A feira e as marquises

No 31 da Armada, goza-se com Saramago por este deplorar o desenlace da crise da Feira do Livro. “Para Saramago, será um duro golpe no espírito comunitário e democrático da Feira do Livro, onde toda a minha gente se sujeitava, por hábito e amorfismo, à mediocridade vigente.”
Mas não; não era por isso. Várias editoras já por várias vezes tinham tentado presenças diferentes na Feira. Esbarrando sempre nas mesmas proibições. Que agora, ao que parece, não se colocam à LeYa.
Gostava de saber o que escreveria o senhor CCC se um novo rico recém-instalado no seu condomínio/prédio/vizinhança se dedicasse a fechar marquises, revestir paredes a azulejos, edificar mais um ou dois andarezitos, tudo com beneplácito camarário. Sobretudo depois de já vários vizinhos terem feito pedidos para alterações menores, sempre sem sucesso.
Se calhar, o senhor CCC não seria tão lesto a perorar sobre o que não conhece. E não se lembraria de inventar “incómodos” a um escritor que, teoricamente, até sairá beneficiado com as melhores condições de exposição dos seus livros.
O “Pugresso”, para alguns, tem mesmo de vir decorado com alumínios e néons berrantes.

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