Pesquisa

A “normopatia” no seu melhor

22 Maio 2008 | por Ana Matos Pires

«Afinal de contas, todos os homens normais gostariam de “pôr-se” no máximo de mulheres, e todas as mulheres normais gostariam de ser apreciadas pelo máximo possível de homens, para poderem escolher o que lhe interessa mais.»

Mas há mais, acreditem, ora atentem nesta caixa de comentários.

Comentários

Comentário de cristã
Data: 22 Maio 2008, 22:32

Ana, num dos comentários a esse post fiz mesmo um resumito das melhores tiradas. inacreditável

Comentário de lobotomias
Data: 22 Maio 2008, 22:44

neste caso, dado o reconhecido autor do comentário, eu apontava mais para a sociopatia … se acreditasse no conceito…
mas faz lembrar esta frase de um texto que linkaste há uns dias “é que elas interpretam todos os actos deles como sinais de ligação; e eles transmitem o sinal por pura cortesia [e, como acredito pouco no altruísmo masculino, para assegurarem – obviamente – a próxima queca].”
versão mais soft mas é capaz de ser mais ou menos a mesma coisa.

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 22 Maio 2008, 22:49

Eu li, Cristã, coitada de si. Inacreditável é apelido.

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 22 Maio 2008, 22:59

Tens razão em tuuuuuudo, amigo.

Comentário de Carlos Fernandes
Data: 22 Maio 2008, 23:50

Bem, não me parece que esse pedaço de texto do Lidador contenha alguma mentira, é a verdade da natureza do espécie animal homem a funcionar…
Agora aproveito para aplaudir e subscrever outros comentarios nomeadamente o das 19h10 e do brilhante exemplo dos fúrunculos lá referido.
Já agora acrescento que a mim ainda me chateiam mais ver os fúrunculos exteriores ou interiores na testa -seja do lado esquerdo(a) ou direito(a) -e nas cabeçinhas formatadas com clichés e ideias supostamente muito pseudo-pós-modernos …

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 22 Maio 2008, 23:55

Por esta ordem de ideias, e pondo a questão ao contrário, também deve haver algumas mulheres que querem «sentar-se» em tudo o que é homem. E, vejam lá, também deve haver homens profundamente anormais, que pretendam apenas ser apreciadas pelas mulheres sem concretizarem nada com qualquer uma.

Comentário de aff
Data: 23 Maio 2008, 0:23

Sinceramente não percebo o que há de tão extraordinário neste comentário. É levar demasiado à letra as palavras “normal”, “máximo de mulheres”, etc… É do senso comum que os homens são particularmente atreitos a ir atrás de todo o “rabo-de-saia” e que as mulheres gostam particularmente de ouvir piropos nem que seja de um servente de pedreiro. De resto a srª está aqui a fazer um espalhafato daquilo de que toda a gente sabe. Ao menos ponha tudo a bold para a gente reparar melhor.

Comentário de al
Data: 23 Maio 2008, 2:14

É o que diz Stendhal, Flaubert ou Eça. Aqui limitou-se o autor do comentário a manter um tom pícaro séc. XVIII -aliás de novo tão em, uso e que estava no tom da discussão ao post.
Não percebo. Não leram Fielding.

Comentário de al
Data: 23 Maio 2008, 2:19

Tão em uso, sem vírgula.
O interessante é que o tom de mofa feminina - que se encontra muito por aqui na versão “Canção de Lisboa” é, ele também, hoje de melhor qualidade, muito picaresco, Tom Jones.

Comentário de jaime roriz
Data: 23 Maio 2008, 2:37

Ana de Matos Pires, Não me quer convidar para blogger do 5dias? Estou a lembrar-me de uns temas mais giros do que fazer comentários sobre comentários (ainda que parvos fossem ou sejam) de um post que já é de si umcomentário sobre um livrinho de menos de 100 páginas editado (em boa hora) pela Almedina.
a) os efeitos da “nova” lei do divórcio na igualdade de género
b) o fim da discriminação positiva às mulheres (aka o caso da suécia)
c) os crisântemos do meu jardim
d) como aspirar uma piscina
e) liberdade e regulamentação versus o princípio da igualdade
:-)

Comentário de Fernando Penim Redondo
Data: 23 Maio 2008, 8:24

A Ana Matos Pires, que sempre tinha vivido num laboratório aséptico, acaba de descobrir o mundo real. Que excitante.

