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a pele do tiago

13 Abril 2008 | por Fernanda Câncio

É um menino de 10 anos. Está muito calado e quieto, sentado num banco, a ver wrestling na TV, enquanto a mãe fala com outros adultos. É um menino bem educado, que só fala quando lhe dirigem a palavra e nunca interrompe a mãe quando fala. É um menino da Cova da Moura, que a mãe colocou a estudar numa escola pública em Algés, usando a mesma morada que a mãe dela tinha usado para os filhos: a morada de uma das patroas para quem trabalhava a dias. Fê-lo porque, diz, quer que o filho conheça outras realidades, conviva com outras pessoas. E porque, como a mãe, teme que no ambiente do bairro ele entre demasiado na “brincadeira da rua” e dê para o torto.

Na escola perto do bairro, a maioria dos meninos eram como o Tiago. Segunda e terceira geração lusoafricana. Na escola nova, perguntaram-lhe de onde veio. De que país. E chamaram-lhe “o preto”. O Tiago conta isto com um sorriso envergonhado, sempre com os olhos nos wrestlers da TV. Encolhe os ombros. “Eu não ligo. Não respondo. Também, eles são maiores que eu”. À volta dele, os adultos riem. Tem bom senso, o Tiago. E bom feitio, também. A mãe comenta que isso também se passou com ela. Há 15, 20 anos. Menos com a irmã: “Ela é muito mais clara que eu”. Di-lo como uma espécie de adquirido – o adquirido de que vive num país onde a maioria das pessoas comungam deste racismo banal, o racismo que permite aos meninos achar que faz sentido chamar “preto” a um menino como eles.

Se calhar, para a maioria das pessoas, isso nem soa a racismo. Não sabe a racismo. É um automatismo. Como chamar gordo aos gordos, velho aos velhos, oculista aos que usam óculos, coxo a quem coxeia, zarolho a quem tem menos um olho, loiro a quem não é moreno –uma espécie de constatação de um facto. Claro que esse facto, para ser “constatado”, necessita de ser algo de que o constatador não comunga. São os novos que chamam velhos aos velhos. Os brancos que chamam pretos aos negros (e vice versa). Os que não usam óculos a crismar os oculistas.

Parece que não tem mal nenhum, não é? Sucede que algumas destas denominações magoam as pessoas. Aliás, a maioria é usada exactamente com esse objectivo – o de exprimir desprezo ou desagrado, o de ridicularizar ou isolar. O de fazer sentir que a característica “constatada” é minoritária. Uma espécie indesejável de “anomalia”, uma fuga à norma – à “bondade” da norma. Esta atitude tem um nome: discriminação. E por mais que nos pareça “normal”, inata, até, essa discriminação que faz os colegas do Tiago chamar-lhe preto e assumir que ele “veio de fora”, não é aceitável. Por dois motivos simples: porque é injusta. Porque faz sofrer.

Ter consciência disso e tentar expurgar a linguagem, a fala, deste tipo de referências discriminatórias é a essência daquilo a que se deu, nos EUA, o nome de “politicamente correcto”. A expressão nasceu da noção de que a linguagem não é neutra – é, evidentemente, política. É um campo de batalha no qual o que se diz não só faz diferença para os outros como para o próprio: reprimir palavras, noções e referência discriminatórias cria uma outra forma de ver e pensar o mundo. Esta reeducação voluntária, este esforço de não agressão, foram ridicularizados e atacados pela direita americana e depois pelas várias direitas, comparados a uma ditadura e agregados à linguagem totalitária referida por Orwell na obra 1984 – a “novilíngua”. Numa espantosa inversão de papéis, quem usa linguagem discriminatória e ofensiva surge como necessitado de protecção e apresenta-se o politicamente correcto como um atentado à liberdade de expressão e pensamento.

Quem assim pensa devia passar um dia na pele do Tiago. Só um.

(publicado na coluna ’sermões impossíveis’ da notícias magazine de 6 de abril)

Comentários

Comentário de Luís Lavoura
Data: 13 Abril 2008, 16:19

Eu quado andava na escola, em adolescente, já há muitos anos, tinha o colega a quem todos chamávamos “o gordo” (e dirigíamo-nos a ele mesmo assim, tratávamo-lo por “gordo”), mais um colega a quem chamávamos “francês” porque era filho de um emigrante em França, e mais outro a quem chamávamos “alemão” porque era filho de pai alemão e mãe portuguesa.

Nunca nenhum levou a mal a coisa, e de certa forma até se identificavam com os nomes, os quais aliás raramente eram ditos com qualquer maldade.

Comentário de Paulo Pinto
Data: 13 Abril 2008, 16:34

Muito bem escrito. Porém, não concordo. Tenho horror à “neutralização” da língua. As palavras têm conteúdo e vida própria, não são embalagens assépticas. O exemplo do 1984 está bem achado. O contrário de “branco” não é “imbranco”, é “preto”; o antónimo de “bom” não é “imbom”, é “mau”. Ora, se os putos da escola chamassem ao Tiago “afro-português”, seria menos discriminatório? Não, se a expressão tivesse “carga”. Hoje não tem, mas pode um dia vir a ter. Portanto, o problema não está na busca de conceitos “neutros”, mas sim nas respectivas cargas associadas. A questão não é chamar “preto” (em si) ao puto, porque nem ele é preto, nem nós somos brancos (ele deverá ser mais castanho e nós, bom, rosadinhos), mas sim a associação da palavra (neste contexto apenas) a “africano”/ “preguiçoso”/ “inferior”/ “sujo” e sei lá que mais. E este peso, este lastro da História, esta conotação, não desaparece apenas com a simples mudança de palavras. Digamos, para concluir, que a minha opinião é a inversa da tua: sou contra as palavras descartáveis, porque as novas também se sujam. Mudar as palavras é inútil, o que é preciso é limpá-las.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 13 Abril 2008, 17:03

paulo, a ideia do texto não é a criação de conceitos neutros, é a ideia de evitar ferir os outros e de consciencializar o potencial doloroso de certas denominações, ao invés de, como tem sido regra na generalidade dos discursos ‘anti-politicamente-correcto’, se defender a ‘naturalidade’ dessas denominações. o tiago não tem de ser visto como ‘de fora’ porque o tiago não é de fora. não é, como no exemplo do luís lavoura, francês ou alemão (a denominação de ‘gordo’ parece-m igualmente inaceitável, e se o luís lavoura acha que o tal miúdo gostava de ser chamado gordo, é porque claramente o luís lavoura não só não era esse miúdo como tem um défice de imaginação). há denominações que são feitas com o objectivo implícito de agredir. preto é definitivamente uma delas — é aliás uma palavra comummente usada como insulto. a mim choca-me que hoje, 2008, portugal, europa, uma criança seja ainda submetida a este insulto numa escola lisboeta. para mim, isso significa muito claramente que muito do que já devia ter sido feito em termos de políticas de igualdade não o foi. e muito do que deve ser feito passa pela linguagem — e por cada um de nós.

Comentário de j
Data: 13 Abril 2008, 17:28

«Nunca nenhum levou a mal a coisa, e de certa forma até se identificavam com os nomes, os quais aliás raramente eram ditos com qualquer maldade»

Como sabe que “nunca nenhum levou a mal”…!?
Como sabe, e que importa, que de «certa forma até se identificavam com os nomes …!?

Permita o exagero, ou talvez não, se o meu amigo gostasse de levar no cu, o que estava no seu direito, gostava que lhe chamassem por “ó panasca, chega aqui”…?
Afinal, se fosse mesmo panasca, que mal tinha se assim o chamassem, se o preto também é preto…!?

É que o simples facto de chamar, ainda que “sem maldade” de “preto”, “gordo”, “caixa de óculos”, coxo”… tem implícita uma atitude discriminatória, embora não necessariamente racista, o que me parece, ainda assim, pouco civilizado.

Comentário de al
Data: 13 Abril 2008, 17:46

Não há palavras neutras, todas têm carga e história; as fabricadas pelo politicamente correcto, têm, à nascença a carga das totalitátias intenções, da arrogância, da censura.
Em nome do politicamente correcto coarcta-se a liberdade de expressão, e proibiram-se autores como Mark Twain nas bilbiotecas públicas dos Estados Unidos.
A “solução” não é essa. Isto é, para quem preza a Liberdade e a democracia a solução não é essa.

