis. “Custo Zero” é a humilhação dos pobres ou a ausência de politica na gestão de dinheiros públicos.

    “A Praça das Flores, em Lisboa, permanecerá aberta aos munícipes a partir de quarta-feira, dia em que arranca naquele local um evento internacional de apresentação de um novo automóvel que se prolonga até 20 de Junho. A garantia é do vereador dos Espaços Verdes da autarquia, José Sá Fernandes, que qualifica de “infundados” os receios dos comerciantes locais de não poderem laborar durante os 17 dias em que a praça será ocupada pela marca Skoda.”
    In Público (2/6/2008)

    Caro Daniel,

    O Vereador que vc apoiou, e que tenta subtilmente defender neste seu post, não só fez parte de uma decisão profundamente errada e ofensiva para os Lisboetas, como também mentiu com algum descaramento – mesmo ontem à noite fui recusado a entrada na praça, cortando o meu habitual caminho para casa, por um segurança privado que tinha na mão uma lista de convidados e moradores. De facto, a praça não está aberta a munícipes a partir de uma certa hora.

    Percebo o seu conflito de interesses neste caso: entre se sentir um morador enganado e humilhado e um “spin doctor” clubista que tenta com alguma dificuldade justificar a decisão patética de quem vendeu temporariamente espaço público por três vinténs. Subtilmente, claro. Começa por apresentar as vantagens do negócio, como se tudo tivesse um preço, desde que compense e alivie o erário público. O ultraje que a situação justifica e as palavras fortes e claras a que o Daniel nos habituou, tornaram-se num murmúrio embaraçado a olhar para os sapatos – “não estou, como morador, nada satisfeito com a solução encontrada.” Repare: como morador. Como Lisboeta, como Europeu, como votante no Bloco de Esquerda, como … ainda vá que não vá. Aliás um dos problemas é que o Sá Fernandes negociou mal! Poderemos concluir que se tivessem sacado à Skoda umas massas valentes, o Daniel apaziguaria a malta aí do bairro e até estaria disposto a perdoar que não tivessem sido consultados na decisão tomada?

    Não espanta que um “bétinho” dos subúrbios e que anda para todo o lado em Lisboa de “chauffer”, tome esta decisão. Imagino que o incomode que seja com a cumplicidade, ajuda e acordo de um vereador que vc apoiou. Aliás, o vereador que aparece na imprensa a defender a decisão e a explicar aos Lisboetas que a praça “não vai ser vedada” In Público (2/6/2008).

    É tb interessante reparar que este tipo de evento se faz em Portugal (tal como o Paris-Dakar) porque deixaram de ser aceites no resto da Europa. Quem sabe se a solução não é pôr o Daniel a negociar com empresas de forma a ir resolvendo o problema da dívida da CML alugando partes da cidade. Imagino que a Absolut gostaria de fazer uma loja para VIPs no Terreiro do Paço. Quem sabe se a McDonalds não estará interessada no Rossio? Mas estejam os Lisboetas descansados, sem problemas de principio, o Daniel saberia sacar uma data de dinheiro. e nem sequer precisaria de contratar um “spin-doctor” para explicar aos Lisboetas a brilhante manobra – quem não age como pensa, acaba por pensar como age.
    Desde que o fizesse com coragem, bom carácter e respeite os moradores estaria perdoado.

    Já agora repare na ironia, um evento numa zona histórica a um automóvel apoiado pelo vereador do Ambiente que dia sim-dia-não afirma que é necessário diminuir os automóveis na cidade. Ai o vil metal e a sociedade de consumo que compra convicções e contamina os princípios de quem quer defender o “seu” vereador. É chato ser pobre.

    João Antunes

  8. O Nuno permita-me uma pequena observação. É de alguma ingenuidade pensar que a “vossa esquerda” chegaria ao poder e seria diferente do resto, não cedendo a interesses. Isto é algo pequeno, claro, mas revelador de que o Zé não faz falta nenhuma.
    Tenho de concordar, assim, com o comentário de Nuno Castelo-Branco. Chega a parecer a minha mãe, quando lá em casa alguém entornava alguma coisa na toalha da mesa – eram 10 minutos de acusação à Boston Legal. Se fosse ela a fazê-lo calava-se e nem sequer admitia que lhe disséssemos nada.

    É claro que a sua honestidade intelectual é de louvar. Mas se fosse alguém à direita, de palhaço a fdp era um instantinho.

    Como diria McCain (esta só para chatear): and that’s not change we can believe in.

  9. zé neves diz:

    Nuno, a explicação do Daniel é uma ajuda mais não é muito preciosa. Um dos motivos é o que expliquei em comentário ao post dele: é verdade que o Sá Fernandes é um alvo mais apetecível do que o Marcos Perestrello (por motivos vários, entre eles a personalização que o logo “O Zé faz falta” provocou durante a campanha…) mas é verdade também que o Sá Fernandes foi quem primeiro apareceu, em todo este episódio da Praça das Flores, a a anunciar que ia remodelar a praça e etcetra e tal, não falando de Skoda nem de envento nenhum.

    O Daniel diz ainda que é um exagero falar de privatização do espaço público: mas escreve coisas como estas outra “é privar toda a população do seu principal espaço ao ar livre durante meio mês”e “ainda mais para uma festa privada guardada por seguranças, o que não deixa de ser aviltante para quem a fica a ver de fora”.