Comentário de Lidador
Data: 23 Maio 2008, 9:19

Cara AMP, se pensa que está a ser “sofisticada”, com este tipo de parangonas, lamento dizer-lhe que revela apenas a profunda ignorância de alguém que acredita que a realidade é feita de clichés.

Não se iluda.
É natural que os homens normais queiram todas as mulheres, no sentido bíblico. Por detrás de todas as estilizações, e todas as sublimações, está sempre Eros e Tanatos, a estratégia racional, ainda que não racionalizada, de escapar à morte e ao tempo, de espalhar ao máximo os genes que assegurarão a continuidade. Quantos mais melhor.
A cultura vem depois, para suavizar, estilizar, enfeitar, humanizar.
Mas lá no fundo está sempre o velho sátiro. É uma das razões porque ainda cá estamos.
A outra é a pulsão da fêmea. A fêmea escolhe. E é porque a fêmea escolhe que o macho se exibe e se arrisca e quer mostrar que é melhor que o outro e que tem melhores genes.
Porque a fêmea não tem outra estratégia senão a escolha criteriosa. As suas oportunidades são finitas, tem de jogar pelo seguro. Não tem biliões de óvulos para desperdiçar e se hipoteca um, convém que valha a pena porque o vai carregar durante muitos meses e porque a cria será indefesa durante anos.
Os seus genes sobreviverão ao tempo e à morte, se a cria sobreviver. Tem de escolher bem…tem de escolher bons genes e um parceiro que proteja a cria.
Essa é a sua estratégia. Tb subliminar, tb não racionalizada, na maioria das vezes, mas que se mostra clara nos comportamentos normais.
Se você não entende isto, se não entende a força das pulsões da vida e da morte, não entende nada e nunca entenderá, a menos que a natureza a reclame um dia e se veja fora do casulo civilizacional, de volta ao mundo autêntico.

Quanto ao adjectivo “normal”, não o uso no sentido moral, estou-me nas tintas para a sua moralidade. Uso-o sempre no sentido estatístico. Comportamento normal é aquele que pode ser descrito por uma curva de Gauss e cuja probabilidade se situa na área definida pelo desvio-padrão.
É por isso que a homossexualidade não é normal.
É uma constatação, não um juízo de valor.

Comentário de /me
Data: 23 Maio 2008, 9:35

Se a conversa dos furúnculos me tinha enojado, essa visão animalística e primária da espécie humana ainda me enjoou mais.

Já me começo a sentir culpado de ter também alimentado o debate.

Comentário de Maria João Pires
Data: 23 Maio 2008, 9:50

Pobre Tom Jones, até ele é misturado com tão grandes banalidades.

Comentário de rosa-que-fuma
Data: 23 Maio 2008, 11:32

é. tudo isto é tão natural, que é preciso excluir a homosexualidade para que se mantenha natural.

Purdah, chamam-lhe os poligâmicos old school. A lei que separa homens de mulheres para que tudo corra como manda a natureza.

Comentário de Lidador
Data: 23 Maio 2008, 12:23

Caro me, tenho o maior respeito pelos seus achaques. Mas, em nome das mais elementares normas de conduta em sociedade, pedir-lhe-ia que evitasse dar-me conta dos seus problemas gástricos.
Não me recordo de lhe ter perguntado pela sua saúde, mantenha uma distância socialmente aceitável, por favor.

Comentário de /me
Data: 23 Maio 2008, 12:52

Lidador,

O meu comentário era ao post do blog, não ao seu comentário (que na altura em que escrevi o meu ainda nem tinha sido aprovado, acho eu).

Comentário de Lidador
Data: 23 Maio 2008, 13:33

Não se justifique.
É constrangedor ver alguém a rastejar.

Comentário de M. Abrantes
Data: 23 Maio 2008, 14:02

O comentário tem algum valor se for entendido como uma introdução rápida ao assunto “Homens e Mulheres”, para tripulantes de ovnis que visitem a Terra pela primeira vez e não tenham tempo para perder com estas porras.

Comentário de al
Data: 23 Maio 2008, 14:36

Tom Jones é banal, MJP. É bom porque é banal. Havia mundo antes dos românticos, por estranho que isso lhe pareça. Não terá dado isso na escola, não é culpa sua, mas é assim mesmo.

Comentário de Maria João Pires
Data: 23 Maio 2008, 14:50

Havia? A sério? as coisas q o al sabe, conte mais, conte mais…

Comentário de /me
Data: 23 Maio 2008, 14:56

Lidador, talvez no teu mundo seja aceitável distorceres as coisas para que possas, humilhando os outros, sair por cima.

No meu, onde isso não se faz, dá direito a que te diga: vai à merda.