Comentário de j
Data: 13 Abril 2008, 17:48

Acabo de ler no CM on-line que o “PSD (insiste) questiona(r) Câncio na RTP”

Retiro o meu comentário anterior… porque existem brancos bem piores que “pretos”.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 13 Abril 2008, 18:09

a minha paciência, caramba. o al acha portanto que a denominação ‘preto’ deve ser mantida, encorajada, estimada, é isso? que reprimi-la é censura? que considerar que se deve explicar às crianças e às pessoas em geral que esse tipo de referência magoa é ‘coarctar a liberdade de expressão’? ao menos tenha a coragem de discutir o que está aqui a ser discutido, e de assumir o que pensa (seja lá o que for, se pensa) em vez de vir com essa conversa do que supostamente se passou nos eua.

Comentário de Lidador
Data: 13 Abril 2008, 18:28

“racismo que permite aos meninos achar que faz sentido chamar “preto” a um menino como eles.”

É este tipo de demagogia primária que a FC nos irá fazer comer à conta dos nossos impostos.
É esta insuportável banha da cobra que teremos de deglutir, pela mão amiga do “jornalismo de causas”.

Como se os miúdos de todo o mundo não chamassem preto ao preto, branco ao branco, gordo ao gordo, trinca-espinhas ao magro, etc,etc.
Como se tivesse descoberto a pólvora, esta “jornalista de causas”, brinda-nos com os seus preconceitos e descobre indignada que os rapazes atiram pedras aos gatos, andam à porrada e vão aos ninhos.
Mas ela vê “racismo”, porque está preparada para ver aquilo que quer ver. Se vir um cão preto a comer menos que um cão amarelo, ela verá racismo e dar-nos-á conta , em linguagem pungente, da boa alma que é o cão preto, de como a sua mãe chora lágrimas de amargura, de como aquele é, de facto , o melhor cão da paróquia.
E todos se debulham em lágrimas , batem no peito e gritam “racista”..”racista”.
E vão para casa dar pontapés no cão amarelo.
E a FC, arquiva mais uns euros, sacados ao meu bolso.

É por causa deste repimpado primarismo ideológico que esta “jornalista de causas”, tem fama.
E não a irá desmerecer, estou certo

Comentário de ana anselmo
Data: 13 Abril 2008, 18:32

lembro-me de ter 6 anos e de uma menina nova aparecer ao fundo da minha rua quando eu estava a brincar à porta de casa. lembro-me de ter ficado a olhar para ela cheia de vontade de saber quem era e porque levava um jarro na mão a transbordar água. o meu pai disse-me para lhe ir dizer olá, e eu fui.

lembro-me da outra menina da minha rua me dizer que já não era minha amiga porque eu agora andava com pretos. e de eu lhe gritar pela grade do quintal que por dentro éramos todos iguais. e a menina do jarro a transbordar água a um canto a ouvir.

também me lembro que passados uns anos andávamos as três a trocar uns anéis de prata com umas mãos dadas que todas as amigas verdadeiras daquele tempo tinham de ter.

concordo com a fernanda câncio quando diz que nenhuma criança deve ser submetida a insultos como preto, caixa-de-óculos (ninguém aqui de cima se lembrou desta), gordo, coxo, copinho-de-leite, graxista, o que for. concordo com o luís lavoura quando diz que estes epítetos sempre existiram e que a carga racial que a fernanda lhes coloca talvez seja exagerada - mas não acho que alguma vez tenham sido inócuos, nem acredito que devam ser desvalorizados e aceites como normais (embora a crueldade sempre tenha feito parte do universo infantil; e vá continuar a fazer, por mais chocante que possa parecer). concordo sobretudo com o paulo pinto quando diz que não são as palavras que têm de ser banidas, é a carga insultuosa que lhes está associada. e isso faz-se com cada vez mais pais a dizerem aos filhos para dizerem olá aos meninos novos na rua; e com cada vez menos pais a dizerem aquela família de pretos que agora se mudou praqui.

agora preto, caixa-de-óculos, gordo, coxo, copinho-de-leite, graxista e tal não vão desaparecer. vão é talvez ser ditas e ouvidas de maneira diferente. espero.

Comentário de Fernando Penim Redondo
Data: 13 Abril 2008, 18:47

Este texto é um bom exemplo de como os exageros, mesmo vindos de pessoas inteligentes e em defesa de valores importantes, acabam por servir mal os propósitos do autor.

Todos nós, pelo menos os mais velhos como é o meu caso, assistimos a situações deste tipo, todos nós chamámos “gordo”, “maneta”, “cenoura” (para os ruivos), “ruço” (para os loiros) e uma imensidade de outras coisas. A questão é que a interpretação deste fenómeno pela Fernanda Câncio está eivada dos “preconceitos anti-preconceito” que hoje estão na moda.

Eu estou convencido de que se trata de um fenómeno que tem duas explicações ao nível da espécie:
- o processo de os juvenis encontrarem a sua identidade através da exploração e exagero dos desvios à “normalidade”
- a preparação dos visados para aquilo que vão encontrar ao longo das suas vidas mesmo que cínicamente omitido.

Já agora relato um episódio a que assisti, esse bem mais grave na sua ingenuidade, em pleno Estádio Nacional, durante umas provas desportivas no fim dos anos 70.
Alguém anunciou pelos altifalantes do Estádio o seguinte aviso:

Está perdido no recinto um rapaz de nome José Augusto, também conhecido como “tição”, “meia-noite” e “pau queimado”. Quem o encontrar é favor trazê-lo à cabine de som.

Comentário de Margarida Constantino
Data: 13 Abril 2008, 19:07

Olá Fernanda,

como é óbvio, tem toda a razão, o que acontece é que há sempre alguém que não sabe interpretar o sentido de um texto ou simplesmente prefere distorcer as palavras para poder puxar a brasa à sua sardinha.

Esta é uma questão que não tem nada a ver com liberdade de expressão. É só ter bom senso e respeito pelos demais para desejar, imediatamente, não os magoar. Infelizmente, as pessoas são o que são, e não só não se envergonham como ainda arranjam argumentos a favor. Isso chama-se, (no mínimo e para não ferir susceptibilidades), ter as vistas curtas.

A mim chamaram-me Clearasil um par de anos, já imagina porquê. Não me matou, até me fez mais forte, mas ainda hoje sinto uma angustiazinha dentro de mim quando me lembro disso.

Já agora, quanto à questão daquele tosco daquele deputado, que vergonha de país, sinceramente. Ainda ontem escrevi no meu blog sobre mais outro passo importante que se deu aqui em Espanha a favor da igualdade e hoje deparo-me com estas notícias de Portugal. Pois é, estamos cada vez mais separados… é pena.

Continuação do bom trabalho.

Comentário de Algarviu
Data: 13 Abril 2008, 19:20

O Lidador andou uns tempos calado e ninguém perdeu nada com isso. Voltou e … mais pobre (não de espírito, que aí já estava abrangido pelo programa de reinserção) por causa da Fernanda.
Ele há vidas difíceis.

Comentário de al
Data: 13 Abril 2008, 20:04

Corrija-se a atitude, eduque-se, explique-se que está, talvez, a magoar alguém - embora a crueldade exista e seja humana (veja-se o texto de António Barreto hoje no Público), mas não pôr um comité a inventar palavras pretensiosas e a proibir outras: é o pesadelo de Orwell, sim. Já há escolas e proíbir Shakespeare - o que, aliás, se compreende, devido às perigosas propriedades anti-estupidificantes da sua leitura.
Um dos “alegados” casos contra a ditadura do politicamente correcto: http://caselaw.lp.findlaw.com/cgi-bin/getcase.pl?court=9th&navby=docket&no=9715511
E uma lista dos livros proíbidos. Um deles é, claro está, o Admirável mundo novo: http://www.adlerbooks.com/banned.html

Comentário de M. Loureiro
Data: 13 Abril 2008, 21:02

Haja decência!

Desejo exprimir a mais firme solidariedade à jornalista Fernanda Câncio e expressar o mais vivo repúdio pelas torpes insinuações vindas do PSD (quero crer que dentro dele haja quem se sinta incomodado). Todos sabem do que falo, embora muitos dos opiniosos que para aí proliferam, sempre prontos a criticar, se mantenham em silêncio.

Comentário de João Pestana
Data: 13 Abril 2008, 21:37

“(…) e como é magrinho e enfezado todos lhe chamam fuínha.” Isto era a resposta de um aluno, questionado pelo professor sobre a razão da alcunha “atribuída” a um outro aluno. Isto num texto de um livro da terceira classe, talvez aí para os anos 48 do século passado. De facto era corrente chamar-se “marreco”, “zarolho”, “maneta”, etc. aos alunos com algumas características que os caracterizavam dos demais. Analizando a questão nos dias de hoje parece-me de facto um procedimento cruel. Mas não é. Os jovens em idade escolar praticam estes exageros como forma de afirmação, que é mais tarde corrigida.

