Sobre Rosa Coutinho e o MPLA

Eu nem era nascido quando estes acontecimentos poderão ter ocorrido. Nem sequer estive, uma vez que fosse, em Angola. Não tenho nenhuma simpatia pelo regime de José Eduardo dos Santos. Porém, a propósito do recente artigo de António Barreto (e do subsequente texto do Hélder no Insurgente), parece-me relevante ler o que diz Ferreira Fernandes (que fora alguns anos antes militante do MPLA) no DN.

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31 respostas a Sobre Rosa Coutinho e o MPLA

  1. xatoo diz:

    claro que a carta é falsa, basta atender ao léxico abaixo de cão empregue e ao facto de ter sido mencionada no “indiossurgente” para se perceber porque é que é falsa,
    o estilo é “picado” de um panfleto da extrema direita que circulou em Dallas na semana antes do assassinato do presidente. É deste tipo de gente que estamos a falar.
    E por aqui dá-se guarita a entidades tão díspares como MPLA, PCP, à União Soviética e a Cuba, como se fosse tudo a mesma coisa, quando havia facções e tendências internas bem vincadas em cada organização. Por exemplo, quando o Fidel resolveu enviar as tropas no dia a seguir à independência fê-lo à revelia da URSS. Se não fosse isso Luanda tinha caído nas 24 horas seguintes às mãos do exército invasor da África do Sul (comandado pelos brancos racistas do Apartheid). O que é que o Rosa Coutinho teve a ver com isso?, nada!
    O livro “Holocausto em Angola” é escrito por um salazarista ferrenho, o Américo Cardoso Botelho que era na época Administrador da Diamang. Dá para imaginar a imparcialidade? – e depois mais: o MPLA de hoje não é o mesmo de então, basta ler o livro “Purga em Angola” da Dalila Cabrita que descreve os acontecimentos de 27 de Maio de 1977 – ou perguntar ao Pepetela que foi o chefe dos inquisidores que seleccionaram milhares de dissidentes para fuzilamento por esses dias.
    (estão aqui os links)

  2. Maria João Pires diz:

    Já agora, Filipe, recomendo a leitura deste post:

    http://agualisa6.blogs.sapo.pt/1165714.html

  3. The Studio diz:

    E entao Filipe, os argumentos do Ferreira Fernandes convenceram-te?

    “E’ falsa porque sim” ?

  4. portela menos 1 diz:

    Só não se percebe bem o papel de ABarreto…

  5. João Pestana diz:

    Felizmente que os cidadãos livres não têm de encontrar a verdade entre as posições fascistas e as do PCP sobre o caso de Rosa Coutinho, mais popularmente conhecido em Angola por “mona lisa”.

    Só os que acredita(va)m nos poderes do “sol do universo” podem ignorar que a missão do “almirante vermelho” em Angola tinha como objectivo único entregar o poder ao MPLA que, como se sabe, era na altura o movimento com menos poder militar.

    Daí que o citado só utilizava o helicóptero mesmo dentro da cidade de Luanda tal era a “sede” que a generalidade da população lhe tinha.

    Só tenho pena é que o “mona lisa” e muitos comparsas seus estejam a viver de reformas douradas com os impostos que eu pago. Espero que a “justiça Divina” do “outro” seja feita rapidamente …

  6. Saloio diz:

    Sr. Filipe Moura: é curiosa a forma com que se tenta defender de alguma eventual ofensa aos sobas comunistas de cá e de lá – e os argumentos de que ainda não tinha nascido, e de que ainda lá não foi, são apenas desculpas de mau pagador – enfim, eu ainda não era nascido em 1498 e em 1500 e ainda não fui à África do Sul e ao Brasil, mas não tenho dúvidas que Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral fizeram as suas viagens.

