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Lógicas

7 Março 2008 | por João Galamba
“O Daniel acompanha o conflito mas tem dois pesos e duas medidas na análise que faz aos acontecimentos. Quem lê os seus posts fica a saber quantos civís e crianças são mortos por Israel na Palestina, mas nunca disse que os Palestinianos atacam civis israelitas de forma indiferenciada, que os rockets lançados da faixa de gaza são apontados a zonas residenciais.” (Carlos G. Pinto, numa caixa de comentários do Insurgente)

No conflito israelo-palestino prevalece uma lógica perversa em que não faz sentido diabolizar qualquer dos lados: ser incondicionalmente por Israel, ou pelos palestinianos, requer cegueira ou insensibilidade. Por isso, dizer que tudo o que israel faz é uma auto-defesa, esquece ou desumaniza os palestinianos. Por outro lado, a leitura supostamente distorcida e pró-palestiniana do Daniel Oliveira tem uma vantagem sobre o campo oposto: ele acha que o ciclo vicioso por ser quebrado, evitando a lógica repressiva (e retributiva), e sem com isso pôr em causa a existência do Estado de Israel. O Daniel não toma partido por um dos lados mas sim pela solução do problema. Pode estar enganado, mas não pode ser acusado de alimentar a lógica que, tragicamente, continua a determinar o curso dos acontecimentos. O mesmo não se pode dizer daqueles que tratam os Palestinianos como crianças que só aprendem à paulada. Esses, infeliz e irresponsavelmente, pertencem à logica que o Daniel quer evitar.

Comentários

Comentário de Filipe Moura
Data: 7 Março 2008, 17:39

Muito bem.

Comentário de ezequiel
Data: 7 Março 2008, 17:42

Caro João, eu tb já acusei o DO de parcialidade apesar de nunca o ter acusado de pretender perpetuar a perversa lógica do conflito. O prob das interpretações do DO é de outra natureza.

Poderias fazer-nos o favor de mencionar (por link se desejares) os textos onde o DO exibe esta notável imparcialidade ou elevação moral, se preferires. Os que li não são grandes exemplos de perspicácia histórica mas posso estar completamente errado.

Where are the texts??

cumps

Pingback de Arrastão: Equilíbrio?
Data: 7 Março 2008, 18:16

[...] como diz o Nuno, uma diferença fundamental entre mim e os mais ferozes defensores de Israel: eu defendo um Estado [...]

Comentário de ezequiel
Data: 7 Março 2008, 19:04

Este comentário assenta, toda ele, na mais pura normatividade. Nem uma palavrinha acerca da natureza da natureza da guerra em questão (refiro-me à realidade concreta da guerra, ás tácticas e estratégias usados por ambos os protagonistas…enfim), das tácticas utilizadas por ambas as partes (que explicam, mas não justificam, os 200 mortos Palestinianos)…

Estamos a falar de uma guerra. A guerra é o facto primordial aqui. Mas o DO não se preocupa com as questões militares. Diz que ambos são terroristas sem explicar os porquês das coisas. São ambos terroristas porque ambos matam civis inocentes. Ok, até aqui no probs. Todavia, o porta voz do hamas referiu-se ao ataque a Jerusalem como uma “missão heróica (!)” (ver BBC)…já ouviram os governantes Israelitas a falar da morte dos palestinianos como um feito “heróico”??? Já ouviram governantes israelitas a falar da destruição total da Palestina como um objectivo estratégico do estado de Israel? Serão estas considerações irrelevantes??

Não preciso de negar ou de tentar ofuscar as tremendas injustiças cometidas pelo estado de Israel…nem as dos outros que só não se concretizam porque ainda não conseguiram a primazia tecnológica. Mas também não preciso de tratar a “ocupação” como um acto intencional, como um objectivo estratégico. Comparemos, pois, os objectivos estratégicos de ambas as partes. A lógica das organizações implicadas neste perverso processo. A natureza dos dois “estados.” A cultura política de ambas as partes. OS fanáticos Judeus que defendem o “Grande Israel” são uma MINORIA INCONSEQUENTE. O mesmo não se pode dizer do hamas, com quem compartilham ideais igualmente perniciosos. A nossa imparcialidade acerca deste assunto, sempre precária, deve resultar de um estudo sério de todos estes factores. Adoptar uma linguagem Papal para descrever um cenário de guerra parece-me descabido.