No entanto quero dizer que fiquei há dias estarrecido porque porque assisti, junto a uma escola, a um insulto - esse sim - que deve marcar muito uma criança e, neste caso, ser branca ou preta é indiferente. Diziam alguns miúdos em grupo para um outro, isolado e muito acabrunhado: ” a tua mãe é uma grande put…”.

Isto sim, deve marcar muito porque chamar preto a um preto e branco a um branco é normalíssimo. Só não o é para quem é preconceituoso ou é hipersensível à questão das cores.

Comentário de pedro oliveira
Data: 13 Abril 2008, 22:00

«É um menino da Cova da Moura, que a mãe colocou a estudar numa escola pública em Algés, usando a mesma morada que a mãe dela tinha usado para os filhos: a morada de uma das patroas para quem trabalhava a dias. Fê-lo porque, diz, quer que o filho conheça outras realidades, conviva com outras pessoas.»

Cometeu uma ilegalidade, portanto, para que o doce Tiago não conviva com os meninos pretos, perdão luso-africanos [a Fernanda sabe, certamente, que os lusitanos são apenas um dos muitos povos que passaram pelo território que é hoje Portugal, perdão república portuguesa].
Resumindo este é um «post» (antes tinha sido um artigo) sobre uma mãe negra que comete uma ilegalidade para que o seu filho luso-africano não conviva com outros meninos luso-africanos… quem será racista aqui?

Comentário de luis eme
Data: 13 Abril 2008, 22:02

O texto faz todo o sentido…

há de facto discriminação e muita sacanice na nossa sociedade, e começa logo na primária. Quem tem óculos é o caixa de óculos, quem é gordo é o baleia, quem é magro é pau de virar tripas, e claro, quem é negro, é preto, ponto final.

Claro que não é a mesma coisa que os amigos da rua, em que se ganham alcunhas, mais como diversão, sem a carga negativa dos nomes com se marcam os colegas nas escolas, e onde se começa logo a competir, no pior sentido…

Comentário de Helena Velho
Data: 13 Abril 2008, 23:09

só um pedido de esclarecimento, assim a modos como se eu tivesse apenas dois neurónios:

A criança em causa não se chama Tiago?
Então Vossas senhorias acham que é inofensivo chamá-lo de outra coisa???

Está tudo dito, Fernanda!

Liberdade é chamar a Raquel que é cega, por cegueta, a Sofia que é gorda, por Baleia, o Pedro que sofreu paralisia cerebral de Atrasado mental, o Joaquim que esteve na Guerra e perdeu uma perna ,de Perneta, a Marta que nasceu de cabelo louro de Loura Burra, o Flávio que sofre de nanismo de Anão( e ainda se pode dar um dos nomes dos 7 da Branca de Neve), o Eduardo que nasceu sem o sentido da audição de Ó Mouco, o Tito que tem uma identidade sexual não-hegemónica de Panasca, a Sofia que gagueja , de Gaga…que mal tem?? Eles até respondem(ao fim de muito pouco tempo, por sinal- o medo da não-integração é intenso e imenso!)!

Que povo afectuoso!

Comentário de Jorge Vassalo
Data: 13 Abril 2008, 23:10

Quando andava no ciclo preparatório toda a gente me batia. TODO o ciclo, maioritariamente, achava por bem malhar em cima de um rapaz que tinha tido uma hemoplagia cerebral do lado esquerdo do cérebro e que lhe havia semi-paralisado a parte direita do corpo.

E além disso, além de covardemente me agarrarem o braço esquerdo e mo porem atrás das costas e me agredirem até cair, ainda me chamavam coisas tão carinhosas e lindas como deficiente, anormal, maneta ou alf. Tudo sempre carinhosamente, tenho a certeza. E também carinhosamente, o único amigo verdadeiro que tinha era o gago. Aliás, ficávamos sempre nas ultimas mesas, longe do resto da turma.

Penosamente, ouvia coisas como “oh Alf, a partir daqui já não vens connosco” ou “é pudim danone, não pares não pares” simulando sexo, falando de mim e da minha colega extra-gorda, que sofria de outra maneira. (Essa, hoje uma brilhante advogada, no 10 ano perdeu 25 quilos num só mês e ganhou uma prenda - bulimia).

Acreditem, de tanto nos olharem de lado, de tantos nomes nos chamarem, uma parte de nós mesmos passa a incorporar essa noção de inferioridade, no meu caso devido a uma coisa que hoje já nem relevante é (fisioterapia, 15 anos de bateria , um curso na Escola de Jazz do Porto e 10 anos de natação depois), afectou a minha auto estima durante uns bons 10 anos. Porque cheguei de facto a pensar que toda a gente tinha razão.

Fui descobrindo que não. Que era muito mais do que a etiqueta que, abusivamente, me tinham colado. Hoje tudo isso está ultrapassado. Mas a memória fica. Para referência futura. Para as minhas filhas. Uma delas, no terceiro ano, por usar óculos, já é a “4 olhos”, a “24″, a “caixa de óculos”. Mas sabe não responder da mesma forma. Eu já lhe ensinei que o estereótipo da sociedade é inferior ao que as pessoas devem possuir e ser - o seu nome.

Porque toda a gente sabe o quão carinhosas são essas palavras. O quão aceite pelo “gordo” e pelo “maneta” ser constantemente relembrado de uma coisa que eles devem todos adorar, é.

Deus abençoe aqueles que se consideram “normais”, pela sua santa ignorância. Mas ainda bem que eu, a minha mulher, e as minhas filhas, sabemos mais.

Comentário de jaime roriz
Data: 14 Abril 2008, 3:08

Meninos, o Jorge Vassalo acabou de dar a todos uma grande lição. É verdade que as crianças são cruéis. Deveria ser verdade que nos compete a nós, pais, punir exemplarmente isso. Pois não punimos quando os nosso filhos não têm ainda a noçao de propriedade? E não punimos quando falham as regras de trato social?

Comentário de Cfe
Data: 14 Abril 2008, 4:37

Não é a adjetivação na pessoa duma sua característica que fere. É a crueldade de ligar essa característica a inferioridade.

De nada serve não chamar preto, gordo, ou lá que seja se o depsrezo continuar.

Comentário de Lidador
Data: 14 Abril 2008, 9:27

A história comovente do Jorge Vassalo, está para a demagogia da FC, como as lágrimas da Dona Getrudes estão para os desamores da telenovela.

O Jorge Vassalo gostaria que o mundo não fosse como é, que todos os putos fossem anjos, dissessem poesia, usassem rosas na lapela, tocassem harpa e cheirassem a lavanda.
No fundo, queria o tal homem novo, desprovido da natureza humana, castrado na sua agressividade fundamental, que durante uns tempos alguns estultos acharam ser possível criar no alfobre dos campos de reeducação.
O Jorge Vassalo, debulhado nas lágrimas da demagogia, é no fundo um totalitarista que gostaria de fazer com que os outros fossem como ele acha bem.

Ele sente-se injustiçado por os outros meninos lhe terem feito a vida negra. Podia recomendar-lhe uma meditação sobre uma lírica country de Johny Nash ( A boy named Sue) para ele perceber que a realidade é o que é e a natureza humana o que sempre foi.
Mas não é preciso ir tão longe. O Vassalo acaba a fazer o que condena e deplora.
De repente ganhou auto-estima, acha-se “melhor” que os outros e não hesita em esmagar aqueles que considera “ignorantes”.

Bem prega Frei Tomás, ou de como a natureza humana é mais forte que as patacoadas vassálicas, postas ao rubro pelas congéneres da “jornalista de causas”.

acha-se, agora já adulto, em posição

Comentário de M.
Data: 14 Abril 2008, 9:45

Depois do excelente texto de Fernanda Câncio e do muito digno (a par de alguns outros) comentário de Jorge Vassalo, espero que as pessoas profundamente ignorantes que aqui se manifestaram de forma mt preconceituosa, mas tentando atirar poeira para os olhos dos outros de forma a mascarar a realidade, tenham aprendido alguma coisa e isso passa por terem mais respeito e humanidade para com os outros.

Comentário de Luís Lavoura
Data: 14 Abril 2008, 9:49

Eu apesar de tudo o que acho mais notável neste post é o exemplo da mãe que, para ter o filho na escola em Algés, teve que arranjar um emprego como mulher-a-dias naqueles lados. Por que raio, pergunto, não há-de a mãe ser livre, livre repito, de inscrever o seu filho na escola que muito bem lhe apeteça, e pelos motivos que só a ela digam respeito?

O que acho espantoso neste post é que a Fernanda, começando por nos apontar este facto básico e cruel de uma mãe que, para inscrever o seu filho numa determinada escola, tem que aranjar um emprego, nem que seja muito em part-time, para aqueles lados, desvie depois o post para outros assuntos, em vez de se focar neste. Por que raio é que a mãe há-de ter que apresentar um emprego para poder inscrever o seu filho naquela escola?

