Cromos repetidos
28 de Março de 2008 por António FigueiraO extraordinário sucesso público do meu último post “Cromos da bola”, eloquentemente demonstrado pelos nove-comentários-nove que mereceu (dois dos quais foram meus e dois foram do Ezequiel a pedir o meu endereço de e-mail por alguma razão ainda desconhecida, qué pasa, Ezequiel?), mais que justificam, eu diria que exigem um regresso a Rui Santos e a exegese de duas das expressões que ele cunhou no seu texto já histórico publicado na edição da última terça-feira do “Record”: que entende Rui Santos por “empirismo-vampirista”? E por “bacoca mesmidade”? Terá Rui Santos – sempre fiel ao princípio leninista de que não existe acção revolucionária sem teoria revolucionária – procurado replicar o “Materialismo e Empiriocriticismo” de Ulianov e dotar-nos de uma nova e subversiva arma teórica para entender os fenómenos físicos do desporto-rei – ou, como se diz agora, para “ler” o jogo? E “mesmidade”, virá de mesmo? Estará para identidade como mesmo está para idêntico? O que distinguirá os dois termos? E qual o oposto de “mesmidade”? Se alteridade é o oposto de identidade, será diferencidade o oposto de mesmidade? E “bacoca” – não será barroca? “Bacoca mesmidade” será comparável a barroca identidade? E a badalhoca insanidade? Relendo ontem um livro de A.J.P.Taylor, encontrei esta pérola: “Those loud-sounding nothings of which he was a master”. Na sua presciência, o grande historiador inglês referia-se, como certamente já adivinharam, ao nosso Rui Santos.

Comentário de mariadosol
Data: 28 de Março de 2008, 14:15
1) registo a alteração do título do post

2) registo o registo da escrita (Oh Oh)
3) ainda assim permita-me que observe:
i) o jogo lê-se, mas, para isso, é preciso saber lê-lo…
ii) o RS (e muitos outros) não falam do jogo jogo, falam das peripécias que o rodeiam. Umas peripécias são mais específicas… outras menos, mas raramente falam do jogo.
iii) não vale a pena falar de teóricos do jogo (Huizinga, Caillois, Sutton-Smith só para nomear alguns mais conhecidos)
iv) muito menos os que estudam o jogo de futebol ou outros desportos colectivos (não nomeio ninguém para não aborrecer mais…)
4) nmais perguntas muito sentidas:
)
a) quando o RS (e outros) falam do predomínio do ataque pelo “flanco esquerdo” estarão a referir-se a alguma “doença infantil do futebol?”
b) será que o Ivan Illich Ulianov repetiria o “Que fazer?”
(balhamadeus para as minhas mesmices).