Pequenas vigarices que a ASAE não detecta

Pelo meu texto anterior talvez possam concluir que sou favorável ao encerramento das grandes superfícies ao domingo. Não é necessariamente verdade; simplesmente gosto que as leis sejam cumpridas. (Sobre a abertura das grandes superfícies ao domingo, em princípio sou favorável, pois o contrário parece-me anacrónico. Mas não faço disso um combate: há assuntos muito mais importantes e, de resto, é minha opinião que desde que o Carrefour voluntariamente saiu de Portugal deixou de haver grandes superfícies que valham mesmo a pena.)
No sábado de Páscoa desloquei-me ao Continente para comprar um folar. No folheto de propaganda vinham anunciados a 3,45€ o quilo. Ao chegar lá, encontro o sinal grande pendurado: “artigo de folheto: folar – 3,45€/kg”. Mesmo por baixo, todos os folares que encontro têm o mesmo preço: 2,24€. O seu peso não vem indicado em lado nenhum. Desconfiado, pego num e levo-o à frutaria para pedir que mo pesem. 400 g, têm aqueles folares. Não é preciso ter uma grande cabeça para concluir que o preço ao quilo daqueles folares é bem superior aos 3,45€ anunciados. Queixo-me na padaria; dizem-me que os folares àquele preço estavam a chegar; era uma questão de esperar um bocadinho. E acabaram por chegar, a 3,45€ o quilo, de tamanhos diferentes, com pesos diferentes e sempre indicados. A maior parte deles eram maiores e mais baratos que os outros sem peso indicado. Desapareceram rapidamente. E lá continuaram os folares que estavam antes: de 400 g, mas sem indicação do peso (só o preço e a data), vendidos a um preço bem superior. Mesmo por baixo do cartaz que indicava: “artigo de folheto: folar – 3,45€/kg”.

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4 respostas a Pequenas vigarices que a ASAE não detecta

  1. jc diz:

    comprar folares no continente? é muito bem feita!

  2. Só cá me faltava o moralismo pequeno-burguês. Onde é que eu compro um folar que seja eu a escolher, livre e independentemente, sem ter que aturar nenhum vendedor que me queira impingir seja o que for (e que repare no que eu comprar)? E com fabrico próprio na loja? No Continente, no Pingo Doce, eventualmente no Jumbo, antigamente no saudoso Carrefour. O jc alguma vez provou um folar ou um bolo rei ou outro artigo destes comprado nestas superfícies? Eu provei uma vez o “bolo rei” da “Confeitaria Nacional” e achei uma merda, sem fruta nenhuma. Para não falar no preço, claro.
    Onde é que no comércio tradicional se detectava uma falcatrua como a que eu relato? Livra – só por esta, abertura ao domingo das grandes superfícies, já!

  3. Luis Rainha diz:

    Calma. O homem brincava.

  4. Sócretino diz:

    Não,brincas!Pensavas q o Belmiro está rico a trabalhar?ohooh.
    É o mercado no seu melhor.há que ter fé que um dia tb será umganda empresário pq a utopia,digo,a certeza no mercado:todo o cidadão um empresário.

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