    Mais curioso ainda é o senhor parecer querer desculpar-se de uma evidência para todos os portugueses com os olhos sem remela: é que o Conselho da Revolução e, em especial, o Almirante Rosa Coutinho, Almeida Santos e outros “democratas” agora bem instalados na democracia, favoreceram descaradamente o MPLA e alguns aceitaram as perseguições, os julgamentos sumários e os fuzilamentos (sabia que Rosa Coutinho e Agostinho Neto eram cunhados?).

    Ainda mais curioso é o senhor considerar “relevante” o texto de Ferreira Fernandes, sobre a falsidade ou não da carta – trata-se de um assunto menor em face da realidade daqueles dias: o domínio comunista imposto às populações e os massacres dos oponentes.

    Não percebo porque é que chamou à colação o texto de Ferreira Fernandes (de quem eu desconhecia o seu passado no PC angolano, e fico com reservas em relação a ele por isso), uma vez que o mesmo em nada nega os massacres e a vitimização do povo angolano.

    Ao senhor, a questão do povo massacrado passa-lhe ao lado e é para si irrelevante, pois prefere agarrar-se a uma eventual transcrição pelo Dr. António Barreto de uma inverdade – a falsidade ou não da carta.

    Do texto de FF “relevam” dois factos que o senhor parece não ter em atenção: 1º – que ele era militante do mesmo MPLA referido na carta à altura dos massacres; e 2º – que a justificação que dá para atestar a falsidade da carta é “porque sim”.

    Só o senhor é que parece não ter relevado estes dois factos.

    O primeiro faz de Ferreira Fernandes alguém conivente com as atrocidades daqueles anos e como tal, alguém com uma postura cívica no mínimo muito discutível. O segundo, resulta de agora, que está bem instalado na vida, não querer ser conotado com aquilo que foi: militante do MPLA na altura dos massacres. Pretende ser um intelectual livre, como os seus camaradas torcionários Pepetela e Luandino Vieira.

    Ainda quanto ao seu post, só mais uma coisinha: se pretende com ele por em causa a credibilidade, a seriedade e a dignidade cívica do Dr. António Barreto, deixe de estar em bicos de pés, porque vai cansar-se, e guarde a fisga…Vá lá para o pé do Ferreira Fernandes…e do Rosa Coutinho.

    Ó Sra. Dra. Fernanda Câncio: a senhora leu o texto do seu colega de blog…e ficou calada???????????????????

    Digo eu…

    à parte do pormenor da carta ser, ou não falsa, que me parece ser de somenos importância

  7. O Dr. António Barreto não é “um qualquer” e tenho a certeza de que jamais colocaria a sua cabeça fosse em que cepo fosse.
    Alega-se a falsidade da carta, dado o quase jargão em que está escrita. Na altura eu tinha 15 anos e espantava-me pelo baixíssimo nível oratório dos chefes do momento e o R. Coutinho, com o Gonçalves, Otelo, Lourenço e outros, muitos outros, seriam bem capazes de escrever ainda pior que aquilo que apenas vislumbramos na missiva.
    1- Dada a actuação vergonhosa da tropa em Moçambique (Set. 1974).
    2- Dado o descalabro na hierarquia, o abandalhamento das autoridades no que respeita ao interesse nacional – a defesa das populações – e o tristíssimo desempenho no terreno nos tempos do “almirante”, julgo que a carta será apenas um motivo de reflexão. Se for verdadeira, Tribunal de Haia com ele(s)!

    * Já descobriram alguma carta semelhante do Milosevic? É que o sr. Himmler escreveu umas coisas parecidas.

  8. xatoo diz:

    eheheh
    “Eu quero é ler na próxima crónica do Barreto no “Público” se ele confirma que esta carta é tão verdadeira como a que ele difundiu sobre Rosa Coutinho no passado domingo. Porque o critério utilizado é exactamente o mesmo. E cada parvo comedor de tudo o que lhe metem à frente, tem direito não a uma mas a duas verdades. Ou três ou quatro. Ou mil”
    João Tunes

  9. Pingback: O meu pai tinha razão II « O Insurgente

  10. Lidador diz:

    O Filipe acha que a carta é falsa porque alguém disse que era falsa, porque sim.

