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	<title>Comentários em: Há coisas fantásticas</title>
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		<title>Por: Ana Matos Pires</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33483</link>
		<dc:creator>Ana Matos Pires</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Mar 2008 16:32:30 +0000</pubDate>
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		<description>Thimshel, só umas correcções. O suicídio não é um sintoma, é, em si, um comportamento que pode surgir no contexto de diferentes patologias (e já nem sequer falo dos casos – raros – de “suicídio racional”, uma ideação suicida num contexto onde não é possível diagnosticar formalmente qualquer patologia). Para além disso, essa história dos medicamentos que “permitem afastar” essa ideação (prefiro usar esta palavra em vez de desejo) tem muito que se lhe diga, a coisa não é assim tão, tão, de facto, não existem fármacos e intervenções que permitem alterar &lt;strong&gt;sempre&lt;/strong&gt; certos “quereres” – felizmente, digo eu.

Por outro lado, faço notar que eutanásia não é “um médico poder matar alguém”, ao contrário do que refere o bastonário, e que há, de facto, sofrimentos que não se apagam com qualquer forma galénica de terapêutica - como às vezes costumo dizer em contexto de consulta, não tenho para dar nem o “alegrex” nem o “felicitex”.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Thimshel, só umas correcções. O suicídio não é um sintoma, é, em si, um comportamento que pode surgir no contexto de diferentes patologias (e já nem sequer falo dos casos – raros – de “suicídio racional”, uma ideação suicida num contexto onde não é possível diagnosticar formalmente qualquer patologia). Para além disso, essa história dos medicamentos que “permitem afastar” essa ideação (prefiro usar esta palavra em vez de desejo) tem muito que se lhe diga, a coisa não é assim tão, tão, de facto, não existem fármacos e intervenções que permitem alterar <strong>sempre</strong> certos “quereres” – felizmente, digo eu.</p>
<p>Por outro lado, faço notar que eutanásia não é “um médico poder matar alguém”, ao contrário do que refere o bastonário, e que há, de facto, sofrimentos que não se apagam com qualquer forma galénica de terapêutica &#8211; como às vezes costumo dizer em contexto de consulta, não tenho para dar nem o “alegrex” nem o “felicitex”.</p>
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	<item>
		<title>Por: cinco dias &#187; Sugestão de leitura</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33434</link>
		<dc:creator>cinco dias &#187; Sugestão de leitura</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Mar 2008 10:59:57 +0000</pubDate>
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		<description>[...] caixa de comentários abaixo (re)começou um debate sobre a eutanásia, provocado pelas declarações do bastonário da Ordem dos Médicos a propósito da alteração do [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] caixa de comentários abaixo (re)começou um debate sobre a eutanásia, provocado pelas declarações do bastonário da Ordem dos Médicos a propósito da alteração do [...]</p>
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	<item>
		<title>Por: Novo Código à vista (II)&#8230; at Associação Médicos Pela Escolha</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33388</link>
		<dc:creator>Novo Código à vista (II)&#8230; at Associação Médicos Pela Escolha</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Mar 2008 01:35:36 +0000</pubDate>
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		<description>[...] de corrida, Bruno, vou “auto plagiar-me” e passo para aqui só mais dois ou três pontos sobre o “sumo” da [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] de corrida, Bruno, vou “auto plagiar-me” e passo para aqui só mais dois ou três pontos sobre o “sumo” da [...]</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: João José Fernandes Simões</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33368</link>
		<dc:creator>João José Fernandes Simões</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 20:43:25 +0000</pubDate>
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		<description>E muita dedicação, e coragem, do pessoal médico e de enfermagem, a quem presto a minha homenagem... e não à «... hierarquia católica espanhola...».</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>E muita dedicação, e coragem, do pessoal médico e de enfermagem, a quem presto a minha homenagem&#8230; e não à «&#8230; hierarquia católica espanhola&#8230;».</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: João José Fernandes Simões</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33367</link>
		<dc:creator>João José Fernandes Simões</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 20:39:22 +0000</pubDate>
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		<description>Nestas coisas nada como ir directo ao assunto.

Gostava muito que existissem «fármacos capazes de fazer essas pessoas alhear-se daquilo que sabem ser o seu destino», como o meu único irmão que demorou cerca de 8 meses a morrer com um cancro que transformou um ser humano de 95 quilos e de 1,90 de altura num &quot;morto-vivo&quot; de 30 quilos, a sofrer e a fazer sofrer... 
Não existem...!
Apenas existe a morfina... e conversa da treta.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Nestas coisas nada como ir directo ao assunto.</p>
<p>Gostava muito que existissem «fármacos capazes de fazer essas pessoas alhear-se daquilo que sabem ser o seu destino», como o meu único irmão que demorou cerca de 8 meses a morrer com um cancro que transformou um ser humano de 95 quilos e de 1,90 de altura num &#8220;morto-vivo&#8221; de 30 quilos, a sofrer e a fazer sofrer&#8230;<br />
Não existem&#8230;!<br />
Apenas existe a morfina&#8230; e conversa da treta.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Fernanda Câncio</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33363</link>
		<dc:creator>Fernanda Câncio</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 18:35:01 +0000</pubDate>
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		<description>timshel, não faço ideia do que tu ou eu sentiriamos se estivessemos tetraplégicos e espero que nunca venhamos a saber. mas tenho as maiores dúvidas de que houvesse fármacos capazes de nos aplacar o desespero. a não ser que passássemos a vida a dormir ou em delírio induzido. por outro lado, já vi de muito perto pessoas a morrer de cancro. não creio que haja fármacos capazes de fazer essas pessoas alhear-se daquilo que sabem ser o seu destino. não me arrogo o direito de decidir pelos outros -- porque, justamente, não dou a ninguém o direito de decidir por mim. 

