A classe média e o ensino privado
7 de Abril de 2008 por Filipe MouraNo último Prós e Contras (de há uma semana), Carlos Abreu Amorim referiu que a “classe média” está cada vez mais a abandonar o ensino secundário público e a transferir os seus filhos para o privado. Na sua última crónica no Correio da Manhã (entre algumas considerações que julgo acertadas, como o grau de esforço exigido pela aprendizagem), insiste: “muitos” suspeitam do sistema público. Só que os números (sempre os números!) parecem não lhe dar razão: de acordo com a excelente Isabel Fevereiro, que se sentava ao seu lado, no mesmo programa, somente 7% dos alunos frequentam o ensino privado. Esses 7% estão muito longe de ser a “classe média”, pelo menos no ensino secundário. Mas a culpa desta confusão não é (só) de Carlos Abreu Amorim: reside no profundo equívoco do conceito que a média e alta burguesia faz da “classe média”. A “classe média” é trabalhadora por conta de outrem, vive no subúrbio e esfalfa-se para pagar uma casa, quando pode. Não pode colocar os seus filhos no ensino privado. A média e alta burguesia que Carlos Abreu Amorim conhece e que coloca os filhos no privado não é “classe média”. Recomendo uma leitura, também no Blasfémias, do texto Revolta contra a curva de Gauss.

Comentário de Luís Lavoura
Data: 7 de Abril de 2008, 17:14
A afirmação do Carlos Abreu Amorim terá sido a de que a classe média está a ter uma tendência para abandonar o ensino público. Ou seja, aquilo que CAA terá afirmado terá sido, não que a maioria da classe média está já no ensino público, mas sim que há mais pais da classe média a trocar o ensino público pelo privado do que o inverso. O que é substancialmente diferente.
Eu, de qualquer forma, tenho bastante dúvidas de que a afirmação do CAA seja verdadeira. As minhas observações são que, pelo contrário, o ensino público mantem a preferência mesmo daqueles que poderiam (por terem dinheiro para isso) optar pelo privado.