Mais despudor

No quinto aniversário da invasão do Iraque, seria bonito vermos algum bom-senso por parte dos seus defensores originais. Assim tipo estarem calados ou coisa que o valha. Mas a hubris não lhes dá trégua. Alguns limitam-se ao finca-pé das almas simples, garantindo, contra factos e evidências, que tinham razão: «à data, tudo apontava para a sua racionalidade (da invasão)». Os mais atrevidos preferem os grandes voos da imaginação — que antes já lhes dera a ver ameaças indescritíveis a emanar de Bagdade — tentando assustar o parolo com um futuro hipotético: «o que é que teria acontecido caso uma coligação internacional liderada pelos EUA não tivesse invadido o Iraque em Março de 2003?» Mas a esta questão absurda eu sei responder: não teríamos hoje que aturar tanta parvoíce.

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4 respostas a Mais despudor

  1. M. Abrantes diz:

    A estratégia é repetir as mentiras até que pareçam verdade. O frustrante é que essa estratégia, por risível que pareça, acaba sempre por render.

  2. topisciis diz:

    morreram quatro mil dos states…
    desses 2/3 eram negros ou hispânicos, pensamos.

    um milhão de filhos de alá
    foram até à outra margem piscar o olho às virgens.

    missão cumprida.dirá o nero texano curvado às
    ordens dos senhores da guerra.
    pentágono versus industria de material bélico.

    desmembraram-se cadáveres feitos meninos.mas,
    entraram na economia do tio sam muitos e muitos dólares.e
    barris de crude e barris de crude dos infieies.

    a parvónia de cá
    deu ainda hospedagem e o
    hospedeiro mor serviu à mesa e fez a cama
    de lavado.

    dormem todos bem, pensamos, de
    consciência tranquila e
    sem xanax, talvez

    e lá, não muito longe de was…. londres ou bruxelas
    de ambos os lados
    vão caindo como tordos ……

  3. Model 500 diz:

    Muito bem. O sr. Tunhas é uma vergonha para os filósofos.

  4. Sergio diz:

    O mais incrível neste movimento de quadrado que une os intelectuais da guerra e da mentira é o seu imenso topete, agora como há cinco anos, que em livros, comunicações e colunas de opinião fulminavam a corja relativista e pacifista que se recusava a travar o novo Hitler das Arábias, o amigo secreto de Bin Laden, e esse perigo gravoso para o ocidente que, por duas vezes é desbaratdo em menos de um mês. Eram ridículas as suas justificações, como se tornam pueris as suas observações sobre o que «toda a gente sabia» (decerto que só a séria e decente, os severos cavalheiros que brindam a Churchill, no fundo, os únicos que contam).
    Ouvi há algum tempo, a alguém, a lamúria hipócrita: «Mas será necessário chamar idiotas aos que acreditavam estar o Iraque dotado de tais armas»? Idiotas nunca foram, mas foram cínicos, mentirosos e, seguramente, de má fé. Para além de uma frequente indigência argumentativa. É que mesmo as melhores mentes cedem quando se procura justificar a infâmia.

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