Os advogados farmacêuticos

Há umas horas, ouvi na Rádio o bastonário da Ordem dos Advogados queixar-se da proliferação de cursos, estudantes e licenciados em Direito. Que assim a profissão se suicida, que é impossível acomodar tanto jurista, etc. A concluir a denúncia, um tremendo imperativo: o Estado deve ressarcir quem resolveu estudar tais assuntos, convencido que que iria poder dali retirar algo parecido com um ganha-pão. E, de caminho, fechar umas quantas faculdades.
Mas claro que os advogados deveriam ser como as farmácias: um por quarteirão e mais nada, para não perturbar os senhores já bem estabelecidos. Já agora, a coisa poderia funcionar como a carreira diplomática: sem um nome de família apropriado, mais vale procurar emprego na pastorícia.
E claro que a culpa de alguém sentir uma vocação sem grande cabimento concorrencial só pode ser do Estado e da sua falta de Planos Quinquenais bem dimensionados. Cada encéfalo deveria ser encaminhado para a carreira devida. De preferência uma que garantisse ao senhor bastonário que não faltariam braços para lhe encerar o Mercedes.

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