Liberal Marxismo
10 Março 2008 | por João GalambaO João Miranda acusa-me de tentar discutir um tema cuja essencia não compreendo. E não compreendo porque não percebo que são os portugueses que sustentam o Estado. Não é o Estado que sustenta os portugueses. É fácil de ver quem precisa de quem. O João Miranda acaba assim por revelar —não que precisassemos deste post para o confirmar—que é um daqueles liberais que o meu post inicial visava. Um dos problemas do João Miranda é que a “mecânica” formatou a sua forma de ver o mundo. A sua lógica das bolas de bilhar leva-o a esquecer-se que a história do Estado português faz parte da história dos portugueses. Não existe uma coisa chamada “os indivíduos portugueses”—a tal essência que ele parece pressupor— independente da história que levou ao aparecimento do Estado que ele tanto abomina. A lógica devia levar o João Miranda a abominar os portugueses. Mas não . Os portugueses dele são uma esperança mitificada, uma essência reprimida que prometem a alvorada da humanidade. São uma espécie da vanguarda do proletariado, mas uma vanguarda atomizada —uma “classe” universal mas adaptada ao seu liberalismo salvífico. Eu posso não compreender muita coisa, mas o João Miranda ainda não comprendeu que o seu liberalismo é uma espécie de marxismo primário e pueril.

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