Temos um sistema de escolas seletivas: as escolas privadas selecionam em função do estatuto social e da aparência dos pais; as escolas estatais selecionam em função da residência e de um dos locais de trabalho de um dos pais. Liberdade, nem numas nem nas outras.

Comentário de L
Data: 14 Abril 2008, 10:01

A pungente história do Jorge Vassalo, é a demonstração prática de que a demagogia chorosa do “jornalismo de causas” funciona.
O modo emocionado como o JV expõe as suas feridas está para a o post da FC, assim como as lágrimas da D. Gertrudes estão para os amores e desamores de uma telenovela venezuelana.
O Jorge Vassalo informa-nos, horrorizado, que a natureza humana é como a natureza humana e que os putos da sua geração não tinham asas de anjo, não usavam túnica branca, não cheiravam a lavanda, não tocavam harpa e não cantavam aleluia nas horas vagas.
O JV, gostaria que os putos fossem como ele acha que deviam ser, e esconde nesse desejo cândido o perigoso totalitarismo daqueles que ainda acham possível criar o homo novus, apesar da falência dos laboratórios sociais onde isso foi tentado, como os campos de reeducação, as escolas do estado soviético e os orfanatos romenos.
Os JV deste mundo talvez não estejam para aí virados, mas tenho a certeza que aprenderiam alguma coisa sobre a natureza humana se ouvissem a lírica “A Boy Named Sue” de Johnny Cash
http://www.youtube.com/watch?v=M89c3hWx3RQ

De qualquer modo, JV mostra-nos que nem ele lhe é imune.
Repimpado agora numa saudável auto-estima, e crente de que está na posse de uma verdade superior, não hesita em esmagar os “inferiores”, chamando-lhes ignorantes.
Ora toma.
Bem prega Frei Tomás, ou de como a natureza humana é mais forte que as patacoadas do JV, trazidas à cena pelos efeitos colaterais do “jornalismo de causas”

Comentário de Jorge Vassalo
Data: 14 Abril 2008, 10:01

Obrigado, obrigado, Lidador, autógrafos só na sexta feira. Já me sinto qual João Jardim, do alto palanque da minha superioridade!

Ah, o néctar do Olimpo!

Então, Lidador, sigamos pois a sua sugestão:

1. Se te insultarem, arranja um insulto pior.
2. Se te baterem, lenha com eles.
3. Se te roubarem, dá-lhes um tiro ou dois.

Por exemplo.

Afinal, desde o far west, tem sido sempre a descer. Essas coisas “totalitárias” e do “homem novo” do respeito, da aceitação indiferente da diferença, do color blind, gender blind, etc, tudo isso é mariquice, é o que é!

Um par de galhetas, umas cuspidelas no chão e coçar os tintins, isso é que é de gajo. Insultos? Isso é tudo completamente normal, claro. Menos comigo! Ai de quem o faça! Lixa-se já.

Mas, já agora, diga-me lá uma coisa: onde é que eu me acho melhor, e já agora, onde me sinto injustiçado?

Quando falo em “santa ignorância”, digo-o que prefiro pensar que os pais não ensinam os filhos a serem mauzinhos com os diferentes - seja que diferença for - de propósito. Onde acha que eles aprendem a ser assim? Do ar?

Aquele abraço de homem novo totalitário.

Comentário de L
Data: 14 Abril 2008, 10:13

Felicito-o, caro JV, por ter demonstrado tão cabalmente que afinal é um ser humano e não um subproduto do lyssenkismo.
A propósito, já ouviu a música do J. Cash?
Vai ver que gosta e percebe a razão pela qual está agora aqui pronto para a luta e a transbordar de auto-estima.

Comentário de Jorge Vassalo
Data: 14 Abril 2008, 10:24

L, (Lidador?), é evidente que só tenho a agradecer os homens cheios de força que batem nos mais fracos e indefesos, porque só através da sublimação pela porrada se chega a ser tough.

NOT!

Comentário de António
Data: 14 Abril 2008, 10:25

Aos que acham que chamar “preto” e “gordo” e “caixa de óculos” aos outros não tem nada de mal (incluindo o Lavoura, o al, e o lidador) eu gostava de saber que educação dão aos seus filhos… mas eu sei, que essa coisa da educação está muito fora de moda. E ai da professora que os corrija… É o Portugal que temos. Aliás, é o Portugal que sempre tivemos, que nesse aspecto da falta de respeito pelos outros nunca foi diferente.
Meninos Luis Lavoura, al, e lidador, aprendam que ainda vão a tempo: não se chama “ó preto” a nenhum menino, perceberam? Mesmo que ele não se importe (eu li mesmo esta?) isso não se faz, que é muito feio.

Comentário de bloom
Data: 14 Abril 2008, 11:05

Lidador,
e o seu médico, o que diz?

Comentário de Lidador
Data: 14 Abril 2008, 11:09

“isso não se faz, que é muito feio.”
Estupendo argumento António.
Gostaria apenas que desenvolvesse um pouco mais e explicasse:
1-quem decide o que é “feio”
2-O que se faz aos putos que fazem o que “não se faz”
4-Como pensa aplicar a teoria do “não se faz porque é feio”.
5- De onde vem a autoridade do António, da FC, ou do JV para obrigar alguém a ser como vossências acham bem, e não como ele próprio acha bem?
6-Porque razão não há-de o António falar mal do seu próprio país, do al, do Lavoura e do Lidador, como faz neste comentário, mesmo sabendo que alguém pode ficar ofendido ( há gente que se ofende até por desenhos que nunca viu, como sabe). Ou só os outros, os “maus” é que deve ser proibidos de dizer coisas “feias”.

Comentário de Lidador
Data: 14 Abril 2008, 11:19

“Essas coisas “totalitárias” e do “homem novo” do respeito, da aceitação indiferente da diferença, do color blind, gender blind, etc, tudo isso é mariquice, é o que é!”

Estou em crer que o JV não tem uma ideia clara sobre o que significa o conceito de “homem novo”.
Pode sempre melhorar a sua cultura geral, lendo umas coisas sobre o Gulag, os laogai e os killing fields, para perceber onde o caminho do bem desaguou.

Quanto à “aceitação indiferente da diferença”, pergunto-lhe então porque não aceita indiferentemente a diferença do puto que chama coisas “feias” a outro?

Porque se indigna por uma coisa que você mesmo prega?
Ou afinal, como se deduz da sua catilinária, a diferença aceitável é só aquela que você acha aceitável?
De onde lhe vem tal arrogância?

Comentário de António
Data: 14 Abril 2008, 11:26

Lidador, não vou argumentar consigo, como é óbvio. Estou inclusive arrependido de ter falado no assunto. Cada um tem, e dá, a educação que quer, e eu sei que essas coisas nos tempos actuais são muito relativas. Confesso que não esperava que alguém viesse aqui dizer que essa coisa de chamar preto e gordo e caixa de óculos, enfim, é muito relativo e tal. E agora vem você perguntar “quem decide o que é feio?”. Já percebi. Que hei-de eu fazer? Olhe, vou tentar proteger o meu filho dos miúdos mal educados e tentar que não o magoem por palavras ou actos. É tarefa dificil, pelo que vejo. E esperar que um dia, numa próxima geração, os pais tenham sensibilidade suficiente para saber o que é feio e o que não é feio que os seus filhos façam e digam.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 14 Abril 2008, 12:31

depois da bela história da abrunho, podemos tentar olhar para o lidador como alguém que não foi adoptado — é bocado politicamente incorrecto, mas decerto que ele não se rala, até gosta.

Comentário de TersaFM
Data: 14 Abril 2008, 12:48

Tem toda a razão, f.c.. A mim faz-me muita confusão quando as pessoas resolvem apelidar os outros com as características físicas (ou mentais) que elas possuem. Até porque… se quisessemos poderiamos arranjar um desses adjectivos para qualquer pessoa: todos temos características menos vulgares das quais se pode tirar um nome depreciativo…
Na sala de aula de uma das minhas filhas há uma criança com um certo atraso mental. Quando ele chegou à escola (já a meio deste ano lectivo) a professora dela explicou aos colegas que o João tinha “problemas”. Há uns tempos atrás, a minha filha estava a falar comigo sobre os colegas, e a certa altura disse qualquer coisa do João. E eu, como há mais meninos chamados João na sala dela, perguntei: “Qual João?” Imediatamente ela me respondeu: “O dificiente.”
Naquela altura, aproveitei para lhe dizer que ela não devia tratar as pessoas assim. Que o João também tinha apelido, como os outros. Se um era o João Gonçalves e o outro era o João Costa, aquele também deveria ser identificado assim. Além de lhe fazer um sermão acerca do asunto.
Nunca mais ela se referiu ao João como “dificiente”, e passou a chamá-lo, como devia ter chamado sempre, de João Ribeiro.
O que acontece é que, muitas vezes, nós pais, também deixamos que se tratem os outros com desrespeito, porque também, muitas vezes, nós não sabemos respeitar…
Quando eu era jovem (mais jovem…) tinha uma amiga que tinha os dentes para fora. Toda a gente lhe chamava “Paula dentinho”, o que eu detestava. Aparentemente, ela não “levava a mal”, pois nunca deu parte fraca, ou se mostrou triste. Mas eu, que era grande amiga dela, bem sei o que ela sofria, e o que isso a amargurava.