    O argumento é poderoso e blindado.
    Eu, ao contrário do Filipe estive em Angola na altura e ambora a minha idade não me permitisse compreender totalmente o que se passava, não pude deixar de reparar que todos os meus vizinhos “brancos racistas”, viram as suas casas invadidas pela tropa portuguesa, que lhes apreendeu as armas. Em minnha casa passou-se o mesmo e a OPVDCA, a única organização que poderia lutar, foi sumariamente desarmada pela tropa às ordens de RC.
    O que se seguiu foi a fuga aterrorizada da população branca.

    Não sei se a carta é verdadeira ou falsa, mas os factos estão de acordo com ela e com a personalidade de R.C, um homem que considerava o MRPP um “partido fantoche” chamando aos seus membros “meninos comunistas vivem à custa dos papás fascistas”, e que estava de alma e coração ao serviço dos objectivos do MPLA, que de resto lhe retribuiu logo após a independência, com a concessão de largos interesses em Angola.
    Conheço muita gente que trabalhou para ele em Angola, em tarefas de segurança, instrução militar, exploração de diamantes, etc.
    Alguns deles ainda muito bem relacionados no mundo da “secreta”.
    capitalistas”adultos que conhecia e que pertenciam

  11. caro saloio, não faço ideia se a carta é falsa ou verdadeira. trabalho com o ferreira fernandes no dn e não o tenho na conta de mentiroso, pelo que creio nele quando diz crer que a carta é falsa. outra questão é a de saber se eu creio que poderia ser verdadeira. e, conhecendo alguma coisa do q s passou em angola nessa triste época (fiz uma reportagem sobre a ponte aérea para a grande reportagem e posteriormente vários trabalhos sobre essa altura para o dn), creio que facilmente o poderia ser. é fácil, naturalmente, julgar hoje o q sucedeu há 33 anos e condenar os (ir)responsáveis portugueses em angola pelo abandono de milhares de civis, e haveria dificuldades que não percebemos agora. mas do meu ponto de vista há coisas que não têm desculpa.

  12. E ainda mais essa trazida à lida pelo Lidador. O MRPP foi atingido em cheio pela manipulação que o C.R. e os seus patrões do PC impuseram. Não concorreu às eleições que decerto lhe dariam representantes na Constituinte, de longe mais fidedignos daquele infame rebotalho que era a UDP, hoje B.”E”. Foi a primeira falcatrua no sistema que se alargou também ao PDC. Quanto a tudo aquilo que ouvíamos o Rosa Coutinho e os seus amigos dizer na rádio e na TV, era tudo a brincar, claro. ou já destruiram completamente os registos? Não me admirava nada, essa gente é perita em re-escrever a história.

  13. FuckItAll diz:

    Caros, o ponto não é o que sucedeu em Angola; nem ninguém no seu perfeito juízo negará que o MPLA foi a escolha de parceria do governo português da época e dos seus representantes em Angola.

    O ponto é a total implausibilidade desta carta, em papel oficial timbrado, nestes termos, claramente de encomenda para incendiar ânimos. O que lhe tira credibilidade não é o jargão, mas o suceder de afirmações desnecessárias acerca de cumplicidades e combinações, é o preto-no-branco das recomendações de crueldade, etc. Não vos parece duvidoso que isto fosse escrito num documento oficial? É muito difícil de crer que António Barreto acredite, sem mais, na veracidade deste “documento”, sem cuidar de investigar antes de divulgá-lo.