isto dito, acho que a luta de algumas pessoas pela eutanásia -- pessoas como o sanpedro, por exemplo -- se transformou paradoxalmente na única coisa na vida delas que lhes dava algum motivo para continuar a viver e a lutar. é um paradoxo muito interessante, este de que a luta pelo direito de morrer seja um incentivo a continuar a viver. acho também que talvez -- e é outro paradoxo, ou, neste caso, uma hipótese de paradoxo -- a partir do momento em que pessoas nessa situação saibam que podem morrer se quiserem essa ideia de morrer lhes seja menos premente.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>timshel, não faço ideia do que tu ou eu sentiriamos se estivessemos tetraplégicos e espero que nunca venhamos a saber. mas tenho as maiores dúvidas de que houvesse fármacos capazes de nos aplacar o desespero. a não ser que passássemos a vida a dormir ou em delírio induzido. por outro lado, já vi de muito perto pessoas a morrer de cancro. não creio que haja fármacos capazes de fazer essas pessoas alhear-se daquilo que sabem ser o seu destino. não me arrogo o direito de decidir pelos outros &#8212; porque, justamente, não dou a ninguém o direito de decidir por mim. </p>
<p>isto dito, acho que a luta de algumas pessoas pela eutanásia &#8212; pessoas como o sanpedro, por exemplo &#8212; se transformou paradoxalmente na única coisa na vida delas que lhes dava algum motivo para continuar a viver e a lutar. é um paradoxo muito interessante, este de que a luta pelo direito de morrer seja um incentivo a continuar a viver. acho também que talvez &#8212; e é outro paradoxo, ou, neste caso, uma hipótese de paradoxo &#8212; a partir do momento em que pessoas nessa situação saibam que podem morrer se quiserem essa ideia de morrer lhes seja menos premente.</p>
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	<item>
		<title>Por: timshel</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33361</link>
		<dc:creator>timshel</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 18:05:48 +0000</pubDate>
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		<description>se &quot;há gente muito amada e bem tratada que quer morrer porque sente que a vida já não lhe vale a pena&quot; apesar de todos os medicamentos e intervenções efectuados (com todos os meios e recursos necessários à alteração desse &quot;querer&quot;), e que se encontra fisicamente impossibilitada de efectuar o suicídio,  então, de um ponto de vista lógico, se te baseares em certos pressupostos valorativos que somos livres de escolher (ou de não escolher), tens razão

gostaria contudo de sublinhar que essa situaçao é altamente improvável na prática (existem já fármacos e intervenções que permitem alterar sempre certos &quot;quereres&quot;)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>se &#8220;há gente muito amada e bem tratada que quer morrer porque sente que a vida já não lhe vale a pena&#8221; apesar de todos os medicamentos e intervenções efectuados (com todos os meios e recursos necessários à alteração desse &#8220;querer&#8221;), e que se encontra fisicamente impossibilitada de efectuar o suicídio,  então, de um ponto de vista lógico, se te baseares em certos pressupostos valorativos que somos livres de escolher (ou de não escolher), tens razão</p>
<p>gostaria contudo de sublinhar que essa situaçao é altamente improvável na prática (existem já fármacos e intervenções que permitem alterar sempre certos &#8220;quereres&#8221;)</p>
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	<item>
		<title>Por: Maria João Pires</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33340</link>
		<dc:creator>Maria João Pires</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 15:58:21 +0000</pubDate>
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		<description>A discussão sobre eutanásia é não só interessante como importante mas parece-me que o objectivo do post da Ana era realçar o quão patético é Pedro Nunes nesta história da reforma do Código Deontológico dos médicos ( recordemos que ainda há pouco tempo dizia q era fundamental uma alteração do Código e, presumia-se, não uma operação cosmética. Mas será q se deve ligar muito a um bastonário que defende acerrimamente um Código que, muito recentemente, demonstrou não conhecer?).
Já agora e a propósito de cuidados paliativos, já alguma vez vos confessei o quanto gosto de parte da hierarquia católica espanhola? Da que diz isto, por exemplo: &quot;&quot;Cristo murió sin cuidados paliativos&quot;&quot; (http://www.publico.es/061841/cristo/murio/cuidados/paliativos )</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A discussão sobre eutanásia é não só interessante como importante mas parece-me que o objectivo do post da Ana era realçar o quão patético é Pedro Nunes nesta história da reforma do Código Deontológico dos médicos ( recordemos que ainda há pouco tempo dizia q era fundamental uma alteração do Código e, presumia-se, não uma operação cosmética. Mas será q se deve ligar muito a um bastonário que defende acerrimamente um Código que, muito recentemente, demonstrou não conhecer?).<br />
Já agora e a propósito de cuidados paliativos, já alguma vez vos confessei o quanto gosto de parte da hierarquia católica espanhola? Da que diz isto, por exemplo: &#8220;&#8221;Cristo murió sin cuidados paliativos&#8221;" (<a href="http://www.publico.es/061841/cristo/murio/cuidados/paliativos" rel="nofollow">http://www.publico.es/061841/cristo/murio/cuidados/paliativos</a> )</p>
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	<item>
		<title>Por: Fernanda Câncio</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33337</link>
		<dc:creator>Fernanda Câncio</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 15:27:07 +0000</pubDate>
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		<description>timshel, é evidente que seja qual for o médico a quem uma pessoa entra por ali dentro (do consultório) a dizer que se quer matar não lhe dá o arsénico ou a cicuta para a mão, no questions asked. bom, isto é uma caricatura porque também usaste uma. aliás, não creio que haja um único país do mundo onde se passe alguma coisa de remotamente parecido com isto -- &#039;a menos que a direcção do hospital te diga que sai mais barato ajudá-lo a matar-se e que a lei te obriga a dar-lhe essa alternativa&#039;  (e também li o amsterdam, do mcewan).

