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16 de Maio de 2008 por Filipe Moura

Na sequência do texto da Maria João abaixo, recordo que a origem da expressão “betinho” é uma personagem com o mesmo nome, muito bem comportadinha, da novela “Dancin’Days”, transmitida em meados dos anos 70. Podemo ver aqui o “betinho” original a cantar a sua música, a bela João e Maria de Chico Buarque e Sivuca:

A partir daí a palavra foi sendo usada em diferentes contextos, mas sempre variações do significado geral original: uma pessoa muito bem comportada, que nunca comete nenhum ilícito nem desobedece às autoridades (nomeadamente aos pais…), visto num tom algo depreciativo. A meu ver deveria ser mais ou menos isto o que deveria estar escrito num bom dicionário (e não somente a utilização da palavra num dado contexto). Senão, ainda corríamos o risco de “betinho” passar a ser quem gosta do Chico Buarque…

Comentários

Comentário de /me
Data: 16 de Maio de 2008, 13:50

Eu nunca utilizei a palavra “betinho” para designar quem não consome drogas. O significado que dou à palavra é o mesmo que tu, Filipe.

Gostei da música. Ternurento, o vídeo.

Comentário de jc
Data: 16 de Maio de 2008, 14:47

betinho, na definição popular da zona do país onde cresci, remete para o tipo de miúdo que em lisboa se chamaria “queque”. eram os filhos dos forcados e dos lavradores, mas também todos os outros wannabes que os imitavam na esperança de pertencerem a uma certa elite. vestiam, normalmente, camisa de xadrez em tons derivados de vermelho, sapato de vela e calça caqui, cabelinho à foda-se com marrafa à cão d’água. elas, de largas argolas nas orelhas, jeans, tops com desenhos de animais fofinhos, uma sweat-shirt atada à cintura que nunca era vestida e os óculos de sol a segurar o cabelo.

as pessoas que não tomavam drogas eram, imagine-se, pessoas que não tomam drogas.

o tipo de gente que criou esse dicionário deve ter tido uma idade pré adulta de descobertas pessoais aceleradas por químicos, influenciadas por conhecidos de idade superior, mais batidos na matéria, que por pura ignorância, chamavam à suas práticas os mais novos aliciando a toma de droga como sendo um lifestyle de rockeiro, coisa que nunca irão saber o que é. tudo bem. até faz sentido. lá no bairro deles era assim.
agora publicar num sítio de um organismo do estado responsável pela luta contra a toxicodependência um “dicionário” local generalizando ao país, é de uma irresponsabilidade indescritível. mas ao mesmo tempo, e a julgar pela conjuntura do trabalho social em portugal, não me espanta nada que essa obra tenha sido avalizada pelas mais altas instâncias. porque essas, do terreno, não sabem absolutamente nada.
certo é que os meus miúdos, com quem faço prevenção da toxicodependência, não vão consultar esse sítio sem antes ser revisto por nós e sem nós estarmos presentes durante a consulta.
às vezes basta uma palavra, tipo betinho, para estragar anos de trabalho intensivo.

Comentário de jc
Data: 16 de Maio de 2008, 14:49

“joão e maria” é uma das minhas músicas favoritas de sempre. e não me considero betinho. até acho que sou um gajo bués à frente.

Comentário de CARLOS CLARA
Data: 17 de Maio de 2008, 1:11

Chico Buarque, sim -sempre! Os betos nããããããõoooooooooooooooooooooooooooo!

Comentário de Saloio
Data: 17 de Maio de 2008, 12:51

Sr. Filipe Moura: não sei se o termo “betinho” veio da telenovela em causa.

Recordo-me que foi mais divulgado no fim anos 80, por oposição à rapaziada jovem mais identificada com Abril de 74. Um betinho era um puto bem comportado, que vestia roupa engomada, usava o cabelo arranjado e a cara rapada – mais como descreve atrás o Sr. “jc”.

Quanto à telenovela Dancing Days, foi a segunda emitida em Portugal, logo depois da Gabriela. “Dancing Days” era o nome de uma boite, que era o centro de uma trama razoavelmente bem urdida, servida por muito bons actores.

A canção, que é uma graçola aos heróis de telenovela é, além de muito bonita, uma recordação carinhosa para todos aqueles que viveram no fim dos anos 70. Nessa altura, todos os bons compositores brasileiros permitiam que as suas obras fizessem parte das telenovelas – o que facultou, em Portugal, uma escolha e um conhecimento mais variado dos artistas lá do outro lado.

Em finais de 70 e inícios de 80, os senhores José Gomes e José Nuno Martins, começaram a trazer brasileiros aos Coliseus: primeiro foi o ministro, depois Caetano Veloso (que ficou mudo ao ver milhares de isqueiros bic acesos quando entuou os primeiros acordes de “Leãozinho”), e depois as grandes Betânea e Gal Costa…).

Infelizmente, o cantor do vídeo, penso que se chamava Lauro Coroa, veio a falecer como uma das primeiras vítimas de sida – o que deixou o país de boca aberta, pois ele era muito apreciado pelo sexo femenino.

Digo eu…

Comentário de Maria João Pires
Data: 18 de Maio de 2008, 0:10

Olha que a expressão betinho é anterior a isto, Filipe.