Comentário de al
Data: 14 Abril 2008, 12:49

António
Aprenda a ler. Um abuso deve ser prontamente corrigido e as crianças devem ser disciplinadas e conhecer claramente limites.
Ilegítimo é aproveitar a coisa para impor censuras e embrulhar a realidade em palavras hediondas, criadas pela burocracia.

Pingback de As palavras são importantes : Goodnight Moon
Data: 14 Abril 2008, 13:16

[...] artigo inicialmente publicado no Diário de Notícias e republicado no 5dias, Fernada Câncio escreve um parágrafo que em muitos países já não faz sentido. Em Portugal, é [...]

Comentário de TersaFM
Data: 14 Abril 2008, 13:29

Acabei de ler no De Rerum Natura uma coisa muito apropriada. Só isto:
Foi Albert Einstein quem disse: “o mundo é um lugar perigoso para se viver, não por causa daquele que fazem o mal, mas por causa daqueles que o observam e deixam o mal acontecer”.
Pois é…

Comentário de The Studio
Data: 14 Abril 2008, 14:33

Este texto vem mostrar que a Fernanda e’ a pessoa certa para o lugar certo.
Le-se nas palavras da mesma que “a mim choca-me que hoje, 2008, portugal, europa, uma criança seja ainda submetida a este insulto numa escola lisboeta.”

A Fernanda nao vive neste mundo ou nunca viu uma crianca. A coisa mais natural do mundo nessa idade e’ identificar os colegas por alguma caracteristica que os distinga. Na minha turma havia os “caixas de oculos”, o “gordo”, a “loura burra”, e ate’ mesmo aqueles sem caracteristicas especiais acabavam por receber algumas irritantes alcunhas. Se fica chocada por isso, desafio a menina Cancio a procurar alguma escola em Portugal ou no mundo onde isso nao aconteca.

Com tantos apelidos insultuosos, a menina Cancio podia-se insurgir contra os termos “gordo” ou “caixa de oculos”, por exemplo. Mas nao… por alguma grande coincidencia a sua bussula foi apontar para o “preto”.

Como ja lhe disseram, a Fernanda so considera o termo “preto” ofensivo porque no seu intimo associa os “pretos” a gente estupida e incompetente. So’ assim se compreende que os Politicamente Correctos” tenham introduzidos quotas para negros (ou outras minorias) nas universidades por exemplo. Se nao achassem que eles eram estupidos qual a necessidade dessas quotas?

Por fim, a cereja no topo do bolo: “ter sido feito em termos de políticas de igualdade não o foi.” Ou seja, a fernanda nao vai fazer jornalismo coisa nenhuma. Vai fazer propaganda politica paga pelos contribuintes… pior que tudo disfarcada de jornalismo.

Por fim, nao eram os Nazis que faziam lavagem cerebral as criancas desde pequenas para que pensassem da forma que eles desejavam?
Pelos vistos a Fernanda esta’ de acordo que e’ precisa essa lavagem cerebral para que quando chegem aos 10 anos ja pensem exactamente como a Fernanda e o seu sector politico deseja que pensem.

Comentário de Helena
Data: 14 Abril 2008, 15:04

Nos EUA dei-me conta de um facto muito interessante: crianças que não se referiam à côr da pele dos outros. Vi no neto de uns amigos, e na minha própria filha, de 8 anos que, para explicar quem era a Wednesday, se fartou de arranjar características (os vestidos, o penteado, etc.) mas não se lembrou de dizer “uma das duas alunas pretas, a que é mais magra”.
Parece que o politicamente correcto dá bons frutos.

O que é curioso em muito do pessoal que comenta aqui é este amor à velha ordem natural das coisas - mesmo que faça sofrer alguns, as coisas são e serão como são.
Pessoalmente, acredito na possibilidade de construir um mundo melhor começando por si próprio.

Comentário de PJMOM
Data: 14 Abril 2008, 15:06

Eu pensava que nas escolas era proibido, censurável e censurado chamar “preto” aos outros (adultos e sobretudo crianças).
Tal como é proibido, censurado e censurável outros tipos de violência, a coacção, a falta de liberdade de alguns por via do poder da força (em especial física mas também psicológica) dos outros.

O problema não é assim o que está correcto, ainda existe alguma homogeneidade sobre padrões de civilidade e respeito mútuo nas sociedades burguesas ocidentais.
O que problema que divide é sobretudo a preocupação ideologicamente etiquetada com a violência - nomeadamente em função de haver minorias associadas a agentes activos ou passivos dessa violência.
O problema é saber qual a força / autoridade adequados para a sua prevenção e repressão nos diferentes contextos sociais do seu exercício. Na família deve haver responsabilidade e liberdade dos responsáveis do poder paternal definirem os cânones de educação dos seus educandos menores (filhos biológicos ou não). À partida o Estado não deve interferir(é o modelo da nossa sociedade em que a educação não pertence exclusivamente à comunidade organizada mas é também delegada noutras células como a família) . A comunidade / Estado no sistema de democracia liberal podendo interferir em alguma medida, sobre a negligência manifesta ou mesmo o excesso de meios no exercício da disciplina (por ex. violência física), e aí, naturalmente o padrão de intervenção não é definido apenas em função de padrões qualitativos de violação do «correcto» (de acordo com a maioria ou de minorias mais iluminadas, de elites políticas ou tecnocráticas) mas também quantitativos - e é nestes que se traçam as diferenças entre democracia responsável e autoritarismo. A democracia liberal sacrifica a pureza ao pragmatismo…

O que nos reconduz ao velho e eterno problema de articular a liberdade com responsabilidade, em que a democracia com responsabilidade sofre as pressões dos substancialismos de esquerda e de direita sobre o correcto e a intervenção de autoridade em nome do correcto (e sobre aquilo que já não choca tanto as respectivas sensibilidades diversas, estão dispostos a invocar a liberdade).

O problema do politicamente correcto, das esquerdas e das direitas substancialistas, não é a ideia de correcção, são os critérios e os meios que estão dispostos a convocar para prevenir / remediar incorrecções e a complacência com outras incorrecções serem demasiado conformadas ideologicamente.
Sem dúvida que ainda prefiro os cânones do liberalismo novecentista, em especial de matriz anglo-saxónica (onde destaco Stuart Mill), certo de que o mesmo compreende muito de renúncia à purificação e correcção da sociedade.

Comentário de Lidador
Data: 14 Abril 2008, 15:10

“Lidador, não vou argumentar consigo, como é óbvio. ”
Claro que é óbvio. Quem está repleto das suas certezas não argumenta…pontifica. Argumentar é mais difícil, tem razão.

“Olhe, vou tentar proteger o meu filho dos miúdos mal educado”

Como é possível que alguém como o António, que respira bondade e transpira amor pelo “diferente”, chame “mal-educados” a miúdos diferentes?
Acaba aqui de forma tão miserável o seu respeito pelos outros?
Não entende que está a fazer exactamente aquilo que condena?

“E esperar que um dia, numa próxima geração, os pais tenham sensibilidade suficiente para saber o que é feio e o que não é feio que os seus filhos façam e digam.”

O mesmo para com os pais. O António que não argumenta , mas pontifica, acha-se “melhor”, um cidadão do caraças, que até sabe o que é “feio” e deplora do alto da burra os outros, os “diferentes” que não alcançam os extraordinários talentos estéticos do António.
O António pretende parecer tolerante e acaba a debitar pesporrências, contra os que não pensam e agem como ele acha bem que se pense e aja.
Ou seja o António é meta-estável. Faz o que não acredita que se deve fazer e, com uma barba de 10 dias, explica aos pobres “mal-educados” que é”feio” não fazer a barba.