mais, não creio que essa situação que descreves tenha alguma coisa a ver com eutanásia. aliás por esse motivo é que tenho muitas dúvidas em assimilar o caso da chantal à discussão sobre eutanásia. creio que se uma pessoa tem liberdade de movimentos (era o caso dela, aparentemente) e quer matar-se, não vejo necessidade de envolver um médico na situação.

depois, timshel, claro que os cuidados paliativos não são só medicamentos para as dores. quando falo em dores falo em tudo -- a dor que pode levar alguém a querer morrer não será exclusivamente física, certo?

acho que quando falamos de eutanásia não falamos do mesmo. eu refiro-me à hipótese de alguém que está impossibilitado de morrer pelos seus próprios meios -- quer porque está paralisado (caso do sanpedro e de vários outros &#039;famosos&#039; da luta pela eutanásia) ou porque está internado num hospital e não tem possibilidade de sair nem de se dar a morte com um mínimo de dignidade (tudo o que não seja mandar-se da janela do quinto andar, por exemplo).e acho -- tenho a certeza, porque essas situações existem, confirmadas por quem tem autoridade para fazer, os próprios -- que há gente muito amada e bem tratada que quer morrer porque sente que a vida já não lhe vale a pena. confundir essas situações limite, que são as que faz sentido incluir sob a denominaçaõ eutanásia, com desejos de suicídio de pessoas deprimidas &#039;que entram por consultórios adentro&#039; é, desculpa lá, uma tontice.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>timshel, é evidente que seja qual for o médico a quem uma pessoa entra por ali dentro (do consultório) a dizer que se quer matar não lhe dá o arsénico ou a cicuta para a mão, no questions asked. bom, isto é uma caricatura porque também usaste uma. aliás, não creio que haja um único país do mundo onde se passe alguma coisa de remotamente parecido com isto &#8212; &#8216;a menos que a direcção do hospital te diga que sai mais barato ajudá-lo a matar-se e que a lei te obriga a dar-lhe essa alternativa&#8217;  (e também li o amsterdam, do mcewan).</p>
<p>mais, não creio que essa situação que descreves tenha alguma coisa a ver com eutanásia. aliás por esse motivo é que tenho muitas dúvidas em assimilar o caso da chantal à discussão sobre eutanásia. creio que se uma pessoa tem liberdade de movimentos (era o caso dela, aparentemente) e quer matar-se, não vejo necessidade de envolver um médico na situação.</p>
<p>depois, timshel, claro que os cuidados paliativos não são só medicamentos para as dores. quando falo em dores falo em tudo &#8212; a dor que pode levar alguém a querer morrer não será exclusivamente física, certo?</p>
<p>acho que quando falamos de eutanásia não falamos do mesmo. eu refiro-me à hipótese de alguém que está impossibilitado de morrer pelos seus próprios meios &#8212; quer porque está paralisado (caso do sanpedro e de vários outros &#8216;famosos&#8217; da luta pela eutanásia) ou porque está internado num hospital e não tem possibilidade de sair nem de se dar a morte com um mínimo de dignidade (tudo o que não seja mandar-se da janela do quinto andar, por exemplo).e acho &#8212; tenho a certeza, porque essas situações existem, confirmadas por quem tem autoridade para fazer, os próprios &#8212; que há gente muito amada e bem tratada que quer morrer porque sente que a vida já não lhe vale a pena. confundir essas situações limite, que são as que faz sentido incluir sob a denominaçaõ eutanásia, com desejos de suicídio de pessoas deprimidas &#8216;que entram por consultórios adentro&#8217; é, desculpa lá, uma tontice.</p>
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	<item>
		<title>Por: timshel</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33336</link>
		<dc:creator>timshel</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 14:38:18 +0000</pubDate>
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		<description>Fernanda, dizes:

