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Liberal Marxismo

10 Março 2008 | por João Galamba

O João Miranda acusa-me de tentar discutir um tema cuja essencia não compreendo. E não compreendo porque não percebo que são os portugueses que sustentam o Estado. Não é o Estado que sustenta os portugueses. É fácil de ver quem precisa de quem. O João Miranda acaba assim por revelar —não que precisassemos deste post para o confirmar—que é um daqueles liberais que o meu post inicial visava. Um dos problemas do João Miranda é que a “mecânica” formatou a sua forma de ver o mundo. A sua lógica das bolas de bilhar leva-o a esquecer-se que a história do Estado português faz parte da história dos portugueses. Não existe uma coisa chamada “os indivíduos portugueses”—a tal essência que ele parece pressupor— independente da história que levou ao aparecimento do Estado que ele tanto abomina. A lógica devia levar o João Miranda a abominar os portugueses. Mas não . Os portugueses dele são uma esperança mitificada, uma essência reprimida que prometem a alvorada da humanidade. São uma espécie da vanguarda do proletariado, mas uma vanguarda  atomizada —uma “classe” universal mas adaptada ao seu liberalismo salvífico. Eu posso não compreender muita coisa, mas o João Miranda ainda não comprendeu que o seu liberalismo é uma espécie de marxismo primário e pueril.

Comentários

Comentário de Igor Caldeira
Data: 10 Março 2008, 15:23

Se o João Galamba me permitir, gostaria de dar uma alternativa à sua última frase. É que a ideia que eu tenho é que o “liberalismo” de pessoas como João Miranda não passam de uma Doença Infantil do Conservadorismo.

Aliás, do outro lado da barricada até encontrei quem concordasse comigo:
“Pergunta - Lembro você ter escrito que, ao dialogar com alguns liberais, ao final da conversa constata que o sujeito é conservador com ideias liberais. Qual o problema essencial do liberalismo?
Olavo de Carvalho - Isso nasce de um vício de linguagem. Como a mídia brasileira chama de “conservadores” os grupos de interesses sem nenhuma ideologia própria, o que é totalmente errado, a direita corrigiu um erro com outro erro, dizendo-se “liberal” em vez de conservadora. ”
http://blog.liberal-social.org/isto-faz-me-lembrar-alguma-coisa#comment-9417

Comentário de Model 500
Data: 10 Março 2008, 17:07

Está visto que os nossos neoliberais de história pouco percebem. Se JM soubesse, facilmente perceberia que aquilo que se designa por Estado é o resultado de vários séculos de equilíbrios, resultado de um lento processo de gestão de conflitos que permitiram Portugal. Mas se calhar estou a ser injusto. JM conhece bem a história, só que acha que chegou a altura de ensaiar o Homem novo.

Comentário de Luís Marvão
Data: 10 Março 2008, 17:49

Concordo.
O liberalismo do João Miranda é o negativo do marxismo. E os tais indivíduos atomizados são o motor da História.

Comentário de al
Data: 10 Março 2008, 18:57

Sem entrar na discussão sobre o essencialismo ou apenas do que é o quê, isto que somos - e o estado aqui entra em grandes doses seja no que for- é muito mau e era altura de mudar de receita. Estamos na cauda da Europa. Mais estado? Só se se restaurar a Inquisição.

Comentário de Carlos E.P. Sacramento
Data: 13 Março 2008, 13:55

0% de argumentação. Só ad hominems ao João Miranda.

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