Os jovens e os media
6 Junho 2008 | por João Pinto e CastroRita Espanha, co-autora do estudo mencionado no meu post “Pobres com televisão no quarto das crianças”, teve a amabilidade de deixar o seguinte comentário na caixa correspondente:
Caro João Pinto e Castro,
Apenas gostaria de o esclarecer que o estudo citado no público está disponível on-line em: http://cies.iscte.pt/destaques/documents/E-Generation.pdf . Se o consultar, e se efectivamente o ler, poderá concluir que:
1. o estudo foi realizado a partir de uma amostra representativa da população portuguesa, em 2006, por questionário presencial, e, portanto, a utilizadores e não utilizadores da internet.
2. O questionário on-line que refere no seu post foi realizado paralelamente com o objectivo de testar metodologias, mas os resultados apresentados decorrem do questionário presencial.
3. O estudo está disponível pelo que foi consultado livremente e citado também livremente pelos jornalistas que realizaram a peça, a mim apenas foram solicitados comentários.
Não hesite em contactar-me caso continuem a surgir-lhe dúvidas a propósito de projectos em que eu esteja envolvida.
Relendo o estudo disponível online, confirmei que a afirmação seleccionada pelo Público para o seu título se encontra na página 125 e que se refere, como escrevi, ao “questionário online”, embora eu não tenha conseguido identificar a tabela de onde a estatística foi extraída.
Na secção relativa ao “inquérito nacional” aplicado a uma amostra representativa por questionário directo (página 129 e seguintes) não encontrei nada sobre a proporção de jovens com televisão no quarto.
Julguei ter ficado claro que o meu post não pretendia criticar o estudo “E-generation”, nem sequer a realização de inquéritos através da internet, tanto mais que as limitações decorrentes dessa opção são indicadas com clareza na página 30. Acho muito importante que se estude a relação entre os jovens e os media, e felicito os autores pelo trabalho que fizeram.
O que eu critico é o jornalismo preguiçoso, mesquinho e preconceituoso que, nas quatrocentas e tal páginas do estudo, não encontrou nada mais interessante para colocar no título do que a frase citada, sem sequer se dar ao cuidado de entender o seu enquadramento metodológico.

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