&quot;deixar o próximo fazer com ele aquilo que bem entende&quot;

imagina que, no quadro de uma dada especialidade médica te entra no consultório um adolescente (ou um adulto) que diz que se quer suicidar

tenho poucas dúvidas que, sabendo tu no quadro da tua especialidade médica que o desejo de suicídio é um sintoma de uma patologia comportamental e podendo tu intervir com medicamentos (que já existem) e que permitem afastar esse desejo de suicídio, irás intervir com medicamentos e, se existirem recursos a outro nível irás tentar alterar outras variáveis (mais caras mas mais eficazes sobre o fundo do problema) do ambiente ou da personalidade desse adolescente ou desse adulto para que o desejo de suicídio desapareça

a menos que a direcção do hospital te diga que sai mais barato ajudá-lo a matar-se e que a lei te obriga a dar-lhe essa alternativa - de facto, assim, os problemas que estiveram na origem do desejo de suicídio ficam sempre rapida e completamente resolvidos (como todos os problemas - a morte resolve tudo)


julgo que essa tua posição deriva do desconhecimento do que são &quot;cuidados paliativos&quot;

&quot;cuidados paliativos&quot; não são apenas a morfina ou outros analgésicos que já existem e que permitem suprimir completamente a dor (e qualquer médico sabe, como referiu o Pedro Nunes, que tem o dever de dar os medicamentos necessários para que um doente terminal não sinta dores, mesmo que tais medicamentos impliquem uma redução substancial da esperança de vida)

&quot;cuidados paliativos&quot; são também todos os medicamentos e intervenções na personalidade e no ambiente do paciente que fazem com que ele se sinta feliz 

é verdade que essas intervenções podem ser muito caras porque envolvem muitos recursos mas é para isso que o homem se organiza em sociedade: para afectar recursos em função das necessidades das pessoas que visem a garantir a sua dignidade

tendo em conta que, ninguém que se sinta bem, apresenta os sintomas do desejo de suicídio, parece óbvio que a defesa da eutanásia aparece apens como uma posição economicista

defender a eutanásia pode então querer dizer que os mais pobres não devem ter direito à felicidade no fim da vida e que a única solução que lhes resta é morrerem depressa, sem dores e sem chatices</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Fernanda, dizes:</p>
<p>&#8220;deixar o próximo fazer com ele aquilo que bem entende&#8221;</p>
<p>imagina que, no quadro de uma dada especialidade médica te entra no consultório um adolescente (ou um adulto) que diz que se quer suicidar</p>
<p>tenho poucas dúvidas que, sabendo tu no quadro da tua especialidade médica que o desejo de suicídio é um sintoma de uma patologia comportamental e podendo tu intervir com medicamentos (que já existem) e que permitem afastar esse desejo de suicídio, irás intervir com medicamentos e, se existirem recursos a outro nível irás tentar alterar outras variáveis (mais caras mas mais eficazes sobre o fundo do problema) do ambiente ou da personalidade desse adolescente ou desse adulto para que o desejo de suicídio desapareça</p>
<p>a menos que a direcção do hospital te diga que sai mais barato ajudá-lo a matar-se e que a lei te obriga a dar-lhe essa alternativa &#8211; de facto, assim, os problemas que estiveram na origem do desejo de suicídio ficam sempre rapida e completamente resolvidos (como todos os problemas &#8211; a morte resolve tudo)</p>
<p>julgo que essa tua posição deriva do desconhecimento do que são &#8220;cuidados paliativos&#8221;</p>
<p>&#8220;cuidados paliativos&#8221; não são apenas a morfina ou outros analgésicos que já existem e que permitem suprimir completamente a dor (e qualquer médico sabe, como referiu o Pedro Nunes, que tem o dever de dar os medicamentos necessários para que um doente terminal não sinta dores, mesmo que tais medicamentos impliquem uma redução substancial da esperança de vida)</p>
<p>&#8220;cuidados paliativos&#8221; são também todos os medicamentos e intervenções na personalidade e no ambiente do paciente que fazem com que ele se sinta feliz </p>
<p>é verdade que essas intervenções podem ser muito caras porque envolvem muitos recursos mas é para isso que o homem se organiza em sociedade: para afectar recursos em função das necessidades das pessoas que visem a garantir a sua dignidade</p>
<p>tendo em conta que, ninguém que se sinta bem, apresenta os sintomas do desejo de suicídio, parece óbvio que a defesa da eutanásia aparece apens como uma posição economicista</p>
<p>defender a eutanásia pode então querer dizer que os mais pobres não devem ter direito à felicidade no fim da vida e que a única solução que lhes resta é morrerem depressa, sem dores e sem chatices</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: João José Fernandes Simões</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33327</link>
		<dc:creator>João José Fernandes Simões</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 12:30:41 +0000</pubDate>
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		<description>Ah… e sobre a eutanásia, que acho que é do aqui se fala.
Considero “idiota” que para quem o remédio seja lerpar com enorme sofrimento (seu e da família) não tenha o direito a ir-se ir embora mais depressa e com a menor dor possível.
E confundir o direito a cuidados paliativos com a eutanásia é da mais elementar “idiotice”.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ah… e sobre a eutanásia, que acho que é do aqui se fala.<br />
Considero “idiota” que para quem o remédio seja lerpar com enorme sofrimento (seu e da família) não tenha o direito a ir-se ir embora mais depressa e com a menor dor possível.<br />
E confundir o direito a cuidados paliativos com a eutanásia é da mais elementar “idiotice”.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: João José Fernandes Simões</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33326</link>
		<dc:creator>João José Fernandes Simões</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 11:45:42 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/#comment-33326</guid>
		<description>Ideias e idiotas

Se tivesse tempo para escrever, acho que tinha muitas ideias, mas corria o risco de me tornar um idiota, ou, em bom rigor, de ser mais idiota do que já sou.

