Max Mosley e os traseiros açoitados

No meu texto Viva a liberdade, viva a igualdade, viva a democracia referia-me a liberdades cívicas e, exclusivamente, a liberdades que interferem com as liberdades de outros. (Nos comentários dei o exemplo da liberdade de circular de carro dentro de uma cidade quando existem transportes públicos, o exemplo acabado de uma liberdade burguesa.) Restrições a esse tipo de liberdades são necessárias se se quer combater as desigualdades e lutar por um mundo mais sustentável.
Nada disso tem a ver com liberdades pessoais, de comportamentos que só digam respeito ao próprio indivíduo (e a adultos que voluntariamente se associem). Pertence a este grupo a privacidade sexual, incluindo fetiches que nos possam parecer repugnantes e que estejam associados a uma simbologia e a factos históricos que repudiamos. É este o caso das fantasias sexuais de Max Mosley, presidente da Federação Internacional do Desporto Automóvel, que mais uma vez faltou a um Grande Prémio de Fórmula 1. O passado político do seu pai não se recomenda mesmo nada, mas tal não torna legítimo julgar as suas fantasias sexuais, e muito menos pedir a sua demissão por um caso que não tem nada a ver com a Fórmula 1. Sobre este assunto, recomendo uma das recentes colunas “Piedra de Toque” de Mário Vargas Llosa.

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9 respostas a Max Mosley e os traseiros açoitados

  1. Luis Rainha diz:

    “Restrições a esse tipo de liberdades são necessárias se se quer combater as desigualdades”? Tinhas jeito para Enver Hoxha, tinhas. Por acaso não tens também um pequeno fetiche com bunkers?

    Tudo isto a propósito da novela chunga do Mosley. E quando começam os posts sobre Física?

  2. Lidador diz:

    “Restrições a esse tipo de liberdades são necessárias se se quer combater as desigualdades e lutar por um mundo mais sustentável.”

    Não sei…se calhar o problema é essa vontade de combater. Há sempre uma “causa” à mão para quem pensa estar envolvido em lutas cósmicas do “bem” contra o “mal”.
    E é sempre fácil manipular maluquinhos que acham que estão na “luta”.

    E se em vez de manadas de tontos andarem a “combater” por um “mundo mais sustentável”, invocando teorias que a a História enterrou na vala comum, usassem a sua energia bélica para tratarem da sua vida e deixarem os outros tratarem da deles.
    Isso é que era…

  3. Sérgio diz:

    Filipe Moura, você é divertido. E ainda usa a expressão “burguesa”!

  4. CARLOS CLARA diz:

    Acho bem, Lidador, cada um que trate da sua vidinha e do seu torrão. Os maluquinhos que apareçam de vez em quando ao longe, sem intromissão retórica e paguem os calotes dos nossos. O mundo assim, é que era fixe.

  5. Lidador diz:

    O Filipe Moura deve ser o famoso operário em construção de que falava o poema.

    Isto da luta contra a burguesia tem que se lhe diga.

    Enfim, a bacoquice continua a ser uma arma contra a burguesia.
    Já o bom do Torstky antes de levar com a picareta na mona, garantia que “os operários avançados, reunidos no seio da IV Internacional, mostram à sua classe o caminho para sair da crise”

    E o Dr Louçã, tb ele um “operário avançado” garantia em “Os Cadernos Marxistas”, que “A luta pelo socialismo é a única forma de preparar concretamente a tomada do poder político pela classe operária”.

    O problema é que tirando o Dr Louçã e o Filipe Moura, já ninguém quer ser operário. Passaram-se todos para a burguesia, os sacanas. Até os bons velhos operáriosvançados que ainda ia havendo, querem que os seus filhos sejam engenheitos, advogados, deputados, artistas, futebolistas, etc,etc, ou seja, burgueses.
    Tudo menos “operários avançados”

    Isto está mau para os operadores de torno. Se o Filipe Moura e o Dr Louçã não arregaçarem as mangas e descerem à metalurgia, sempre quero ver quem faz os pregos para o caixão da burguesia.
    O Operário Jerónimo?
    Ná….parece que só praticou para aí uns três meses na vida toda.
    Isto está mau…

  6. Lidador diz:

    Ó Clara, se você quer mesmo mudar o mundo, em vez de verter bostadas inconsequentes, faça um curso de gestão, de preferência numa universidade americana de prestígio, e depois monte um negócio. Dará emprego a pessoas reais e mudará o mundo à sua volta.
    E terá menos tempo para andar na “luta” ,a tropeçar no ridículo e estatelar-se na asneira.

  7. Saloio diz:

    Senhor Filipe Moura: não comento as suas posições socio-políticas demasiado redondas, porque já outros o terem feito antes de mim com propriedade, e não vale a pena bater mais no kmerzinho…perdão, no céguinho.

    Quanto ao incidente com Max Mosley, estou plenamente de acordo consigo.

    Digo eu…

  8. Dada a forma, perdeu-se o conteúdo, Filipe. Falas certo (restrições aos carros, sim! como as que há em Londres, por exemplo). Mas ele há palavras as quais, apesar de verdadeiras, fazem saltar o rabo da cadeira a quem leva a ditadura na boca.

    E quanto ao Max, estamos conversados, já que o príncipe Harry nem precisou de chicote para por a imprensa em alvoroço.

  9. Rodrigo diz:

    Tinha tudo muita graça, se não fosse o homem presidente duma entidade de nível mundial. Não tenho que explicar o que mundial quer dizer, nem tenho que censurar as palmadas que o Mosley leva no rabiosque. Mas lá que se calhar anda ali a mais… Quer dizer, brincar aos campos de concentração não é propriamente a mesma coisa que dizer que o jantar confeccionado pela esposa seria digno de Jeová. Hã?

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