  14. Pingback: cinco dias » vergonha nenhuma

  15. Lidador diz:

    “O ponto é a total implausibilidade desta carta, em papel oficial timbrado, nestes termos, claramente de encomenda para incendiar ânimos”

    Caro Fuck, então a coisa é falsa por ser uma enormidade.
    Se fosse menos dascarada já poderia ser verdadeira.
    O argumento é pobre e batido. Acha que quando alguém tem um objetivo claro e se sente seguro se preocupa com esconder intenções, ordens ou relatórios sob um manto de eufemismos?
    Chegou o caro Fuck a passar os olhos pelos documentos soviéticos que vieram a público após a implosão da URSS?
    Acha que as ordens de Mao Tse Tung para a execução das purgas, eram “floreadas” , ou emitidas de forma a “não incendiar os ânimos”?

    Acha que RC estava preocupado na altura com a possibilidade de daí a 20 anos a sua carta se tornar pública?

  16. ferreira fernandes diz:

    Filipe Moura,
    Deixe-me fazer uma rectificação: eu não era do MPLA à altura dos factos relacionados com a carta (na data em que ela é “assinada”, Dezembro de 1974, e quando ela se torna conhecida, 1975, pelo jornal Século, de Joanesburgo) – já não o era. Fui dos núcleos do MPLA que actuaram na clandestinidade, em Luanda, entre 1967 e 70, e que foram por isso julgados e condenados (eu não, porque entretanto partira para o exílio). Faço esta emenda porque essa é a verdade, mais nada. Mas como já há sugestões sobre “comunistas arrependidos” na caixa de comentários, deixe-me acrescentar: se me orgulho de alguma coisa na minha vida é ter pertencido a um grupo que tinha como mentor Joaquim Pinto de Andrade, presidente de honra do MPLA. Anticolonialistas e com o sonho de uma Angola multirracial. Se repetisse a minha vida, haveria de fazer algumas mudanças – essa não. Era o que faltava ter de me arrepender por não ter gostado do colonialismo e tê-lo combatido aos 20 anos, ainda por cima quando – podendo ter apanhado o comboio quando ele chegou à estação (tinha currículo, como não o tem três quartos do actual Governo angolano) – nunca beneficiei nada (nada!) com isso.
    Entrei nesta história, denunciando uma carta falsa. Com esta única pretensão: nenhuma discussão se pode alicerçar numa mentira – em última análise, só fica a ganhar quem a mentira pretende atingir. A carta é uma manipulação grosseira: como alguém já disse, não se discute a veracidade de uma nota de 4 euros, mesmo que ela tenha uma marca de água perfeita. Querem um exemplo? Segundo a carta, em 1974, o Alto-Comissário português para Angola dá ordens, tratando como um lacaio o presidente do MPLA: “Camarada Agostinho Neto, dá, por isso, instruções secretas (…)” Sabem por que isso é falso? Porque sim.
    Finalmente a questão essencial: a passividade dos que acreditam na veracidade da carta. O debate (?), além do texto de António Barreto, ficou-se pelos blogues. Nos anos 80, o jornal francês Libération publicou testemunhos sobre possíveis torturas feitas por Le Pen na guerra da Argélia. Foi um debate nacional, primeiras páginas de jornais (de esquerda e direita), interpelações na Assembleia Nacional (e as vítimas eram “os outros”, os argelinos…) Em Portugal, aventa-se a hipótese do português Governador-Geral (Alto-Comissário) de Angola, mancomunado com um partido português (PCP), ter dado estas ordens explícitas a um partido estrangeiro: “(…) aterrorizem por todos os meios os brancos [portugueses], matando, pilhando e incendiando (…) Sede cruéis sobretudo com as crianças, as mulheres e os velhos [brancos]…” E ninguém vai abanar os partidos parlamentares para um inquérito nacional, um julgamento do PCP, uma investigação judicial contra Rosa Coutinho por causa dessa carta criminosa! Acreditasse eu na carta e ia fazer barricadas.
    Ferreira Fernandes