E aquela ideia ocorre quando «alguém adiantou que “um certo” código deontológico deverá traduzir a sociedade moderna, apesar de adiantar que “poderá dizer o mesmo”, embora com “um texto diferente”».

O que reflecte o paradigma de alguma idiotice, quando se muda não pela substância da ideia mas para que o nome do idiota fique associado à ideia.

Antes de mais, convém, em tempos em que nem sequer se pode chamar de palhaço aos amigos, ter algum cuidado com a palavra idiota.

Porque a significação mais estrita de idiota está associada a quem seja imbecil, pateta ou estúpido, a ser verdade o que diz o idiota autor do dicionário que tenho aqui à minha frente.

Não sendo minha intenção chamar de idiota ao autor daquela ideia, pois, de facto, ao desenvolver a ideia das ideias e idiotas, apenas me estou a servir daquela frase como mero pretexto.

Sendo manifesto que muitas coisas se fazem apenas para se ter direito ao nome escarrapachado numa placa toponímica qualquer ou, simplesmente, no diário da república, ou noutro diário qualquer.

Pouco importando a ideia, nem que para tal se mude apenas o nome da ideia anterior, ou mesmo o texto, porque a ideia, de facto, não releva, sendo apenas um meio para que o idiota não seja efémero.

E se pensarmos em alguns eufemismos que, nos tempos que correm, por aí abundam na designação de certas profissões, de cargos e de funções, talvez esta ideia não seja, afinal, tão idiota como possa parecer.

Ou quando nos deparamos com rotundas onde a lógica do ordenamento de trânsito não existe, mas se faz do local uma espécie de campa circular, onde se perpétua o presidente de uma treta qualquer lá da terra.

E, talvez, por esta minha ideia, própria de um idiota, se explique que sejamos um país de muitas ideias, em proporção a tantos idiotas.

Que nos faz lembrar um bicicleta onde se pedala muito, mas em que não saímos de dentro do ginásio, porque, afinal, a bicicleta, apenas serve para desenvolver o físico, mas de nada acrescenta ás ideias.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ideias e idiotas</p>
<p>Se tivesse tempo para escrever, acho que tinha muitas ideias, mas corria o risco de me tornar um idiota, ou, em bom rigor, de ser mais idiota do que já sou.</p>
<p>E aquela ideia ocorre quando «alguém adiantou que “um certo” código deontológico deverá traduzir a sociedade moderna, apesar de adiantar que “poderá dizer o mesmo”, embora com “um texto diferente”».</p>
<p>O que reflecte o paradigma de alguma idiotice, quando se muda não pela substância da ideia mas para que o nome do idiota fique associado à ideia.</p>
<p>Antes de mais, convém, em tempos em que nem sequer se pode chamar de palhaço aos amigos, ter algum cuidado com a palavra idiota.</p>
<p>Porque a significação mais estrita de idiota está associada a quem seja imbecil, pateta ou estúpido, a ser verdade o que diz o idiota autor do dicionário que tenho aqui à minha frente.</p>
<p>Não sendo minha intenção chamar de idiota ao autor daquela ideia, pois, de facto, ao desenvolver a ideia das ideias e idiotas, apenas me estou a servir daquela frase como mero pretexto.</p>
<p>Sendo manifesto que muitas coisas se fazem apenas para se ter direito ao nome escarrapachado numa placa toponímica qualquer ou, simplesmente, no diário da república, ou noutro diário qualquer.</p>
<p>Pouco importando a ideia, nem que para tal se mude apenas o nome da ideia anterior, ou mesmo o texto, porque a ideia, de facto, não releva, sendo apenas um meio para que o idiota não seja efémero.</p>
<p>E se pensarmos em alguns eufemismos que, nos tempos que correm, por aí abundam na designação de certas profissões, de cargos e de funções, talvez esta ideia não seja, afinal, tão idiota como possa parecer.</p>
<p>Ou quando nos deparamos com rotundas onde a lógica do ordenamento de trânsito não existe, mas se faz do local uma espécie de campa circular, onde se perpétua o presidente de uma treta qualquer lá da terra.</p>
<p>E, talvez, por esta minha ideia, própria de um idiota, se explique que sejamos um país de muitas ideias, em proporção a tantos idiotas.</p>
<p>Que nos faz lembrar um bicicleta onde se pedala muito, mas em que não saímos de dentro do ginásio, porque, afinal, a bicicleta, apenas serve para desenvolver o físico, mas de nada acrescenta ás ideias.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Fernanda Câncio</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33323</link>
		<dc:creator>Fernanda Câncio</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 11:37:36 +0000</pubDate>
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		<description>maloud, eu por acaso acho que o caso da chantal não é um caso de eutanásia. ela tinha meios para se matar -- aliás, deve ter sido isso mesmo que se passou. aí não percebo porquê falar de eutanásia, francamente.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>maloud, eu por acaso acho que o caso da chantal não é um caso de eutanásia. ela tinha meios para se matar &#8212; aliás, deve ter sido isso mesmo que se passou. aí não percebo porquê falar de eutanásia, francamente.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Ana Matos Pires</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33286</link>
		<dc:creator>Ana Matos Pires</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 02:05:54 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/#comment-33286</guid>
		<description>Assim de corrida, dois ou três pontos sobre o “sumo” da notícia, então.