PS: Que me desculpem os restantes leitores, mas sinto direito a indignar-me.

Comentário de /me
Data: 23 Maio 2008, 15:04

AO MODERADOR (naturalmente para não ser publicado): compreendo se o meu comentário em que mandei alguém à merda não for publicado. Mas caramba, perante lógicas de má fé que distorcem a verdade para amesquinhar o interlocutor, não vejo que outra resposta possa dar.

Comentário de maria
Data: 23 Maio 2008, 15:11

Li a tal caixa de comentários e pergunto-me: em que “selva ancestral”, para o citar no comentário das 19:24, viverão o lidador e a respectiva “fêmea” (se é que a têm)?

Comentário de al
Data: 23 Maio 2008, 15:14

O problema não é tanto seu, mas do deficiente ensino. Se se desenvencilha com o inglês leia um «companion» de história. São baratos e a maioria bastante fiável. Pode ler, também, uma história das ideias.

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 23 Maio 2008, 15:28

Eu devo ser um homem anormal, porque não tenho vontade de «me pôr» em todas as mulheres. Basta-me a minha.
Agora que a minha filha está quase a nascer, espero que esta visão machista do mundo mude completamente. Até ia achar piada se, enquanto adulta, andasse por aí a destruir os corações dos homens. Eles em filinha a ver se ela os escolhia e ela apenas com vontade de os levar para a cama. E depois de o conseguir, deitá-los fora como se de um farrapo se tratasse.
Não é o que os homens que querem «pôr-se» em todas fazem?

Comentário de /me
Data: 23 Maio 2008, 15:35

Bem, o comentário ao moderador não era para ser publicado. :)
Bom fim de semana a todos!

Comentário de cristã
Data: 23 Maio 2008, 15:59

«Afinal de contas, todos os homens normais gostariam de “pôr-se” no máximo de mulheres, e todas as mulheres normais gostariam de ser apreciadas pelo máximo possível de homens, para poderem escolher o que lhe interessa mais.»
LIDADOR : pedir-lhe-ia que evitasse dar-me conta da sua vida doméstica. Não me recordo de lhe ter perguntado por ela. Mantenha uma distância socialmente aceitável, por favor.

Comentário de Maria João Pires
Data: 23 Maio 2008, 16:54

oooh, e recomenda alguma em especial? Estou em ânsias pela resposta

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 23 Maio 2008, 17:03

Acho “delicioso” o uso de expressões como “natureza do espécie animal homem” e “senso comum” neste contexto. E eu estar a fazer “espalhafato”, aff, não me parece que corresponda propriamente à realidade da coisa.

Não vejo onde está o motejo, al, mas prontus. E essa da assepsia também não percebi, Fernando Penim.

Jaime, os cinco temas estão aprovados, venham daí as postas.

Quanto ao que diz, Lidador, mal estaria eu se a minha sofisticação fosse assim demonstrada. Mas lá que tem graça V. vir fazer juízos de valor sobre os outros, falar de sofisticação e clichés e, depois, resumir tudo a Eros e Tanatos, tem. E pulsão da fêmea não sei o que seja. Quanto ao resto, estou como dizia a outra no anúncio da Planta… “lambão”. Se se quer colocar na posição de cobridor, opção sua, não tenho nada a ver com isso, homem e bovino não é uma associação que eu costume fazer, do mesmo modo que não associo mulher a transportadora de óvulos nem a minha criança a um óvulo hipotecado.
No que concerne ao uso que faz do adjectivo normal, sempre lhe digo que é poucochinho reduzi-lo à definição de Distribuição Normal, sobretudo quando o usa a propósito de comportamentos humanos (ainda que, para ser sincera, esse reducionismo estatístico que diz fazer do termo me pareça uma desculpa esfarrapada, tendo em conta tudo o que escreveu previamente). Mas há um ponto que nos é comum, há que dizê-lo, tal como o Lidador também eu me estou nas tintas para a sua moralidade.

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 23 Maio 2008, 17:04

Quer que apague, /me?

Comentário de Lidador
Data: 23 Maio 2008, 18:00

Cara AMP, no limite tudo se reduz a Eros e Tanatos. As estilizações, os embelezamentos, as racionalizações, são camadas de civilização que colocamos sobre os instintos vitais, para maquilhar a animalidade.
Repare como os seus comentaristas amigos rapidamente revelam o primata que aflora. Num momento são o amor e a paz, e a fraternidade, e as flores, etc, e no momento seguinte, se devidamente enraivecidos, derramam-se em insultos tabernícolas , de volta ao primata primordial que morde e gesticula.
Não podia haver melhor demonstração.

