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o país kamikaze

9 Maio 2008 | por Fernanda Câncio

O que é ser judeu? “Essa é uma questão metafísica. Qualquer ser humano que seja maluco o suficiente para se chamar judeu é um judeu.” E Israel, o que é? “Para mim, representa uma data: 29 de Novembro de 1947, quando as Nações Unidas decidiram dividir a terra entre israelitas e árabes. Só havia um rádio na zona [Jerusalém]. Eram duas da manhã e estavam 2000 pessoas na rua para ouvir a transmissão, em silêncio. Devia ter visto a alegria. Não era o Carnaval do Rio. As pessoas choravam como crianças. As lojas abriram-se, distribuíram-se bebidas. Às quatro da manhã, o meu pai meteu-me na cama e deitou-se ao meu lado. Percebi que ele estava a chorar. E disse-me: ‘Filho, quando tinha a tua idade, na Rússia, apanhava na escola por ser judeu. E o meu pai, e o meu avô. Tu podes apanhar na escola, mas não por seres judeu.’ Até hoje, estas palavras são para mim a raison d’être de Israel.”

O judeu israelita do parágrafo acima é o escritor Amos Oz. A conversa teve lugar em 1992, na cave cheia de livros da sua casa de Arad. Oz disse-me muito mais - sobre Israel (”Grandes esperanças é a alcunha do Estado de Israel”) - , sobre os palestinianos (”O primeiro passo é reconhecer que o outro é quem ele pensa que é. É irrelevante dizer que os palestinianos não eram uma nação há 100 anos. Não eram. Ou que foi Israel que os fez pensar em si próprios como tal. Não vamos pedir-lhes direitos de autor”) e sobre o que pensava dever ser feito (”Os colonatos não deviam nunca ter sido construídos. E devem parar agora. No caso de Gaza, se eu fosse o 1.º-ministro de Israel, saía já de lá e entregava a zona à ONU. Não temos nada que fazer ali” ).

Muito aconteceu desde essa conversa: o governo de Israel falou com Arafat (em 1992 isso ainda não sucedera); Rabin foi eleito; Rabin foi assassinado (1995); Barak fez (em 2000) a melhor de todas as propostas até agora feitas a Arafat e ele recusou; Arafat morreu; o Hamas tomou conta de Gaza; aconteceu a Al-Qaeda e o 11 de Setembro. E Israel fez 60 anos - ontem. Está tudo diferente mas está, mais ou menos, tudo na mesma.

Nunca mais voltei a Israel - porque não se proporcionou, mas também porque me deixou o travo de um dos lugares mais amargos da terra, pela sua confluência de ódios e proclamações de direito divino, um lugar preso de uma esquizofrenia talvez incurável, dividido entre a sua condição de refúgio dos excluídos e de nação guerreira. Este lugar fundado para que os judeus possam apanhar na escola por tudo menos por serem judeus, este lugar fundado para que os judeus pudessem enfim ter paz é um lugar feroz. Entrincheirado na determinação de nunca (mais) ser humilhado, de nunca (mais) perder, é um país kamikaze. Tão bem definido no gesto do soldado adolescente que, na viagem de autocarro entre Jerusalém e Arad, se sentou ao meu lado e pousou a metralhadora sobre as nossas pernas, as minhas e as dele, sem um pedido de licença ou de desculpa. Um gesto que diz: estás aqui, e seja qual for a tua opinião fazes parte disto; mas também um gesto que diz: seja qual for a tua opinião, estou aqui para te defender e morrer por ti - e contigo. Um país insolente e selvagem, sim, mas magnífico. Brutal - mas com um Amos Oz. Tão bipolar que faz bipolar do nosso olhar.

(publicado hoje no dn)

Comentários

Comentário de Lidador
Data: 9 Maio 2008, 13:57

Parabéns!

Comentário de reaça
Data: 9 Maio 2008, 14:00

Lenin,Staline,Trotski Zinoviev,Kameinev,Beria, Kaganovitch,Andropov,etc,levaram porrada na escola por serem judeus?Hmmm….