A colagem da necessidade de alterar o CD ao aborto e à eutanásia &lt;strong&gt;é &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;falsa&lt;/strong&gt;. Na verdade ela não é recente e não se prende apenas com o aborto e a eutanásia, basta pensar na procriação medicamente assistida ou na esterilização reversível.

Definir um código de conduta médica, e justificar a sua existência, apenas como um instrumento protector do doente &lt;strong&gt;é demagógico&lt;/strong&gt;. De resto, como se pode comprovar no &lt;a href=&quot;http://www.ordemdosmedicos.pt/?lop=conteudo&amp;op=9c838d2e45b2ad1094d42f4ef36764f6&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;portal da OM&lt;/a&gt;, o CD dos médicos portugueses está dividido em seis grandes capítulos e as suas disposições abrangem a relação do médico com o doente, com a comunidade, com os outros médicos e com terceiros.

Para além do que já ficou aqui dito a este propósito pela Fernanda Câncio, discutir a eutanásia por oposição aos cuidados paliativos &lt;strong&gt;é&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;perverso&lt;/strong&gt;, sobretudo quando se trata do bastonário da OM (Pedro Nunes não estava a falar em nome pessoal) e se deixam nas entrelinhas algumas insinuações pouco razoáveis, nomeadamente a ignorância dos clínicos face aos cuidados paliativos ou o primado das razões económicas na defesa da eutanásia. 

Reduzir os cuidados paliativos à analgesia &lt;strong&gt;é errado e grave&lt;/strong&gt;. Caso interesse, cf. &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;http://www.who.int/cancer/palliative/definition/en/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;WHO Definition of Palliative Care&lt;/a&gt;: 

