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A propósito da crónica do Rui no “Público” de ontem,

1 Maio 2008 | por Ana Matos Pires

que o Zé Nuno já tratou de aqui deixar, lembrei-me de um post antigo que fiz para o “Costa do Castelo” e apeteceu-me trazê-lo para aqui. Cá vai.

Estava a ver um conjunto de iniciativas que a campanha de António Costa tem previstas para as próximas semanas e detive-me no “Encontro com Jovens”, a realizar no Belém Bar Café (BBC) no dia 10 de Julho (de 2007, claro). Lembrei-me, a propósito, de uma conversa que tive há uns dias atrás, enquanto participava na Marcha Gay (de 2007, claro). Foi sobre Lisboa, poder local e adolescentes, a dita conversa, em particular sobre a constatação de que as grandes linhas programáticas especificam as crianças e os velhos, mas quase não falam desta faixa etária.

Os desgraçados dos adolescentes (tantas vezes chatos, inconvenientes e irritantes, é verdade) são uns seres da terra de ninguém. Não são pequenos nem grandes. Para mais, não votam…

Mas eu gosto dos tipos, divertem-me. E “amar é amar com e não apesar de”, como dizia a Yourcenar.

Que tal preocuparmo-nos menos em lhes arranjar “ocupação”, com actividades que os “guardam” e que nos “descansam” (a nós, os adultos), e mais em lhes perguntar o que querem, responsabilizando-os pelas escolhas? Que tal discutirmos com eles os “nossos medos”? Que tal termos uma atitude pró activa na prevenção da toxicodependência e da gravidez adolescente? Que tal criarmos alternativas complementares aos projectos familiares e escolares? Que tal criarmos fóruns municipais de informação e esclarecimento? Que tal fazê-lo em articulação com estruturas já existentes, como é o caso, por exemplo, do Instituto da Juventude?

Acima de tudo, estes borbulhentos seres, com as hormonas todas aos saltos, têm direitos.

Comentários

Comentário de al
Data: 1 Maio 2008, 15:33

Com 2 milhões de pobres e de novos pobre e de gente a empobrecer, com a esperança a acabar e sem o mais pequeno sinal de que venham dias melhores, todos vão ser precisos: crianças, adolescentes e velhos. É preciso articulá-los a todos! O Instituto da Juventude e criar do da Velhice e os movimentos pró adopção de idosos gay e das crianças muçulmanas poligâmicas, e institutos articulados disso tudo e todos a encontrar a fc a caminho do trabalho, mas mesmo assim creio que as eleições estarão perdidas. É que são 2 milhões de pobres… não há causas fracturantes que cheguem. Casamento aos 12? Imputabilidade penal subida para os 25 anos? É uma ideia, mas a maioria está perdida.

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 1 Maio 2008, 16:16

Quê, al?

Comentário de rvn
Data: 1 Maio 2008, 17:32

ana,
consigo lembrar-me de mais uns 500 ‘que tal’ para juntar à lista de perguntas que formulas no último parágrafo deste (bom) texto. Que é antigo, dizes tu? Pois olha, não parece.

Outro assunto: mudei de casa, fazia-me falta o jardim e a outra não tinha pissina. Esta tem tudo, ou quase. Por isso pensei em pedir-te que actualizasses a morada na vossa coluna de ligações, mas guess what: não consta por lá o 7vidas! Ooops! Paxenxa.
Lá te espero, se for o caso. Aceita os meus cumprimentos.

Comentário de rvn
Data: 1 Maio 2008, 17:33

(mais um ooops, mea culpa desta vez)
então não é que até me esqueci de deixar o link?
http://setevidascomoosgatos.blogs.sapo.pt/.
agora sim.