“podemos tentar olhar para o lidador como alguém que não foi adoptado”
Idem para a FC. Tanta piedadezinha demagógica, tanta histeria anti-racista, tanta tolerância com o “diferente”, tantas “causas” bonitas e pias e acaba na lama, a fazer exactamente aquilo que diz verberar.
Não que eu a condene por isso. Na verdade acho que está a agir de acordo com a sua natureza, como ser humano que é. E faz muito bem.
É apenas espantoso que não consiga ver que o que a motiva a tentar “chatear” este seu amigo, é o mesmo que me motiva a mim a chateá-la a si , e o que motiva o Alberto a chamar preto ao Tiago, ou trinca-espinhas à Katia.
É desagradável?
Pode ser, mas trata-se caso a caso e não com sugestões totalitárias e lavagens ao cérebro.
O que é deveras preocupante é que você, com a habilidade no manejo das palavras que se lhe reconhece, tem capacidade para manipular mentes simples, como as do António e do JV, excitá-los e pô-los ao rubrio, a debitar slogans primários.
E brevemente fá-lo-á ainda para mais gente, à conta do meu bolso.
Isso é que me chateia…

Comentário de Model 500
Data: 14 Abril 2008, 15:20

Desde o seu surgimento, o Homem é movido por duas lógicas: consciente e inconsciente. O homem, primeiramente instintivo e passional, foi sendo recoberto pela consciência e razão. Mas essa razão ainda não conseguiu determinar a totalidade dos seus actos. Ou seja, o irracional cujo efeito são as passagens aos actos ainda domina grande parte do ser humano. A Fernanda Câncio tem de ter sempre presente que o Bem e o Mal constituem o todo do ser humano. Um dos mecanismos mais utilizados pelo ser humano para se livrar do Mal é a projecção de sentimentos como operadores simbólicos do psiquismo. A actividade psíquica que sustenta a projecção é de ordem inconsciente, tal como todos os demais mecanismos de defesa. Odiar o vizinho, ou não aceitar uma tendência sexual, ser invejoso, etc. força o psiquismo a projectar essas ideias e sentimentos noutras pessoas, personificadas enquanto o Mal. Ou seja, o que eu quero dizer é que se deve compreender e tolerar o Lidador. No fundo ele é uma vítima.

Comentário de Nemo
Data: 14 Abril 2008, 15:32

Há um conceito, tipicamente português, que explica muitas coisas: “sempre foi assim”.
Talvez por isso sejamos o que somos

Comentário de Carlos Barbosa de Oliveira
Data: 14 Abril 2008, 16:16

O Lidador é aparentado do Alberto João, não é? Tanto disparate junto, só tenho ouvido (ou lido) ao novo ídolo de Jaime Gama!

Comentário de vítor
Data: 14 Abril 2008, 16:26

Não li todos os comentários, nem me parece ser necessário. A discriminação começa em casa quando os Pais não ensinam os filhos a respeitar as diferentes caracteristicas dos outros. Um destes dias num grupo de 4/5 pessoas, uma delas, negra, perguntava a outra se ela também achava que a cor determinava a inteligência. Não ouvi a resposta, mas acredito que não haverá nenhuma resposta suficientemente inteligente para a pergunta.

Comentário de me
Data: 14 Abril 2008, 18:38

«Resumindo este é um «post» (antes tinha sido um artigo) sobre uma mãe negra que comete uma ilegalidade para que o seu filho luso-africano não conviva com outros meninos luso-africanos… quem será racista aqui?» Pedro Oliveira

O Pedro.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 14 Abril 2008, 19:07

‘Com tantos apelidos insultuosos, a menina Cancio podia-se insurgir contra os termos “gordo” ou “caixa de oculos”, por exemplo. Mas nao… por alguma grande coincidencia a sua bussula foi apontar para o “preto”.’

a minha bussola, the studio, apontou-me para um miúdo que conheci e cuja história narrei. sucede que no texto falo de outras denominações dolorosas. o the studio não reparou: é compreensível. não lhe dava jeito. a sua ‘bussula’ aponta para as suas obsessões. é natural. ‘ou seja, a fernanda não vai fazer jornalismo coisa nenhuma. vai fazer propaganda política disfarçada de jornalismo’. ribau esteves, i presume?

Comentário de j
Data: 14 Abril 2008, 22:48

Há por aqui alguns comentadores que são “pretos”, daqueles mesmo pretos, que até o cérebro deve ser preto.
As pessoas chamam-se pelos nomes, apelidos, ou, vá lá, por alcunhas, digamos que “simpáticas”, não me parecendo que “preto”, “gordo”, “caixa-de-óculos”, “coxo” seja uma forma decente de chamar as pessoas, seja por racismo ou por outra merda qualquer, porque, no mínimo, é falta de educação.

E a única forma que ainda tolero é de chamar “burro”… a alguns comentadores “pretos”.

Comentário de ruibarbo
Data: 15 Abril 2008, 9:38

Este texto da Fernanda - ela que me perdoe, mas é fraquito - tem pelo menos a virtude de mostrar a facilidade com que racistas encobertos pelo manto da “liberalidade” dizem os maiores dislates.

E porque não interessa nada o que se chama aos outros; e porque sempre foi assim, e a crueldade é humana, como diz o Barreto; eu digo que o Lidador é uma rematadíssima besta e que o “al” deve ter vendido o cérebro a uma família da ciganos romenos (lá vem preconceito).

Mas isto não passam de palavras; notem bem, não chamei “preto” a ninguém. Limitei-me com naturalidade e com o direito que me assiste pela liberdade em que vivo, a chamar besta (acrescentaria fascista) ao Lidador. Suponho que não se ofenda. São apenas palavras. Não é nem gordo, nem “oculista” (oculista é um gajo que vende óculos - onde é que a Fernanda foi buscar esta?) e muito menos preto. Sempre foi assim. Sempre houve gente que chamou besta aos outros. Por isso, não se vai ofender, pois não? Espero que não - a bem da liberdade.

Comentário de Lidador
Data: 15 Abril 2008, 10:30

Caro Ruibarbo, claro que não ofende. E mesmo que ofendesse eu não poderia fazer nada, a não ser devolver-lhe as suas ignaras tentativas de insulto.
O que seria irrelevante e estúpido. Deixo isso para especialistas, como o ruibarbo
Mas há aqui uma diferença. Se eu o insultasse e lhe aplicasse o dicionário do Cap Hadock, não estaria a ser incoerente, porque reclamo o direito de o fazer e defendo esse direito, sem que moralistas de pacotilha espetem o dedo a sentenciar que isso é “feio”.
Mas você não.
Você é dos que condenam severamente os nomes que alguém chama a outrem e nesses gestos encontram o pior da alma humana, mas não hesita em fazer o mesmo, àqueles de quem não gosta.
Você não tem o direito, de fazer aquilo que condena.
Se não se quiser atolar na hipocrisia e pretender manter alguma coerência moral, ou defende o direito de todos dizerem o que lhe vier à cabeça ( e responsabilizarem-se individualmente por isso), e nesse caso está a vontade para fazer o mesmo, ou então tem de começar por se limitar a si mesmo.
Coisa que não aconteceu neste seu abrolhoso comentário.

E coisa que, de facto, não aconteceu tb com a “jornalista de causas” e os outros cromos que por aqui perorarm, sentenciosos na condenação da linguagem dos outros, mas galhardamente escatológicos na sua própria.

Comentário de Sérgio
Data: 15 Abril 2008, 15:21

Será que Fernanda Câncio era gorda quando andou na escola? Teve algum episódio traumático de discriminação na sua infancia? De facto ultrapassa-me o relativo “sucesso” de uma senhora que, para uma profissional, não escreve nada, nem sobre assuntos, de jeito.

Portugal pelos olhos da Fernanda Câncio é um país sem qualquer tipo de problemas excepto a discriminação racial. A única razão da existência de bairros de lata: racismo. A unica razão do insucesso de algumas comunidades em relação a outras: racismo. O insucesso escolar: racismo (este agora que é generalizado já não deve ser racismo). A pobreza: racismo. Enfim, todos os problemas de quem não pertença á denominação etnica maioritária em Portugal têm uma causa: RACISMO.

E chegou a hora de levar o combate á fonte… Porque todos os problemas de todos os individuos pertencentes a uma qualquer minoria neste país se devem a terem sido chamados de qualquer coisa no jardim infantil.

Uso óculos desde os 5 anos. Tive excesso de peso entre os 9 e os 20 anos, e tal e tal. “Gordo”, “caixa-de-oculos”, “vidrinhos” enfim… Ficava muito triste… Tão triste como se terão sentido os rapazinhos a quem eu fiz exactamente a mesma coisa. Também fui chamado muitas vezes “pula” mas casos assim já não devem interessar muito à Fernanda Câncio. Afinal crianças já não sao crianças, mas sim RACISTAS que devem ser combatidos. Talvez com programas de re-educação e multas aos pais. Porque se um menino chama preto a outro então a culpa só pode ser dos pais que, a julgar pelo discurso de Fernanda Câncio & Companhia, ou são simplórios ou membros do PNR…

São pessoas como Fernanda Câncio que directa ou indirectamente dão força ás ASAES deste país.