Palliative care is an approach that improves the quality of life of patients and their families facing the problem associated with life-threatening illness, through the prevention and relief of suffering by means of early identification and impeccable assessment and treatment of pain and other problems, physical, psychosocial and spiritual. Palliative care:
- provides relief from pain and other distressing symptoms;
- affirms life and regards dying as a normal process;
- intends neither to hasten or postpone death 
- integrates the psychological and spiritual aspects of patient care;
- offers a support system to help patients live as actively as possible until death;
- offers a support system to help the family cope during the patients illness and in their own bereavement;
- uses a team approach to address the needs of patients and their families, including bereavement counselling, if indicated;
- will enhance quality of life, and may also positively influence the course of illness;
- is applicable early in the course of illness, in conjunction with other therapies that are intended to prolong life, such as chemotherapy or radiation therapy, and includes those investigations needed to better understand and manage distressing clinical complications.&lt;/em&gt;</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Assim de corrida, dois ou três pontos sobre o “sumo” da notícia, então.</p>
<p>A colagem da necessidade de alterar o CD ao aborto e à eutanásia <strong>é </strong><strong>falsa</strong>. Na verdade ela não é recente e não se prende apenas com o aborto e a eutanásia, basta pensar na procriação medicamente assistida ou na esterilização reversível.</p>
<p>Definir um código de conduta médica, e justificar a sua existência, apenas como um instrumento protector do doente <strong>é demagógico</strong>. De resto, como se pode comprovar no <a href="http://www.ordemdosmedicos.pt/?lop=conteudo&#038;op=9c838d2e45b2ad1094d42f4ef36764f6" rel="nofollow">portal da OM</a>, o CD dos médicos portugueses está dividido em seis grandes capítulos e as suas disposições abrangem a relação do médico com o doente, com a comunidade, com os outros médicos e com terceiros.</p>
<p>Para além do que já ficou aqui dito a este propósito pela Fernanda Câncio, discutir a eutanásia por oposição aos cuidados paliativos <strong>é</strong> <strong>perverso</strong>, sobretudo quando se trata do bastonário da OM (Pedro Nunes não estava a falar em nome pessoal) e se deixam nas entrelinhas algumas insinuações pouco razoáveis, nomeadamente a ignorância dos clínicos face aos cuidados paliativos ou o primado das razões económicas na defesa da eutanásia. </p>
<p>Reduzir os cuidados paliativos à analgesia <strong>é errado e grave</strong>. Caso interesse, cf. <em><a href="http://www.who.int/cancer/palliative/definition/en/" rel="nofollow">WHO Definition of Palliative Care</a>: </p>
<p>Palliative care is an approach that improves the quality of life of patients and their families facing the problem associated with life-threatening illness, through the prevention and relief of suffering by means of early identification and impeccable assessment and treatment of pain and other problems, physical, psychosocial and spiritual. Palliative care:<br />
- provides relief from pain and other distressing symptoms;<br />
- affirms life and regards dying as a normal process;<br />
- intends neither to hasten or postpone death<br />
- integrates the psychological and spiritual aspects of patient care;<br />
- offers a support system to help patients live as actively as possible until death;<br />
- offers a support system to help the family cope during the patients illness and in their own bereavement;<br />
- uses a team approach to address the needs of patients and their families, including bereavement counselling, if indicated;<br />
- will enhance quality of life, and may also positively influence the course of illness;<br />
- is applicable early in the course of illness, in conjunction with other therapies that are intended to prolong life, such as chemotherapy or radiation therapy, and includes those investigations needed to better understand and manage distressing clinical complications.</em></p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: maloud</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33281</link>
		<dc:creator>maloud</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Mar 2008 23:57:23 +0000</pubDate>
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		<description>O caso de Chantal Sébire lamentavelmente quase passou despercebido.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>O caso de Chantal Sébire lamentavelmente quase passou despercebido.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Fernanda Câncio</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33279</link>
		<dc:creator>Fernanda Câncio</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Mar 2008 23:48:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/#comment-33279</guid>
		<description>caro timshel, a maior parte dos casos mais conhecidos de luta pela eutanásia -- como o de ramon sampedro -- não tinham qualquer relação com cuidados paliativos. aliás, essa relação, sistematicamente trazida à colação na discussão da eutanásia, é inexistente por um motivo simples: legalizar a possibilidade de eutanásia não é contraditório com pugnar pela existência de bons cuidados paliativos. pode-se lutar pelas duas coisas ao mesmo tempo porque ambas visam uma coisa muito simples: respeito. é respeito assegurar que um paciente tem acesso a todas as possibilidades de sentir menos dor. é respeito assegurar que um paciente pode, se quiser, optar pela morte assistida.
lamento que alinhe nesta confusão deliberada, que visa fazer crer que as pessoas só podem querer morrer por terem dores evitáveis e que se essas dores evitáveis forem evitadas jamais optarão pela eutanásia. a ideia de amor pelo próximo, que o timshel tanto (e, do meu ponto de vista, por vezes tão bem) defende não deve incluir a hipótese de deixar o próximo fazer com ele aquilo que bem entende, mesmo que o timshel não aprove?
aliás, de um ponto de vista estritamente legal, sempre me pareceu contraditório que o nosso sistema jurídico não penalize o suicídio mas penalize a assistência ao suicídio. se for possível provar que alguém quer matar-se mas precisa de auxílio para o fazer -- porque, por exemplo, está paralisado --, como é que um sistema que não pune o suicídio pode punir quem o possibilita?
por outro lado, creio que nos hospitais portugueses há muito se pratica eutanásia de forma subreptícia, por exemplo aumentando a dose de morfina de um paciente oncológico sem esperança de mais que uns meses de dor e angústia. e que decerto o dr pedro nunes sabe isso muito bem. a questão será, portanto, não tanto impedir &#039;a boa morte&#039; mas tentar obstar a que sejam os pacientes a decidir -- e não os médicos.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>caro timshel, a maior parte dos casos mais conhecidos de luta pela eutanásia &#8212; como o de ramon sampedro &#8212; não tinham qualquer relação com cuidados paliativos. aliás, essa relação, sistematicamente trazida à colação na discussão da eutanásia, é inexistente por um motivo simples: legalizar a possibilidade de eutanásia não é contraditório com pugnar pela existência de bons cuidados paliativos. pode-se lutar pelas duas coisas ao mesmo tempo porque ambas visam uma coisa muito simples: respeito. é respeito assegurar que um paciente tem acesso a todas as possibilidades de sentir menos dor. é respeito assegurar que um paciente pode, se quiser, optar pela morte assistida.<br />
lamento que alinhe nesta confusão deliberada, que visa fazer crer que as pessoas só podem querer morrer por terem dores evitáveis e que se essas dores evitáveis forem evitadas jamais optarão pela eutanásia. a ideia de amor pelo próximo, que o timshel tanto (e, do meu ponto de vista, por vezes tão bem) defende não deve incluir a hipótese de deixar o próximo fazer com ele aquilo que bem entende, mesmo que o timshel não aprove?<br />
aliás, de um ponto de vista estritamente legal, sempre me pareceu contraditório que o nosso sistema jurídico não penalize o suicídio mas penalize a assistência ao suicídio. se for possível provar que alguém quer matar-se mas precisa de auxílio para o fazer &#8212; porque, por exemplo, está paralisado &#8211;, como é que um sistema que não pune o suicídio pode punir quem o possibilita?<br />
por outro lado, creio que nos hospitais portugueses há muito se pratica eutanásia de forma subreptícia, por exemplo aumentando a dose de morfina de um paciente oncológico sem esperança de mais que uns meses de dor e angústia. e que decerto o dr pedro nunes sabe isso muito bem. a questão será, portanto, não tanto impedir &#8216;a boa morte&#8217; mas tentar obstar a que sejam os pacientes a decidir &#8212; e não os médicos.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Carlos Fonseca</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33271</link>
		<dc:creator>Carlos Fonseca</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Mar 2008 21:44:37 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/#comment-33271</guid>
		<description>Enquanto bastonários e respectivas ordens se arrogarem do direito à desobediência, sem punição, do regulado por leis superiores, continuaremos a ter Pedros Nunes e demais gente nefanda.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto bastonários e respectivas ordens se arrogarem do direito à desobediência, sem punição, do regulado por leis superiores, continuaremos a ter Pedros Nunes e demais gente nefanda.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: timshel</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33266</link>
		<dc:creator>timshel</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Mar 2008 20:40:00 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/#comment-33266</guid>
		<description>&quot;Para o bastonário, &quot;estes códigos [deontológicos] existem para proteger o doente e não privilegiar o médico&quot;.   
   