Comentário de al
Data: 9 Maio 2008, 14:35

O óbvio é uma coisa escusa e fugidia: acima de tudo, Israel é uma democracia e como tal se tem mantido apesar das condições terríveis em que vive, cercado pela hostilidade de monarquias feudais enriquecidas pelo petróleo e ditaduras enriquecidas pelos petróleo e a loucura palestiniana onde a defunta URSS investiu o que pode para aniquilar Istael, em nome da lógica da guerra fria (Arafat era um hóspede bem recebido no Império).
Mas o óbvio é mesmo isso: Israel é uma democracia e tem uma vida política, cultural, etc., com que nós não sonhamos sequer. Basta ir ver em cultural events no google.

Comentário de Luís Lavoura
Data: 9 Maio 2008, 14:37

Boa parte dos judeus israelitas estariam hoje melhor, e até mais seguros, se abandonassem a ideologia sionista e voltassem para os países de origem dos seus pais ou avós.

Oxalá aqueles que são de ascendência portuguesa - mesmo que de cinco séculos - voltassem para cá. Porque fazem cá muita falta.

Comentário de Lidador
Data: 9 Maio 2008, 14:55

Acredito que o Luis Lavoura pense que isso é verdade e se calhar por ele até era verdade.
Infelizmente a única coisa que pode assegurar, é que com ele, LL, os judeus não seriam perseguidos.
Acha que um povo que sofreu sucessivos pogroms em todas as latitudes e todos os tempos, tomaria a sua palavra como segura?

Não lê jornais?
Não vê o antisemitismo a brotar a cada esquina?

“Passarão os séculos, mas nas ruínas das nossas cidades e monumentos, renovar-se-á o ódio contra aqueles que são os verdadeiros responsáveis por isto: o judaísmo internacional!”

(Adolfo Hitler, 1945)

Comentário de Paulo Pinto
Data: 9 Maio 2008, 15:17

Belo texto. Penso, porém, que o título é inexacto e infeliz. 1. Inexacto em si mesmo, porque o termo “kamikaze” aplicado aos pilotos suicidas japoneses foi uma invenção americana. Depois, porque o conceito refere-se a uma atitude consciente de preferir a morte honrosa, inexorável, à rendição vergonhosa. A recusa do fim da guerra, quando a guerra está perdida. Na acepção mais comum do termo, kamikaze significa apenas “suicida louco”. 2. Infeliz porque não me parece que Israel tenha perdido a guerra. Nem julgo que este país, embora entrincheirado e cercado, caminhe para a morte. Já a loucura é algo de bem diverso mas, infelizmente, não-exclusivo de Israel.

Comentário de cristina damazio
Data: 9 Maio 2008, 15:51

Bassim Schuaip, um amigo iraquiano, a necessitar de ajuda urgente

Por favor a sua atenção:

http://cheiroapolvora.blogs.sapo.pt/9890.html#comentarios

Se achar por bem, coloque um link no seu blog e envie aos seus amigos.

Muito obrigado

Comentário de Lololinhazinha
Data: 9 Maio 2008, 16:02

“Boa parte dos judeus israelitas estariam hoje melhor, e até mais seguros, se abandonassem a ideologia sionista e voltassem para os países de origem dos seus pais ou avós.”

Luís Lavoura,

Talvez estivessem hoje. E provavelmente já não estariam amanhã. O sionismo, no fundo, acaba por ser uma espécie de resultado de uma equação que se faz com a própria História.

Comentário de al
Data: 9 Maio 2008, 16:04

O comentário é uma provocação miserável no dia em que se festeja o fim da II Guerra Mundial e do Holocausto.
Tornámo-nos num país reles e o Lavoura até terá pensado ter graça. E talvez alguém lhe tenha achado graça.

Comentário de A. Castanho
Data: 9 Maio 2008, 16:24

Faz muita falta esta objectividade, frieza e imparcialidade (também patentes no texto de Vargas Llosa) quando se discute a questão israelo-palestiniana.