  17. FuckItAll diz:

    Lidador (sou “cara”, já agora, não “caro”), sim, acredito na hipocrisia dos discursos e documentos oficiais, que a reportagem acima postada pela Fernanda tão bem espelha. E acredito na falta de necessidade de numa carta oficial mas operacional cobrir tantos assuntos, desde “o que arquitectámos pra Angola” à necessidade de crueldade. A carta parece-me simplesmente implausível, enquanto carta. Como já disse, não quero com isto negar tudo o que é evidente na história do processo angolano, sobretudo nas suas fases mais trágicas, nem defender Rosa Coutinho. Vivo demasiado rodeada de pessoas que vieram quer de Angola quer de Moçambique para ter ingenuidades quanto ao que se passou. De todos os lados, acrescente-se, antes, durante e depois do processo de descolonização. São histórias longas e sem inocentes, tirando as vítimas anónimas do processo. Mas este documento particular, até saber mais, soa-me a falso e a extemporâneo.

  18. joséjosé diz:

    A carta não foi publicada em Diário da República?
    … tão tristes os que acreditam em tais tristezas!!!
    A. Barreto não é o mesmo que encheu com “milhões” – e isto é verdade – de todos nós, os grandes “agricultores” deste país á “pala” da Reforma Agrária?
    Estão para serem assinados grandes acordos entre Angola e Portugal… Qual o país, a que não interessa que isso aconteça ?

  19. Lidador diz:

    “Acreditasse eu na carta e ia fazer barricadas.”

    O ferreira fernandes é alguém cujas crónicas leio com grande prazer.

    A carta pode ser falsa ou verdadeira, 50 contra 50. Dizer que é falsa porque sa sabe algo que outros não sabem, é plausível. Dizer que é falsa “porque sim” é uma acto de fé. Outra pessoa, com outra fé, poderiia responder que é verdadeira “porque sim”.

    Não se pode argumentar a partir das consequências, isto é, não se pode dizer que a carta é verdadeira porque os factos posteriores ocorreram mais ou menos em conformidade, mas tampouco se pode dizer que é falsa porque é descarada e porque Agostinho Neto não recebia ordens de RC.
    Os objectivos eram os mesmos, os apoios eram os mesmos, RC estava numa posição que lhe conferia condições para ajudaro MPLA, numa altura em que ninguém tinha a certeza de qual seria o futuro e se este partido ganharia.

    Quanto às barricadas, não se admire. As pessoas dadas a esse tipo de folclores, não estão desse lado da história, não tendem a espetar punhos e não “reinvindicam” com slogans, em rebanhos telecomandados.
    Indivíduos houve que tentaram levar certos protagonistas à barra da justiça, pelo crime de traicção, e o Parlamento legislou à pressa para evitar isso.
    Ainda agora um livro de um conselheiro soviético( sobre Mário Soares) foi publicado, revelando ligações claras sobre o modo como o PCP estava ao serviço da URSS e não de Portugal, vários arquivos sovieticos chegaram à luz do dia (antes de Putin ter imposto novamente a rolha) , a revelar escandalosos laços de subordinação do, do Conselho MUndial para a Paz, etc,etc, e está tudo em águas de bacalhau.
    Não há barricadas e nunca haverá.

    E não é por não as haver que os documentos são “falsos”.
    A não ser que seja “porque sim”

  20. As cartas de certa gente eram assim escritas, porque sim. As directivas apareciam preto no branco, porque sim. Aquela gentuça não prestava, porque sim. A reunião de Wansee com abundante programação por escrito existiu, porque sim! As directivas do Lenine a promover o terror foram escritas e assumidas descaradamente, porque sim. O Mein Kampf pressupõe um programa de extermínio, porque sim.
    Quando alçadas ao poder supremo e discricionário, certa gente perde qualquer tipo de pruridos e pretende talvez, surgir na história, como aqueles que fizeram despoletar um mundo novo, seja ele qual for. A reportagem a que a Fernanda Câncio alude, é uma pálida narrativa de uma realidade bem mais dramática. Nós, estamos por cá. Os que ficaram em África, muito teriam a dizer. Mas não podem. Foram libertados…

  21. Saloio diz:

    Estimada Dra. Fernanda Câncio e restantes convivas: não compreendo como é que é possível estarem todos presos a uma questão menor e periférica, como a veracidade/falsidade da carta (também eu, com 35 anos de tribunal, acho que é falsa, porque a regra número um dos torcionários é não deixarem provas materiais – relembro aqui a forma eficaz como os nazis há 70 anos (não)documentaram a “questão judaica”).