Pedro Nunes vai mais longe ao considerar que a prática da eutanásia poderá &quot;defender outros interesses, outros quereres e outras vontades&quot;,  o que &quot;é perigoso&quot;.   
  
Isto porque, na óptica deste médico, &quot;hoje em dia a eutanásia é, em muitos casos, inútil&quot;.   
  
&quot;Se forem disponibilizados aos doentes todos os apoios em termos de cuidados paliativos&quot;, nomeadamente através de medicação acompanhada do devido apoio técnico, &quot;a dor deixa de existir&quot;.   

Obrigação do médico é dar apoio e evitar sofrimento 
  
Pedro Nunes reconhece no entanto que a dor, apesar de poder ser evitada, ainda é uma realidade em muitos serviços de saúde portugueses.   
  
&quot;É evidente que criar um sistema de cuidados paliativos que garanta o fim da vida sem dor, com toda a dignidade, a toda a gente, sai muito caro&quot;, disse, concluindo que esta poderá ser uma razão para ser &quot;mais fácil a um país alegar o direito à eutanásia&quot;.&quot;

Eu repito e sublinho para quem não tenha lido bem:

&quot;criar um sistema de cuidados paliativos que garanta o fim da vida sem dor, com toda a dignidade, a toda a gente, sai muito caro&quot;

quer dizer, isso é possível

a eutanásia é a solução do neoliberalismo, é a solução do economicismo, é a solução de quem acha que o mais importante no sistema económico e social não é garantir condições de dignidade para toda a gente mas que alguns poucos enriqueçam muito à custa de muitos que fiquem sem dignidade

e o que é mais dramático é ver alguma &quot;esquerda&quot; a funcionar como idiotas úteis a fazerem fretes ao grande capital legitimando os interesses mais gananciosos com umas teorias pseudo-vanguardistas</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Para o bastonário, &#8220;estes códigos [deontológicos] existem para proteger o doente e não privilegiar o médico&#8221;.   </p>
<p>Pedro Nunes vai mais longe ao considerar que a prática da eutanásia poderá &#8220;defender outros interesses, outros quereres e outras vontades&#8221;,  o que &#8220;é perigoso&#8221;.   </p>
<p>Isto porque, na óptica deste médico, &#8220;hoje em dia a eutanásia é, em muitos casos, inútil&#8221;.   </p>
<p>&#8220;Se forem disponibilizados aos doentes todos os apoios em termos de cuidados paliativos&#8221;, nomeadamente através de medicação acompanhada do devido apoio técnico, &#8220;a dor deixa de existir&#8221;.   </p>
<p>Obrigação do médico é dar apoio e evitar sofrimento </p>
<p>Pedro Nunes reconhece no entanto que a dor, apesar de poder ser evitada, ainda é uma realidade em muitos serviços de saúde portugueses.   </p>
<p>&#8220;É evidente que criar um sistema de cuidados paliativos que garanta o fim da vida sem dor, com toda a dignidade, a toda a gente, sai muito caro&#8221;, disse, concluindo que esta poderá ser uma razão para ser &#8220;mais fácil a um país alegar o direito à eutanásia&#8221;.&#8221;</p>
<p>Eu repito e sublinho para quem não tenha lido bem:</p>
<p>&#8220;criar um sistema de cuidados paliativos que garanta o fim da vida sem dor, com toda a dignidade, a toda a gente, sai muito caro&#8221;</p>
<p>quer dizer, isso é possível</p>
<p>a eutanásia é a solução do neoliberalismo, é a solução do economicismo, é a solução de quem acha que o mais importante no sistema económico e social não é garantir condições de dignidade para toda a gente mas que alguns poucos enriqueçam muito à custa de muitos que fiquem sem dignidade</p>
<p>e o que é mais dramático é ver alguma &#8220;esquerda&#8221; a funcionar como idiotas úteis a fazerem fretes ao grande capital legitimando os interesses mais gananciosos com umas teorias pseudo-vanguardistas</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: João José Fernandes Simões</title>
		<link>http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/comment-page-1/#comment-33264</link>
		<dc:creator>João José Fernandes Simões</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Mar 2008 20:33:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/2008/03/23/ha-coisas-fantasticas/#comment-33264</guid>
		<description>Então, não havia necessidade de haver &quot;referendo&quot;...:::)))</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Então, não havia necessidade de haver &#8220;referendo&#8221;&#8230;:::)))</p>
]]></content:encoded>
	</item>
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