Só espero que a nova polícia dos bons costumes toque em breve em algum viciozinho da Fernanda Câncio para vermos um regabofe a sério…

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 15 Abril 2008, 15:26

‘Portugal pelos olhos da Fernanda Câncio é um país sem qualquer tipo de problemas excepto a discriminação racial’ — caro sérgio, confunde-me em extremo o conhecimento extraordinário que mostra ter do meu percurso profissional e do meu pensamento. a rimar com o que outras pessoas têm demonstrado nos últimos tempos. acho que eles têm um clube. não quer alistar-se? diz que precisam de gente.

Comentário de Lidador
Data: 15 Abril 2008, 17:48

“De facto ultrapassa-me o relativo “sucesso” de uma senhora que, para uma profissional, não escreve nada, nem sobre assuntos, de jeito”

Não se iluda Sérgio. A FC escreve muito bem e toca com maestria as cordas do sentimento.
Se se dedicasse ao romance, seria um sucesso instantâneo.
O seu sucesso não tem nada a ver com as tolices que por aí murmuram as modernas comadres.
Tem tudo a ver com o modo como escreve e isso poucos serão capazes de pôr em causa.
O problema é a demagogia barata, a falta de profundidade das ideias que lança.
Não sei se ela é mesmo assim, ou se se limita a passar para o papel aquilo que sabe que terá consumo febril.
Se o que escreve espelha aquilo que pensa, é mau.
Se se limita a usar um talento para sacar daí um legítimo lucro, age com racionalidade utilitária.
Eu seria capaz de fazer o mesmo.
As consequências é que são chatas. Embrutecimento e anestesia dos débeis mentais , numa lenta lavagem ao cérebro que nos vai tornando incapazes de ver o óbvio e nos castra as reacções naturais.

Comentário de Algarviu
Data: 16 Abril 2008, 1:34

Fico contente por saber que o bravo Lidador se considera um “não castrado”(pelo menos não terá voz aflautada…, o que muito o incomodaria na sua ortodoxia) nas suas “reacções naturais”. Bem suspeitava que o digníssimo tinha algo de selvagem, versão aggiornata da criatura de Rousseau.
Lavagem ao cérebro também não é com ele, mas isso toda a gente já viu, mesmo sem ressonância magnética (que nele não resultaria, porque o homem é, vou pela melhor das hipóteses, da idade do Ferro).

Comentário de Sérgio
Data: 16 Abril 2008, 10:01

“‘Portugal pelos olhos da Fernanda Câncio é um país sem qualquer tipo de problemas excepto a discriminação racial’ — caro sérgio, confunde-me em extremo o conhecimento extraordinário que mostra ter do meu percurso profissional e do meu pensamento. a rimar com o que outras pessoas têm demonstrado nos últimos tempos. acho que eles têm um clube. não quer alistar-se? diz que precisam de gente.”

Não tenho qualquer interesse no percurso da Fernanda Câncio, no pensamento da Fernanda Câncio e muito menos em trocar mimos com a Fernanda Câncio.
E fala de que “clube”, Fernanda? Que pessoas? “Eles” andam atrás de si?
Tenha cuidado, “eles” andem aí…

Comentário de Ariana Furtado
Data: 16 Abril 2008, 22:59

Sou professora do 1ºciclo, jovem e negra, preta, escura, de outra cor, enfim…muito preocupada com as palavras e as intenções das palavras. O que as crianças ouvem não esquecem. Deixa marcas prontas a manifestarem-se a qualquer momento. As palavras e o cuidado e o carinho que não temos com elas…

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 17 Abril 2008, 0:07

exactamente, ariana. mas não se preocupe com uma parte dos comentários que surgem aqui: algumas destas pessoas estão apenas a argumentar a contrario, ou a julgar argumentar a contrario, quando se limitam a ilustrar o que escrevi no texto.

q era um simples texto de domingo sobre um menino que conheci — a dificuldade que certas pessoas têm em perceber que se pode escrever a partir de um caso que se viveu, e sendo o caso do tiago o de lhe chamarem preto, que é de chamarem preto que se trata o texto — e cujo desabafo me impressionou. há coisas simples, assim tão simples: uma criança que é magoada gratuitamente por causa de preconceitos estúpidos e que simboliza todas as crianças magoadas gratuitamente por preconceitos estúpidos passados para outras crianças por adultos com preconceitos estúpidos.

Comentário de bob…
Data: 17 Abril 2008, 4:18

No outro dia, no metro, vi um individuo vestido com uma camisola da lacoste rosa.

Eu detesto rosa, especialmente em camisolas. Para mim é uma ofensa.

Penso que para não me magoarem, devia ser proibido o rosa…

Comentário de Lidador
Data: 17 Abril 2008, 9:44

“Sou …. negra, preta”

Ou seja, a ariana acha importante dar-nos conta da côr da sua pele. A intenção é obviamente usar a técnica da vitimização e pontificar a partir desse reduto, acreditando que isso lhe confere uma autoridade moral superior.
É uma atitude primária, mas é tb evidente que a ariana não se apercebe disso e sobretudo não percebe que mais ninguém fez isso além dela.
As palavras deixam marcas. Garante a ariana e se ariana diz, ela que é “preta, negra, escura”, então é verdade, porque sim, porque ela é “preta, negra, escura”. Se fosse “branca, branquela, clara”, ou “amarela, chinoca, olhos em bico”, já poderia não ser verdade. Se calhar era racismo.
Neste caso não. O uso de certas palavras está reservado à ariana.
Os outros devem ser proibidos de as usar.

“uma criança que é magoada gratuitamente por causa de preconceitos estúpidos e que simboliza todas as crianças magoadas gratuitamente por preconceitos estúpidos passados para outras crianças por adultos com preconceitos estúpidos”, diz a FC

Bem, a frase pode fazer ricochete, mas a FC não entende o princípio dos espelhos:
A FC chama estúpidas às pessoas que não pensam como ela e assim as magoa gratuitamente por causa de preconceitos (não estúpidos, porque são os dela).
E as ventosidades que nos cheiram bem são apenas as nossas que, a bem dizer, nem são ventosidades, apenas descuidos.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 17 Abril 2008, 11:10

ai, lidador. sabe que mais? s o lidador acha q tem de fazer este papel, é lá consigo. mas escusava de ser tão repetitivo. e, de caminho, escusava de ser tão palerma.

hum, cor não leva circunflexo, pois não?

Comentário de Lidador
Data: 17 Abril 2008, 11:21

Tem razão, cor não leva acento, tal como as frases se iniciam com letra maiúscula.
Mas a FC, obviamente, está para além disso, num mundo onde as regras são feitas por ela e de onde dardeja raiva, ódio e recriminações contra todos os que não são como ela.
O que ela faz ou diz, não está mal, porque é ela que o faz.
Está assim autorizada a chamar palermas, estúpidos e preconceituosos a todos os que não engolem o primarismo das suas floribélicas ideias. Sem medo de os magoar, claro, as mágoas estão reservadas por ela para as “causas”.
De volta aos espelhos, como sempre, ou a falta de senso de quem, tendo telhados de vidro, atira pedras ao telhado do vizinho.

Comentário de TersaFM
Data: 17 Abril 2008, 13:26

Fico boquiaberta ao ler estes cometários. Então achar que não se deve chamar “nomes” às pessoas é uma espécie de preconceito??? Estúpido, ainda por cima??? Quem acha que se deve respeitar os outros (sejam eles pretos, brancos, azuis às riscas, gordos, magros, com óculos e sem óculos, mais baixos ou mais altos…) é preconceituoso???? Muito bem! O que se aprende por estas bandas!…

Comentário de TersaFM
Data: 17 Abril 2008, 13:31

Ó f.c. não queira argumentar contra o lidador, porque ele deve ser um verdadeiro deus grego… para além de intelectualmente… Bem, intelectualmente já todos vimos que é uma verdadeira sumidade, o verdadeiro ser absolutamente perfeito. Dizer o quê!?

Comentário de Lidador
Data: 17 Abril 2008, 16:22

Cara Teresa FM, agradeço que tenha derramado sobre mim a sua atenção analítica.

Mas, não alcançando as estratosféricas alitudes morais em que a Teresa paira, atrever-me-ia a sugerir que há algo de contraditório naquilo que escreve.
Por um lado, reclama-se da sublime casta daqueles que respeitam os outros (Quem acha que se deve respeitar os outros……..)