    O que deverá relevar é, com o devido respeito e salvo melhor opinião que se respeita,três factos marcantes da nossa história recente:
    1 – Que o MPLA foi amplamente beneficiado por Rosa Coutinho e quejandos da esquerda nacional, a soldo do PCP e de outros lacaios revisionistas;
    2 – Que a tropa e as autoridades portuguesas permitiram cobardemente os massacres perpetrados pelo MPLA contra os seus opositores e o povo angolano; e
    3 – Que o Sr . Ferreira Fernandes (jornalista que eu tinha em optima conta) era militante do partido massacrante e correligionário de “intectuais” com responsabilidades directas nos assassínios, como Pepetela e Luandino Vieira.

    Ora, os dois primeiros factos já eram do conhecimento de todos (como friza a Dra. Fernanda Câncio, no exemplo do trabalho que há uns anos realizou) – pelo que não eram novidade para mim. Aliás, todo este assunto só parece ser novidade para o Sr. Filipe Moura – daí o ter ido pedir socorro ao jornalista do DN.

    Novidade para mim foi o jornalista Ferreira Fernandes ter sido do correligionário desta gente…Além do desgosto pessoal, nunca mais vou comprar o DN (apesar da Sra. Dra. Fernanda Câncio lá escrever).
    Gabo-lhe a coragem de vir aqui de peito aberto (tentar) defender o seu colega de jornal e eventual amigo. Mas deixe-me que lhe pergunte: vai sentá-lo à mesa com um filho seu? Quando estiver a explicar ao miúdo quem ele era, dirá o quê: que ele era apoiante e correligionário de uma data de assassinos?

    Quanto à carta em si: será que este post não tem como único objectivo o manchar a honorabilidade do Sr. Dr. António Barreto?
    Aqueles que acalentam tal desígnio devem estar a sonhar. Mesmo que a carta não seja verdadeira (e acredito que não), ela se não corresponde à verdade exacta, penso (politicamente falando, claro está) que andará lá muito perto.

    Sabem uma coisa: sempre ouvi o povo dizer que o maior cego é aquele que não quer ver!

    Digo eu…

  22. Caro Ferreira Fernandes, perdoe-me o lapso não intencional. Já está corrigido. Gostaria de lhe responder com mais calma (e quiçá também a algumas saloiices que por aqui andam), mas hoje estou a trabalhar até à meia noite e amanhã acordo às 5:20. Um admirador da ética do trabalho como o senhor (e eu também!) compreenderá, espero, que eu só responda amanhã. Boa noite e até amanhã, então.

  23. Bem, basicamente o que eu queria dizer é que acredito que Ferreira Fernandes saiba perfeitamente do que está a falar quando o assunto é o MPLA naquela altura (mesmo se já não era militante, como referi por lapso). Embora não seja por si só demonstração seja do que for, a sua palavra neste caso vale mais do que a de quem está completamente por fora, como é o caso de António Barreto.

    Quanto ao resto, repito que não tenho absolutamente nenhuma simpatia pelo governo de Angola. O objectivo deste texto está bem resumido no comentário da FuckItAll, 17 Abril 2008, 11:33.

    Saloio, a forma como você se refere ao “Sr. Dr. António Barreto” e à “Sra. Dra Fernanda Câncio” (sem pôr em causa os títulos de ambos) mostra que a alcunha que escolheu para si é bem apropriada.

