O jornalismo entregue à bicharada

Anda por aí muita alminha indignada com a nomeação de um actor de telenovelas para dirigir uma revista qualquer. Garante Pedro Rolo Duarte que por este andar ainda vamos ter a Floribella a capitanear a Vogue. Desta revista, pouco saberei que me leve a optar pela inadequação da moça. Mas não estou a ver o que terá a ver com jornalismo e jornalistas, só por exemplo, a cobertura que o DN fez das eleições no PSD, as menções do Público à “ocupação” do Iraque (para usar as simpáticas aspas com que tentaram por lá minimizar a coisa), ou a colecção de press-releases e vénias a que se resume a maioria dos nossos periódicos económicos. Aliás, o bom do PRD foi buscar informação a uma fonte exemplar: o Briefing – revista do meu ramo onde nunca li uma notícia a sério, uma crítica ou uma entrevista que não fosse incensadora. Ali, até a opinião é substituída por ruminações masturbatórias como esta.
Em casos assim, bem que podiam convidar o Noddy para sinecuras bem pagas e importantes. Todos ficaríamos a ganhar, palpita-me. Menos ele: os moralistas recidivos nunca vão longe nesta vida.

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