O jornalismo entregue à bicharada

Anda por aí muita alminha indignada com a nomeação de um actor de telenovelas para dirigir uma revista qualquer. Garante Pedro Rolo Duarte que por este andar ainda vamos ter a Floribella a capitanear a Vogue. Desta revista, pouco saberei que me leve a optar pela inadequação da moça. Mas não estou a ver o que terá a ver com jornalismo e jornalistas, só por exemplo, a cobertura que o DN fez das eleições no PSD, as menções do Público à “ocupação” do Iraque (para usar as simpáticas aspas com que tentaram por lá minimizar a coisa), ou a colecção de press-releases e vénias a que se resume a maioria dos nossos periódicos económicos. Aliás, o bom do PRD foi buscar informação a uma fonte exemplar: o Briefing – revista do meu ramo onde nunca li uma notícia a sério, uma crítica ou uma entrevista que não fosse incensadora. Ali, até a opinião é substituída por ruminações masturbatórias como esta.
Em casos assim, bem que podiam convidar o Noddy para sinecuras bem pagas e importantes. Todos ficaríamos a ganhar, palpita-me. Menos ele: os moralistas recidivos nunca vão longe nesta vida.

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4 respostas a O jornalismo entregue à bicharada

  1. Noddy diz:

    Grave mesmo será o dia em que Luís Rainha seja director do Público ou do DN. Aí, sim: fujam todos para os abrigos! By the way, quem é o Luís Rainha? É que, os outros eu sei quem são…

  2. Tudo bem, mas… coitado do Peninha, escolhido para ilustrar um post do “jornalismo entregue à bicharada”. O Manual do Peninha (cuja capa aqui puseste) faz parte do meu imaginário infantil, e o Peninha (um antecessor do Kramer do Seinfeld) era a minha personagem Disney favorita.

  3. Luis Rainha diz:

    Sim; mas é um pato. E os patos são bichos. Por muito que nos custe (ou talvez não: comi há umas horas um excelente magret de canard).

  4. Sr. Lei diz:

    Noddy: é um gajo que podia ser teu pai, se ao menos tivesse ido para a bicha.

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