O Estado de Israel encerra a maior e mais dramática de todas as contradições históricas: ser um milagre e um oásis da Civilização num mar de barbárie e, ao mesmo tempo, o epicentro de onde irradia o mais profundo Mal que germina no Mundo de hoje.

O seu “pecado original” (querer redimir um Mal monstruoso à custa de um Mal subestimado) impede-o, há sessenta anos, de ascender ao convívio normal e saudável entre as Nações, nomeadamente as suas vizinhas, e força-o a uma infidável vida de cerco entrincheirado.

Será algum dia possível a Síntese que ultrapasse, enfim, esta extrema contradição?

Comentário de ezequiel
Data: 9 Maio 2008, 16:25

Bolas, que artigo, Fernanda!!

Parabéns, sem dúvida!
what a girl! :)

Comentário de Madalena
Data: 9 Maio 2008, 16:52

Parabéns! Muito interessante!
Continua assim.


b1bpt@fiambre.dsi.uminho.pt

Comentário de Tárique
Data: 9 Maio 2008, 16:55

quantas crianças mata “o estado muito cultural muito cheinho de democracia” israel por dia ?

Comentário de Alexandre Fonseca
Data: 9 Maio 2008, 17:11

o artigo está de parabéns. e concordo com o comentário anterior. faltam perspectivas objectivas e imparciais sobre o confronto israelo-palestiniano, como a de Amos Oz, autor do pequeno ensaio “contra o fanatismo”…
Um p.s. apenas: desde que li a relíquia, e perdoem-me o entusiasmo juvenil, Israel é um país que me fascina, exactamente por ser esse caldeirão que mistura tão facilmente o sagrado e profano, o bem e o mal, que andam, ali, mais perto do que o normal um do outro…

Comentário de Adolfo Mesquita Nunes
Data: 9 Maio 2008, 17:26

Excelente.

Comentário de TT
Data: 9 Maio 2008, 17:42

Primeira visita e fiquei logo colado ao artigo escolhido…MUITO BOM!!
Partilho da incompreensão e da tristeza…da história, do fado dos outros…

Comentário de Saloio
Data: 9 Maio 2008, 18:23

Belo texto, minha senhora.

Quanto ao comentário do Sr. Luís Lavoura: desculpe-me, mas o senhor hoje esqueceu-se de tomar os comprimidos, não foi??????

Digo eu…

Comentário de Maria João Pires
Data: 9 Maio 2008, 18:48

Alexandre, se quiser recordar a conferência onde ele apresentou esse texto pode fazê-lo aqui:

http://www.princeton.edu/WebMedia/lectures/20031110ozVN300K.asx

Comentário de De Puta Madre
Data: 9 Maio 2008, 20:40

Um complemento ao texto potente (e, especialmente, para quem passa por cima do facto que o nosso Alentejo é mais vasto que o Estado de Israel): o documentário de Avi Mobrabi, cujo fio condutor é Sanção - o herói mitológico, que morreu na solidão, longe do seu povo - no contexto da cultura e história do povo judeu que lhes perpassa o eco “ deixa-me morrer com os palestinos”. Sanção, o único suicida bíblico, morre, e morrem com ele 3000 “inimigos”.
PS.: Não me recordo do nome do documentário, mas qq documentário do Avi Mograbi é “obrigatório”.

Comentário de Lidador
Data: 9 Maio 2008, 21:11

Paulo Pinto, tem razão quanto ao significado conotativo da palavra “kamikaze”, mas o seu verdadeiro signifiicado é “vento divino”, e tem a ver, dizem, com um temporal que em tempos, destruiu no mar uma frota chinesa que se preparava para invadir o arquipélago.
Os “kamikazes” aéreos, tb acreditavam estar a salvar o Japão, destruindo a frota invasora…

Comentário de Ángel Sánchez Seoane
Data: 9 Maio 2008, 23:57

Grazas Madam Pires polo link da confêrencia de Amos Oz. Na Asociación Galega de Amizade con Israel escoitamos con atención a Amos Oz e somos devotos de vôce

Comentário de Algarviu
Data: 10 Maio 2008, 0:34

Sabra e Shatila diz-voz alguma coisa?

