O tamanho dos líderes (Meia Hora)

Berlusconi escutou, provavelmente, Luís Filipe Meneses e seguiu-lhe o exemplo: il cavaliere queixou-se amargamente dos malfadados media. Desta vez, não foram os jornalistas os culpados. Aquilo de que se queixa o antigo primeiro-ministro italiano é daqueles que o desenham baixinho, empertigado, esticado e de tacos altos. Os caricaturistas não respeitam a estatura do estadista. Já se sabe, os subversivos começam por amarfanhar a altura de um grande homem, para seguidamente, quem sabe, ameaçarem a propriedade privada e a sagrada família. Berlusconi não exigiu ainda o contraditório nas caricaturas. Falou forte à comunicação social para pôr os pontos nos is. Ele é, segundo diz, muito mais alto que Vladimir Putin e Sarkozy. Garante, pela alma dos seus antepassados, ter um metro e setenta e um centímetros. Ouviram? Um metro e setenta e um centímetros. Seguidos e de uma vez só. Tantos como o seu antigo adversário Romano Prodi. A questão é grave e não deixa a Itália respirar, suspensa nas questões que envolvem a vertigem da liderança. A polémica exigiu que o reputado jornal de direita Corriere dela Sera tirasse as medidas à crise. Enquanto o L’Osservatore Romano não se pronuncia, temos a verdade terrena. Contados os devidos centímetros, o jornal revelou que, de facto, Silvio Berlusconi mede menos quatro centímetros do que apregoa. Exagera na altura, e, mais grave, os seus um metro e sessenta e sete não alcançam – nem de perto, nem de longe – o metro e oitenta e três centímetros do candidato de centro esquerda, Walter Veltroni. Gastei 1544 caracteres a mais com esta história, ainda assim, muito menos do que aturam os italianos.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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