Palau dels Esports de Barcelona, Janeiro de 1976. A liberdade era ainda uma promessa. As fardas da ditadura ainda mandavam em Madrid e matavam. Milhares de pessoas juntam-se para ouvir as canções proibidas de Lluis Llach. O Pavilhão canta a plenos pulmões a música que garante que se todos quisermos vamos fazer cair a ditadura. Nessa noite corajosa, as pessoas gritam: Amnistia e liberdade (para ouvir clique na imagem).





O Lluís Llach tem ‘qualquer coisa’ que não sei nomear mas que vai para lá da melodia e das palavras. É impossível escutar sem partilhar a mesma esperança ou a mesma tristeza. A canção com que o descobri foi ‘Abril 74′ e a canção com que o guardo (apesar de não estar à esquerda de nada) é ‘I si canto trist’ composta um mês após a execução de Puig Antich:
‘E se canto triste é porque não posso apagar o medo dos meus pobres olhos’
Não me provoques, Nuno. O “Grândola Vila Morena”, a música do 25 de Abril, fala em fraternidade, fala em democracia (“o povo é quem mais ordena”, fala em igualdade (na frase mais bonita: “em cada rosto igualdade”). Não fala nunca em liberdade.