Comentário de Algarviu
Data: 10 Maio 2008, 0:34

… diz-vos…

Comentário de nuno castelo-branco
Data: 10 Maio 2008, 0:39

Parabéns à Fernanda Câncio. Na verdade é cada vez mais raro ver gente da esquerda manifestar qualquer tipo de simpatia para com o Estado de Israel. Sou suspeito, porque desde pequeno fui influenciado pela minha mãe - de direita, diga-se -, uma ardente admiradora daquele país. É que muitas coisas estavam implícitas naquele apoio, ou sejam: direitos constitucionais, igualdade de sexos à face da lei, democracia parlamentar e liberdade de expressão e não menos importante, uma total sintonia com a nossa forma de viver e entender o Ocidente. Compreende-se a frustração dos comunistas dos mais diversos matizes, sejam eles estalinistas ( no fundo são-no todos…), trotskistas (judeu, mas vejam as raivinhas babosas do Louçã e apaniguados), maoístas, etc. Fazem uma bela e sintomática parelha com os outros que também ostentam uma certa bandeira vermelha. Até assinaram um pacto e usaram consecutivamente os campos de concentração abertos pelos “outros”!
No meio daquele obscurantismo que por ali medra, Israel surge como algo que entendemos como próximo e já agora, está sempre apto a fazer os serviços que todos desejamos mas que hipocritamente fazemos de conta que não vemos: Osirak, o reactor sírio do inefável Assad e em breve, o reactor do Ahmadinedjad. Desejo o total sucesso à aviação israelita. Que não demore muito…
Parabéns, Fernanda.

Comentário de Carlos Botelho
Data: 10 Maio 2008, 1:36

Confesso que o título não me parece lá muito adequado. Ou pelo menos não gosto dele. Mas gostei muito de ler o texto!

Comentário de Alexandre Fonseca
Data: 10 Maio 2008, 9:59

Cara maria joao, obrigado pelo link mas nao consigo aceder aos conteudos… E pena porque fiquei interessado em seguir o percurso de amos oz.

Comentário de Paulo Pinto
Data: 10 Maio 2008, 10:17

Caro Lidador: uau, sério? as coisas que eu aprendo nestes blogs… já agora, informe-se: os japoneses não chamavam aos seus homens “kamikaze”, que resulta de um equívoco americano. Leia a entrada na Wikipedia, p. ex.

Comentário de jaime roriz
Data: 10 Maio 2008, 13:21

Fernanda Maria, faltou - nesse ror de acontecimentos funestos que citaste - citar o setembro negro. O homem (arafat) que mais tarde viria a ganhar o prémio nobel da paz matou, com suas próprias mãos, vários atletas olímpicos israelitas.

Comentário de corvo
Data: 10 Maio 2008, 13:42

Como pode um país se sentir tão contente, se para existir tem de construir muros ( GUETOS), porque tem medo dos vizinhos.

Dizia uma senhora brasileira de RELIGIÂO JUDAICA, que foi viver para Israel:

Não gosto dos Arabes, não gosto dos Palestinos, se eles querem um país vão fazê-lo para outro lado, mas não ao pé de nós.

Esta é realmente a questão de fundo , uma brasileira nascida no Brasil, quer obrigar um palestino nascido na Palestina a ir fazer o seu país para outro lado, possivelmente para a PATAGONIA…..

Quanto ao anti-sionismo ( anti semitismo é uma falsidade, pois a maioria dos israelitas não são semitas), é ele a causa da impossibilidade de uma patria dois povos, em que a existência de Israel e da Palestina, não fosse motivada como é o caso de Israel, por questões meramente religiosas.

Comentário de corvo
Data: 10 Maio 2008, 13:45

Correcção:

Quanto ao sionismo…. ( e não anti-sionismo)….

