Grandes comerciantes e pequenos vigaristas

ASAE encerra cinco hipermercados na tarde de sexta-feira santa. Parabéns, ASAE – continuem a fazer os pequenos vigaristas cumprirem a lei.

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6 respostas a Grandes comerciantes e pequenos vigaristas

  1. topiscis diz:

    goste-se ou não a asae existe e logo pensa. pensa e age bem.é hoje o abono de família do governo, penso eu. na asae não há corrupção. não há chamadas avisadoras para os avençados que vão ser inspeccionados, penso eu.fechar hipermercados na santa sexta feira é de arromba. não lembra ao diabo.ah! dura lex sed lex. pois seja. agora a espinha na garganta dos que têm apenas e só garganta. consolem-se.pois havia a ideia que a asae só incomodava os primos do quaresma. mas não. os hipers não são certamente dos ciganitos.
    estes lidam com produtos ainda não licenciados.a retrete, o wc, a casinha ou ou , em pedras da beira, sítio em nenhures, cheira bem , cheira a lavado. lá nesse sítio a faca que limpava as unhas do taberneiro já não corta as bifanas. a asae talvez nunca vá a pedras da serra. importa é o comerciante interiorizar que podem lá ir. assim ajeita as coisas. o resto faz o resto. digo parabéns asae. os carapaus que hoje comi não cheiram a frango. nem o cabrito de hoje foi ontem chibo.
    os pp que tratem dos seus chouriços.
    outros são adoradores do major silva pais.
    cá, os da parvónia, preferem a asae. pronto.

  2. r.m. diz:

    Como não passo por este blogue faz muito tempo, vou tentar dizer qualquer coisa diferente.
    Há várias décadas, para aí umas três, que a esquerda anda a navegar à vista. Sem conseguir referenciar o Norte, vai transformando fait-divers em questões ideológicas de fundo. Agora até sente necessidade de defender a cultura asae.
    Lamento desapontar, mas a cultura asae é um efeito do modelo neoliberal. E, como a generalidade das consequências desse modelo, não presta.
    O chamado Estado social e democrático de direito caracterizou-se, antes de mais, pela alteração, é certo que não absoluta, mas ainda assim significativa, do modo de produção capitalista. Com efeito, os Estados nacionalizaram grande parte dos meios de produção, nalguns casos mais de 50%. Paralelamente, então já dotados de meios para tal, ou seja, os lucros das suas empresas, e não apenas alguns impostos, ampliaram à exaustão os serviços públicos. E essas realidades determinaram modificações de enorme relevo.
    O sistema político deixou de ser meramente residual, como era no modelo liberal. Ao menos potencialmente, tudo passou a ser político. Todas as questões sociais passaram a ser do interesse de todos. O espaço da cidadania foi largamente ampliado. A participação democrática, nas empresas, nas escolas, nos hospitais, etc., inclusive, por tabela, nas entidades privadas, atingiu elevada dimensão.
    Nesse quadro, a postura do Estado deixou de ser eminentemente policial, como era no modelo liberal. Passou a ser uma postura fundamentalmente dialogante, pedagógica, visando compromissos progressivos. E, claro está, muitos dos padrões de comportamento fomentados pelo Estado na actividade económica eram-no principalmente por via das fortíssimas empresas públicas, justamente instrumentos do sistema político, sujeitos ao controlo da opinião pública e com um importante grau de democraticidade interna, as quais, por tudo isso, agiam em grande medida segundo critérios de interesse colectivo.
    Porém, o “moderno” Estado neoliberal retirou-se novamente do sistema económico. Já se desfez de quase todas as empresas públicas. Está prestes a desmantelar a generalidade os serviços públicos. A actividade económica está quase em absoluto na livre disponibilidade da “iniciativa privada”. Esta tudo gere de acordo com os seus interesses egoístas. O sistema político tornou, pois, a ser residual. O campo da cidadania voltou a ser insignificante.
    Nesse contexto, o Estado neoliberal vem intensificando a sua função policial, isto é, a única que lhe sobra. Mas, obviamente, não o faz em termos pedagógicos e preventivos. É que, além do mais, isso custa dinheiro, e agora já não há empresas públicas lucrativas, só impostos, e escassos, porque as respectivas taxas nem sequer foram alteradas proporcionalmente à alteração da repartição da riqueza, que é cada vez mais desequilibrada. Assim, o Estado neoliberal multiplica a tipificação de crimes de perigo abstracto, ou seja, os que punem comportamentos que só abstractamente são susceptíveis de causar danos. Amplia as contra-ordenações e sanciona-as com pesadíssimas coimas. Cria novos mecanismos de controlo dos cidadãos e de investigação. Alarga os poderes das entidades investigadoras.
    Ora, é justamente nesse enquadramento ideológico que surge e se intensifica a cultura asae.

  3. “A cultura asae é um efeito do modelo neoliberal”, vejam bem! Uma instituição que não olha a nomes e nem a poderes e interesses instalados, que trata toda a gente por igual, que é verdadeiramente de esquerda (na minha concepção de esquerda) é “um efeito do modelo neoliberal”! Continuem a sonhar!

  4. r.m. diz:

    Tudo o que o FM diz a este propósito tem pouca substância.
    A “cultura asae” é o espelho de um Estado que desistiu das demais funções que antes havia chamado a si e, por isso, tem de intensificar a sua função policial. Enquadra-se no mesmo contexto da intensificação da videovigilância, das escutas, do controlo sobre a correspondência electrónica, etc., etc., etc.
    Infelizmente, os FMs. ainda precisam de mais uns anos para tomarem consciência disto.
    Já agora: noutros tempos, ser verdadeiramente de esquerda, era defender que não se devia tratar “toda a gente por igual”

  5. Tárique diz:

    caçar crocodilos da lacoste falsos é “de esquerda” ?

  6. Boa pergunta, pá. De direita é que não é.
    Usar camisas Lacoste, verdadeiras ou falsas, é de esquerda?

    (Eu só compro roupa no LiDL, agora que o Carrefour infelizmente acabou. Ainda vou ao Continente às vezes.)

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