Cromos repetidos

O extraordinário sucesso público do meu último post “Cromos da bola”, eloquentemente demonstrado pelos nove-comentários-nove que mereceu (dois dos quais foram meus e dois foram do Ezequiel a pedir o meu endereço de e-mail por alguma razão ainda desconhecida, qué pasa, Ezequiel?), mais que justificam, eu diria que exigem um regresso a Rui Santos e a exegese de duas das expressões que ele cunhou no seu texto já histórico publicado na edição da última terça-feira do “Record”: que entende Rui Santos por “empirismo-vampirista”? E por “bacoca mesmidade”? Terá Rui Santos – sempre fiel ao princípio leninista de que não existe acção revolucionária sem teoria revolucionária – procurado replicar o “Materialismo e Empiriocriticismo” de Ulianov e dotar-nos de uma nova e subversiva arma teórica para entender os fenómenos físicos do desporto-rei – ou, como se diz agora, para “ler” o jogo? E “mesmidade”, virá de mesmo? Estará para identidade como mesmo está para idêntico? O que distinguirá os dois termos? E qual o oposto de “mesmidade”? Se alteridade é o oposto de identidade, será diferencidade o oposto de mesmidade? E “bacoca” – não será barroca? “Bacoca mesmidade” será comparável a barroca identidade? E a badalhoca insanidade? Relendo ontem um livro de A.J.P.Taylor, encontrei esta pérola: “Those loud-sounding nothings of which he was a master”. Na sua presciência, o grande historiador inglês referia-se, como certamente já adivinharam, ao nosso Rui Santos.

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SEXTA | António Figueira
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5 respostas a Cromos repetidos

  1. mariadosol diz:

    1) registo a alteração do título do post 🙂
    2) registo o registo da escrita (Oh Oh) 🙂
    3) ainda assim permita-me que observe:
    i) o jogo lê-se, mas, para isso, é preciso saber lê-lo…
    ii) o RS (e muitos outros) não falam do jogo jogo, falam das peripécias que o rodeiam. Umas peripécias são mais específicas… outras menos, mas raramente falam do jogo.
    iii) não vale a pena falar de teóricos do jogo (Huizinga, Caillois, Sutton-Smith só para nomear alguns mais conhecidos)
    iv) muito menos os que estudam o jogo de futebol ou outros desportos colectivos (não nomeio ninguém para não aborrecer mais…) 🙂

    4) nmais perguntas muito sentidas:
    a) quando o RS (e outros) falam do predomínio do ataque pelo “flanco esquerdo” estarão a referir-se a alguma “doença infantil do futebol?”
    b) será que o Ivan Illich Ulianov repetiria o “Que fazer?” :))

    (balhamadeus para as minhas mesmices).

    :)) sem agonismos e com muito fair play…

  2. António Figueira diz:

    Cara Marisol (as letras do meio parecem-me a mais):
    Temo que uma inultrapassável divergência nos separe:
    Insiste V.Exa (e Gabriel Alves) em que os jogos se “lêem”; insisto eu em que não. Eu sou fiel à linha empirista, que aprecia o espectáculo dos artistas da bola; V.Exa prefere a linha (vampirista?) dos teóricos da bola; seja: vivemos num mundo livre, não posso senão respeitar a sua opção.
    Volte sempre, AF

  3. mariaDOsol diz:

    AF
    Olhe que nenhuma diferença das que coloca nos separa.
    A questão, para mim, não se coloca desse modo. Vejamos:
    Desde quando é que os jornalistas (e essa do GA foi forte…tb não o suporto) são teóricos da bola? A questão é essa…não são… O problema está em que há quem teça considerações que vc chama “teóricas” que o não são ..são um conjunto de alarvidades como as que vc muito bem aponta. Mas quem as produz, tem carteira de jornalista, insisto.
    Faz vc muito bem em fruir o jogo naturalmente.
    Há decerto muito mar a separar-nos (quem sou eu!) mas não são as salpicadelas que aponta.

    (essa da marisol revela… Gostava que lhe chamasse Tó Figas? Ou por uma qualquer analogia Joselito? Gosto do meu nick, detesto o que me atribui… mas isso agora não importa mesmo nada)

    :)) rasgado e com o devido “férplei”

  4. ezequiel diz:

    hombre

    estou cheio de trabalho

    recebi o teu email.

    estava no spam, sem eu saber, apesar de não de ter spamado,as it were.

    já tenho o teu contacto

    escrevo-te logo à tarde.

    abração
    ezequiel

    não recebeste um email meu???

  5. António Figueira diz:

    Mariadelsol:
    Sou Tó em casa desde pequenino e até Xó-xó para um primo (só um) que me é muito querido, que vive no Brasil e que eu já não vejo há um par de anos, de maneira que arrosto com tudo com grande desembaraço (embora reconheça que Josélito, de facto, é um nick pesado); mas seja, se quer a partícula, partícula terá (serve Mariadelsol?). Falando sério, se V. gosta do beautiful game, é das minhas, e o resto é conversa.
    Ezequiel,
    Não recebi nada – os deuses da net estão contra nós!
    Abração para ti também, A.

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