A Precariedade Congela-nos a Vida

uma iniciativa www.maydaylisboa.net

Sábado durante a tarde houve mais uma acção de antecipação do MayDay!! Lisboa, os precários saíram à rua e congelaram… foi às 15:30 frente ao Centro Comercial do Chiado, às 16 frente à Brasileira e às 16:30 frente ao MacDonald’s do Rossio. Foram acções rápidas que congelaram os precários e as pessoas que passavam na rua que perguntavam o que se passava, algumas identificaram-se.

Fizemos isto porque a precariedade congela a vida de muitas pessoas, todos aqueles que não sabem se terão rendimento amanhã, na próxima semana ou daqui a seis meses, aqueles que são forçados a imigrar clandestinamente, trabalhar clandestinamente e viver clandestinamente, aqueles que são forçados a endividar-se perante a banca, aqueles que têm de esconder a sua orientação sexual. precariedade congela a vida dos que querem ter uma vida minimamente digna e não podem.

Fizemos isto porque a vida é poder, força, energia, reflexão, amor, ódio, imaginação e acção. E isto nunca poderá ser congelado.

(texto daqui)

Esta questão do trabalho precário e em especial do trabalho artificialmente precário é uma coisa que deveria ser mais eficazmente perseguida pelo Estado. No entanto assiste-se por vezes até ao próprio estado a usar esse sórdido expediente! 🙁

Para não haver dúvida, falo em especial das pessoas que são contratados eternamente por uma só entidade, para desenvolverem um trabalho normal e sinceramente não é por ser disfarçadamente uma prestação de serviços que a pessoa não deveria ter um contrato normal.

Esta ideia dos contratos a prazo / recibos verdes que são artificialmente parados e retomados para o empregador não ser forçado a contratar em regime efectivo é uma enorme aldrabice e na minha opinião não são só os trabalhadores que são prejudicados mas obviamente todos nós pois na realidade a entidade que usa esse “truque” está a fugir ao pagamento de direitos sociais daquele trabalhador!

Relmente é incomprensível como o Estado não só NÃO persegue eficazmente esta situação como ele próprio a segue em alguns trabalhos.

tenho dito.

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8 respostas a A Precariedade Congela-nos a Vida

  1. João José Fernandes Simões diz:

    «No entanto assiste-se por vezes até ao próprio estado a usar esse sórdido expediente!»

    Esta sua conclusão peca por defeito…
    Porque o Estado, particularmente o sector empresarial público usa e abusa do trabalho precário.
    Em bom rigor, em alguns casos, nem de trabalho precário se trata, simplesmente contratam jovens licenciados para estágios, que tratam como produto descartável.

    Conheço bons exemplos de jovens, um deles o de um dos meus filhos, que são excelentes profissionais em empresas privadas e que passaram por empresas e institutos públicos que, no fim dos estágios, eram (são…) substituídos por outros e estes por outros… e estes por outros, sendo seleccionados no âmbito de protocolos com institutos superiores politécnicos, escolas onde melhor se ensina no ensino superior.

    E o mais escandaloso é que nem sequer descontavam (descontam…) para a segurança social nem o tempo era (é…) contado como serviço para efeitos de futura reforma.
    Pior, algumas cláusulas dos contratos eram (são…) abusivas, dando apenas um exemplo (absurdo) em que o contratado era (é…) obrigado a devolver os valores já recebidos se sair antes do período do contrato, o que simplesmente significa que, dando um caso prático, se um jovem tem um contrato de seis meses e ao fim de quatro consegue um emprego tinha (tem…) que devolver os valores entretanto recebidos.

    E, no meio desta treta, havia o director do estágio, o orientador do estágio e mais não sei quantos, sendo que o que sobrava (sobra…) para o “produto descartável” era (é…) pouco mais que o valor de um miserável salário mínimo.
    Já para não falar que estes jovens são, em muitos casos, desaproveitados no seu potencial de trabalho, já que os põem a desempenhar tarefas administrativas elementares.

    Sendo assim, como podemos culpar as empresas privadas de fazer o mesmo, que, garanto, também o fazem, e de que maneira.

  2. The Studio diz:

    O trabalho precário é consequência da rigidez laboral. Estranho é que quem mais protesta contra a precaridade são precisamente aqueles que mais defendem a rigidez laboral.

    “Fizemos isto porque (…) aqueles que são forçados a imigrar clandestinamente, trabalhar clandestinamente e viver clandestinamente, aqueles que são forçados a endividar-se perante a banca”

    Que mais completa cretinice… são obrigados a imigrar e a culpa é do governo? São forçados e endividar-se? Está a falar de quê, dos clubes de futebol? Ou quem é que é obrigado a endividar-se?