Quanto aos meus argumentos sobre os motores da sexualidade normal, se não aprecia o que lhe digo deixo-a com um especialista entre muitos:

” O homem sonha ter relações com tantas mulheres diferentes, e amulher com o amor verdadeiro e definitivo”

“Cada home sente, prepotentemente, dentro de si, o direito de procurar mulher, e a mulher de ser procurada e de escolher”

etc,etc

Francesco Alberoni ( o Erotismo)

Quanto à normalidade, a Curva de Gauss aplica-se aos comportamentos dos grupos humanos. Lamento que nem isso saiba.
Faça um esforço e leia algo mais do que panfletos com palavras de ordem. O mundo é mais complexo do que você gostaria de acreditar.

Comentário de Maria João Pires
Data: 23 Maio 2008, 18:14

Não deixa de ser hilariante que, no mm comentário em q apela à estatística, o Lidador cite Alberoni. Relembro-lhe que o senhor é, para muitos, a personificação da “descientificação” da Sociologia já que análises cientificas ou estatísticas são, na maioria dos seus livros (e no Erotismo muito em particular) bichos estranhos. Basicamente vai dizendo umas banalidades dando-lhe umas roupagens agradáveis à leitura…

Comentário de Maria João Pires
Data: 23 Maio 2008, 18:17

“O mundo é mais complexo do que você gostaria de acreditar.”, de facto, daí ser risível reduzi-lo a esta dicotomia “todos os homens normais gostariam de “pôr-se” no máximo de mulheres, e todas as mulheres normais gostariam de ser apreciadas pelo máximo possível de homens, para poderem escolher o que lhe interessa mais.”. Está a ver como não é difícil chegar lá? Isto deve ter qqr coisa de maiêutica…

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 23 Maio 2008, 22:19

Seguramente tem, João, aliás, num dos sentidos do termo o Lidador “É” a personificação da maiêutica – ele é o “paridor” da verdade.

Que tal um bocadinho mais de honestidade intelectual, Lidador? Tresler os outros não é a maneira mais honesta de os contrapor. Onde foi que eu disse que a Curva de Gauss não é passível de ser aplicada ao estudo dos comportamentos dos grupos humanos? E por falar em estudo de comportamentos, o exemplo “naturalista” que escolheu para provar o seu ponto não foi o mais feliz, desde logo porque comete o erro de não controlar as variáveis parasitas – não quero acreditar que os seus conhecimentos metodológicos e estatísticos se fiquem pela Distribuição Normal.

Quanto a isso da “sexualidade normal”, meu caro, seria todo um tratado. Em todo o caso as citações do Alberoni deixaram-me invejosa e, numa postura de acting out, não resisto a devolver-lhe o mimo:

“Pateta – Uma pessoa pouco elegante e com uma tendência excessiva para tropeçar nos próprios pés.”
Ambrose Bierce (Dicionário do Diabo)

Comentário de Vítor
Data: 23 Maio 2008, 23:13

Não sei para que se dá ao trabalho Lidador. Bem…saber até sei… :) De qualquer forma gosto de ler os seus comentários. Pena que tenha deixado de comentar no arrastão.

Nota 10 para o sarcasmo ^^

Quanto ao tema. Caprichos na abundância.

Comentário de Carlos Fernandes
Data: 23 Maio 2008, 23:27

Já agora, Lidador, concordo com muitas das suas intervenções, agora essa de que tudo no limite se reduz a “Eros e Tanatos” surpreende-me, pois supunha que tivesse os conhecimentos mais actualizados, pois essa visão e essa chave de leitura freudiana das coisas há muito (há alguns anos) caiu em descrédito no estrangeiro, só em países culturalmente terceiro-mundistas é que continuam a dar crédito ao judeu (atenção:nada tenho contra os judeus) drogado-opiómano.

De resto hoje nunca ouvíriamos do Sr. Sigmundo, (teria sido mais um médico, entre milhares, que viveu há um século)caso este não tivesse tido um sobrinho, este sim de realçar, que lhe divulgou mundialmente as obras, refiro-me ao sobrinho americano do Freud, Bernays, considerado o pai do marketing e da publicidade americana!

Comentário de /me
Data: 26 Maio 2008, 11:16

Ana Matos Pires, não é preciso. Depois sobrariam outros comentários que ficavam sem sentido. Era pior a emenda que o soneto.
Obrigado pela atenção! :)

Escreva um comentário