O “ideal”, para Israel, seria o seguinte: conseguir magoar ou eliminar apenas os terroristas. Esta sempre foi a doutrina do estado de Israel em relação ao terrorismo Palestiniano…desde os seus primórdios. Israel não tem conseguido implementá-la de forma eficaz, infelizmente. Se conseguissem, teriam a opinião pública do seu lado. Seria um importante passo para a paz: evitar a morte de inocentes. Mas quando não é possível isolar os terroristas, quando eles se implantam, por vezes a ferro e fogo, outras pela via da empatia popular (que resulta em grande parte das mortes dos inocentes Palestinianos, uma injustiça injustificável…se fosse Israelita preferiria NÃO agir quando existe uma forte probabilidade de mortes de inocentes…do que agir injustamente…Os Israelitas devem saber que enquanto não forem capazes de conseguir isto…a opinião pública mundial estará sempre contra eles…porque, no fim, o que conta é a tragédia, as mortes….e é aqui, neste contexto, que pessoas como o DO estabelecem a tal equivalência moral que se afigura como plausível…APESAR das diferenças de fundo substantivas (motivação)…

Comentário de ezequiel
Data: 7 Março 2008, 19:07

Diria que a posição do DO é inquestionavelmente Cartesiana, formal.

desculpas pelos muitos erros do texto mas estou cheio de presssa

Comentário de ezequiel
Data: 7 Março 2008, 19:16

Ou seja, Israel NÃO deve e NÃO pode matar inocentes. Por razões morais óbvias e por razões estratégicas. Mas qualquer militar ou estudante de ciência política sabe q isto não é fácil no contexto actual…quando os terroristas usam as populações como escudos (muitas vezes de livre vontade. Causas: as acções israelitas e a doutrinação bélica das escolas primárias)…a mesma táctica é usada pelo hezbollah…

Comentário de Luis Rainha
Data: 7 Março 2008, 19:19

Se queres falar de desvarios de porta-vozes, podes também olhar para o chefe da ISA, para quem todos os mortos palestinianos na Faixa de Gaza são terroristas, sejam quais forem as suas idades e independentemente da sua participação em hostilidades.

Comentário de ezequiel
Data: 7 Março 2008, 19:29

o prob do DO é que ele, quando fala de Gaza, parece esquecer-se do hamas e tudo o que o hamas faz em gaza…raramente fala dos rockets…(centenas a “aterrar” em israel durante semanas…SEM resposta do estado israelita….raramente fala da ideologia do hamas, dos seus lideres, das suas práticas de intimidação…da eliminação arbitrária de elementos da fatah (o que é q isto nos diz acerca da motivação, da ideologia???) Nunca li um artigo do DO sobre estes temas. Talvez não os tenha lido. (mas visito o arrastao há muito, quase todos os dias…)

Comentário de ruibarbo
Data: 7 Março 2008, 19:39

Bom link, Luis Rainha

O que vale é que mesmo em israel nem todos são tão idiotas (ou pusilânimes) como os defensores da política israelita. E o pior é quando este chorrilho de lugares comuns vem embrulhado em atoardas filosóficas de duvidoso gosto…e sentido.

Comentário de ezequiel
Data: 7 Março 2008, 20:17

o prob do DO é que ele, quando fala de Gaza, parece esquecer-se do hamas e tudo o que o hamas faz em gaza…raramente fala dos rockets…(centenas a “aterrar” em israel durante semanas…SEM resposta do estado israelita….raramente fala da ideologia do hamas, dos seus lideres, das suas práticas de intimidação…da eliminação arbitrária de elementos da fatah (o que é q isto nos diz acerca da motivação, da ideologia???) Nunca li um artigo do DO sobre estes temas. Talvez não os tenha lido. (mas visito o arrastao há muito, quase todos os dias…)

Comentário de Lino
Data: 7 Março 2008, 23:01

Há longos, longos anos que o drama do conflito entre Israelitas e Árabes faz vítimas inocentes. Hoje é fácil encontrar maus num lado e no outro das barrricadas e apontar umas acções como boas e outras como condenáveis em função daquilo que julgamos ser o mais justo.
A racionalidade imporia pensar um pouco em qual será a verdadeira capacidade das forças que se confrontam e a partir daí tentar perceber as acções dos contendores. Já agora ajudava também fazer um balanço do total de vítimas dum lado e do outro. E porque não também uma comparação entre os inqualificáveis ataques bombistas a alvos civis e as não menos inqualificáveis represálias a alvos igualmente civis, muitos deles, massacres praticados em campos de refugiados.
Mas na minha modesta opinião é preciso voltar ao princípio do século passado, quando o movimento sionista começou a tomar corpo e apoiantes, para encontrarmos os verdadeiros culpados desta tragédia. Aí encontraremos a potência administradora daqueles territórios, a Inglaterra, e saberemos da solução de lorde Balfour. Mais tarde para solução do problema judaico e para alívio de consciências, após a 2ª G.G. juntaram-se à ideia outras potências ocidentais e principalmente os EE.UU.
Neste rememorar da história não ficaria mal, também, averiguar qual a composição demográfica daqueles territórios no princípio do século passado.
Portanto, e mais uma vez na minha modesta opinião, o ocidente tem sérias responsabilidades naquele conflito e nos fundamentalismos que ele tem gerado. Têm a obrigação moral de agirem efectiva e seriamente para que ele termine em lugar de andarem a brincar aos acordos de paz.

Lino S.