E no momento seguinte, tece sarcásticas e, atrever-me-ia a dizer, pouco respeitosas considerações sobre a capacidade intelectual deste humilde ser humano, que rasteja cá por baixo, sobre a litosfera.

De que “respeito” fala, afinal?
Ou acha-se naturalmente dispensada de fazer aquilo que reclama que os outros façam?
Usa espelho?

Comentário de TersaFM
Data: 18 Abril 2008, 11:31

Vejam lá, se há quem se ofenda por ser chamado de deus grego e intelectualmente superior, imaginem se lhe chamasse “preto” ou “gordo”!

Comentário de Lidador
Data: 18 Abril 2008, 12:00

Tersa, acho que não entendeu.
Não me recordo de ter sequer sugerido que me ofendeu, de resto a minha “sensibilidade” é do tipo carapaça de tartaruga.
A falácia do homem e palha é patética.
O que eu lhe fiz ver, é que alguém que prega o “respeito” pelos outros, com tanta cagança como você o faz, não pode cair na incoerência de à 1ª contrariedade, tentar ( tentar, note bem) fazer aquilo que condena, aqueles de quem não gosta.
Esse tipo de “respeito” está ao alcance de qq borrabotas.

Era preciso é que você demonstrasse fazer aquilo que prega, mas Frei Tomás parece estar sempre à espreita.

E disse “tentar”, porque não ofende quem quer. O insulto é uma arte que a Tersa não domina, embora pareça julgar-se fantástica e supinamente espirituosa.
Tenho uma notícia para si: a sua “subtileza” está para o humor, como as líricas do Pequeno Saul estão para a poesia.
Se aceita um conselho deste seu amigo, comece por ler umas coisas de Woody Allen e, porque não?, as crónicas do Ricardo Araújo Pereira.

Comentário de Ariana Furtado
Data: 18 Abril 2008, 19:17

A Rafaela tem 7 anos e um atraso cognitivo que não lhe permite falar mais do que duas ou três frases com coerência e muitas palavras soltas e desenraízadas. É alegre, comunicativa, divertida, mas também muito inconstante, desconcentrada e desajustada. Pertence ao grupo que a escola define como “criança com necessidade educativa especial comprovada” e, pela boca de muitos, deficiente mental.
Hoje ( dia agitado e tempestuoso), pedi aos meus alunos que inventassem uma história sobre um episódio que tivesse acontecido na nossa sala de aula. Entre 17 textos encontrei 8 dedicados à Rafaela. Cito a Inês “Era uma vez uma menina chamada Rafaela que é o sol da nossa sala”, cito a Salomé “…ela é muito engraçada e está sempre a rir”, o Vicente disse “A Rafaela é muito especial e muito querida e muito bonita”, a Maria”…faz muitos disparates, gosta de dançar e cantar”, a Helena” Sem a Rafaela a nossa sala era triste”.
A diferença pela positiva, aquela que não magoa.
São alunos do 1.º ano. Desconfio que escreveram esses lindos textos porque, a Rafaela passou a manhã a “martirizar-me” enquanto a ajudava a cortar umas imagens. Ria-se, ria-se muito e gozava com todos.
Lembrei-me do Tiago e das caras assustadas destes meninos quando ouvem dizer que a ariana é preta. Sou, digo eu, és (?) , dizem eles, mas é uma palavra estranha quando aplicada à professora deles. A linguagem não é neutra. Estes meninos sabem isso.

Comentário de A. Castanho
Data: 23 Abril 2008, 14:15

Chego já tarde e a más horas. Conheço um miúdo mulato que parece um branco como nós, enfim, como todos os morenos. Um dia a Mãe foi buscá-lo à Escola com a irmã, que parece um barrote queimado. No dia seguinte os comentários que levou para casa, “exultante de alegria”, foram os de que os seus Colegas agora lhe diziam que, “afinal, tu és um macaco e tens uma família de macacos!”.

Lisboa, Santa Isabel, Outubro de 2 003 (mais ou menos…).

Isto sim, é autêntica liberdade de expressão!

Comentário de leprechaun
Data: 29 Abril 2008, 22:40

Ora bem, pelos inteligentes e bem humorados comentários do Lidador valeu vir cá! :)

Já tinha lido o texto no “Notícias Magazine” e aquilo que ele de imediato me fez lembrar foi um pequeno conto que ouvi na minha juventude e me parece ser muito apropriado para ilustrar aquilo que de facto talvez fosse mesmo o ideal em qualquer situação, seja com crianças ou adultos.

Num reino distante, o monarca decidiu um dia visitar as cidades importantes do seu país. Mas comunicou ao vizir que queria que todas as ruas por onde tivesse de caminhar fossem alcatifadas, como a inteira superfície do palácio real.

- Por todo o lado onde eu vá, quero sentir a macieza da alcatifa nos meus pés! - ordenou o rei, sem admitir réplica.

O ministro empalideceu ao ouvir ordem tão estapafúrdia e impossível, mas lá começou a fazer as contas aos metros… quilómetros!… quadrados de alcatifas que seriam necessárias para que os pés de Sua Majestade não sentissem a aspereza dos caminhos.

O certo é que, depois de contactar as fábricas de tapetes, facilmente viu que que nem em laboração contínua dia e noite seria possível satisfazer o capricho do soberano. E claro que isso poderia ser muito pouco salutar para o seu pescoço… isto é um conto das Arábias ou talibãs de outrora! ;)

Deveras, o pobre vizir já andava amarelo e esquálido com esta preocupação intensa que o consumia e amaldiçoava quanta carpete lhe aparecesse no caminho! A respectiva consorte, apoquentada pelo comportamento nervoso do marido, perguntou-lhe por fim o que é que se passava e por que razão ele se mostrava tão agitado ultimamente.

O marido lá lhe contou a história, no fim da qual ela se riu e disse:

- Ó homem! Mas então é isso? Nada mais fácil. Se o rei quer sentir sempre alcatifa debaixo dos pés, manda-lhe mas é fazer uns sapatos de alcatifa e já está o assunto resolvido! :D

Pois, sabedoria e intuição feminina, claro! E a caridade bem compreendida começa em casa, não é?!

É por isso que a única verdadeira coerência e acutilância que por aqui vi é mesmo a do Lidador. Por muita educação que se possa dar às crianças e adultos, por melhor boa vontade e rectas intenções que se possa ter nesta questão de desigualdades a vários níveis, nunca será possível agradar a gregos e troianos, tal como também na outras história do rapaz, o velho e o burro.

É certo que talvez uma criança não tenha ainda os mecanismos emocionais que o possam preservar de alguma sensação de exclusão ou discriminação ou, bem pior ainda, de se não sentir amada e aceite. Mas NUNCA por nunca poderemos modificar o comportamento dos outros, mas tão somente o nosso ou o modo como reagimos ao outro.

E é incomparavelmente mais simples comprar uns sapatos forrados a carpete do que pretender atapetar todo o caminho por onde afinal todos passam, e alguns até talvez nem gostem muito dessa fofa suavidade e prefiram uma aspereza mais selvagem.

Sim, obviamente deve trabalhar-se nessa área mais geral do mútuo respeito e da aceitação das diferenças, salientando sempre a nossa identidade comum como Ser Humano. Mas esse é ainda só metade do caminho e talvez nem mesmo o mais importante. A outra metade sou sempre eu próprio, a minha companhia mais constante…

Nada me pode diminuir - e até aqui o Lidador o exemplificou! - se eu próprio me souber engrandecer. Não em relação aos outros como melhor e superior ou algo assim, mas em relação a mim mesmo, pois cada um de nós é a própria medida da sua humanidade!!!

Aquele que obtém uma vitória sobre outros homens é forte, mas aquele que obtém uma vitória sobre si próprio é poderoso. - Lao Tsé

Parabéns ao Lidador, que por certo compreende ser este o verdadeiro âmago da questão! :)

Comentário de Nuno
Data: 30 Abril 2008, 13:40

Teria o meu filho 4 anos e ia às minhas cavalitas quando nos cruzámos com um africano. Exclamação da criança “Olha um preto!” apontando o dedo. O senhor parou e rapidamente estendeu um dedo na direcção do miudo e com uma careta exclamativa ripostou “Olha um branco!”. Rimo-nos na altura e houve mais um motivo para conversarmos sobre as diferenças. Actualmente, o meu filho frequenta uma escola pública onde há alunos e professores deficientes e de várias raças. O termo monhé, preto, coxo ou anormal não faz parte do vocabulário das crianças dessa escola. Já o filho da p… ainda no outro dia o ouvi da boca de uma menina de 7 anos!

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