Lógicas
7 Março 2008 | por João Galamba“O Daniel acompanha o conflito mas tem dois pesos e duas medidas na análise que faz aos acontecimentos. Quem lê os seus posts fica a saber quantos civís e crianças são mortos por Israel na Palestina, mas nunca disse que os Palestinianos atacam civis israelitas de forma indiferenciada, que os rockets lançados da faixa de gaza são apontados a zonas residenciais.” (Carlos G. Pinto, numa caixa de comentários do Insurgente)
No conflito israelo-palestino prevalece uma lógica perversa em que não faz sentido diabolizar qualquer dos lados: ser incondicionalmente por Israel, ou pelos palestinianos, requer cegueira ou insensibilidade. Por isso, dizer que tudo o que israel faz é uma auto-defesa, esquece ou desumaniza os palestinianos. Por outro lado, a leitura supostamente distorcida e pró-palestiniana do Daniel Oliveira tem uma vantagem sobre o campo oposto: ele acha que o ciclo vicioso por ser quebrado, evitando a lógica repressiva (e retributiva), e sem com isso pôr em causa a existência do Estado de Israel. O Daniel não toma partido por um dos lados mas sim pela solução do problema. Pode estar enganado, mas não pode ser acusado de alimentar a lógica que, tragicamente, continua a determinar o curso dos acontecimentos. O mesmo não se pode dizer daqueles que tratam os Palestinianos como crianças que só aprendem à paulada. Esses, infeliz e irresponsavelmente, pertencem à logica que o Daniel quer evitar.

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