Novas vítimas do LSD

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Augusto Santos Silva acusa professores manifestantes de não distinguirem “entre Salazar e os democratas”

08.03.2008 – 11h12 Lusa

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva acusou, ontem à noite, em Chaves, à entrada para uma reunião sobre os três anos de Governo, os manifestantes de estarem a levar a cabo uma intimidação anti-democrática e atribuiu o combate pela liberdade apenas a “históricos” do PS. O ministro acusou ainda os manifestantes de “nem sequer saberem distinguir entre Salazar e os democratas” e de nem terem “lutado contra o fascismo”.

O nível de conhecimento histórico do ministro é pífio. Para acabar com discussão, pode-se dizer que lutar contra a ditadura é muito diferente do que lutar contra os sindicatos. Devemos muito mais a nossa liberdade a gente corajosa como Cunhal que ao ferrabrás do governo. Confesso que andei enganado. Li há muitos anos um livrinho de Augusto Santos Silva (“Entre a Razão e o Sentido”) e achei estar perante uma pessoa inteligente. O papel de cão de guarda do governo parece ter-lhe queimado os neurónios. A violência verbal não esconde a falta de diálogo.

Por que raio de carga de água os portugueses convenceram-se das imensas virtudes dos governantes que não ouvem, não dialogam, não pensam, mas afirmam-se decididos?
Qual a vantagem de um político que independentemente do que lhe digam, nunca muda a sua opinião? Alguns portugueses, nem todos taxistas, são conhecidos pela sua admiração por pais tiranos e Salazares de pacotilha. No fundo, só respeitam aquele senhor que trata os governados como um filho pouco esperto a quem se diz: “meu filho, quer queiras ou não, hás-de ser bombeiro voluntário!”. Para o tirano, o povo é estimável mas não sabe o que pensa…e para pensar está o senhor Presidente do Conselho.
Numa sociedade complexa e moderna a acção política, para resultar, deve mobilizar vontades. Só com apoio activo de muita gente é possível transformar o país, no sentido de o tornar mais produtivo e mais justo. Quando se pedem sacrifícios eles devem ser explicados, têm de ser distribuídos por todos, não recaindo sempre sobre os mesmos. E, sobretudo, aqueles que trabalham devem ter a certeza que quando passar o tempo das vacas magras, os ganhos não vão apenas parar aos bolsos dos do costume.
Os muitos milhares de professores que se manifestam significam a derrota da política da surdez. Toda a gente sabe que a educação em Portugal precisa de uma reforma, mas toda a gente percebeu que não há mudança possível sem convencer e mobilizar os professores. A ideia de que as reformas se fazem contra quem trabalha é uma ideia sem futuro. A persistência na surdez só vai fazer perder tempo e recursos necessários para uma política de governo que faça mudanças a sério.
E se é verdade, como dizem os apoiantes do governo, que as reformas fazem-se sempre contra interesses instalados, é bom esclarecer que o governo escolheu os seus ao recuar sempre que a CIP faz um estudo e ao insistir em bater-se, apenas, contra os famosos privilégios de gente poderosa rica e instalada como os reformados, funcionários públicos e professores.

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