Pingback de Os Israelitas são Israel « O Insurgente
Data: 8 Março 2008, 0:14

[...] 2. A criação de um estado Judeu foi a forma mais idiota que os Europeus tiveram para arrumar o seu anti-semitismo para debaixo do tapete. Esqueceram-se que já alguém lá estava debaixo do tapete. A minha opinião é de que Israel nunca deveria ter existido e foi constituído de forma ilegítima. Mas, como muitos outros estados, até diria a maioria dos estados, ganhou legitimidade com o tempo. Como parece defender o Daniel Oliveira, idealmente a solução para o conflito israelo-árabe passaria pelo regresso às fronteiras de 1967, ou outro qualquer acordo que implicasse a aceitação do direito à existência de uns e outros. Pragmaticamente, tal não será possível, porque o objectivo último (porventura com algum fundo de legitimidade) dos países árabes é a extinção do estado de Israel. Em todos os países árabes, Israel não consta nos mapas, os cidadãos israelitas estão proibidos de entrar e até a própria palavra “Israel” surge sempre entre aspas. Ninguém, por mais pacifista ou idealista que seja, acredita que se Israel abandonasse os ataques e recuasse para as fronteiras de 1967, os Palestianos passassem a conviver pacificamente com a existência de Israel. Pragmaticamene teremos que admitir que se Israel levantasse o bloqueio a Gaza, se permitisse a livre entrada e saída de pessoas entre os dois territórios, o número de atentados em Israel subiria. Poupar centenas de vidas palestinianas custaria algumas dezenas de vidas israelitas. Mas quando falamos da defesa da vida dos mais próximos, a aritmética não conta. Se a solução me agrada? Obviamente que não. Sempre lamentarei as mortes inocentes de ambos os lados. Mas também aceito que há menos imoralidade em lutar pelo direito a existir do que lutar pela extinção do outro, independentemente da aritmética da guerra. Mas, claro, como afirmam o João Galâncio do topo do seu pedestal moral, eu devo é ser um fanático da guerra. [...]

Comentário de xatoo
Data: 8 Março 2008, 0:59

não há nenhum problema com a religião judaica ou muçulmana. O que há é um problema, grave, com a extrema direita Sionista que governa Israel conluiada com os ultraconservadores que estão no poder nos Estados Unidos.
Com os “democratas” o problema baixa de intensidade, mas a ajuda militar e financeira persiste. De acto não é “ajuda”; 90% do capital movimentado em Wall Street é de empresas judaicas; o Sionismo fez uma opa aos EUA e controla ambos os partidos e o complexo industrial militar. Para concluir, a cereja em cima do bolo: os Rothschilds (mais de 3 triliões em activos) controlam a FED
http://en.wikipedia.org/wiki/Mayer_Amschel_Rothschild_family

Comentário de ezequiel
Data: 8 Março 2008, 7:37

o insurgente já nos habituou aos…

cof cof cof
debaixo do tapete estavam tb muitos judeus q de lá nunca sairam ..mas suponho que estes sejam detalhes empíricos irrelevantes…suponho tb que os romanos lutaram contra extra terrestres quando conquistaram a Judea…eu tenho cá para mim que foi o ET que implantou os Judeus na “Palestina” (Britânica)

haja uma santa pachorra. E vieste tu lembrar-nos deste antro de erudição que dá pelo nome de insurgente e, pior, preocupas-te com a malta do aquário (com a honrosa excepção do koolio Pedro Marques Lopes e do unjustly departed Tiago..porra, onde anda o Tiago? A true gentlemen…gostava de conhecer aquele sacanoide! :) :) João…nada de dar comida a peixes…nem de devaneios neo-neuróticos…por favor, poupa-me, poupa-nos eh he he ehe hh e he ehe hh ee he heh eh :)

ó xatoo, andas a ler a banda desenhada errada…já leste os protocolos de sião??? fico com a impressão que vais gostar… imagino-te a marchar na praça vermelha…com o camarada estaline a cozer as botas, no background…90% do capital é judeu..o gato é judeu…os judeus estão por toda a parte…dominam tudo…man, get fucking real! tu conheces o poder dos eua? Tu achas, nesta tua cabecinha “conspiratorial”, que os judeus MANDAM nos EUA??? São muito influentes, é vero. Mas os italianos e os alemães dão-lhes calças no que diz respeito ao poder (vero)…sabes quantos alemães emigraram para os EUA? Quantos Ingleses, Irlandeses, Escoceses, etc…Chinocas…tu conheces o verdadeiro poder americano, que resulta desta síntese dramática e conturbada? Man, you`re in la la land. (não consigo argumentar melhor a estas horas…sorry)

Comentário de ezequiel
Data: 9 Março 2008, 20:32

Caro Rui Barbo

preferiria se me tivesse explicado a minha idiotice invés de me acusar de ser idiota. Se comparar a minha posição com a dos partidos políticos israelitas perceberá que eu não seria de direita….de facto, estaria bem à esquerda. mas pronto, optou apenas pela acusação. Muito revelador, de facto.

espero que, para a próxima, me explique porque é que eu sou um idiota.

cumps, ezequiel

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