Horse race politics à portuguesa

No Cachimbo, uma série de bons posts sobre as próximas eleições do PSD. Textos informados, especulativos, desafiantes. E sem uma só frase que ultrapasse o entendimento da actividade política como um jogo de tabuleiro. Ali, fala-se com desenvoltura de “exércitos”, “tropas”, “generais”, da dança das cadeiras e do tango dos apoios. Quanto às famosas e tão ariscas “ideias”, o melhor que se arranja é tartamudear que talvez não façam assim tanta falta. Tentar distinguir nos candidatos estratégias, mesmo que parcelares, para o país parece tarefa sem grande mérito nem cabimento. O que conta, para já, é a “pacificação” interna, o que urge é captar votos nos muitos “quadrantes” que animam aquelas bandas. Lê-se e fica-se com a ideia de que está em discussão apenas a tomada do poder num qualquer condado do World of Warcraft: diversão saudável sem implicações de maior para lá do tabuleiro do jogo.
Quando a alma apolítica deste novo PSD parece tudo contaminar, já só se pode esperar que ganhe o menos mau. Mas todos vamos ficar a perder.

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4 respostas a Horse race politics à portuguesa

  1. CARLOS CLARA diz:

    “RAT RACE” mais me parece. E lá vão coxos, aleijados, cadastrados e alguns a caminho de muletas. A sujeira política é tanta, que lembram um bando de alucinados. Todos criticam a falta de credibilidade, mas todos contribuem para tal como se fosse um problema do vizinho. Alguns, já na terceira idade, vão dando o tom de vez em quando, sobre a necessidade de nova gente, o que presume novos ideais, eis se não quando aparecem na linha da frente com ratazanas que o país já não pode ver mais. É o descaramento completo como se a política seja um alvará exclusivo que lhes pertence. Outro dia dirão, com ar solene que existe crise na política como se culpa fosse do meu cão. Comediantes de terceira com alma de púcaro de alumínio “amelancado”. O guru vai dando umas bocas foleiras como se não tivesse contribuído em nada.
    Merrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrda!

  2. Tárique diz:

    a resposta não se fez tardar. Desarmaram-te completamente, Luís. Não conhecia o blogue, mas fique a saber que se trata de gente com uma argúcia argumentativa invejável.

  3. J. Ribeiro diz:

    Estes PPD’s sempre tiveram uma linguagem a atirar para o militarismo. Gostam e funcionam bem com o autoritarismo. No entanto, é um partido meio anárquico no pior sentido. Gostam muito da autoridade, embora não gostem de a aceitar quando essa autoridade vem de quem não é da sua cor. MFL está à altura de por ordem neste saco de gatos que é e tem sido o PPD.

  4. Para quem tem a lucidez de reconhecer não estar para breve o regresso ao Poder, uma alternativa será brincar aos governos dentro do Partido: o Presidente fará “presidências abertas” nas distritais, enquanto que o líder parlamentar poderá continuar as inaugurações de novas sedes concelhias, ou algo semelhante…

    Não sei se ficamos a perder ou a ganhar por tudo isto se tornar, de uma vez, claro e inequívoco.

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