Comentário de Carlos Fernandes
Data: 1 Maio 2008, 19:18

Concordo com a ideia de ocupar saudavelmente os adoslecentes, evitando que estes caiam em passatempos perigosos tipos drogas e afins.
Aqui vai mais uma ideia pratica muito útil, ecológica e saudável: limpeza das matas do país em época pré-fogos, na Primavera, aos fins de semana e em grupos de amigos…

Comentário de rosa-que-fuma
Data: 1 Maio 2008, 19:54

a malta fazia isso há 15 anos, mas depois arderam :P

IPJ’s, sim, abertos ao publico e não aos jotas

Comentário de al
Data: 1 Maio 2008, 21:03

AMP: dizia que vai ser preciso muito assunto trivial ou secundário para que o discutido não seja o essencial, que é, a saber: isto está medonho.
Dava exemplo de alguns assuntos para discussão, para não darmos tanto pela velocidade com que empobrecemos. A inimputabilidade até aos 25 é um bom assunto. Ou a «sharia» em Portugal, com lapidações no Martim Moniz. Enfim, qualquer assunto para deixar o governo em sossego (governo e adjacências agradáveis - sinecuras, subsídios para projectos “hiper válidos”, etc, etc.).

Comentário de al
Data: 1 Maio 2008, 21:23

Ah, a idade de voto aos 16. sim, até aos 14, idade núbil até há pouco tempo. Acho que sim. Mais: que possam ser ministros ou até elegíveis para a presidência da república. Assunto importantíssimo que deve consumir todas as nossas forças, toda a nossa atenção, de tal modo que nem notemos quando os portugueses começarem a emigrar para a Lituânia ou para o Cazaquistão. Muitas questões destas é que são precisas. E qual o motivo desta ditadura do número redondo? Porque não propor os 13 anos e 10 meses? Ou a mudança da maioridade para os 17 anos 8 meses e 10 dias? Ou o alargamento do tratado ortográfico à pronúncia, com multas? Eis as chamadas “questões papel de embrulho”, para acondicionar bem aquelas maçadas da economia, pibs, pobreza, - fome, diz o da AMI - etc.

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 1 Maio 2008, 22:59

Mais uma vez não estamos de acordo, al, já não aguento essa frase feito do “agora está tudo péssimo”.

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 1 Maio 2008, 23:00

Concordo, Rosa.

Comentário de Maria João Pires
Data: 1 Maio 2008, 23:23

Volto a repetir-me, al, é presunção (apesar de divertida) da sua parte “decidir” sobre q temas deveríamos ou não escrever, não acha? Para ter a certeza que segue a actualidade noticiosa tem os jornais. A piada dos blogs é, para mim, poder ser surpreendida. Além do mais tem à sua disposição muitos blogs coladinhos à “actualidade” e, mais que isso, existem inúmeras plataformas (gratuitas!) à disposição onde pode criar o seu próprio espaço de reflexão e aí, caríssimo, é o seu livre arbítrio q comandará a escolha temática dos seus textos.Dê-me(nos) o direito de exercermos nós o nosso, ok?

Comentário de al
Data: 2 Maio 2008, 3:20

A questão é que este blog é muito coladinho à «actualidade». Trop.
A maioria dos blogues serve de facto para escrever sobre tudo (no mundo livre, pelo menos) mas este 5 dias é um exemplo de blogue panfleto da blogosfera portuguesa, muito disciplinado, até demasiado, sente-se a propaganda. Neste caso, aliás, nem há que pensar muito: a coisa foi lançada 1º «lá fora»: Rui Tavares escreveu sobre este assunto prementísssimo da política portuguesa no Público. E embora seja em si uma graça - ao mesmo tempo ou no minuto seguinte se defende que a idade da inimputabildiade penal não baixe - creio que será uma das distracções programada para os próximos meses. E se quer que lhe diga, amusement por amusement este é divertido, leve, bom para a estação - e sai sempre tanta legislação e tanta nomeação no Verão que não se pode contar apenas com o calor, pode chover etc, tem de se ter qualquer coisa pronta a funcionar) - e não é a sharia em Portugal, ou o multiculturalismo que são assuntos mais de Inverno e com o seu quê de chato. Para o outono (que vai ser duro), embora o meu turno aqui no 5 dias já tenha acabado (último dia em 1 de Junho), aconselho a defesa da abolição da matemática dos curriculos escolares com a sua substituição pela etno-matemática. Prometo vir cá ver.

Comentário de Maria João Pires
Data: 2 Maio 2008, 11:43

Uma bela forma de festejar o Dia Internacional da Criança, ao que vejo.

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