Comentário de Carlos Botelho
Data: 10 Maio 2008, 16:32

É provável que a Fernanda Câncio já conheça o A Tale of Love and Darkness, do Amos Oz. Se por acaso não conhece (é uma belíssima autobiografia), leia-a - acho que vai gostar imenso.

Comentário de Filipe Moura
Data: 10 Maio 2008, 18:52

“quantas crianças mata “o estado muito cultural muito cheinho de democracia” israel por dia ?”

O estado de Israel pode ser isso tudo. Mas também é um estado assassino. Essa é que é essa.

“O homem (arafat) que mais tarde viria a ganhar o prémio nobel da paz matou, com suas próprias mãos, vários atletas olímpicos israelitas.”

Uau, o que o Jaime sabe. Não vi o Arafat no filme do Spielberg. Não era nenhuma das personagens. Só se um dos terroristas era o Arafat disfarçado.
Diga-se - o filme “Munique”, do Spielberg, é um retrato excepcionalmente bem feito do conflito do Médio Oriente. Tornou o Spielberg (um realizador judeu, note-se) um autor maldito para o lóbi judeu norte-americano. Como já era o Woody Allen.

Comentário de jaime roriz
Data: 10 Maio 2008, 22:19

Caro Filipe Moura
“Uau, o que o Jaime sabe. Não vi o Arafat no filme do Spielberg.”
Com todo o respeito e admiração que tenho pelo vetusto realizador, continuo a confiar mais naquilo que me lembro. E eu (vetusto também afinal :-) ) lembro-me do setembro negro.
Cheers!

Comentário de De Puta Madre
Data: 10 Maio 2008, 23:04

O Filipe Moura há muito tempo que não vê cinema em sala, ou cinema ou um filme. Tudo o que aquele filme pode ser não cabe na referência nem do cinema nem de um retrato do Setembro Negro.
É pena que exista muita resistência ao cinema documental. Teríamos outros discursos, talvez, igualmente aguerridos, mas com certeza com mais tacto quando se apresentam “Spielbergs” como referência do que quer que seja. ( o fime não só é péssimo (!) como é pouco ou nada rigoroso quando deveria ter o mínimo de delicadeza para o ser dado o seu conteúdo não ser propriamente o de um tubarão encantado com o sangue humano ). Geralmente o DOCLISBOA é em Outubro! Aproveite par fazer um update cinematográfico. Vai ver que nem sempre o que se lê na crítica cinematográfica é o que parece? Ou seja, úma coisa de engrenagem massifincante do “Joana come a papa”.

Comentário de al
Data: 10 Maio 2008, 23:18

Em que fica, afinal? O país, além de ser uma democracia, é bipolar ou é esquizofrénico?

Comentário de ezequiel
Data: 11 Maio 2008, 1:40

“Tornou o Spielberg (um realizador judeu, note-se) um autor maldito para o lóbi judeu norte-americano. Como já era o Woody Allen.”

Filipe, estás a exagerar um pouco, não?

Quem são os membros do “lobi judeu”, Filipe? O que é o lobi judeu fez ou tem feito? lobbies ou 1 lobby?

abraço

Comentário de ezequiel
Data: 11 Maio 2008, 7:01

In america things work slightly differently …you know that! its merit man! and its big time plural…é uma miscelânea fantástica eh ehe eh h

Comentário de Filipe Moura
Data: 12 Maio 2008, 13:53

Ezequiel, olha, pelo menos o lóbi do Museu Judaico de Nova Iorque…
Como sabes vivi lá. E um dia fui lá ver o museu, e uma exposição sobre os judeus em Hollywood. Isto foi em 2003. Tinham a Barbra Streisand, o Seinfeld (procuravam sustentar a tese absurda de que as personagens do Seinfeld são “todos judeus”), os irmãos Marx, e muitos outros. Davam grande destaque ao Sammy Davis Jr. (um “convertido”). E não falavam do Woody Allen! Todos os outros artistas tinham direito a um stand próprio. Para o Woody, para mim o protótipo do judeu nova-iorquino, nem uma linha (eu vi a exposição de uma ponta à outra)! Sobre uma exposição que visava “todos os judeus”. E como este exemplo arranjo-te mais. Agora não me venhas dizer que não há um lóbi judaico americano com uma “linha oficial” (onde as críticas a Israel são proibidas), e o judeu que a violar é banido.
Abraço.

