Anzóis para desesperados

Sabiam vocês que «os cancros são energias que se transformaram em líquidos estagnados, que por sua vez solidificam, crescem e multiplicam-se graças ao calor no seu interior, e, depois, disseminam-se usando uma energia do tipo “vento”»?
Se estão a pensar que tal revelação da Medicina fugiu do encéfalo abençoado do professor Bambo, desenganem-se. A prosa, resumo da ideia que a medicina tradicional chinesa faz da oncologia, saiu numa revista popular há umas semanas. E foi o conhecido Dr. Pedro Choy (ou “professor Doctor”, para os amigos) quem a escreveu, como desenlace de um caso clínico em que um cancro no cólon, com metástases em “quase todo o corpo”, terá sido erradicado por coisas como banxia houpo e wei qi bu em gotas.
Ignorando que até um relógio parado dá as horas certas duas vezes ao dia, o especialista em aerodinâmica dos carcinomas conclui que alguma razão deve ter a velha medicina chinesa, tendo em vista que «dificilmente se chega ao resultado positivo partindo de pressupostos errados.» O artigo vem temperado com umas gotas de respeitabilidade, pois o seu autor não resiste a citar um seu professor da faculdade de Medicina de Coimbra e ainda invoca as infalíveis siglas “TAC” e “RMN”, entre muito outro paleio médico.
Nestes dias, o senhor explora uma “Universidade” mesmo ao pé do meu escritório. E bem perto do local onde uma tal “Associação Kundalini” foi recentemente fechada a mando da ASAE – ao que parece, a instituição pedagógica do Dr. Choy tem tido mais sorte. Só espero, parafraseando os nossos amigos liberais, que os meus impostos não tenham servido para ali financiar nem um cinzeiro.

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8 respostas a Anzóis para desesperados

  1. Luís Lavoura diz:

    “espero, parafraseando os nossos amigos liberais, que os meus impostos não tenham servido para ali financiar nem um cinzeiro”

    Tá a ver Luís, como em certos dias até Você se descai para o liberalismo?

    É Você e a Fernanda Câncio: se não tomardes rapidamente um antídoto, ainda acabais no Movimento Liberal Social.

  2. Luis Rainha diz:

    T’arrenego! Vou já tomar uma litrada de wei qi bu…

  3. rvn diz:

    luis,
    bato palmas à prosa e alinho na conclusão: sim, nem um cinzeiro, ok. Mas sobra-me uma dúvida, confesso. Coisa lateral, não mexe ou altera uma vírgula ao acima dito, mas existe e tenho-a sem resposta. Talvez me possas ajudar: o que damos então aos desesperados, que outros anzóis?

    (para ti está resolvido: vai um abraço.)

  4. Luis Moreira diz:

    Só para ajudar á conversa.Um amigo meu,médico,trata pessoas com um approach diferente.Fortalece o sistema imunitário,em primeiro lugar e só depois, utiliza as técnicas de ataque ortodoxas.Com ligações á Universidade de Navarra que utiliza técnicas de cirurgia diferentes( no caso de Oncologia)onde os seus doentes são operados,e a clínicas na Suiça,Alemanha e Holanda.

    Medicamentos que utilizam plantas há muito utilizadas,com sucesso surpreendente e que resultaram de estudos de um médico Alemão (mais ou menos proscrito) com uma enorme reputação naqueles países!

    Utiliza tambem as técnicas convencionais de diagnóstico!

    “Não creo em brujas,pero…”

    Ele diz que o cancro é uma doença como as outras que resultam de desequilibrios do nosso sistema imunitário…

  5. Luis Rainha diz:

    Rui,
    Essa é uma conversa “too close for comfort”, neste momento. Mas um dia poderemos tê-la. A propósito, sabes que já nos conhecemos, certo?

  6. rvn diz:

    luis,
    ora aí está um prazer cujo esquecimento seria a prova, que meio mundo procura, da minha senilidade. Situa-me, peço-te.

  7. Luis Rainha diz:

    Rui,
    As letritas “O&M” dizem-te algo, ou é tremenda confusão minha?

  8. rvn diz:

    luis,
    não, não creio que seja confusão tua, o meu problema está em situar a coisa no tempo.. Nada que não se esclareça um destes dias com um cafézito à frente, ou mesmo um álcool, quem sabe, não te parece?
    abraço, caro.

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