    O problema é estratégico: a câmara não tem dinheiro e vai continuar a não ter, o turismo empresarial deste tipo vai continuar a crescer, Lisboa está na moda: por que raio é que isto não se há-de tornar um fenómeno regular??? Apenas porque – e se – a malta barafustar. Mesmo que seja contra quem tenho respeito, como o Zé que faz falta.

    abç

  10. Caro Casca Carvalho,
    Eu não defendo uma esquerda dos interesses que quando chega ao poder faz a política da direita. Não sei se isso é possível, mas é, para mim, das poucas coisas que importa. A grande diferença entre mim e o Nuno Castelo-Branco, nesta questão, é que se fosse o Carmona e o Santana ele estaria , provavelmente, a elogiar a medida. Eu acho-a infame, independentemente de quem a pratica.

  11. Como é que, sem me conhecer, diz que eu estaria a elogiar a medida? É que ao contrário de muita gente, já há 25 anos dava ouvidos ao arq. Telles (em tudo!), enquanto outros andavam na ilusão do progresso do automóvel,, etc. NUNCA votei PSD…

  12. Nuno Castelo-Branco, eu disse “provavelmente”. Você também não me conhece e garantiu que eu teria outra posição se a medida fosse de Carmona.
    Mas fico feliz por gente que provavelmente é de direita ser contra a privatização do espaço público.

  13. Quanto a isso de direita… enfim, o PS é o quê? Esquerda, direita, centro? O BE, coisa burguesa, é o quê? Esquerda ou simples oportunista que anda à cata de ppm’s para fazer uma figuraça nas eleições para a CML? Hoje grita a favor dos gays e amanhã, num debate com um líder de outro partido, faz considerações de ordem moraleca, de uma hipocrisia total? Isso é de direita ou de esquerda? Não sei.
    Hoje em dia tudo é mais cinzento. Quanto às privatizações, parece-me que só deve ser privatizado aquilo que dê prejuízo 🙂 E até me parece que estão a ir longe demais. O Estado sempre foi muito importante na economia portuguesa e isso leva-nos direitos ao século XV. Tentar esconder isso é estupidez ou um reescrever da história. Pode e deve intervir, desde que seja para o interesse geral e não para a mera partidocracia (os tais job’s for the boys).E nacionalizar não quer dizer comunismo, pois se até Salazar nacionalizou…

    * Não garanti coisa alguma acerca da sua posição. A referência dirigia-se a comentadores e imprensa em geral que muito gritam em certos casos, ao mesmo tempo que fazem de conta nada ver, noutros. Parece-lhe que se esta história da frente ribeirinha tivesse sido decidida no tempo do Barroso, estaria tudo na paz dos deuses? Duvido muito.

  14. Está a ver, é aí que eu acho que o Nuno falha nesta matéria, que é essencial para evoluirmos para outro estádio de democracia. O problema aqui não são políticas de direita ou de esquerda, mas sim o carácter e a autoridade moral. Neste caso, tanto de quem as pratica – às políticas – como de quem as critica.
    Não sei o que o Nuno Castelo-Branco diria se fosse este ou aquele. O que eu sei é que a dureza das palavras não é a mesma para todos e chega até a ter um tom indulgente, como se vê no post do Daniel Oliveira.

  15. CARLOS CLARA diz:

    Nuno Castelo-Branco
    Se fosse com PSL ou Carmona, não sei se as contra-partidas seriam de interesse público e tão objectivas.

  16. Carlos Clara,
    Não faço a mínima ideia, porque negociatas passam-me ao lado. O que quis dizer é que salta à vista o tratamento dado aos “prevaricadores”, consoante o seu posicionamento político. Lembram-se do almejado disparate soarista a construir pela colina do Castelo acima e que só fracassou porque o PS perdeu a Câmara? Lembram-se da inacreditável quantidade de parques de estacionamento construídos em zonas controversas (passagem de águas, etc) como a praça do município e a da Figueira? Lembram-se do fracassado projecto do famigerado parque de estacionamento do Príncipe Real que destruiria o jardim tal como ele existe há tantos anos? Lembram-se dos contornos ínvios que o contrato EMEL alegadamente possui e que normalmente devia ser para exclusivo benefício camarário? Lembram-se do famoso túnel do Terreiro do Paço? Pois sim, este é do tempo Guterres/João Soares. Custou uma colossal fortuna, foi um fiasco sob o ponto de vista técnico. Alguém fez o berreiro a que assistimos por causa do seu semelhante construído no Marquês? E já agora lhe digo que o chamado “túnel do marquês” agrada-me muito, pois vivendo na zona e utilizando-o sempre que saio da cidade, é uma obra útil, bem feita e que nos poupa tempo, dinheiro e paciência para o caótico tráfego citadino. Até lhe digo mais: quem provocou o adiamento da sua abertura e os consequentes prejuízos municipais, devia responder por isso. Mas …

  17. puto xarila diz:

    acho que este Sr. está a receber da Skoda. Invesosos nós sim porque não? Todas as pessoas gotam de festa mas não de festa comprada a alguém que não tem nenhum direito de vender o que é do POVO.

  18. puto xarila diz:

    Mais parece que a Praça das Flores está sitiada,quando levam alguém a casa com escolta de OITO ou NOVE Policias só porque trouxe o Cão á rua,VERGONHA.Quem goza são os Ladrões que vêem que podem continuar a sua actividade sem PROBLEMAS.

  19. puto xarila diz:

    Para acabar vou só dizer ao Sr. Presidente da Junta de Freguesia das MERCÊS que ele não é dono da Freguesia para fazer o que lhe dá na tola.RESPEITE QUEM VOTOU EM SI Sr. Presidente.

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