Comentário de jaime roriz
Data: 12 Maio 2008, 14:47

Caro Filipe Moura,
Mas os EUA não são o último país fascista do mundo? Porque o exemplo?

Comentário de Lidador
Data: 12 Maio 2008, 15:09

O Filipe Moura tem toda a razão.
Toda a gente sabe que há um lobi judaico-maçónico, responsável aliás por uma apreciável parte das desgraças do planeta e que procura dominar o mundo.
O FM esteve lá no Museu e viu as provas.
Já o Papa Pio IX (Syllabus errorum) falava desta conspiração tenebrosa, chamando às lojas maçónicas as “sinagogas de Satanás”.

Sabe-se hoje que o Pato Donald conspirou com Herzl, Eichman e Beria para fazer cair a Bolsa de Nova York e causar a Grande Depressão, na qual o Tio Patinhas, o Rotschild e 14 milhões de revisionistas kulaks, a mando do Ariel Sharon, cruzaram o Mar Vermelho e atacaram Meca.

Esta cruzada prossegue ainda hoje e a razão pela qual o dólar está tão desvalorizado, é porque Estaline e Molotov, além de fazer pudins, baldaram-se ao Pessah e encontraram-se com Hitler em Treblinka, onde leram em conjunto os Protocolos dos Sábios de Sião.
Pela mesma época, em Ontário, Woody Allen, Barbara Streisand e Jorge Lucas, combinaram conquistar Hollywood para, em conluio com o 34º Congresso do PCUS, fazer filmes e promover a difusão de ideias revisionistas e capitalistas.
Foi então que apareceu o Coelhinho Branco que revelou a verdade ao Luis Farrakhan e ao Reverendo Wrigth.
Como é que Filipe Moura entra nesta história tenebrosa?
Porque foi ao Museu do Holocausto e não viu Woody Allen.
Abaixo o lóbi judeu, portanto, que quer dominar o mundo, incluindo os arredores de Sobral de Monte Agraço.

E há mais. Como sabemos todos, os que estamos por dentro do segredo, um dos objectivos da conspiração judaico maçónica que o FM aqui corajosamente denuncia, era a criação do Estado de Israel, para servir de base avançada do imperialismo da CIA.
Não é pois coincidência que essa criação tenhe tido lugar em 1948, logo após a guerra. A oração “para o ano em Jerusalém”, era afinal uma senha que ia muito para alem do seu valor religioso.
Sabemo-lo agora.

Para alcançar os seus fins, os judeus precisavam das potências ocidentais e para as manipular tinham de criar uma alavanca moral. Foi por isso que criaram o mito do holocausto, como chantagem psicológica, e espalharam as mentiras das camaras de gás. Para isso tinham de convencer a Alemanha a ir para a guerra, o que conseguiram causando o caos e levando Hitler ao poder.
Para assegurar a derrota dos alemães, e evitar o acesso dos ocidentais aos campos de extermínio, instalaram um regime bolchevista na Rússia.
Depois, pela crise financeira dos anos 30, que urdiram graças ao seu controlo dos bancos, criaram as condições para que o plano se realizasse.

Mas há mais: a gripe espanhola de 1918, propagada por médicos judeus, teve lugar logo após a 1ª Guerra Mundial, para evitar que as coisas seguissem numa direcção indesejada.
Trataram tb de instalar o judeu León Blum no governo de França para a enfraquecer, e desenvolveram uma série de artes degeneradas (jazz, modernismo, Holywood,etc) para desmoralizar o mundo.
Esta é que é a verdade. De resto a Peste Negra, que devastou a Europa no séc XIV, foi claramente manipulada pelos judeus, que tinham conhecimentos de medicina, de propósito para enfraquecer o Reino de Granada e a Cristandade.