  3. A.Silva diz:

    Quando o meu filho concluido o 12º ano procurou trabalho,verifiquei realmente o que se passa e a quantidade de vigaristas que se tentam aproveitar das dificuldades dos jovens para arranjar emprego.Foram propostas de trabalho a recibo verde,foram propostas de trabalho só á comissão pagando ele do seu bolso as refeições e despesas com viatura própria,foram propostas de trabalho para aquele serviço do tiro aos patos em que se telefona ás pessoas para irem buscar um prémio e depois quando lá chegam tentam vender outra coisa,com remuneração nos 3 primeiros meses e depois passagem só a ganhar comissões.Felizmente que o meu filho tem a ajuda dos pais e não aceitou estas propostas.Contudo foi trabalhar para uma empresa em que os 3 primeiros meses assinou contrato renovável mes a mes com uma empresa de trabalho temporário.Ao fim desse tempo assinou contrato com a própria empresa já lá vão 18 meses e ainda está a contrato.Apesar de tudo esta foi a proposta menos má de todas as que recebeu.A minha grande inquietação é com os jovens que os pais não podem ajudar,ou aqueles que precisam de ajudar os pais.Não estou a culpar o governo pela situação porque existe legislação que pune estas vigarices,contudo para fazermos valer os nossos direitos encontramos um sistema de justiça muito lento.Aliás penso que as dificuldades da justiça prejudicam muito a qualidade da democracia.

  4. Junu diz:

    Pois é! É o caso dos professores contratados que andam nisto há dez anos, ou mais, e desenvolvem o mesmo trabalho que os professores efectivos e com a mesma responsabilidade. São absolutamente essenciais à escola pública se não o fossem, não seriam uns milhares nesta situação. Mas a solução fica barata, sem grandes responsabilidades por parte do Estado e as escolas lá se vão mantendo à custa de trabalho quase “escravo”. Um contratado com horário incompleto recebe, em média, 700 euros líquidos. E, no entanto, continua a pedir-se o possível e impossível. Muito bons professores tem este país!

  5. João José Fernandes Simões diz:

    «… O trabalho precário é consequência da rigidez laboral…»

    Há vinte anos atrás a “rigidez laboral” eram maior e não se verificava o que se passa hoje com a precariedade.
    Eu até concordo com a “flexisegurança”, mas não é disso que o post fala.
    O que o post fala é de vigarces e de falta de vergonha de alguns empregadores, onde alguns sectores do estado se incluem.

  6. João José Fernandes Simões diz:

    «Que mais completa cretinice… são obrigados a imigrar e a culpa é do governo? São forçados e endividar-se? Está a falar de quê, dos clubes de futebol? Ou quem é que é obrigado a endividar-se?»

    Nem de propósito, acabei da falar com uma amigo que tem um filho que acabou o doutoramento numa universidade brasileira e que antes era assistente na Faculdade de Economia de Coimbra.
    E, tendo sido convidado pela universidade onde se acaba de doutorar, aceitou o convite ficando a ganhar o triplo que ganharia em Portugal.
    Pelo contrário, o que vimos com os brasileiros em Portugal é trabalho precário, salários mínimos e “putas brasileiras” como estupidamente um comentador habitual deste blog há uns tempos adjectivou as mulheres brasileiras que imigram para Portugal.
    Pergunto, então, de quem é «… mais completa cretinice…», se do autor do post ou do “cretino” do comentador que acha que a culpa é da «… rigidez laboral…»!?

  7. The Studio diz:

    Caro Simões

    Quando não se compreende o conteúdo de um texto… chama-se cretino ao autor. Antes de mais deixe-me que lhe diga que é falso que os professores universitários no Brasil ganhem mais que em Portugal. Pelo contrário, ganham significativamente menos. Se lhe contaram isso, e o senhor acreditou, é lá consigo.

    O que eu afirmei ser uma cretinice foi responsabilizar o nosso governo pela imigração ilegal. Muito provavelmente o senhor confundiu imigrantes com emigrantes. Há hoje muitos Portugueses a emigrar para Espanha e para o Reino Unido. E emigram porque não conseguem encontrar emprego em Portugal. Esses sim, podem-se queixar do governo. Os imigrantes que são “obrigados” a imigrar é por responsabilidade dos respectivos governos. Outra cretinice é misturar a causa dos homossexuais com a dos precários. Só faltou mesmo falar do aquecimento global.

    Se o senhor não compreende em que medida a rigidez laboral contibui para a precaridade do emprego eu posso explicar-lhe, mas penso que qualquer pessoa minimanente inteligente o consegue perceber.

  8. João José Fernandes Simões diz:

    Caro Studio,

    O que eu tenho a ver com «Outra cretinice é misturar a causa dos homossexuais com a dos precários«»…!?

    Se reparar, quem começou por usar a expressão de “cretinice” foi você, mas isso também é irrelevante, é mais cretino menos cretino, e ninguém está aqui para se sentir ofendido nem para ofender.

    E, por acaso, não reparou que escrevi que «Eu até concordo com a “flexisegurança”».
    Mas também comentei que «não é disso que o post fala», porque «O que o post fala é de vigarices e de falta de vergonha de alguns empregadores…», dando até um exemplo num comentário anterior.

    E quanto ao filho do meu amigo, agradeço o seu esclarecimento. Se calhar, fui eu que percebi mal, e terá sido convidado mas não pela universidade.

    Quanto a emigrantes e imigrantes, já percebi que o meu caro parece ter jeito para explicador, mas até um cretino percebe a diferença, incluindo o cretino que está perder tempo consigo.

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