  24. meireles diz:

    MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTAÇÃO BRAZZAVILLE, 3 DE DEZEMBRODE1964
    DE ANGOLA Mr. Dr. Hugo de Menezes
    M.P.L.A. P. O..BOX 1633
    ACCRA- GHANA
    B.P. 2353
    BRAZZAVILLE

    RÉPUBLIQUE DU CONGO
    ——————-

    Departamento de : RELAÇÕES EXTERIORES
    Ref. 1397/44/64

    Caro compatriota,

    Junto remetemos os documentos relativos a comissão dos três e do comité dos 9, encarregada de reexaminar o problema do nacionalismo Angolano na última conferência de chefe de Estados Africanos da O.U.A.
    O RAPPORT da Comissão dos três , sendo confidencial não deverá ser divulgado. Enviamo-lo á título informativo pessoal,,permitindo – o a ter uma ideia exacta.

    Saudações Revolucionárias

    Pelo Comité Director

    Agostinho Neto

    Presidente

  25. meireles diz:

    MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTAÇÃO BRAZZAVILLE,23 DE DEZEMBRO DE1965
    DE ANGOLA
    M.P.L.A.
    TÉL. 49-15
    B.P. 2353
    HUGO DE MENEZES
    P.O.BOX1633
    BRAZZAVILLE ACCRA-GHANA

    RÉPUBLIQUE DU CONGO
    ——————–
    DEPARTAMENTO DE : PRESIDÊNCIA

    Caro camarada ,

    Informamos que é necessário enviar novamente fotografias e todos os elementos
    de identificação para o título de viagem.
    Aproveitamos a oportunidade para
    Desejar bom Ano Novo.

    Saudações revolucionárias.

    Vitoria ou morte

    Pelo Comité Director

    Agostinho Neto
    – Presidente –

    A Força Do M.P.L.A. ,RESIDE NO APOIO QUE LHE CONCEDEM AS CAMADAS POPULARES NO INTERIOR DO PAIS ( Conferência de quadros do M.P.L.A..- 3 a 10 de janeiro de 1964)

    LA FORCE DU M.P.L.A. RESIDE DANS LE SOUTIENS QUE LUI ACCORDENT LES MASSES POPULAIRES DANS L`INTERIEUR DU PAYS
    ( conférence des cadres du M.P.L.A.- 3 au 10 janvier 1964)

  26. Alberto Monteiro diz:

    1º Cardoso Botelho não foi preso por ser da extrema direita ou por ser administrador da DIAMANG. Foi preso porque tinha uma rede de tráfico de diamantes, que a polícia política queria.
    2º A maioria das informações contidas no livro de Cardoso Botelho foi comprada a guardas e verdugos. E estes, quando as não tinham, «inventavam-nas» para sacar dinheiro ao Botelho.
    3º Também os documentos são, em regra, falsos. A lista de fuzilados (3 folhas escritas numa máquina, a última, com as assinaturas, numa outra) foi «vendida» a várias pessoas. E consta também do livro de Felicia Cabrita. Quando à carta de Rosa Coutinho, foi publicada pela primeira vez, na África do Sul do «apartheid». Não existe original, mas apenas o texto com a assinatura verdadeira. Mas o documento foi forjado.
    Cada um come do que quer, segundo os seus preconceitos. O que não transforma o falso em verdadeiro.

  27. Maria João Pires diz:

    Caro meireles,

    A transcrição de 17 cartas (qualquer q fosse o tema ou teor das mesmas) para uma caixa de comentários desvirtua completamente a função desta, que – estaremos todos de acordo – é a de potenciar o diálogo entre autores dos post e comentadores (ou de comentadores entre si), daí termos decidido não as publicar. Não fazia sentido nenhum.

  28. Incrédulo ZpuVinho diz:

    Houve problemas em Angola? Verdade?
    Uhmm, não acredito! Vocês todos estão a reinar, não é?!!!

  29. Joao Ratao diz:

    Eu posso contar a historia completa da carta. Estao interessados?

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