Não é por acaso que ocorreu na altura a devastadora Guerra dos 100 anos e que Lisboa foi 400 anos mais tarde, destruída por um terramoto.
Como tb não é por acaso que o tsunami que há tempos varreu o Sul da Asia, devastou essencialmente regiões islâmicas.

Os Sábios de Sião sabem-na toda e é hoje consensual que foram eles que pilotaram os aviões contra as torres e o Pentágono,
Já quanto à Al Qaeda, nem se fala. É uma criação da CIA, que por sua vez é uma criação da Mossad, que por sua vez é uma criação dos Sábios de Sião, que por sua vez são filhos de demónio, que por sua vez, cheira a enxofre e tem cascos de bode.

Parabéns FM, por nos esclarecer da verdadeira verdade.
O mundo precisa de si e consigo os Sábios de Sião não fazem farinha. pensavam que eram espertos, mas não estavam a contar com o calibre aqui do FM, que os topa à légua.

E tudo isto numa visita ao Museu…

Comentário de al
Data: 12 Maio 2008, 15:12

Se a exposição era sobre os judeus em Hollywood é normal que Woody Allen lá não conste. Woody Allen nunca saiu de NY e odeia Hollywood.
Ver nisto a existência de uma linha política definida dos norte-americanos de religião judaica faz-me lembrar aquelas acusações de cosmpolitismo que serviam para exterminar judeus no tempo de Staline: são ambas filhas da má fé.

Comentário de Filipe Moura
Data: 12 Maio 2008, 15:18

Correcção: não era judeus em Hollywood: era “judeus no cinema e nas artes”.

Comentário de Filipe Moura
Data: 12 Maio 2008, 15:19

Jaime, vivi lá (nos EUA) seis anos e não dei por fascismo nenhum. O único totalitarismo que eu vi era mesmo não se poder criticar Israel.

Comentário de nuno castelo-branco
Data: 12 Maio 2008, 17:10

O Lidador disse tudo aquilo que havia para ser dito. A “esquerda” vive muito, demais até, de manias, conspirações, compadrios e de reuniões em cemitérios, exactamente ao bater a meia noite. E se for bolchevista, melhor ainda, porque aí há o sempiterno argumento do pecado do dinheiro, do lucro e negócio. Como se os antigos países do bloco leste não tivessem sido exímios exploradores em África! Como se a URSS não tivesse despojado até à exaustão a Europa de Leste, obrigando os vassalos a assinar tratados absolutamente desiguais, copiando ao milímetro o tipo de intercâmbio imposto pelo Reich aos seus aliados. Mania da perseguição, frenesim em encontrar bodes expiatórios para os próprios fracassos e pusilanimidades, enfim, a habitual panóplia idiota que há 550 anos deu inúmeros argumentos ao senhor Torquemada e parceiros. Os argumentos usados hoje contra Israel, são decalcados dos postulados de Himmler ou Rosenberg. Parabéns pela boa companhia. Bom proveito…

Comentário de al
Data: 12 Maio 2008, 19:33

http://www.jewishmuseum.org/site/pages/page.php?id=174
e mais dezenas de refererências a Allen no Museu Judaico de NY.
Como seria inevitável.

Comentário de al
Data: 12 Maio 2008, 19:40

Ah, já agora, toda este interesse em Israel é por causa das más notícias do Líbano? http://www.independent.co.uk/news/fisk/robert-fisk-lebanon-descends-into-chaos-as-rival-leaders-order-general-strike-822840.html

Comentário de Filipe Moura
Data: 12 Maio 2008, 19:57

“Dezenas de referências”? No seu link eu vi uma fotografia numa aparição num programa alheio. Provavelmente a foto estava lá devido ao apresentador…
Eu queria ver lá era referências ao “Deconstructing Harry”!
A exposição que eu vi aparece em http://www.thejewishmuseum.org/site/pages/page.php?id=54

com o título “Entertaining America: Jews, Movies, and Broadcasting on view at The Jewish Museum February 21 - September 14, 2003″

Como vê, não é “Hollywood”. E - garanto-lhe - nem uma única referência ao Woody Allen. Não me lembro o que diziam do Spielberg (se diziam algo, era pouco). Hoje, depois do “Munique” provavelmente seria banido. Como o Woody.

Comentário de Alexandre Fonseca
Data: 12 Maio 2008, 22:41

há muito fanatismo (demasiado!) por aqui, nestes comentários…ouçam amos oz!

Comentário de De Puta Madre
Data: 12 Maio 2008, 23:07

Sabra e Shatila? Ou Líbano de agora? (Sempre sobre uma certa atmosfera de “Massaker” de Monika Borgmann/ Lokman Slim/ Hermann Theissen)
checkpoint? Diz alguma coisa a alguém?
“how I learned to overcome my fear and love Arik Sharon” do Avi Mograbi! Aí, sim. Mas Woody Allen? E o realizador do tubarão e o museu de ny … que detalhes tão colaterais …
F-se! Vou ver novamente a paletra do Amos OZ! Alto nível! Porque sea que não temos um escritor, um homem assim em Portugal? Ou uma gaja?
Parece que gostamos muito de Woodies e de spillies… Pois.

Comentário de De Puta Madre
Data: 12 Maio 2008, 23:09

Sabra e Shatila? Ou Líbano de agora? (Sempre sobre uma certa atmosfera de “Massaker” de Monika Borgmann/ Lokman Slim/ Hermann Theissen)
checkpoint? Diz alguma coisa a alguém?
“how I learned to overcome my fear and love Arik Sharon” do Avi Mograbi! Aí, sim. Mas Woody Allen? E o realizador do tubarão e o museu de ny … que detalhes tão colaterais …
F-se! Vou ver novamente a palestra do Amos OZ! Alto nível! Porque será que não temos um escritor, ou só um homem assim em Portugal? Ou uma gaja?
Parece que gostamos muito de Woodies e de spillies… Pois. Vão lá ver o Amos OZ! E acordem das migalhas da peneirice…

Comentário de ezequiel
Data: 13 Maio 2008, 2:47

Filipe…do museu à existência de um lobby…meu caro, eu sempre respeitei, muito, o teu raciocínio de cientista…mas isto?!!?

existem lobbys “judeus” que não são compostos maioritariamente por judeus…a coisa ficava bonita se assim fosse! Na América, como sabes, até no WC encontras o pluralismo radical!!! as coisas não são assim tão simples e lineares…come on man!

fala-me de coisas concretas? a heritage foundation é um lobby judeu? O hudson institute? quem faz parte deste “lobby”? O que fazem? quais foram as conseuências das suas acções? Espero que não me digas que o lobby judeu é, afinal, o movimento neocon!?!?!?…..é importante salientar uma coisinha assaz importante: os interesses estratégicos dos EUA tem muito que ver com os ints estrat de israel e com os ints de todos os moderados do mundo árabe, não obstante a insignificância crescente dos moderados e a sua debilidade interna….

sim, amos oz é fantástico….concordo completamente! que tenha muita sorte e saúde! :)

Comentário de ezequiel
Data: 13 Maio 2008, 2:52

filipe, eu conheço alguns judeus de nova york…só faltou ve-los andar a porrada enquanto discutiam israel e a palestina…visitas-te a columbia? harvard? princeton? A new school? foste ao cbgb´s? pelo amore de dio, compa! na américa critica-se tudo e mais alguma coisa….assisti a centenas de discussões…se fores mais para norte, para o canadá, a coisa fica ainda mais intensa…faz frio… a malta tem que se aquecer, HEY!! eh eh ehe he

abraços para a crew,

ciao belissimos, estou mt bem disposto hoje…acabei uma merda de um trabalho que me estava a dar cabo da meloa! zzzz zzzz snog snog…eh ehe :)

Comentário de proletinkult
Data: 19 Junho 2008, 19:00

Que lixo! Esta gente persiste em ignorar algo gritante: a fundação de um estado colonial racista.

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